sexta-feira, dezembro 29, 2006

Moacir Santos



Biografia

Moacir Santos é considerado pelos críticos e pesquisadores musicais como um dos principais arranjadores e compositores brasileiros, aquele que renovou a linguagem da harmonia no país. Moacir Santos começou cedo sua história musical, se unindo à banda da sua Flores do Pajeú natal, em pleno sertão pernambucano, aos 14 anos, tocando saxofone, clarinete e trompete, entre outros instrumentos. Dois anos depois ele saiu pelo nordeste afora até 1943, quando arrumou um emprego na Rádio Clube de Recife. Em 1945 foi para a Paraíba, onde tocou na banda da Polícia Militar e na jazz band da Rádio Tabajara como clarinetista e tenorista. Em 1948 ele mudou para o Rio de Janeiro, onde trabalhou na gafieira "Clube Brasil Danças" durante 18 anos como saxofonista, arranjador e maestro.Outro longo emprego que teve foi na Rádio Nacional, começando como tenorista da Orquestra do Maestro Chiquinho. Como fazia arranjos sem conhecer as regras, Santos se iniciou em teoria musical com Guerra Peixe e depois foi estudar com o grande musicólogo e compositor alemão Hans Joachim Koellreutter, de quem Santos depois se tornou assistente. Durante essa década ele começou a dar aulas, mas foi nos sessenta que ficou famoso, sendo professor de grandes talentos, como Paulo Moura, Oscar Castro-Neves, Baden Powell, Maurício Einhorn, Sérgio Mendes, João Donato, Roberto Menescal, Dori Caymmi e Airto Moreira, entre outros. Em 1951, ele foi convidado por Paulo Tapajós, diretor da Rádio Nacional para ser um maestro e arranjador do elenco, onde permaneceu até 1967. Em 1954, Santos foi para São Paulo onde dirigiu a orquestra da TV Record. Dois anos depois, ele voltou ao Rio de Janeiro, retomando seu trabalho na Rádio Nacional e se tornou regente na Copacabana Discos. Com o prestígio alcançado no Brasil, Santos gravou em 1965 pela Forma, o seu primeiro álbum solo, "Coisas". Santos compôs trilhas sonoras para muitos filmes como "Love in the Pacific", "Seara Vermelha"(Rui Aversa), Ganga Zumba (Cacá Diegues), O Santo Médico (Sacha Gordine), e Os Fuzis (Ruy Guerra), entre outros. Em 1967, ele deixou a Rádio Nacional e se mudou para os EUA, indo morar em Pasadena, onde ficou dando aulas de música até ser descoberto por Horace Silver. Em 1985, ele abriu junto com Radamés Gnattali, no Rio de Janeiro, o I Free Jazz Festival. Em 1996, ele condecorado pelo Presidente Fernando Henrique com a comenda da Ordem do Rio Branco. No mesmo ano, Santos foi homenageado no Brazilian Summer Festival em Los Angeles.Seus arranjos originais para várias de suas composições foram transcritas por Mário Adnet e Zé Nogueira no álbum duplo "Ouro Negro"(2001), que teve as participações de Milton Nascimento, João Donato, Gilberto Gil, e do próprio Moacir Santos, entre outros.

Discografia
1965
Coisas
Forma/Universal Music
1972
Maestro
Blue Note
1974
Saudade
Blue Note
2001
Ouro Negro
Independente

das Neves

de 36 a 49 – de 0 a 13 anos
Criadores da Escola – Old School

terça-feira, dezembro 12, 2006

Verdana

Preciso voltar a mim mesmo. Hoje estive fora. Fora do mundo, fora da mente que pensa nos problemas. Ando crescendo para dentro ultimamente, lendo as aventuras de Alice. Preciso voltar.

weIsSe KaTzE

domingo, dezembro 10, 2006

Riso rizoma

Preciso falar incessantemente como se se eu parasse, algo sobre o vazio sem sustentação cairia com a leveza de uma bigorna e desmancharia no ar antes de alcançar o chão. Preciso falar mesmo que apenas para preencher esse pedaço de espaço virtual, esse papel eventualmente. Ah! porque q eu fui lembrar de não mais me preocupar e sofrer com o anonimato, mas saber que, como disse o outro: o importante é caminhar. Não importa que seja na frente. Os que estão ao lado também têm seu valor na caminhada. Papo meramente político, mas isso me tocou. Eu sou anti-maquiavelíco. Não importa o quanto seus pensamentos políticos tenham servido para elucidar o panorama da época, chegando a traçar uma elaborada via de conduta. Vejam, eu tenho que falar. Comigo mesmo, com o teclado, com você, seja quem for onde estiver. Tentei contato com seres humanos, mas tá difícil. Eles sumiram. Talvez (palavra que a tudo define ou indefine) eu tenha sumido. E é assim que eu estou me sentindo: invisível. É assim que eu acho que todo mundo se sente, não importa o brilho dos holofotes. Por isso elas tanto os desejam. Para não passarem a vida sem dinheiro e ainda mais desapercebido. Não perceberam ainda que existe um maneira pouco convencional de ser livre. Essa maneira que cada um, eu sei se sente vítima de uma prisão aberta, deve encontrar. Às vezes pouco convencional, às vezes totalmente convencional. Mas libertar-se a qualquer custo. Mesmo que esse seja a própria vida.

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Ein von der viel

Tua goela!



Nervos na mão
escolho a informação
vou sair daqui


não aguento mais essa

rodadesonsdesencontrados
cacos de palavras sobrepostos
paravólas ânvulas de caos

Vai-se

alçar vôo

o doce trombone
já vai se acalmando
na Paleontolinésia

sábado, dezembro 09, 2006

YouTube

ajg GODOTil,mhbhslç´ ] [ ]ç,mnbvcxdazwq24topúç´´ppo=-09i987766567126482iytdlelkbef.u buewyt8dofup94u-8qvt8elri~qvp3>adlfhi h~vihrp np 9u~-9u-p bç´´];ç n070
Godard
c'est ça
..................................................................................KaTze
........

Conclusões


ALLA TEDESCA

Pode-se dizer, usando a linguagem alimentar que existem pessoas amargas, indigestas, azedas até. mas não estou certo de que já se tenha dito que o amor também possa ser como o movimento d uma ulceração contínua. Há vítimas que nascem com vocação para carrasco e há vítimas que serão sempre vítimas. seja desse, dessa ou daquele outro. O amor como movimento regurgitório, autofágico, canibal. Enquanto Cronos devora uma vaga noção de tempo.

Alice e o gato de

Cheschire
Eu nunca estive preparado para nada e mesmo assim a vida seguiu seu rumo, inevitavelmente, ao mesmo tempo em várias direções. Nao importa que a vida seja mesmo uma aventura errante. O que importa agora é me sentir vivo. Estou preparado para o que vier ao meu encontro. Como lidar com esse algo indecifrável? Porque amanha será o passado.
Katze

segunda-feira, dezembro 04, 2006

O Anti-Édipo

Escrevo aos pés de São Miguel Arcanjo, sobre os auspícios de ser também um anjo. De ser um anjo caído, distraído. De saber o que é o amor, sem dicas, nem regras, nem que direção tomar mas, se não é uma máscara impassível, uma barreira, se não está nos copo e nem é filtrado e nada significa então isso é o que não é o amor. O amor é o perdão. Próximo ao dia 8 de dezembro, dia da morte de John Lennon, as pessoas escrevem cartas à Yoko Ono. Em resposta ela, que alguns amam e outros odeiam, escreveu uma elegia ao perdão:
"O dia de 8 de dezembro está novamente se aproximando. Neste dia, todos os anos, sei que muitas pessoas em todo o mundo se lembram de meu marido John Lennon e de sua mensagem de paz", escreveu Ono em carta publicada pelo jornal New York Times.
A viúva de Lennon também mencionou o sofrimento de outros que perderam entes queridos em atos de violência, assim como dos que sofreram abusos e torturas.
"Digo às pessoas que perderam entes queridos sem motivo: perdoem-nos por não ter conseguido impedir a tragédia, e rezemos para que as feridas se fechem", diz o texto. "Aos soldados de todos os país em todos os séculos, que ficaram aleijados por toda a vida ou que perderam a vida, digo: perdoem-nos por nossos erros de julgamento e o que aconteceu por causa deles", prossegue. "Às pessoas que foram abusadas e torturadas: perdoem-nos por ter permitido que isso aconteça", acrescentou Yoko Ono. "Como viúva de alguém que foi assassinado em um ato de violência, não sei se estou pronta para perdoar o homem que apertou o gatilho. Estou certa de que todas as vítimas de crimes violentos sentem o mesmo do que eu. Mas sarar é do que o mundo mais precisa hoje. Saremos nossas feridas juntos", pediu Ono.
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Signed

Weisse KaTze

vida seca

A LOUCA ESTÉTICA DE DONA MARCELINA. Enquanto íamos e vínhamos eu observava aqueles lugares onde nunca fomos, como aquela noite em Nova Era, queria ter dito mais vezes eu te amo, quimera...Eu observava, no banco do passageiro, as labaredas das indústrias, os descampados, os aglomerados, as beiras de estrada... e me lembrava da Dona Marcelina. Ela quem limpava o apê da Valentina, de forma estranha e meticulosa. Como eu poderia descreve-la? sendo que a vi tão poucas vezes. Era uma senhora de baixa estatura, bem baixa, corpulenta e tímida. O fato é que ela tinha um senso muito louco de limpeza. Ela limpava cada taco do chão, um por um, deixando os que não conseguia para outro dia e uma visível obra de arte no chão. Talvez pela proximidade visual e meticulosidade com que ela exercia cada função, fosse ela assim, sem saber, criadora de estética visual única na arte de limpar tacos de madeira. Se eu fosse antropólogo ou psiquiatra eu estudaria essa mulher. Como ela desenvolveu essa metodologia de limpeza, de onde vem essa obsessão assimétrica e simétrica, em quanto tempo ela calcula limpar todos os extras. Se ela tem noção da susceptibilidade do emprego, e se ela tem, o que ela acha disso, de deixar uma obra inacabada. Essas são as perguntas que eu nunca fiz.
Weisse Katze

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Para Theo

MEU TIPO INESQUECÍVEL, segundo os princípios do neopositivismo de Wittgenstein. E o que eu poderia falar do meu tipo inesquecível? Sendo que esse foram tantos e de tantas formas? Eu falaria dos olhos da Beatriz: tristes e alegres ao mesmo tempo, jamais irradiantes. Eu me lembraria de uma característica física de cada uma delas, sendo que considero como tipo aquela pessoa que marcou sua vida, no caso, no amor. Por falar nisso, eu acho o ponto e vírgula tão inútil. Esteticamente ele é feio. Eu me lembraria jeito de cada uma. Remontando um quebra-cabeças de cada uma. Seria isso possível. Talvez. Os sonhos de Pesseguinho, sua boca, seu olhar inatingível, por mais longe que eu fosse dentro dos seus olhos. Um poeta vive de sonhos e sobrevive sei lá de que. De amor. Nesse caso, amor pode ser idolatria, piedade, pena, ou desprezo. O amor pode ser tudo, até ódio. Mas o contrario dificilmente é verdadeiro. O Dalhai Lama fala que você pode até sentir raiva(ele não diz ódio) por alguém que você ama(partindo do princípio de que se ama a todos, o amor fraterno) e vê que não está fazendo a coisa certa. É isso que ele diz.... Eu odiei e amei muitas vezes. Devia ter só amado? Nem a mi mesmo isso acontece. Por isso é tão difícil escrever sobre esse tema. Ah.. tem uma pessoa nessa história que eu incluiria: minha mãe.

terça-feira, novembro 28, 2006

Para Mildred


Você foi de uma beleza sólida
aos meus olhos bacantes
Queria essa embriaguez para sempre
Não quis hora nenhuma te ofender
eu quis você
Me completa
Com a mesma toalha que limpei minha porra
enxuguei minhas lágrimas
Eu só queria te ver e morrer no sonho
ao invés de acordar de um pesadelo
Ter a cumplicidade de olhar nos seus olhos,
intimamente.
de um gozo que nunca tem fim
Com amor,

Ein von die viel


Feinde der Grammatik

quinta-feira, novembro 23, 2006

Profissão e Sacerdócio

Sabem quem é esse neguinho aí em cima? É o Spinoza. Pois então, é por esse caminho espinhoso, de ler, reler e ler novamente até entender os pensamentos e a forma de expor o pensamento dos outros, que transitam os fortuitos filósofos. Eu prefiro ouvir jazz, mas não deixo de ler. Sem compromisso com a academia e a erudição que ela requer, sem pensar nos rótulos. Deixo isso para os glossadores, como o próprio Deleuze diria. Digo isso na minha condição de poeta e homem das palavras. Há um pensamento nas entrelinhas? eu não sabia, mas procuro contrariar um pouco a gramática, assim como os filósofos criam palavras e os filólogos as explicam. E esse caminho espinhoso da filosofia eu não quis, nunca sonhei. Considero que no máximo dos máximos eu deva ter apenas um baixíssimo e frustrado devir filosófico. Mas foda-se. Fodam-se os academissismos e os acadêmicos por consequência. Quem vai organizar meu pensamento sou eu. Ou talvez um bom psiquiatra? Vá lá então o que é a psicologia ou a psiquiatria? A que se dedicam esses nobres seres humanos, não mais do que humanos? Talvez seja eu um dissoluto. Perdido na memória rústica e talvez cruel do passado que eu acredito. Talvez, talvez, talvez, mais nada além de talvez, talvez quiçá. E então faço essas palavras pertencerem a mim e tecem uma longa teia na eternidade. Num momento em que tenho que sentar no ombro de gigantes que nem nunca vieram aqui na rocinha pra falar o que é Deus ou criar conceitos e discutir a própria maluquice. Sinto muito mas a porralouquice tomou conta geral, invadiu. É como Fernando falou: " Ninguém sabe que coisa quer/ Ninguém conhece a alma que tem/ Nem o que é mal/ Nem o que é bem. . ." encerro a minha ladainha por aqui. Mas saiba que muitos jazzistas americanos e sambistas brasileiros (o óbvio ulula) ganharam o pão com a sua ladainha. Dizzy, Thelonious, Mingus, Cartola, Sargento, Lupicinio Rodrigues...e por aí vai, até hoje. Ladainha de boa qualidade. Que diz o que tem pra dizer, não enrola, só na hora, e faz. BuM!!

Profissão e Sacerdócio


Axioma
A partir do relato de minhas próprias experiências tentarei demonstrar que, em menor ou maior grau, profissão, ainda hoje, pode ser cosiderada uma espécie de sacerdócio da era moderna. Qual o que, em busca de uma profissão que possa defini-lo socialmente, o peso do dinheiro ainda é maior que qualquer idealismo. Pense no meu ideal de ser escritor. Como explicar isso para a sociedade? Como sobreviver com todas as letras? Palavra por palavra? Da observação do que supostamente seja essa corrida por uma estabilidade econômica, casada à realização pessoal, tentarei de forma clara e isenta estabelecer pequenas verdades sobre cada profissão a ser analisada. A começar por aquelas mais óbvias que serão invintávelmente abordadas e usadas como figura de linguagem, como o próprio sacerdócio. Também sair em defesa de cada uma. A medicina, em seu valor milenar, também como forma de sacerdócio, relativo às reverências recebidas por aqueles que têm prestígio dentro da sociedade (que quanto menor, mais poder social esse indivíduo deve ter). Mas simultaneamente tentar desvendar os males e estigmas que assolam cada uma.
Continua Prólogo...

quarta-feira, novembro 22, 2006

Conto de Fadas


Para sair um pouco dessa história de mim mesmo um tanto ensimesmada: um conto de fadas, mas, somente nos sonhos de Mildred.
Numa aldeia longínqua, fora de todas as rotas de comércio e de passagem onde hoje é o norte da Alemanha, viveu uma moça muito romântica e sonhadora, seus olhos porém, não mais normais do que seus pensamentos, sua força guerreira era de uma ancestralidade celta e gnóstica. Esses contos Pã, de fadas, elfos, duendes e gnomos, que eram contados apenas nas tabernas estavam proibidos pelas leis da Igreja, católica ou protestante. Nessa época, por volta de 1780, os caprichos se chocavam entre o alto clérigo e a nobreza mas isso não é importante agora. O importante é que essa moça se apaixonou uma vez. Tão somente uma única vez.
Nessa aldeia vivia também um rapaz que já era um homem, pois naquela época os homens viravam homens mais precocemente. E aquele rapaz trabalhava: plantava e colhia, cortava e carregava lenha para quase todos os aldeães e enquanto caminhava pelas colinas do campo, seu pensamento fluía para além do horizonte, até que seus olhos pudessem enxergar somente o vulto das montanhas.
Não eram muitos os jovens na aldeia e tampouco com a vitalidade que deles emanava, como perfume de jasmim em noite de verão misturado à relva selvagem dos bosques, isso fez com que os dois se aproximassem um do outro.
Continua...

terça-feira, novembro 21, 2006

eu quase eu



eu quase eu.


A vida é assim essa confusão sem vírgulas sem fim, de atrapalhadas ilusões. Eu quase eu. Com dor de estômago, sem voz, sem fôlego, eu quase morro, tropeço, sofro. Abuso da festa que é estar vivo. Abuso do tempo, das horas. Quem não acompanha (Cronos) se assusta quando elas passam. E quando elas não voltam mais, feito as mulheres. Pregos escorridos no metal líquido do surrealismo. Floresta de vidro. Este sou outro eu.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Abalada Idiossincrasia



No embalo desse eterno momento
o ciúmes, um afago, um apego,
um beijo
Há cumplicidade entre dois seres
nasce e morre e cresce
o homem
Se o meu corpo falasse
e minha alma fosse algo
além de mim mesmo
restaria apenas
o desejo

domingo, novembro 19, 2006

Por onde andará Valentina?
os porcos e pigmeus devem saber.
além dos putos.

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Nasce um jornal

Picolé de notícias

Como



Como impedir que eu me engane? Que não seja ético comigo mesmo? Como não impedir que eu chore? Que eu me envergonhe? Como não continuar me enganado? sem saber ao certo o que é verdade? Como ñ duvidar? Como calar? Como ser um bicho escroto nessa batalha titânica de ser uma barata? Como preencher essa página ,à toa? Como ainda não ser? E o Zé, como vai? Como não encher a pagina de perguntas? como uma galinha ciscando dúvidas? Eu e nem ninguém, sabe o que quer. "Ninguém conhece a alma que tem...

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É a Hora
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(Fernando Pessoa)
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Nem Rei
Nem Lei
Nem Paz
Nem Guerra
Define o perfil do ser
Este fulgor Baco de Terra
Que Portugal a entristecer
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Brilho sem luz
e sem arder
Que o fogo fátuo
encerra
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Ninguém sabe que coisa
quer
Ninguém conhece a alma
que tem
Nem o que é Mal
Nem o que é Bem
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Que ânsia distante perto
chore?
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Tudo e disperso e derradeiro
Tudo é incerto nada e inteiro
Ô Portugal, hoje
és nevoeiro

É a Hora!

terça-feira, novembro 14, 2006

vor drei Tagen

Nesses dias não tenho me sentido muito bem. Sem libido, sem vontade. O sábado e o domingo passei sozinho. Há alguma coisa dentro de mim que não encontro, a buscar nos instintos, a buscar nos livros, a buscar no abismo, a buscar em um dicionário. Esqueço as coisas que se vão na velocidade infinita do pensamento. São pontes que desabam entre u pensamento e outro. Outrópico. Voa como uma pássaro livre. Quando pensava que meu barco ia em direção ao mar a maré o trouxe de volta para a bahia. de volta ao horizonte sinuoso onde nos apoiamos em mesas, platôs, taças e em que a atividade em si se torna o horizonte, o plano de imanência. Numa terra onde me sinto tentado a sair a ser um cigano, me desvencilhar dessas montanhas que acercam nossa cidade. Ir além do círculo que se fecha entorno do meu próprio umbigo entre a infinidade em que voa o pensamento e o exercício de mantê-los à razão de uma atividade diária de sermos "seres lentos". Em dias como hoje em que dormi a tarde toda, ouvi barulho de avião, atendi duas vezes o telefone, vejo, com uma peculiar distorção algo que aparenta ser Realidade. A, como alguém diria, nervura do real. Tenho preferido dormir, entretanto, na tentativa vagarosa de me adaptar a isso. Ler é ouvir o que alguém tem a dizer, às vezes no tom mais agudo. Tenho preferido escrever a ler.
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Weisse Katze

segunda-feira, novembro 13, 2006

A Lagoinha e seus segredos

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Em nossa tentativa de descobrir um pouco mais da essência do Bairro da Lagoinha, que fazia parte da zona boêmia e se eternizou em livro, série de TV e muitas outras historias com seus personagens nobres ou dissolutos, entramos em contato com dona Marília Ferreira de Freitas, ex-aluna do UNI-BH, na época em que a instituição se chamava Fundação Belo Horizonte, e ela concordou em nos ceder essa entrevista. Estávamos motivados a saber mais da época em que, "de repente não mais que de repente", a ditadura se instalou de vez no Brasil, mais precisamente em 1964, o chamado "ano do golpe militar". A intenção era entender um pouco mais o que acontecia na vida daquelas pessoas e qual era o seu cotidiano, de uma maneira geral. Uma entrevista que abordasse as lembranças mais tênues de alguém que viveu essa época. Em nossa conversa dona Marília recordou-se de vários fatos peculiares e engraçados. E também revelou-nos saborosas lembranças daqueles que foram chamados anos dourados. Confira.
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Papagaio Mudo: Para começar, nos conte um pouco como era a vida cotidiana da sua família?
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Marília de Freitas: Bem, meu avô saiu de Catas Altas muitos e veio morar aqui nesse bairro, quando a cidade ainda era bem nova. Meu pai consertava coisas, era mecânico. Ele tinha um Ford modelo 28. Eu me lembro de ter andado nesse carro. Ainda hoje ele é preservado por meus irmãos como uma relíquia de família. A minha família aliás é uma das mais antigas do da Lagoinha, assim como os Vaz de Melo, a família Morici, de origem italiana, e a família Sampaio.
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P. M. : Em geral como era a aparência do bairro? Como era o cenário em que vivia a sua família?
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M. F. : Na minha casa havia fogão de lenha. As casas eram como chácaras espalhadas entorno do Conjunto I.A.P.I. . Dizem que no início da construção da cidade havia, onde hoje é a avenida Antônio Carlos, uma lagoinha, que acabou dando nome ao bairro. As ruas em de pedras, haviam procissões das igrejas...havia também um único ônibus, o bonde...Ah tinha a "Casa da Loba"

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P.M. : Era uma casa residencial? Por quê tinha esse nome?
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M.F. : Eu acho que era chamada assim por ostentar na eira aquela cena clássica da loba amamentando Remo e Reno, mito de criação de Roma, sabe? Deve ser por isso que era famosa a casa.
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P.M. : Haviam pensões ou hotéis na Lagoinha, devido à proximidade com a rodoviária?
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M.F. : No bairro haviam republicas de estudantes que vinham do interior cursar o Cefet ou a UFMG. Tinha também aquelas casas para moças, sabe? E duas ou três pensões sim, talvez mais, não me lembro bem.
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P.M. : Você se recorda dos jovens e do comportamento das pessoa naquela época em que a Lagoinha fazia parte, senão centralizava propriamente a zona boêmia da cidade?
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M.F. : Sim, eu me lembro. Era um tempo de serestas e serenatas, em que os jovens tocavam violão na porta das casas. O bairro era mesmo dos pinguços e das putas durante a noite, mas eles respeitavam a vida cotidiana dos moradores. Meu tio era oficial do exército e músico da banda marcial. Ele tocava no Montanhês (clube) e tocou uma vez com Luís Gonzaga, o rei do baião. A minha tia se vestia de homem, para não ser reconhecida, e ia lá no clube vigiar meu tio. Não sei porque me lembrei desse fato curioso...
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P.M. : Aproveitando o viés dessa conversa, dizem que na época lendas de alguns personagens exóticos. Você se lembra de algum?
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M.F. : Ah, sim, claro. Aquela era a época do Cintura Fina, que era bastante conhecido na zona boêmia, mas naquele tempo era só uma figura folclórica da cidade e ninguém sabia que iria virar patrimônio literário belorizontino. E tinha a Loira do Bonfim, que muitos disseram ter visto e as pessoas tinham medo, faziam medo nas crianças. Essa sim era uma verdadeira lenda da época.
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P.M. : E como eram os carnavais da época? Você se lembra de algum bloco caricato?
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M.F. : Lembro sim. Era muito bom o carnaval. Não tinha toda essa violência que a gente vê hoje em dia. Eu desfilei no Canto da Alvorada, bloco aqui do bairro da Lagoinha, e tinha também o Bloco dos Caricatos, do Santa Teresa e o Boca Branca, do Floresta. E nos clubes também tinha carnaval. Nos bailes do Fluminense a gente pulava carnaval de sandália Havaiana e era normal.
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Nome: Marília Ferreira de Freitas
Idade: 50 anos
Profissão: Professora
Meio de transporte: Ônibus
Time do coração: Atlético Mineiro
Medos: Da morte, da violência e dos clichês
Sonho: Ganhar na loteria
Frase ou pensamento: "A vida é o pecado dos homens"
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Aguerdem mais um perfil de um ilustre anônimo . . .

terça-feira, novembro 07, 2006

Se te dizem

Se te dizem um segredo e você está disposto a realmente não contar esse segredo, você se sente importante. As coisas fluem como devem fluir, mas não fazem como queremos, o quê, quem? Sei lá. "O medo é cultural". E se se abstrai dessa cultura enraizada na barriga, e se se morre filosoficamente sem enlouquecer, pois é o que a sociedade pede aos artistas: morrer, um pouco mais de autocontrole, loucura sadia, loucura comedida, nada de loucura bandida embora essa acaba por aprender a sobreviver, tudo parece normal, tudo parece quase irreal, mesmo a dor que dói na pele, ou angústia se tornam mais suportáveis. Sei lá o que é silêncio o que reverbera dentro de mim sem dizer nada, sem se despedir mesmo quando durmo em sonho, não diz nada. Mas de madrugada, a porta do quarto se abre e aponta um brilho de outro mundo aqui mesmo na terra, o sol Shambala, o Zen, o Nada, e o sono vem novamente.
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Ein von die Viel

Ideologia, política e juventude

É a hora de terminar esse esboço de ensaio antes de ele se torne interminável e bom seria se fosse assim. Antes que eu me aproxime demais da beirada desse um abismo teórico. Assim sendo, pretendo finalizar aqui uma coisa que deixaria para não ser verdadeiramente acabada enquanto intuição filosófica para mim mesmo ou para as gerações, que são muitas e se multiplicam a cada sete anos. O fato é que há muito a se discutir, muito a que se estudar. Muito disso tudo que transcorre na fala multidisciplinar, no discorrer do discurso, nos eufemismos, prosódias, prosopopéias sem que dêem conta disso. Impossível fazer mais recortes no tempo, embora eu agora me contradiga, é necessário que se viva esse momento mas como eu já havia citado através da palavras de Camus que só a consciência do que acontece em si mesmo, ao seu redor, no bairro, no mundo, é que se pode emitir uma opinião com base teórico analítica, depende da sua própria teoria, depende do seu ponto de vista não mais. De resto são reverberações glossadoras de outros autores predecessores, em suas mesquinharias ego-teóricas. Basta dizer que esta flecha que perpassa o ar, ultrajando qualquer moral que se apresente, acaba por realmente cair nesse abismo teórico. Acaba de se dissipar para sempre. Acaba de não saber mais o que dizer além das dicas que deixo aqui nas entrelinhas para serem explicitamente fisgadas. Em mais uma última pincelada, deixo a razão aliada à certeza de que há valor no conhecimento, discernimento e senso crítico que todos que pesam sobre o mundo deveriam exercer. Beijos e abraços àqueles que ficam. Ternura e utopia para aqueles que sonham. Muita clareza de espírito para essa vida social política tão turbulenta, onde as sombras se alongam sobre gerações e gerações em degeneração capitalista. Gerações de homens, jovens e meninos, de cegueira total, parcial e absoluta. Desejo iguais condições de vida a todos que leiam essas palavras. Por um mundo um pouco melhor. Pessoas tristes, não chorem. Expurgai-vos o riso do sarcasmo e da dor, meninas. Chorem de si mesmas.

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sábado, novembro 04, 2006

casa 3


A CIDADE MEIO NULA, MEIO morta q açorda quando o céu enrubesce me faz entristecer. Cheguei a conclusão de q esses anos todos pensando desde q mudamos, ainda não cheguei a conclusão nenhuma. Moro em um prédio inacabado q um dia quis ser uma escola, escola da vida, erigido para abrigar sonhos, dramas e romances. Ora, se não há uma dose de loucura nisso. O meio-andar? E a disposição aleatória das paredes? não ouso chamar esse teto que me abriga nas noites de verão, pelo epíteto de apartamento, melhor cela. O pé-direito alto evoca ares de ateliê. Aqui sou uma sombra de mim mesmo, a sombra de uma pintura, noites adentros.
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frei Vogel

quinta-feira, novembro 02, 2006

Em Lençóis

AQUELA NOITE EM LENÇÓIS quando eu me encontrava em maus lençóis, em que todo grito não dizia apenas uma palavra, eu vos confesso: cansado ao extremo de toda loucura mundana e no limite das minhas forças, pedi para morrer. Apenas mais um somado à infinita substancialidade. Eu me banhei nas águas frias do rio que além da sobriedade de um cartão postal também esconde certa tristeza. Depois, me deitei em uma pequena gruta como se aquele fosse o berço ancestral de minha existência e novamente não fiz questão de viver. O sono dos justos não me acolhe há tempos. Já não me lembro a ultima vez que dormi em paz e as pessoas me perguntam porquê. Arrebatadora zona de conflito...
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Ein von die viel

quarta-feira, novembro 01, 2006

Como

E COMO SE ESCREVE? Eu escrevo assim: Arial, corpo 9, sem espaçamento, margem de zero à sete e meio, centralizado. Se você estiver lendo isso publicado e não estiver assim, não é o padrão que eu criei. Ou melhor me adaptei por gostar de escrever em papel pequeno. Escrever em bloquinho de garçom é coisa que eu sempre fiz. Veja que eu não faço um parágrafo, nunca bato Enter. Não existe Enter no papelinho. Escrevo à pena, na verdade uma caneta que solta tinta, o mais próximo que consigo chegar de um tempo (não muito longe) em que o Marquês de Sade escrevia. A "pena" dá fluidez, borrões, rabiscos propositais, desenhos de puro inconsciente. Fluidez. Costumo dizer que ela demora um tempo até pegar força xamãnica e então esse poder das forças ocultas me ajudam a fazer fluir inspiração.

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Alice

A TÍMIDA MALDADE DOS COELHOS BRANCOS nos arredores da Católica. Lá encontrei olhares mortos, triste no meio do vazio, mesmo assim sem fazer alusão a nada. Antes fosse o nada, mas nada. Vi como se a vida fosse uma loja em oferta. Sinto ter visto tanto contentamento com essa vida sem sentido. Sobrevivem senão pelo amor à si mesmos e nada mais. A ilusão um dia se torna realidade. Livrai-vos dessa imbecilidade triste e prepotente que vos assola e dêem um tapa na cara do mundo, em quem você acha que merece. Indignem-se!!! com toda falsidade ideológica eu esteja ao seu redor mesmo que seja essa mesmo que estas lendo... meu caro, meus caros nada mais imoral do que ter olhos e não querer enxergar, ter ouvidos e não querer ouvir, ter boca e não querer falar. Vi somente o que estava ao meu redor em apenas um dia de análise participativa portanto não tome esse como um texto que pretende ser político antropologicamente acadêmico. Mas isso não me impede de dar minha opinião. Isso não me impede de refletir a primeira impressão que tive. Nada me impede de criticar quem eu bem quiser, inclusive a mim mesmo. Esses talvez sejam alguns exemplos que eu citarei mais tarde nas minhas considerações finais, mesmo assim, ninguém está imune a imbecilização da indústria cultural/ mídia protegida pelas elites caretas e quanto menos elite mais careta pois passará pelo crivo da hierarquia da caretice que ainda governa pelas rédeas, que ainda domina pelo poder econômico, que ainda destrói ao invés de criar. Tecnicamente falando nossa juventude é ultra miserável ( de cultura, história, escola...) e bossa nova no sentido de que mesmo sob a nova ditadura ( talvez velha) da mídia, do capital, do crime contra a ética, é plenamente aceitável e ponto final, continua...
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Ein von die viel

Noites Adentros

Tô tendo reações infantis porque como são as maduras? Eu podia fazer uma lista de desventuras começando por essa de ninguém ler minhas palavras. Só mesmo fazendo uma propaganda insistente de si mesmo. Você falou que eu falei, eu não lembro. De entre tantas faltas cometidas, dois pênaltis perdidos e toda cultura inútil acumulada sai uma crítica de si mesmo, sai um escracho deslavado, uma dor de barriga? Jorginho, já tomou banho? Alguém ai já teve dor de barriga? Não sei se essas coisas também passam? Passa vida, passa hora, lá se vai o tempo perdido. E com isso eu fico sem resposta. Sem feed-back.

Ein von die viel

domingo, outubro 29, 2006

Noites Adentros

HORROR COMEDIDO AQUELA noite no H.P.S em um subúrbio qualquer da cidade. Eu não podia imaginar que estaria ali vendo aquela cena de sangue. Um homem completamente embriagado tinha um buraco de bala na canela e seu irmão, policial militar em trajes comuns, puto de ver aquela cena. O outro, dentro da sala de sutura já havia levado mais de duzentos pontos. A senhora velha choramingava enquanto alguns meninos planejavam se vingar de quem agrediu seu amigo. Emergência! Emergência! E saem todos os médicos correndo para atender alguém que chegou pior do que eu, daí não sabemos quando vamos ser atendidos... O meu caso era o menos grave, apenas um corte no lábio causado pela insensatez de Valentina. Chamaram o médico de plantão. Veio uma doutora me atender que havia acabado de despertar. Que sorte eu tenho. Não queria ser atendido por um daqueles carniceiros que já haviam costurado a noite inteira. Isso já eram quatro ou cinco da manhã. A bela doutora recém despertada me tratou com a maior delicadeza... Aplicou uma pequena anestesia local e suturou o meu lábio. Difícil foi explicar para ela como aquilo aconteceu. Ninguém toma uma patada na boca por acidente. Valentina estava indiferente. Uma heroína sexual dos quadrinhos não se choca com esse tipo de cena. Fria e dura como uma pedra. Depois desse dia passei a ver que nada a sensibilizava além dela mesma, além de suas próprias fraquezas, que ela tenta esconder mas não consegue. Foi assim que, tentando procurar o motivo dessa violência e complexo sem nexo, me perdi, no labirinto do seu cérebro.
weisse Katze

Noites Adentros

SEMPRE DE TERNO XADREZ dar uma dormidinha na rua, no tapete vermelho em frente ao Quinta Avenida (era véspera de natal...). E se ela tivesse me visto deitado na calçada? Mas eu sabia que ela não passaria ali novamente. No lirismo cambaleante dos bêbados cheguei finalmente em casa. Num impulso primitivo me pus a fazer comida, com aquela loucura funcional dos chefes de cozinha: àquela hora não podia perder um segundo do meu fôlego. O jorro final de uma noite alegre. Que começou no Bar da senhora árabe, observando... que me impulsionou ao Café com Palavras e que terminou com um beijinho doce.

sábado, outubro 28, 2006

Perfil

ao lado Conjunto Habitacional I.A.P.I.
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Marília Ferreira de Freitas é professora de História formada na antiga Fundação Belo Horizonte, atual UNI-BH, e leciona em Contagem. Estudou da 1ª à 4ª série no colégio Silviano Brandão e em seguida no Monte Calvário, instituição administrada por freiras. Hoje em dia seu meio de transporte é o ônibus mas guarda boas lembranças da época em o pai circulava em um Ford, modelo 28, relíquia que ainda hoje é preservada pelos irmãos. O carro é motivo de orgulho da família que é uma das mais antigas do bairro, família Marcelina, assim como os Vaz de Melo, a família Morici de origem italiana e família Sampaio que fazem parte da tradição da Lagoinha.
Dona Marília é órfã de pai e mãe, católica, tem uma filha, o avô veio de Catas Altas morar em Belo Horizonte. Na época em que, segundo ela, em sua casa havia fogão a lenha e as casas eram como chácaras espalhadas entorno do conjunto IAPI. No início da construção da cidade havia situada ali uma lagoinha que acabou dando nome ao bairro.
Ela se recorda da sua juventude e do comportamento das pessoas na época em que a Lagoinha fazia parte, senão centralizava propriamente, a zona boêmia da cidade. Lembra-se e uma época de serestas e serenatas em que os jovens tocavam violão na porta das casas. " O bairro era de ‘pinguços’ e prostitutas" afirma, "mas eles respeitavam a vida diária das pessoas que moravam ali. No bairro haviam repúblicas de estudantes que vinham do interior para cursar Cefet ou Federal. Havia também república para moças e uma ou duas pensões próximo à rodoviária." e completa "...
Aquele tempo era a época do lendário Cintura Fina e da Loira do Bonfim (cemitério do Bonfim) que muitos disseram ter visto. Seu tio, que era oficial do exército e músico da banda marcial, tocava no clube Montanhês e chegou(pasmem) a acompanhar o mestre do baião, Luís Gonzaga. "Minha tia vestia-se de homem ocasionalmente para vigiar meu tio, onde ele complementava a renda tocando com muito prazer" diz ela. "Era uma vida alegre, difícil, sofrida mas quase idílica na década de 60"
Dona Marília nos conta que desfilou Canto da Alvorada, bloco carnavalesco do bairro Lagoinha, e lembra outros como o Bloco dos Caricatos, de Santa Teresa e o Boca Branca, da Floresta. "Nos bailes do Fluminense (clube) pulava-se carnaval de sandálias Havaianas" relembra. Lembra também das ruas de calçamento, das procissões, do único ônibus, do bonde, e a memória lhe traz devolta a lembrança da "casa da loba", uma casa residencial, assim chamada por ostentar, esculpida na eira, a cena clássica de Remo e Reno, mito de criação de Roma.
O que mais contrasta com o mundo de hoje é a cordialidade quase pueril dos chamados "anos dourados" é o que nos conta essa senhora de 50 anos e há 50 anos nascida e criada no Bairro da Lagoinha.
Weisse Katze

terça-feira, outubro 24, 2006

Noites Adentros

Continua. Tudo aquilo que fugiu do pensamento pela rua, fugiu da pena, pela pena. Mas, se não está aqui e se aqui estivesse e se eu estivesse aqui, talvez valesse. Esse quase azul que preenche as lacunas mas agora você está próximo de chorar. Esse desastre dessa e outras mais complexas. Tudo que você me prometeu sem ver vou arquitetando uma maneira de dizer, num ponto psico-caótico. Escrevendo a coisa certa sob o crivo do olhar alheio. Falsificador da poesia para não haver censura redundante em qualquer ser humano. Temo o dia. E toda falsa alegria. Escrevo pensando em silêncio agora. Não diga que é o fim, tentando não entender os floreios mas a dor, encaro meu fascínio. Seja minha seja de alguém, do tempo vazio interior da letargia em contraponto com o tédio. Me entrego à vida com dúvidas e receios, carta para mim mesmo. Nada de coisa elaborada. Comer palavra. Nada de redenção nessas, alívio algum. Mas elas estão aqui. Anjo do próprio demônio. Depois de algumas e tantas tentativas desse ter limite no mínimo rebelde, a tendência mundial de se abolir o erro. Minha perda de fôlego é proporcional ao fôlego daquilo que duvido. O erro define a dor por aquilo o que quase secretamente mística ele propõe.
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quinta-feira, outubro 19, 2006

Homenagem


Noites Adentros

Dizem que eu tenho as mãos frias. Devo ter os pés frios também. As mãos frias são um sinal da constante tensão em que vivo. Sintoma das coisas que estive vivendo e sintoma vocês sabem, quer dizer também a queda: o acontecimento infeliz, a coincidência, o fim do prazo, a má sorte. Minhas palavras agora tórridas estão espalhadas ao vento da história e já se perderam. Sonhei com Rita certa vez. Ela usava vestes gregas e ia, calada e sóbria, um pouco além dos padrões de maldade da época. Um grande artista seria ainda um poeta trabalhando na bilheteria. O mundo te dá um pouco de malícia e só. O Estado Liberal democrático é isso onde o fluxo de moeda corrente em poesia e pão não se mede. Sugiro que há coisas que retrocedem por si mesmas. Devoro o que há dentro de mim. Uma ferida e um caminhar, é assim. Me perco às vezes em minha personagem ora triste ora alegre. Tristeza e alegria são duas palavras complexas que co- existem como num jogo de espelhos. Confecciono um quadro de memórias, sem a concepção de passado, não posso renunciar a nada. Construo uma roupagem nova para o ato da loucura. Imaginei coisas belas no desenho dessa trama. Falsificação de pedigree.
weisse Katze

Ideologia, política e juventude

Nós, meninos dessa idade que crescemos e também não vou negar, toda a massa da população, ficou à sombra da não-ideologia, essa grande nuvem que encobre 20 e poucos anos, desde de reconquistada a democracia. Existe um abismo (usando um pouco do estilo literário do temerário Nietzsche) que separa a minha e as subseqüentes gerações. E como o filósofo diz: as pessoas não querem encarar o abismo porque o abismo olha de volta. De fato, a massa oprimida não quer encarar nada pois já vive se equilibrando na corda bamba. "Políticos são todos ladrões" ouvi isso de um motorista de coletivo. Não que isso necessariamente reflita o pensamento do povo mas é uma premissa enganosa. O homem necessita dos meios de produção para exercer sua força, física ou mental e estar inserido no mercado livre. Tomo a liberdade poética de usar a máxima de Rosseau: "foram obrigados a ser livres". E desde então, feito o meu recorte de tempo, junto com a tecnologia, crescem indivíduos adestrados na corrente desse pensamento burguês. Em poucas palavras: o povo brasileiro em geral não tem consciência política. O povo brasileiro não tem consciência da própria falsa história ensinada nas escolas. Me perdoe quem se sentir ofendido e/ou pela falta de qualidade desse ensaio litero-poético-político-pseudo-filosófico, ainda que intuitivamente. Anarquia, estado e utopia. Mas vale evocar Camus pois "Só um dia o ‘porquê’ se levanta e tudo recomeça nessa lassidão tingida de espanto (...) no extremo desse despertar vem, com o tempo, a consequência- o suicídio ou o restabelecimento (...) porque tudo começa pela consciência e nada vale a não ser por ela." Porém, apesar do Racionalismo e idealismo, Empirismo, Pragmatismo, Materialismo dialético, Existencialismo, Positivismo e neopositivismo, Estruturalismo e funcionalismo, a manifestação do universo como uma idéia complexa em si mesma, em oposição a estar no interior ou exterior do próprio e verdadeiro Ser, é inerentemente, um nada conceitual ou um Nada em relação a qualquer forma abstrata de existência, de existir ou ter existido perpetuamente, sem estar sujeito às leis de fisicalidade, de movimento ou de idéias relativas à antimatéria ou à falta de um Ser objetivo ou a um Nada subjetivo.

Noites Adentros

Deixa a atadura do tempo esconder o passado. Acende mais um cigarro. Mesmo cálido e calado seu grito é válido. No desprazer que abisma, sua alma esvoaça, retarda o tempo, pára. Se faz ouvir um sussurro. Um frêmito efêmero frenético dispara. Nas madrugas de terça pra segunda tem sempre alguém dando a bunda. Água vazando em algum canto me diz que é hora de ir. Papai Noel sobrevoando Tirana, espiões da Rodésia, terroristas iranianos, parafernália incógnita e caótica. Grito obsceno do alto onde observo polcas e mazurcas cantadas. Vendo cego meu mundo barato, tal qual as obras inacabadas
weisse

Noites Adentros


Lua
na casa 7

Me lança um olhar como se eu fosse criança
mas não vê lua
nem luar
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meus olhos são mesmo
doces e perversos
assim como sua mão
que me acalenta
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não importa a rapidez
com que acabe meu cigarro
aceito calmamente esse olhar
um número sem limite
de pensamentos
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transbordam, inundando,
adormecendo
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Night and day

Tô com uma puta insônia de merda, esses dias. Parece que as coisas não acontecem e de repente elas acontecem e tecem a longa teia da madrugada, tecem a longa rede da realidade que vai se alternando entre bons e maus momentos. Vai-se acalmando como uma lenta e leve melodia que dorme ao meio dia, vai-se do alto da mais alta nota no tom, do jazz, da batera, du tchum pa pum e acaba no piano ma no molto, alegro, ma no molto, presto, no molto, adagio.
Neal Cassidy, Héroi e Adonis de Denver. É que lembrei minha incansável stamina para certas coisas. Enquanto a phoda da vida não acontece e acontece devagarzinho inho lento e denovo rápido corre vai e acaba a música e recomeça e, seu tonto. Não liga, relaxa. A vida é assim. Não leva tão a sério, a vida permanece um mistério, uma gosma podre para uns, com suave aroma para outros, de flores, de cânfora, de hotelã e chocolate, de vinho, de cafezinho, de perfume françês, do que você imaginar
weisse katze
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terça-feira, outubro 17, 2006

Noites Adentros

RELEXÃO.
O que será que me espera longe dessa toca? Outra toca? Sair nessa floresta inócua? É tudo que eu quero. Por favor, me dê a direção. Pois num canto frio desse apartamento, enquanto escrevo, enquanto me abrigo da vida lá hora, chora por dentro a vontade de lutar. Eu sou um pequeno burguês falido que chora. Encontrar a felicidade em notas do piano, da grana, que me sustentem no ar mais leve e me dêem alegria. Quero lutar essa batalha, mesmo sem porque, sem saber se eu choro agora pra saber o que mais tarde já perdi. Está perdido. Uma guerra contra o desencaixe nesse mundo volátil onde tudo que é sólido se desmancha no ar. Que arma eu tenho? Medo de morrer? Vender a minha força de trabalho. O homem precisa dos meios de produção para exercer sua força d trabalho. À qual ideologia devo seguir? Quando me doer o frio na pele, a fome ou a vergonha? Pois que um dia vou sair dessa masturbação mental, dialógica, psíquica. Vou sair de detrás dessa máquina para ver o mundo lá fora que ainda ninguém sabe como é.
weisse
Katze

zeitung wissenshaft















mEIN zEITUNG

Noites Adentros















Pequena pouca memória
Pequena pouca visão
poucos olhares verão
Meu Deus como é incrível
essa incrível solidão

Queria saber como domar
as feras dessa pulsão
que engole as horas
e que arranha a fachada do corpo
deixando no cérebro
um grande tédio.

Como se ventos ancestrais
trouxessem de volta
nossas mentes carnívoras

tentando mastigar
passado e presente.


weisse
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segunda-feira, outubro 16, 2006

Circus Zolini

Depois do Porre Eleitoral

Começa hoje no teatro Francisco Nunes, dentro do parque municipal de Belo Horizonte, o Café Novo Mundo- Primeiro Encontro de Artistas, Intelectuais e Realizadores Fora da Lei. O espaço foi cedido, segundo os organizadores Mário Drumond e Hélio Zolini, por se encaixar nos dias em que não ocorre espetáculo no teatro.
De hoje até quarta-feira o público terá a oportunidade de conhecer "uma gama diversificada de artistas que atuam paralelamente na contra-indústria" afirma Zolini. O evento começa oficialmente de 17h até as 2h, todos os dias com várias atrações. Entre elas se destacam o espetáculo de dança "Brasileirinhas", dirigido e coreografado por Izabel Costa e a peça "Fragmentos" dirigida por Soraya Borba, que estreou ano passado com grande repercussão no meio underground belorizontino.
A programação apresentará mostra de curtas, pintura ao vivo com música ao vivo, happening de moda, lançamento de livros, performances poético musicais, espetáculo multimídia. Enfim, pode-se esperar de tudo nesse evento. Esses artistas se expõem para mostrar um pouco do seu talento em rara oportunidade tanto para o público quanto para eles. O Café Novo Mundo reúne velhos e novos desconhecidos. Não percam.

weisse

quarta-feira, outubro 11, 2006

Ideologia, política e juventude

Façamos um recorte no tempo para chegar o mais próximo possível de uma geração que lutou verdadeiras batalhas e que foi presa, torturada e morta pela ditadura militar nos anos de 1960 e 70. Que seqüestrou bancos, seqüestrou embaixadores, que jogou bombas, que morreu no sertão cearense uma morte quase poética, protegida pelos sertanejos, aquele mártir da causa da guerrilha, Carlos Lamarca. Geração que se opôs às restrições impostas pelo Estado militarista, o Estado autoritário: a falta de liberdade de expressão, censura, AI-5. Aquela geração que também morreu mesmo sem lutar, que saudava uns aos outros com o cumprimento paz&amor (moda da época). Hoje então, não se sabe quantas e quais foram as vítimas desse regime, de viver ou morrer, talvez todo o país tenha sido. Manipular a cabeça do povo, governar o povo e esse povo que mesmo sabendo que está sendo governado adere ao "conformismo" para viver, para não tomar cacetada. No jargão jornalístico dizem que a vida é o bem mais precioso. Hoje existem crimes-contra-a-vida (pois há pessoas miseráveis em lugares miseráveis) bem perto de você, bem como a repressão daquela época, jovem no Brasil de 2006 e (se está lendo esse texto você faz parte de uma parcela da população que sabe ler, começando por aí) você faz parte de uma elite cultural que nos tempos de militarismo se uniu; uns para expressar profunda indignação contra o regime, outros para pegarem em armas, outros em rosas e outros seguiram suas vidas apesar dos pesados ares da ditaduta, outros foram fazer Bossa Nova... e nós? Que somos filhos tardios desse período? Nós que apenas presenciamos, quando bastante novos, o movimento pelas eleições diretas para presidente. Eu tinha uns 4 ou 5 anos de idade quando vi meu pai votar para governador. Não se votava pra presidente; e já era um poder democrático e tanto. Que nós fazemos agora? "Pra não dizer que eu não falei de flores" seguirei o tema mais adiante.

weisse

Mensagem




TRUST ThE InSIDE


BELIVE d OutSIDE







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segunda-feira, outubro 09, 2006

Noites Adentros



Leitura imagética do mundo

No benzinho mais normal
dos meus cômodos recantos

criança
infante
elefante
dança

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Noites Adentros



últimos poemas

inda bem que consegui
a má fama de poeta
marginal desagrupado
inerte isolado circula
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Noites Adentros

Poeira de anjo

Consumir o nada, sumir de cena, na beira da eira, não sei quê te agrada. Nada te agrada. O riso infantil da sua felicidade não me agrada. Alegria em dor do seu sorriso, me agrada. Mais um suspiro, e enfim, estou dizendo coisas que quero. Sobre o que é um conflito. Para todo medo sempre há uma fuga. A fuga do tempo, assim como o vemos, é o amor. Minha letra até se faz tímida. Uma pausa de dúvidas no meu restrito cabedal. Dúvida por dúvida, só mais uma vou em frente. A insegurança é diferente do medo, é a incerteza de estar escrevendo, é uma das qualidades do tango.

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domingo, outubro 08, 2006

Noites Adentros




Nervos, axiomas


forças ocultas


rizomas




quais os sintomas


te causam tanta dor?




micro-cirurgia-semiótica

Noites Adentros

sonoras lembranças
minha natureza
minha impaciência
minha natural insegurança

não vejo entreverem-se
olhares que se vejam
cara q some branca
no muro branco