domingo, outubro 29, 2006

Noites Adentros

HORROR COMEDIDO AQUELA noite no H.P.S em um subúrbio qualquer da cidade. Eu não podia imaginar que estaria ali vendo aquela cena de sangue. Um homem completamente embriagado tinha um buraco de bala na canela e seu irmão, policial militar em trajes comuns, puto de ver aquela cena. O outro, dentro da sala de sutura já havia levado mais de duzentos pontos. A senhora velha choramingava enquanto alguns meninos planejavam se vingar de quem agrediu seu amigo. Emergência! Emergência! E saem todos os médicos correndo para atender alguém que chegou pior do que eu, daí não sabemos quando vamos ser atendidos... O meu caso era o menos grave, apenas um corte no lábio causado pela insensatez de Valentina. Chamaram o médico de plantão. Veio uma doutora me atender que havia acabado de despertar. Que sorte eu tenho. Não queria ser atendido por um daqueles carniceiros que já haviam costurado a noite inteira. Isso já eram quatro ou cinco da manhã. A bela doutora recém despertada me tratou com a maior delicadeza... Aplicou uma pequena anestesia local e suturou o meu lábio. Difícil foi explicar para ela como aquilo aconteceu. Ninguém toma uma patada na boca por acidente. Valentina estava indiferente. Uma heroína sexual dos quadrinhos não se choca com esse tipo de cena. Fria e dura como uma pedra. Depois desse dia passei a ver que nada a sensibilizava além dela mesma, além de suas próprias fraquezas, que ela tenta esconder mas não consegue. Foi assim que, tentando procurar o motivo dessa violência e complexo sem nexo, me perdi, no labirinto do seu cérebro.
weisse Katze

Noites Adentros

SEMPRE DE TERNO XADREZ dar uma dormidinha na rua, no tapete vermelho em frente ao Quinta Avenida (era véspera de natal...). E se ela tivesse me visto deitado na calçada? Mas eu sabia que ela não passaria ali novamente. No lirismo cambaleante dos bêbados cheguei finalmente em casa. Num impulso primitivo me pus a fazer comida, com aquela loucura funcional dos chefes de cozinha: àquela hora não podia perder um segundo do meu fôlego. O jorro final de uma noite alegre. Que começou no Bar da senhora árabe, observando... que me impulsionou ao Café com Palavras e que terminou com um beijinho doce.

sábado, outubro 28, 2006

Perfil

ao lado Conjunto Habitacional I.A.P.I.
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Marília Ferreira de Freitas é professora de História formada na antiga Fundação Belo Horizonte, atual UNI-BH, e leciona em Contagem. Estudou da 1ª à 4ª série no colégio Silviano Brandão e em seguida no Monte Calvário, instituição administrada por freiras. Hoje em dia seu meio de transporte é o ônibus mas guarda boas lembranças da época em o pai circulava em um Ford, modelo 28, relíquia que ainda hoje é preservada pelos irmãos. O carro é motivo de orgulho da família que é uma das mais antigas do bairro, família Marcelina, assim como os Vaz de Melo, a família Morici de origem italiana e família Sampaio que fazem parte da tradição da Lagoinha.
Dona Marília é órfã de pai e mãe, católica, tem uma filha, o avô veio de Catas Altas morar em Belo Horizonte. Na época em que, segundo ela, em sua casa havia fogão a lenha e as casas eram como chácaras espalhadas entorno do conjunto IAPI. No início da construção da cidade havia situada ali uma lagoinha que acabou dando nome ao bairro.
Ela se recorda da sua juventude e do comportamento das pessoas na época em que a Lagoinha fazia parte, senão centralizava propriamente, a zona boêmia da cidade. Lembra-se e uma época de serestas e serenatas em que os jovens tocavam violão na porta das casas. " O bairro era de ‘pinguços’ e prostitutas" afirma, "mas eles respeitavam a vida diária das pessoas que moravam ali. No bairro haviam repúblicas de estudantes que vinham do interior para cursar Cefet ou Federal. Havia também república para moças e uma ou duas pensões próximo à rodoviária." e completa "...
Aquele tempo era a época do lendário Cintura Fina e da Loira do Bonfim (cemitério do Bonfim) que muitos disseram ter visto. Seu tio, que era oficial do exército e músico da banda marcial, tocava no clube Montanhês e chegou(pasmem) a acompanhar o mestre do baião, Luís Gonzaga. "Minha tia vestia-se de homem ocasionalmente para vigiar meu tio, onde ele complementava a renda tocando com muito prazer" diz ela. "Era uma vida alegre, difícil, sofrida mas quase idílica na década de 60"
Dona Marília nos conta que desfilou Canto da Alvorada, bloco carnavalesco do bairro Lagoinha, e lembra outros como o Bloco dos Caricatos, de Santa Teresa e o Boca Branca, da Floresta. "Nos bailes do Fluminense (clube) pulava-se carnaval de sandálias Havaianas" relembra. Lembra também das ruas de calçamento, das procissões, do único ônibus, do bonde, e a memória lhe traz devolta a lembrança da "casa da loba", uma casa residencial, assim chamada por ostentar, esculpida na eira, a cena clássica de Remo e Reno, mito de criação de Roma.
O que mais contrasta com o mundo de hoje é a cordialidade quase pueril dos chamados "anos dourados" é o que nos conta essa senhora de 50 anos e há 50 anos nascida e criada no Bairro da Lagoinha.
Weisse Katze

terça-feira, outubro 24, 2006

Noites Adentros

Continua. Tudo aquilo que fugiu do pensamento pela rua, fugiu da pena, pela pena. Mas, se não está aqui e se aqui estivesse e se eu estivesse aqui, talvez valesse. Esse quase azul que preenche as lacunas mas agora você está próximo de chorar. Esse desastre dessa e outras mais complexas. Tudo que você me prometeu sem ver vou arquitetando uma maneira de dizer, num ponto psico-caótico. Escrevendo a coisa certa sob o crivo do olhar alheio. Falsificador da poesia para não haver censura redundante em qualquer ser humano. Temo o dia. E toda falsa alegria. Escrevo pensando em silêncio agora. Não diga que é o fim, tentando não entender os floreios mas a dor, encaro meu fascínio. Seja minha seja de alguém, do tempo vazio interior da letargia em contraponto com o tédio. Me entrego à vida com dúvidas e receios, carta para mim mesmo. Nada de coisa elaborada. Comer palavra. Nada de redenção nessas, alívio algum. Mas elas estão aqui. Anjo do próprio demônio. Depois de algumas e tantas tentativas desse ter limite no mínimo rebelde, a tendência mundial de se abolir o erro. Minha perda de fôlego é proporcional ao fôlego daquilo que duvido. O erro define a dor por aquilo o que quase secretamente mística ele propõe.
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quinta-feira, outubro 19, 2006

Homenagem


Noites Adentros

Dizem que eu tenho as mãos frias. Devo ter os pés frios também. As mãos frias são um sinal da constante tensão em que vivo. Sintoma das coisas que estive vivendo e sintoma vocês sabem, quer dizer também a queda: o acontecimento infeliz, a coincidência, o fim do prazo, a má sorte. Minhas palavras agora tórridas estão espalhadas ao vento da história e já se perderam. Sonhei com Rita certa vez. Ela usava vestes gregas e ia, calada e sóbria, um pouco além dos padrões de maldade da época. Um grande artista seria ainda um poeta trabalhando na bilheteria. O mundo te dá um pouco de malícia e só. O Estado Liberal democrático é isso onde o fluxo de moeda corrente em poesia e pão não se mede. Sugiro que há coisas que retrocedem por si mesmas. Devoro o que há dentro de mim. Uma ferida e um caminhar, é assim. Me perco às vezes em minha personagem ora triste ora alegre. Tristeza e alegria são duas palavras complexas que co- existem como num jogo de espelhos. Confecciono um quadro de memórias, sem a concepção de passado, não posso renunciar a nada. Construo uma roupagem nova para o ato da loucura. Imaginei coisas belas no desenho dessa trama. Falsificação de pedigree.
weisse Katze

Ideologia, política e juventude

Nós, meninos dessa idade que crescemos e também não vou negar, toda a massa da população, ficou à sombra da não-ideologia, essa grande nuvem que encobre 20 e poucos anos, desde de reconquistada a democracia. Existe um abismo (usando um pouco do estilo literário do temerário Nietzsche) que separa a minha e as subseqüentes gerações. E como o filósofo diz: as pessoas não querem encarar o abismo porque o abismo olha de volta. De fato, a massa oprimida não quer encarar nada pois já vive se equilibrando na corda bamba. "Políticos são todos ladrões" ouvi isso de um motorista de coletivo. Não que isso necessariamente reflita o pensamento do povo mas é uma premissa enganosa. O homem necessita dos meios de produção para exercer sua força, física ou mental e estar inserido no mercado livre. Tomo a liberdade poética de usar a máxima de Rosseau: "foram obrigados a ser livres". E desde então, feito o meu recorte de tempo, junto com a tecnologia, crescem indivíduos adestrados na corrente desse pensamento burguês. Em poucas palavras: o povo brasileiro em geral não tem consciência política. O povo brasileiro não tem consciência da própria falsa história ensinada nas escolas. Me perdoe quem se sentir ofendido e/ou pela falta de qualidade desse ensaio litero-poético-político-pseudo-filosófico, ainda que intuitivamente. Anarquia, estado e utopia. Mas vale evocar Camus pois "Só um dia o ‘porquê’ se levanta e tudo recomeça nessa lassidão tingida de espanto (...) no extremo desse despertar vem, com o tempo, a consequência- o suicídio ou o restabelecimento (...) porque tudo começa pela consciência e nada vale a não ser por ela." Porém, apesar do Racionalismo e idealismo, Empirismo, Pragmatismo, Materialismo dialético, Existencialismo, Positivismo e neopositivismo, Estruturalismo e funcionalismo, a manifestação do universo como uma idéia complexa em si mesma, em oposição a estar no interior ou exterior do próprio e verdadeiro Ser, é inerentemente, um nada conceitual ou um Nada em relação a qualquer forma abstrata de existência, de existir ou ter existido perpetuamente, sem estar sujeito às leis de fisicalidade, de movimento ou de idéias relativas à antimatéria ou à falta de um Ser objetivo ou a um Nada subjetivo.

Noites Adentros

Deixa a atadura do tempo esconder o passado. Acende mais um cigarro. Mesmo cálido e calado seu grito é válido. No desprazer que abisma, sua alma esvoaça, retarda o tempo, pára. Se faz ouvir um sussurro. Um frêmito efêmero frenético dispara. Nas madrugas de terça pra segunda tem sempre alguém dando a bunda. Água vazando em algum canto me diz que é hora de ir. Papai Noel sobrevoando Tirana, espiões da Rodésia, terroristas iranianos, parafernália incógnita e caótica. Grito obsceno do alto onde observo polcas e mazurcas cantadas. Vendo cego meu mundo barato, tal qual as obras inacabadas
weisse

Noites Adentros


Lua
na casa 7

Me lança um olhar como se eu fosse criança
mas não vê lua
nem luar
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meus olhos são mesmo
doces e perversos
assim como sua mão
que me acalenta
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não importa a rapidez
com que acabe meu cigarro
aceito calmamente esse olhar
um número sem limite
de pensamentos
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transbordam, inundando,
adormecendo
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Night and day

Tô com uma puta insônia de merda, esses dias. Parece que as coisas não acontecem e de repente elas acontecem e tecem a longa teia da madrugada, tecem a longa rede da realidade que vai se alternando entre bons e maus momentos. Vai-se acalmando como uma lenta e leve melodia que dorme ao meio dia, vai-se do alto da mais alta nota no tom, do jazz, da batera, du tchum pa pum e acaba no piano ma no molto, alegro, ma no molto, presto, no molto, adagio.
Neal Cassidy, Héroi e Adonis de Denver. É que lembrei minha incansável stamina para certas coisas. Enquanto a phoda da vida não acontece e acontece devagarzinho inho lento e denovo rápido corre vai e acaba a música e recomeça e, seu tonto. Não liga, relaxa. A vida é assim. Não leva tão a sério, a vida permanece um mistério, uma gosma podre para uns, com suave aroma para outros, de flores, de cânfora, de hotelã e chocolate, de vinho, de cafezinho, de perfume françês, do que você imaginar
weisse katze
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terça-feira, outubro 17, 2006

Noites Adentros

RELEXÃO.
O que será que me espera longe dessa toca? Outra toca? Sair nessa floresta inócua? É tudo que eu quero. Por favor, me dê a direção. Pois num canto frio desse apartamento, enquanto escrevo, enquanto me abrigo da vida lá hora, chora por dentro a vontade de lutar. Eu sou um pequeno burguês falido que chora. Encontrar a felicidade em notas do piano, da grana, que me sustentem no ar mais leve e me dêem alegria. Quero lutar essa batalha, mesmo sem porque, sem saber se eu choro agora pra saber o que mais tarde já perdi. Está perdido. Uma guerra contra o desencaixe nesse mundo volátil onde tudo que é sólido se desmancha no ar. Que arma eu tenho? Medo de morrer? Vender a minha força de trabalho. O homem precisa dos meios de produção para exercer sua força d trabalho. À qual ideologia devo seguir? Quando me doer o frio na pele, a fome ou a vergonha? Pois que um dia vou sair dessa masturbação mental, dialógica, psíquica. Vou sair de detrás dessa máquina para ver o mundo lá fora que ainda ninguém sabe como é.
weisse
Katze

zeitung wissenshaft















mEIN zEITUNG

Noites Adentros















Pequena pouca memória
Pequena pouca visão
poucos olhares verão
Meu Deus como é incrível
essa incrível solidão

Queria saber como domar
as feras dessa pulsão
que engole as horas
e que arranha a fachada do corpo
deixando no cérebro
um grande tédio.

Como se ventos ancestrais
trouxessem de volta
nossas mentes carnívoras

tentando mastigar
passado e presente.


weisse
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segunda-feira, outubro 16, 2006

Circus Zolini

Depois do Porre Eleitoral

Começa hoje no teatro Francisco Nunes, dentro do parque municipal de Belo Horizonte, o Café Novo Mundo- Primeiro Encontro de Artistas, Intelectuais e Realizadores Fora da Lei. O espaço foi cedido, segundo os organizadores Mário Drumond e Hélio Zolini, por se encaixar nos dias em que não ocorre espetáculo no teatro.
De hoje até quarta-feira o público terá a oportunidade de conhecer "uma gama diversificada de artistas que atuam paralelamente na contra-indústria" afirma Zolini. O evento começa oficialmente de 17h até as 2h, todos os dias com várias atrações. Entre elas se destacam o espetáculo de dança "Brasileirinhas", dirigido e coreografado por Izabel Costa e a peça "Fragmentos" dirigida por Soraya Borba, que estreou ano passado com grande repercussão no meio underground belorizontino.
A programação apresentará mostra de curtas, pintura ao vivo com música ao vivo, happening de moda, lançamento de livros, performances poético musicais, espetáculo multimídia. Enfim, pode-se esperar de tudo nesse evento. Esses artistas se expõem para mostrar um pouco do seu talento em rara oportunidade tanto para o público quanto para eles. O Café Novo Mundo reúne velhos e novos desconhecidos. Não percam.

weisse

quarta-feira, outubro 11, 2006

Ideologia, política e juventude

Façamos um recorte no tempo para chegar o mais próximo possível de uma geração que lutou verdadeiras batalhas e que foi presa, torturada e morta pela ditadura militar nos anos de 1960 e 70. Que seqüestrou bancos, seqüestrou embaixadores, que jogou bombas, que morreu no sertão cearense uma morte quase poética, protegida pelos sertanejos, aquele mártir da causa da guerrilha, Carlos Lamarca. Geração que se opôs às restrições impostas pelo Estado militarista, o Estado autoritário: a falta de liberdade de expressão, censura, AI-5. Aquela geração que também morreu mesmo sem lutar, que saudava uns aos outros com o cumprimento paz&amor (moda da época). Hoje então, não se sabe quantas e quais foram as vítimas desse regime, de viver ou morrer, talvez todo o país tenha sido. Manipular a cabeça do povo, governar o povo e esse povo que mesmo sabendo que está sendo governado adere ao "conformismo" para viver, para não tomar cacetada. No jargão jornalístico dizem que a vida é o bem mais precioso. Hoje existem crimes-contra-a-vida (pois há pessoas miseráveis em lugares miseráveis) bem perto de você, bem como a repressão daquela época, jovem no Brasil de 2006 e (se está lendo esse texto você faz parte de uma parcela da população que sabe ler, começando por aí) você faz parte de uma elite cultural que nos tempos de militarismo se uniu; uns para expressar profunda indignação contra o regime, outros para pegarem em armas, outros em rosas e outros seguiram suas vidas apesar dos pesados ares da ditaduta, outros foram fazer Bossa Nova... e nós? Que somos filhos tardios desse período? Nós que apenas presenciamos, quando bastante novos, o movimento pelas eleições diretas para presidente. Eu tinha uns 4 ou 5 anos de idade quando vi meu pai votar para governador. Não se votava pra presidente; e já era um poder democrático e tanto. Que nós fazemos agora? "Pra não dizer que eu não falei de flores" seguirei o tema mais adiante.

weisse

Mensagem




TRUST ThE InSIDE


BELIVE d OutSIDE







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segunda-feira, outubro 09, 2006

Noites Adentros



Leitura imagética do mundo

No benzinho mais normal
dos meus cômodos recantos

criança
infante
elefante
dança

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Noites Adentros



últimos poemas

inda bem que consegui
a má fama de poeta
marginal desagrupado
inerte isolado circula
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Noites Adentros

Poeira de anjo

Consumir o nada, sumir de cena, na beira da eira, não sei quê te agrada. Nada te agrada. O riso infantil da sua felicidade não me agrada. Alegria em dor do seu sorriso, me agrada. Mais um suspiro, e enfim, estou dizendo coisas que quero. Sobre o que é um conflito. Para todo medo sempre há uma fuga. A fuga do tempo, assim como o vemos, é o amor. Minha letra até se faz tímida. Uma pausa de dúvidas no meu restrito cabedal. Dúvida por dúvida, só mais uma vou em frente. A insegurança é diferente do medo, é a incerteza de estar escrevendo, é uma das qualidades do tango.

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domingo, outubro 08, 2006

Noites Adentros




Nervos, axiomas


forças ocultas


rizomas




quais os sintomas


te causam tanta dor?




micro-cirurgia-semiótica

Noites Adentros

sonoras lembranças
minha natureza
minha impaciência
minha natural insegurança

não vejo entreverem-se
olhares que se vejam
cara q some branca
no muro branco

Noites Adentros

A LOUCA ESTÉTICA DE DONA MARCELINA. Enquanto íamos e vínhamos eu observava aqueles lugares onde nunca fomos, como aquela noite em Nova Era. Eu observava, do banco do passageiro, as labaredas das indústrias e os descampados, os aglomerados e as beiras-de-estrada... e me lembrava de Dona Marcelina. Ela quem limpava o apê da Valentina de forma estranha e meticulosa. Como eu poderia descreve-la sendo que a vi tão poucas vezes? Era uma senhora de baixa estatura, bem baixa, corpulenta e tímida. Fato é que ela tinha um senso de limpeza muito louco. Limpava cada taco do chão, um por um, deixando os que não conseguia para outro dia e uma visível obra de arte no chão. Talvez pela proximidade visual e meticulosidade com que exercia cada função, fosse ela assim, sem saber, criadora de uma estética visual única na arte da limpeza. Tive vontade de conhecer melhor essa mulher. Como ela desenvolveu essa metodologia de limpeza? De onde vem essa obsessão assimétrica e simétrica? Em quanto tempo ela calcula limpar todos os extras? Se ela tem noção da susceptibilidade do emprego, e se ela tem, o que ela acha disso, de deixar uma obra inacabada. São essas as perguntas que eu nunca fiz.

weisse
Oração de São Afonso de Liguori à Nossa Senhora dos Passos
(Para nos livrar das penas eternas do inferno)

Ó Jesus, Filho Unigénito de Deus e da Virgem Imaculada, que pela salvação do mundo quisestes ser reprovado pelos Judeus, traído por Judas, atado por cordas, conduzido ao matadouro como um cordeiro, apresentado injustamente aos juízes Anas, Caifás Pilatos e Heródes barbaramente, coroado de espinhos, condenado à morte, acusado por falsas testemunhas, ferido com pancadas, saciado de opróbrios e injúrias, cuspido no rosto, açoitado, despojado dos vestidos pregado com toda a crueldade na cruz, suspenso entre dois ladrões, vexado com fel e vinagre, abandonado em tormentosa agonia e finalmente trespassado por uma lança: por estes tormentos, Senhor, dos quais nós, indignos filhos vossos, agora com devoção, gratidão e amor nos lembramos, e pela Vossa santíssima morte na cruz, livrai-nos das penas eternas do inferno, e dignai-Vos conduzir-nos ao paraíso, aonde levastes convosco o bom ladrão.
Tende piedade de nós, ó Jesus, que com o Pai e Espírito Santo, viveis e reinais por todos os séculos dos séculos.
Amem

Noites Adentros

NOITE ESTRELADA. Um astronauta está lá no espaço, onde eu mesmo queria estar, em silêncio. Olho pro céu e imagino o som do cosmos, o silêncio, a calma que deve ser lá em cima. Mas eu me pergunto porquê no fim da noite derramo palavras q doem? E que dessa obra solitária inacabada, por quê adjetivar tanto se eu só quero respostas? Ser tão violento, lento, lento e devagar demais por dentro um vulcão adormecendo e morto. Dragão, por quê tantos bichos? cuspir fogo. Por quê tanto medo e nenhum credo? O inverso também é verdadeiro, uma vaga novidade. Água mais rápida no meio do rio. Olho pro céu mais uma vez, dileto vazio. Fim das horas.

Sem definição

quarta-feira, outubro 04, 2006

T W Z

uma porção ingrata
desmoraliza a outra

espera algo que seja
eu gostaria nada
apenas
mesmo sob a ducha fria

incomoda a quem agora?
seguramente não a mim

hora, nota, passa rápido
levando ontens e abraços

construí na juventude
além dessas frases

de um sacrifício anunciado
sinto-me vitorioso

encontros casuais
tempos e oceanos
tais como tais

Weisse Katze

Ideologia, política e juventude

É CHEGA A HORA de tentar finalizar esse ensaio sobre Ideologia, Política e Juventude. Foram muitas as questões aqui levantadas. Creio que não foi possível falar sobre Profissão e Sacerdócio mais a fundo. O pensamento voa em velocidade infinita e incalculável, porém, tentarei abordar esse assunto com mais detalhes pois considero a questão de especial importância na vida do jovem. Questão na qual pretendo discorrer sobre vocação profissional, o quê e como tratar esse assunto. Mais uma vez sinto-me tentado a escrever um pequeno manual de felicidade, segundo as minhas comparações, observações, análise do que está ao meu redor, análise de mim ao redor das coisas: cidade, família, amores e amigos. Deixo aqui um breve anúncio de que não será viável esmiuçar o tema (Profissão e Sacerdócio) dentro da questão mais premente que é falar sobre ideologia, política e a consequência desses atuando sobre a juventude. Esses textos foram elaborados de forma a dialogar com quem os queira ler. Sem um ponto de partida mas envolto no Todo que tempo devora a cada instante. Sem argumentação teórica, sem uma estrutura de articulação definida, mas creio que estou perto de poder escrever minhas considerações finais. Para quem tiver interesse, e, para depois ser descartado, pois, “Tudo que é solido desmancha no ar...”
Eine von die Viel

terça-feira, outubro 03, 2006

Ideologia e juventude política

A tímida maldade dos coelhos brancos

nos arredores da Católica. Lá encontrei olhares mortos, tristes no meio do vazio, mesmo assim sem fazer alusão a nada. Antes fosse ao Nada, mas nada. Vi como se a vida fosse uma loja em oferta. Sinto ter visto tanto contentamento com essa vida sem sentido, sobrevivem senão pelo amor à si mesmos e nada mais. A utopia um dia se torna realidade. Livrai-vos dessa imbecilidade triste e prepotente que vos assola e dêem um tapa na cara do mundo, em quem você acha que merece. Indignem-se!!! com toda falsidade ideológica que esteja ao seu redor, mesmo que seja essa que estas lendo... Meu caro, meus caros nada mais imoral do que ter os olhos e não querer enxergar, ter ouvidos e não querer ouvir, ter boca e não querer falar. Vi somente o que estava ao meu redor em apenas um dia de análise participativa, portanto, não tome esse como um texto que pretende ser político antropologicamente acadêmico. Mas isso não me impede de dar minha opinião. Isso não me impede de refletir a primeira impressão que tive. Nada me impede de criticar quem eu bem quiser, inclusive você ou a mim mesmo. Esses talvez sejam alguns exemplos que eu citarei mais tarde nas minhas considerações finais, mesmo assim, ninguém está imune à imbecilização da promovida pela Indústria Cultural/Mídia e protegida pelas elites caretas. E quanto menos elite mais careta, pois passará pelo crivo hierarquiárquico da caretice; que ainda governa pelas rédeas, que ainda domina pelo poder econômico, que ainda te anula, que ainda destrói ao invés de criar. Tecnicamente falando, nossa juventude é ultra miserável de cultura, história, escola e bossa nova no sentido de que mesmo sob a essa expécie de nova ditadura (talvez velha) da mídia, do capitalismo selvagem ou do conformismo, do crime contra a ética, da existência da não-ética, panorama do que eu vejo em Belo Horizonte, é plenamente aceitável. Não sei comparar com outros lugares onde não estou, vivencindo a o dia-à-dia, cada dia como aqui.
Eine von die viel

domingo, outubro 01, 2006

Noites Adentros


Confissões à Lua

meus dias de amanhã
feitos de vários ontens
concretização de coisas
cotidianas
e as horas vãs
preenchidas pelo medo
fazem a insanidade do tempo
me disseram coisas
ao pé do ouvido
coisas que eu
não pude entender
um lamento
um blues dolorido
lembrar do passado
me deixou entediado


Eine von die viel