quarta-feira, dezembro 26, 2007

Ironia do Destino

O título desse conto, em q começo a descrever minha tragédia, tem timbre de novela mexicana.
Morava em um bairro com nome de santo. Os bairros nessa cidade costumam ter nome de santo. Nessa época eu morava com o Oscar, um amigo colombiano. A vida passava conforme o decorrer das horas, solta, ritmada, lenta e várias vezes fugaz. Eu já supria os meus momentos de angústia com amizade, conversas ao telefone, planos pro futuro, etc. Imaginando-me sozinho, pássaro livre, solto pelo mundo. Nada de pressa, só muita preguiça. Era assim q eu me sentia: livre outra vez. Quando um dia me apareceu essa pessoa. Então, como sempre sem saber, mergulhei na profundeza das retinas sem saber, sem saber se realmente e sempre q as mulheres escondem um enigma, um teorema indecifrável. Uma ponta de luz se fez. Dessa luz se fez um grande holofote. A pobre Mildred me desejou, no início, como eu não a desejava. Mas conseguiu e então não pude evitar. Imagem:
Couple von Toulouse Lautrec
>¨< katze

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Scheiße!

Ainda deglutindo um novo começo. Começo um novo dia disposto a quase nada, apesar de não estar ansioso. Acho q o remédio faz efeito prolongado. O rivotril me deixa um pouco pasmado, mesmo no dia seguinte. Tomo-o para dormir, mas fico acordado até tarde, no silêncio of a dawn. Depois q reinstalei na minha mãe quase não durmo direito. No início eu dormia no quartinho lá debaixo. Sentia-me um hóspede, apenas passando uns dias. Pensando em uma casa q não mais existia e nem mesmo na imaginação eu conseguia coloca-la, firmar um pensamento de habitar. Desaninhado, sentei bunda no quartim que me cabia de inspiração naquela hora. Tentar ficar o máximo mimetizado. Escondido como um ratinho confuso. Calado, quietinho. Com medo de mim, medo de incomodar, e estava.
Tentando ser contido eu comecei com lágrimas de nostalgia, de uma coisa q eu jamais seria, e terminei com ódio preso na garganta de cortar com a tesoura todas as suas roupas. Tentar te destruir pedaço a pedaço. Nunca havia sentido esse ódio antes. Como se cortasse cada veia e sua cara. Terminei com um par de algemas de um anjo rebelde, quem mais sofreu naquela hora. Mas tudo bem. La nave va. Ausente afligido compungido lacrimoso atormentado atribulado descontrolado entristecido desolado consternado puto.
Vente en ligne : Egon Schiele mis à nu - Octobre 2005

Twin Towers


Rumba


Desolado e cru

Essa calça velha de algodão, toda manchada de respingos de tinta branca, me lembra o aconchego do velho lar que hoje não tenho. E parece que cada vez que uso algo que me dá aconchego, contamino as coisas que uso com as novas e terríveis sensações de não estar indo a nenhum lugar. Volto-me e revolto-me ao meu mundo espiritual e retorno à realidade, envolto em realidade. Por favor, uma realidade menos morta. Enquanto anjos velam os perdidos do deserto, verbos enfretam o olhar alheio.

sexta-feira, dezembro 21, 2007


Noites Adentros

Ernest Hemingway e Fidel Castro
Havana, maio de 1960

AQUELA NOITE COM A BRET na cidade natal quando tudo aconteceu tão derepente. Dei a ela uma rosa da cor de seus cabelos. Então nós demos as mãos em um ato simbólico, representando a consciência de estar perdido. "The Sun Also Rises"- o sol também se levanta e acorda conflitos demasiado humanos. Causa fadiga existencial de um não saber de quês nem porques. Reafirmando um discurso de impotência, de coisa inválida, vida inválida. Preciso jogar um pouco de mágica, q não seja vulgar, na arte desse encontro. A poesia é insólita e somente é, não tem futuro. A cidade chuvosa abafa, descaracterizada pela memória, o medo da própria violência. Tudo oq faz uma pessoa não querer mais olhar pro abismo. Todos os giros e rodopios do dia seguinte em que não dormimos.
Sentei no seu colo, lambi seu umbigo e exaltei Dionísio. Ela observava tudo. Da sombra, o sol. De dentro de si, ela mesma. E eu, um dia que nunca esquecerei.
Katze

em homenagem

fragmentos de textos escritos pelo meu primo Thiago.

“ Ó divina luz, tua sombra me traz proteção."

"O quê me falta pra te conhecer?
se teu olho mostra a nudez?
(...)
verdura verde mole
maçã azul cortez
se eu amo minha amiga
onde vou me esconder?(...)

no mato não tem peixe, minha amiga
mas meus pés me fazem andar
sobre as águas eu vou descalço
e sem tua boca pra beijar
(toca do bandido) "

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Corre solTa

Uivando em Cochabamba
tudo se acaba preso
buscando as velhas coisas
em si mesmo um atalho
flores apunhaladas
que não devia crêr
q sou eu mesmo q flutua
sob o céu
.
A diferença
cinematográfica da crença
não percebe a semelhança
a voz flecha o pensamento em brasa
criança bêbada na rua
os carros passam
a vida passa

terça-feira, dezembro 18, 2007

Um Nada suBjetivo

de 1964 a 1984

Aqueles que cresceram à sombra de uma Ideologia com I maiúsculo. A nuvem que encobriu nossas cabeças durante 20 anos até a redemocracização (em 1982 eu tinha apenas 4 anos) fezexistir um abismo (usando um pouco do estilo literário Nietzschiano) que separa a minha e as gerações subseqüentes. E como diz o filósofo: as pessoas não querem encarar o abismo pois o abismo torna de volta o olhar. De fato, a massa oprimida não quer encarar nada pois já vive se equilibrando na corda bamba. "Os políticos são todos ladrões" ouvi isso de um motorista de coletivo. Não que isso necessariamente reflita o pensamento do povo mas é uma premissa enganosa. O homem necessita dos meios de produção para exercer sua força, física ou mental e estar inserido no mercado. Tomo a liberdade de usar a máxima de Rosseau: "foram obrigados a ser livres". E desde então, feito o meu recorte de tempo, junto com a tecnologia, cresceram indivíduos adestrados na corrente desse pensamento pequeno burguês. Em poucas palavras: o povo brasileiro, em geral, não tem consciência política. O povo brasileiro não tem consciência da própria "fala", ou mesmo regristro, da história. Me perdoe quem se sentir ofendido e/ou pela falta de qualidade desse ensaio litero-poético-político-devir-filosófico, ainda que por intuição. Anarquia, estado e utopia. Mas vale evocar Camus pois "Só um dia o ‘porquê’ se levanta e tudo recomeça nessa lassidão tingida de espanto (...) no extremo desse despertar vem, com o tempo, a consequência- o suicídio ou o restabelecimento (...) porque tudo começa pela consciência e nada vale a não ser por ela". Porém, apesar das tendências da filosofia contemporânea (Racionalismo e idealismo, Empirismo, Pragmatismo, Materialismo dialético, Existencialismo, Positivismo e neopositivismo, Estruturalismo e funcionalismo) a manifestação do universo como uma idéia complexa em si mesma, em oposição a estar no interior ou exterior do próprio e verdadeiro Ser, é inerentemente, um nada conceitual ou um Nada em relação a qualquer forma abstrata de existência, de existir ou ter existido perpetuamente, sem estar sujeito às leis de fisicalidade, de movimento ou de idéias relativas à antimatéria ou à falta de um Ser objetivo ou a um Nada subjetivo.
>¨<

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Ontem não me lembro

o que tanto me incomodava. O que fiz ou deixei de fazer. Quando, como e com quem? Ontem não conseguia pensar em nada. Talvez tenha dançado uma música que eu detesto. Algo do tipo bem ridículo. Nem sei por onde andei. Pelos caminhos da madrugada, noite adentro. E agora adianto o relógio em duas horas. Então sento e peço um café. Tomara q ninguém me reconheça...
´
´
´
[
=
Photo: Piere Paolo Passolini

Você Passa Eu Acho Graça

VOCE PASSA EU ACHO GRACA - UOL Busca
Composição: Carlos Imperial/Ataulfo Alves
.
Quis você pra meu amor
E você não entendeu
Quis fazer você a flor
De um jardim somente meu
Quis lhe dar toda ternura
Que havia dentro de mim
Você foi a criatura que me fez tão triste assim
.
Ah, e agora, você passa, eu acho graça
Nessa vida tudo passa
E você também passou
Entre as flores, você era a mais bela
Minha rosa amarela
Que desfolhou, perdeu a cor
.
Tanta volta o mundo dá
Nesse mundo eu já rodei
Voltei ao mesmo lugar
Onde um dia eu encontrei
Minha musa, minha lira, minha doce inspiração
Seu amor foi a mentira
Que quebrou meu violão
.
Ah, e agora, você passa, eu acho graça
Nessa vida tudo passa
E você também passou
Entre as flores, você era a mais bela
Minha rosa amarela
Que desfolhou, perdeu a cor
.
Seu jogo é carta marcada
Me enganei, nem sei porquê
Sem saber que eu era nada
Fiz meu tudo de você
Pra você fui aventura
Você foi minha ilusão
Nosso amor foi uma jura
Que morreu sem oração
...

Delaying the real world

zzihuuuummmmmmm.........................

Quê fazer?


Deixa Dindi...
que eu te adoro Dindi

domingo, dezembro 16, 2007

O que fazer em mais um dia de dezembro?
Vendo o sol se pondo sobre as formas retangulares dos prédios.
E o céu sempre azul impondo linhas de nuvens mortas, linhas mortas de nuvens q brilham flutuam zombam de mim, as únicas formas redondas arredondadas. Vagueiam no ar como um pensamento bêbado. Observo as nuvens como quem observa o movimento das marés. Interpreto seus pensamentos, suas angústias, seus pecados, seus lamentos, suas queixas, nheim nheim nheim, sua lírica, sua elegia, seu pranto, seu soluço, seu gemido, seu grito. E já se foram... à luz de um deserto caído e desconecto pensamento. O céu denota a hora e a palavra detona a montanha. Pleno, suspiro.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Copiar colar


Mais um dia sem você. Até que concordamos com a nossa separação Mildred, mas você não tem idéia de como têm sido duros os dias em tua ausência. Aquele ar de floresta encantada, fadas e gnomos, ninfas, deuses paN e elfos. Nada mais resta. Mais um dia pensando em você. Sinto um gosto azedo e odor de queijo que não vem dos meus pés nem do vizinho nem da memória. “O fantasma da ingratidão se retira com desfaçatez”. Assistente de um vazio ar reduzido a nada. Um nada vazio e meramente escatológico e escroto. Um pensamento vazio. Mais q puramente fluído. Um cacete! Não consigo simplesmente agir “da forma mais natural dois carinhos se encontram, meu corpo, nossos corpos formam um só diamante”. Mas Mildred, garanto que com você eu já estaria morto. Tentando alcançar sua alma e o seu amor.

Atriz de Bergman

Querida Liv Ullman, pensei um dia em procurar auxílio pedagógico na faculdade.
Entro (depois de contar todos os meus problemas) :
__ Como você me ajudaria? No caso, se você estivesse em meu lugar, o que você faria? Como você me orienta? Coloque-se, por favor, na minha situação, mesmo sabendo que você não sou eu, o que eu devo fazer? O que você me aconselha? Afinal, o que eu devo fazer? O que eu posso fazer de bom? O que quê eu quero?- breve silêncio – Obrigado, moça.
Saio fechando a porta que sempre fica aberta.
Ein von die Viele Personen

Um B ® I n D e !


Um B ® I n D e !

Uma e onze da madrugada. Uma dose na madrugada e tela em branco pede um pouco de palavra em processo progressivo e fugaz.
Minha cara e vida não são mais os mesmos, nesse lento progresso que me dá muita preguiça. Mesmo assim não consigo dormir. Viro madrugada, passo a noite acordado, tentando tentando pensar em nada. Mas de que jeito? Se ainda fosse possível meditar, mas, farto desses sinais incompletos e finais grotescos inacabados conseguiu ser rotulado e ainda assim, enfim não ser nenhum.
Eu que penso (e pensamos) as três ilusões de transcendência agora queria ser capaz de não pensar em nada. Cansei de mim mesmo.


Katze


terça-feira, dezembro 11, 2007

Vento Divino


A vida é uma volta
de desenhar palavras

água brava
que se revolta contra
aquele que se aventurava

e morre cada vez que engole
nas rimas de pontas quebradas
que choram rizomaticamente
o grão de mil caracteres

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Juventude, Ideologia e Política

National Kid

"Não se descobre o absurdo sem sentir-se tentado a escrever algum manual de felicidade" *

Sinto estar tentando (gerúndio justificável) escrever aqui o meu pequeno manual de felicidade, expurgando os males da alma, deixando o pensamento fluir. Primeiro, tentei traçar um panorama do mundo sob o atual sistema capitalista, onde o cartão de crédito, por exemplo, tornou-se um "bezerro de ouro", um ídolo moderno, uma maneira de manter vínculos de relacionamento (até crianças possuem). Criei inclusive um slogan: as vezes ele opera milagres, mas depois ninguém te ajuda a carregar a cruz. O mundo do rápido desenvolvimento tecnológico, o qual eu já disse anteriormente que não condeno. O mundo do dinheiro, o qual inevitavelmente eu não posso condenar porque nasci e fui criado nele, e a roupa (bens de consumo) que visto foi comprada por mim e não pelo estado. A maneira que esses bens de consumo são adquiridos é que pode ser criticada. A maneira que determinado governo opera uma democracia é que pode ser criticada, afim de apontar os erros e danos causados. E não é preciso ir longe no tempo. Após uma averiguação do caráter de cada nação e como ela, de um modo geral, se comporta e se relaciona com o mundo. Bastaria enxergar da década de 50 para os dias de hoje. Após Segunda Guerra Mundial, após guerra fria, após o atentado de 11 de setembro. Eu digo que a proposta comunista, nos seus primórdios, foi escrita para os países industrialmente desenvolvidos da época. Um pensamento veramente sutil para ser implantado e funcionar em uma Rússia que vivia um sistema feudal. Teve valia como dura crítica ao capitalismo porém não funcionou como proposta. Contudo, alguns ideais de igualdade apontados por Marx ainda fascinam. Viver a vida? Quando eu souber te mostro como. Até agora, nessa batalha titânica da modernidade só posso mostrar como ser um mau herói. Como não ser Super Homem que Nietzsche descreveu. Übermensche, que também poderia ser traduzido como além do homem, acima do homem (na escala evolutiva). Termo que foi apropriado indevidamente pelo nazismo. Não invejo o super homem. Ao contrário, admiro a minha desafortunada fragilidade, pois nela construí meus sentimentos.
Gustavo
* O Mito de Sísifo, pág 126. Camus, A.

Mensagem

Inspirado no debate com o colega blogeiro Guilherme Coelho, que iniciou uma discussão sobre a velha nova juventude, ou, a que eu chamo de juventude tardia por haver crescido à sombra de um ideal, venho agora publicar alguns textos do ensaio "Juventude, Ideologia e Política".
Nessa obra foi amplamente discutido (dentro do recorte possível ao meu alcançe, ou seja, analisando os jovens com quem eu tenho contato) a questão da violência, das revoluções, da fome e da apatia, dentre outras tantas.
Espero q gostem de ler esses q aproveito para revisar. Obrigado Guilherme, por suscitar coisas novas, sin-signos indiciais infinitos. Se nunca paramos para pensar, também nunca paramos de pensar.
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Ps.: Guilherme e demais companheiros, espero que comentem!

Juventude, Ideologia e Política

Não consigo abandonar a idéia, o desejo, a compulsão de escrever, escrever, escrever. Agora o espírito crítico para ver as coisas se instalou como um download. Agora é a hora de dizer coisas que me enojam, quando não se pode engolir pelos 7 buracos da cabeça, nem mesmo vomitar o que não se consegue digerir.

Não consigo, se consigo sigo e si consigo mesmo, eu com relação ao mundo, com relação a cidade, na verdade como me comporto? Quero abrir portas, portais. Cada dia à cada passo, tijolo por tijolo, aventura da modernidade.

Na última cena do Fausto de Goethe, uma visão de modernidade se dispõe e se instala diante dos olhos de Fausto como uma grande construção, um canteiro de obras. De Putchin, a Gogol, à Dostoiévsky, à Mandelstam. Como uma minoria de intelectuais conseguiu ascender ao poder através de ideais de justiça distributiva. Apesar do desejo de poder, Wille zu Macht, apesar da luta titânica do homem para atingir a vida que deu certo, Vohl geratenreit. E, "Onde a burguesia só pode existir com a condição de revolucionar incessantemente os instrumentos de produção, por conseguinte, as relações de produção e, com isso todas as relações sociais." as relações "...tornam-se antiquadas antes mesmo de ossificar-se. Tudo que é sólido desmancha no ar, tudo que era sagrado é profanado e os homens são obrigados finalmente a encarar com serenidade suas condições de existência e suas relações recíprocas."
K a R L M @ R X


C o n t i n u a [a]+

Perceptos e afectos deleuzianos
para ler ao som de Thelonious Sphere Monk
VEJAM QUE A NOVA velha tecnologia condiz com a moderna tradição, tradição da modernidade. Aí pode. Ipod . Destruir conceitualmente a conjuntura verbal. No silêncio sussurrante of a dawn (de uma madrugada)eu sou um necrófita, adorador da palavra morta, memorial de imagens soltas, sensório de filosofias, interpretante final vivendo indiferente assim. Absorto me encontro. Chutando a bola com os 2 pés. Absorto percebo. Estranho afeto pelo útero. Exílio, ostracismo, fuga, solidão, meu coração dispara. Escrever é a hierarquia de si mesmo. CAFé La CRIoLA.
Felizes eram os piratas, doces bárbaros, até descobrirem q o mundo é um quarto fechado. Em uma ilha escondida da cosmografia, ainda desconhecida, esconderam fundo seus tesouros. A primeira sociedade anárquica e, o que é pior, não "vigou".
As relações de amizade, inimizade e outras cocitas más(ganância e poder...) fizeram com que um acordo de paz fosse, literalmente, por água abaixo.
Uma chuva meteórica de idéias q agora me foge ao pensamento. Mais angustiante é não poder descrevê-las. De qualquer forma expressa-las, ou mesmo expressa-las mau, me desafoga. E penso que estou fazendo. Vivendo submerso em um mar de conceitos:
Vanguardas históricas, Dadá, Surrealismo e Modernismo; vanguardas tardias, Beat Generation, Poesia semiótica, Arte postal e pós-vanguardas, Poema Intersemiótico e Poesia Sonora.
Alguém entende ou acredita nesses rótulos?

domingo, dezembro 02, 2007

Resposta à pergunta de Guilherme Coelho

Desenho de Érico Ferrari

Caro Guilherme,

O sol se levanta todos os dias.
Talvez e, não só ao q se refere ao texto, mas, ao longo da minha vida tenho sido mal interpretado. Perdoe-me, de antemão, haver dito que a vida me parece um supermercado de grandes ilusões para aqueles de olhares mortos. Talvez você tenha se ofendido inconscientemente, pois o texto se chama: “A Tímida Maldade dos Coelhos Brancos”. Quero deixar claro q jamais foi minha intenção ofender nenhuma espécie de oryctolagus cuniculus, embora eles me pareçam inexpressivos e com certo ar de passividade (salvo aqueles que são observados em seu habitar natural). Devem ser mais ágeis e espertos... Eu, particularmente, prefiro as Lepus granatensis, também conhecidas como lebres. Por gato já comprei várias.
Já os coelhos, principalmente os brancos de olhos vermelhos, contêm uma maldade infantil terna, inocente, franca, sincera, crédula.
Lembro-me, claro, do coelho da história de Alice, de Lewis Carol. Sempre apressado, extinguindo o tempo. Esse mesmo tempo e espaço, tendo ao máximo sido reduzidos ao ponto em que (
Aventuras de Alice no País das Maravilhas) Alice já não precisa mais voltar.

Mas, retornando ao assunto. Caro Guilherme, você afirmou, mencionando palavras minhas, suas considerações sobre a juventude, que julga ser ultra miseravelmente cultural e escrava da mídia e, colocou de outro lado, aqueles que querem promover a revolta iconoclasta.
Se de todo não podemos quebrar conceitos universais, entendo como fraco seu conceito de generalismo. Ainda mais quando você gera dualidades me obrigando a posicionar-me frente apenas 2 lados de uma suposta realidade. Quando realidades são tantas.
Em meu entendimento vivemos cada instante, independentemente de sermos simultaneamente objeto signo interpretante, linguagem, falatório, palavreado, verborréia, vozearia, significado e significante, mil diferentes platôs. Neste próprio platô em que agora apoiamos nosso debate, se consolida somente meu devaneio.

Por fim, gostaria d confessar que por vezes me sinto off-line, desconectado do grande hipertexto Pais das Maravilhas. Mesmo quando ouço o canto dos pássaros, uma canção ao fundo no rádio, o som de máquina pesada longe e as luzes que se transformam durante o dia.
Caminho por esses platôs rápido, ligeiro, acelerado, galopante, veloz, desbocado, desenfreado, dinâmico, violento, trepidante, vivaz, surfista de ônibus.
Não temo o abismo. Somente atmosferas por onde voam energizadas, estranhas borboletas. No entanto titubeio ao cogitar se entendemos a lógica da contemporaneidade assim como ela se apresenta. O pensamento voa em velocidade incomensurável.
Um dia despontará no horizonte o Sol da Renovação que irá dizimar mentes ociosas e banhar de luz os anseios da nova geração de crianças índigo.
À todos aqueles que estão comigo em pensamento.


Gustavo


Ps.: Espero que você leia essa mensagem o quanto antes, pois verifiquei q não possuo o endereço do seu correio eletrônico.

segunda-feira, novembro 26, 2007

A “Moda” da Idéia

Aconteceu na ultima terça-feira, 20 de novembro, no Café com Letras (Antônio de Albuquerque, 781), seminário voltado a discutir a moda em tempo real, aqui e agora.
O evento, que aborda várias facetas da produção cultural e crítica local e global, esse dia, dedicou o espaço ao debate sobre produção de moda.
Estiverem presentes os palestrantes convidados Natália D’Ornellas (O Tempo/ L’Officiel Brasil), Carla Mendonça (UFMG) e Suzana Bastos, estilista da marca Coven. Como moderadora o seminário estava presente Mariana Tavares, coordenadora do curso de design de moda na UMA.
A noite foi aberta com explanações sobre o atual panorama de todas as áreas que envolvem moda. Permeada de contradições, opiniões e consensos, o discurso das palestrantes abriu margem à reflexão de como fazer moda. Também foram discutidos os modos de produção, de como se mostrar, como vender, etc.
Abrindo o ciclo de palestras, a acadêmica Carla Mendonça dissertou sobre a análise dos sintomas da moda em Belo Horizonte, e sintoma, como sabemos, quer dizer também a queda: o caso, o acontecimento infeliz, a coincidência, o fim do prazo, a má sorte.

Sugestão de hipertexto-depoimento enquadramento [in Box]

“A moda está definitivamente
consolidada como arte”


Tentando reconhecer sintomas e sugerir diagnósticos, foi discutido o “vestir-se”, inseparável de todas as outras figuras do “próprio do homem”. Estruturalmente, os “próprios do homem” podem imantar um número infinito de conceitos, a começar pelo próprio conceito de conceito. A moda necessita de um ser-estar público, necessita reflexo midiático. Mas como?

Subtítulo:
Do gueto para o mundo

Suzana Bastos expôs a questão da moda versus roupa: “ainda não entendemos a moda como um produto” afirmou. Segundo ela, a moda é muitas vezes reduzida ao produto roupa, quando na verdade, envolve na fabricação, divulgação e comercialização, uma série de outros fatores. Diversas mídias se envolvem nesse tema. Alguns fashionistas vestem a camisa da modernidade, e se manifestam formando agrupamentos e novas proposições. A exemplo de Brick Lane Market, de atmosfera vibrante, com o cutting-edge (corte de ponta) e suas lojas de moda independente.
A professora Mariana Tavares, mediadora do debate, colocou em questão: “por que não temos iniciativas coletivas como nossos visinhos da Argentina?” Segunda ela “Buenos Aires, apesar de não se comparar a Dover Street Market, em Londres, edita a revista View Point que visa o focus trend do momento, ou seja, visa centrar tendências.” e questiona ainda “se já existem mídias, ou seria o caso de se criarem novas formas de divulgar a moda?” conclui.
Respondendo a essa pergunta, a jornalista Natália D’Ornellas nos lembra que alguns eventos que se propuseram a mostrar a moda em Minas, além de não contarem com uma organização ideal, não tiveram grande repercussão de público. Um bom exemplo, no entanto, foi o 3º Colóquio de Moda 2007, que “inclui a cidade na cena fashion, mesmo que debatendo o fazer da moda” nos lembra Carla Mendonça, doutoranda pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). E acrescenta sem digiversar que “a moda está definitivamente consolidada como arte, tendo sido reservado um espaço exclusivo à moda na Documenta de Kassel” (maior evento de arte contemporânea do mundo, que acontece de cinco e cinco ano em Kassel, na Alemanha).
Além de tentar fugir do hyper (o moderno instituído) e somente ele, ditando as regras da moda, “devíamos fazer moda de forma mais experimentalista, com parceiras e divulgação como um caminho para a consolidação do produto” completa Suzana. A experiência transgressal, se não transgressiva de uma “limitrofia”, inexistente ou artificial, que, no entanto, não nos permite fugir do espaço geográfico onde vivenciamos nossas experiências.

Subtítulo:

Lógica de Mercado
Sociedade de Consumo ou Sociedade do Descarte?

O mundo da contemporaneidade interessado em descartar, pois, a força avassaladora do tempo de subjugar a si mesmo, deixa-nos somente o Espaço. “Hoje, se compra uma bolsa da Jay (marca coreana). Daqui a dois meses, rasgou você joga fora.”, disse a estilista Suzana Bastos. É o fast fashion que foi vaticinado há décadas atrás e hoje invadiu de forma expressiva o coletivo pensante, coletivo cognitivo. A imagem da moda chegando antes da roupa. O tempo tentando acompanhar o desejo. A moda tentando atender o desejo de consumo. A lógica de mercado da moda sendo a mesma para vender ladrilho, ou carro, ou celular.
A prerrogativa mais constante durante o seminário, no tocante ao produto da moda, ou seja, o próprio homem (que veste a roupa: objeto final da moda), deveria abordar o ser conceitual, levando em consideração o calor tropical, o corpo brasileiro, a paisagem, etc. A moda interessada em criar identidade cultural. A exemplo disso foi citado “Cadernos de Notas sobre Roupas e Cidades” do cineasta Win Wenders onde ele faz um ensaio sobre o estilista japonês Yohji Yamamoto. Para o diretor, fazer uma roupa ou fazer um filme contém a mesma busca da verdade. Do prêt-à-porter e da moda dos meninos de rua e das garotas do subúrbio.
A moda como uma atividade “transversal”, que corta diversos segmentos das atividades socioculturais. A moda, que era uma manifestação restrita ao ambiente privado e associada à dimensão feminina da vida, vem extrapolando em muito essas características, associando-se à indústria cultural de diversas maneiras, desde o cinema clássico de Hollywood, que, enfim, promoveu a moda. “Então, é a figurinista da novela, a grande difusora de moda no Brasil” segundo a jornalista Natália D’ornellas, “em uma sociedade que valoriza tanto a aparência como a nossa, o interesse pela moda é bastante legítimo” finaliza.
Weisse Katze

sábado, novembro 24, 2007

A Tímida Maldade dos Coelhos Brancos

Nos arredores da Católica. Lá encontrei olhares mortos, triste no meio do vazio, mesmo assim sem fazer alusão a nada. Antes fosse o nada, mas nada. Vi como se a vida fosse uma loja em oferta. Sinto ter visto tanto contentamento com essa vida sem sentido. Sobrevivem senão pelo amor à si, mesmos e nada mais. A ilusão um dia se torna realidade. Livrai-vos dessa imbecilidade triste e prepotente que vos assola e dêem um tapa na cara do mundo, em quem você acha que merece. Indignem-se!!! com toda falsidade ideológica eu esteja ao seu redor mesmo que seja essa mesmo que estas lendo... meu caro, meus caros nada mais imoral do que ter olhos e não querer enxergar, ter ouvidos e não querer ouvir, ter boca e não querer falar. Vi somente o que estava ao meu redor em apenas um dia de análise participativa portanto não tome esse como um texto que pretende ser político antropologicamente acadêmico. Mas isso não me impede de dar minha opinião. Isso não me impede de refletir a primeira impressão que tive. Nada me impede de criticar quem eu bem quiser, inclusive a mim mesmo. Esses talvez sejam alguns exemplos que eu citarei mais tarde nas minhas considerações finais, mesmo assim, ninguém está imune a imbecilização da indústria cultural/ mídia protegida pelas elites caretas e quanto menos elite mais careta pois passará pelo crivo da hierarquia da caretice que ainda governa pelas rédeas, que ainda domina pelo poder econômico, que ainda destrói ao invés de criar. Tecnicamente falando nossa juventude é ultra miserável ( de cultura, história, escola...) e bossa nova no sentido de que mesmo sob a nova ditadura ( talvez velha) da mídia, do capital, do crime contra a ética, é plenamente aceitável e ponto final, continua...

quinta-feira, novembro 22, 2007

A cor da nova realidade

Um deletério constante em movimento contínuo que não se contradiz mas que, mimetizado em ondulações de ritmo, flutua invisível o esquema rizomático. A minha realidade vista como canudos, linhas (que transmitem ou não, ou são o próprio objeto em si) fluxos, refluxos e influxos que se desnudam espectrais e, plasmados se cruzam e bailam se fundem e se transpassam. Exemplo: para mim o domingo é um dia de reflexão à inspiração e expiração que chamam semana. Percepções vagas bizarras. Exemplo: da visão de uma doença que vos deixa a cara feito máscara de monstros de lojas de badulaques de carnaval de centro-da-cidade. Entendo que vivemos pensamos. Pisamos em falsos e fôbicos beirais. Caimos em abismos intermináveis de constante angústia, onde o que se duvida se divide se redivide se reconstrói. Exemplo: um registro, quando aberto, canaliza reguladamente determinada quantidade de água que é mantida (renovada, aquecida, reaquecida...) em determinado container. Essa água se ramifica e se perfila através dos canos em direção aos cômodos e registros: pia da cozinha, privada (acionada por uma verdadeira descarga de água), pia do banho, etc. Tomemos o exemplo de uma casa, ou o cérebro, a sociedade (cosmo que se pinta diariamente sobre uma tela pré-determinada, pré-determinada; e se desfigura sob os nossos olhos com a nossa inteira participação, apesar pelo olhar). Imaginemos então que todos esses registros estivessem abertos: por dedução lógica, certamente haveria um transbordamento. Metaforicamente o pequeno se infla ao estado de intercessão. Esse estado pode causar dor e desorientação. É como ver-se na semi-escuridão, palidamente, diante de um espelho; com as pupilas contraídas de quem estava em um ambiente ensolarado. Você sabe que é você que está diante do espelho. Você se reconhece por um vulto de si mesmo, mas não se vê inteiramente. Não se reconhece totalmente como objeto, senão, através de uma estrutura ou sistema, através de grandes sínteses do pensamento e padrões herdados pelos costumes. Senão através da síntese. Senão através de ilusões abrigadas nas teses sociais grandiloqüentes. Essas ilusões (da ótica, no caso), se tornam fluxos indizíveis de violenta intensidade, coerente e não-coerente, resultando em nódulos ou interpolações. Nada mais angustiante do que pensamentos que fogem à nossa percepção. Esse sentimento causa um conflito de entendimento e retorna à gestalt hegeleniana. Por fazer parte do ambiente (unwelt) mundo, as pupilas se adaptam no cômodo escuro onde entraste, e passa a ver a escuridão com certa nitidez. Um registro milhares de vezes fragmentado. Fractal. Através de perceptos e afectos, no plano de imanência, assim considero a aquisição de conhecimento e as formas do absurdo (sem significado) que dele derivam. Fragmenta-se a harmonia da paisagem até a pouco familiar: onde antes havia nitidez, continuidade e causalidades explícitas, hoje proliferam as ruínas, a descontinuidade, o isolamento. Os trajetos físicos superpõem-se as derivas virtuais; aparatos tecnológicos, ou melhor, processos de comunicação de base tecnológica reconfiguram o espaço e impõem a necessidade de reorientar a discussão sobre o problema.
Continua...


Ratinho Sabedoria

quarta-feira, novembro 21, 2007


La rencontre de Nature morte aux grenades, Vence, 1947 (coll. musée Matisse de Nice) et Intérieur rouge, nature morte sur table bleue, Vence, 1947 (collection Kunstsammlung-Nordrhein-Westfalen, Düsseldorf) s’accompagne de la présentation d’œuvres liées à la thématique de la représentation de la grenade, à celle des intérieurs vençois, ainsi que d’un ensemble de photographies, documentation et publications.
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Weisse Katze

segunda-feira, novembro 19, 2007

Aloe Vera



cuida das minhas plantas...

Metalinguaguem


Seria apenas ocasional sentar-me aqui para escrever? Qual seriam a freqüência e a distância de tempo? Analisando estatisticamente, haveria um padrão de repetição, vulgo, um hábito? E, passando para o campo da metafísica, quais seriam os motivos? Questão essa muito mais complicada de se responder. Por envolver uma analise do comportamento e da psique humana, não necessariamente nessa ordem.
Tentarei responder aqui, algumas perguntas e questões referentes à temporalidade, às causas, aos motivos e motivações. Com intuito de desvelar e aprender analisando essa batalha que travamos diariamente. Muitas vezes há dores que causamos a nós mesmos sem saber, sem ter a consciência. Amar é a pior e a melhor delas. Deontologia é um termo muito antigo que foi encontrado recentemente perdido nos alfarrábios da história. Quer dizer “o homem busca o prazer e evita a dor”. Esse enunciado traduz com clareza a essência do que quer dizer. Quer diz também que, usando a metáfora, “os homens... (através do amor) buscam o prazer e evitam a dor”. Qual e como seria essa dor?
Voltando alguns séculos atrás, com certeza ouviríamos algo sobre a eterna busca de Psique por Eros; Afrodite, deusa do amor, tendo lançado-lhe uma maldição... Fazendo da transgressão um pecado, termo que seria usado amplamente pelo mundo ocidental.
A representação do mito de Eros e Psique demonstram que os povos gregos já problematizavam o paradoxo do amor.


Ass.: cultive-a-paz

Segunda das Dores

A segunda então seria das Dores, sobrenome Solidão, de nome Maria. Nenhuma delas conhece a Temperança ou a Justiça. Vem de encontro à Experiência. Outro a ser o que era, enquanto outro Eu desperta. Revolta- análise- aceitação- Hegel- eu.
A terceira é o próprio despertar. E não digo metaforicamente, digo literalmente. O ato de despertar: a primeira visão do dia, a primeira alegria do dia. Já todos os sentidos em alerta: tato, olfato, audição. A realidade se apresenta: amarga, doce, concreta, dura ou macia, mas, sempre cruel. O fato de pensarmos e, por conseguinte existirmos, logo no remete a dor da existência, no entanto, quem cultiva a própria dor faz dela uma religião. “Ser ou não ser? Eis a questão”
assim disse Shakespeare através de Hamlet e o próprio Hamlet através de Shakespeare
A fim de extravasar com palavras essas esparsas e dispersas, é que minha caneta caminha por essa folha, ordenadamente, revisitando as horas.


Conselho Nacional de Produção Multimídia apresenta

Ingelicência Coletiva

Um espetáculo feito por você mesmo.
Participe!

ass.: Um dos muitos

Können Sie mir helfen?

....



hoo doo wodoo
I doo do you?

quinta-feira, novembro 15, 2007


Ouve um chamado distante. Um riso, um lobo, um lamento. Uivo. Milanovítch acorda de um sono profundo. Na porta de sua cabana jazem três rifles descarregados depois que Mila resolveu parar de caçar. Seus dentes podres e seus olhos amarelos revelavam seus hábitos alimentares cada vez mais degradados. Impoluto, seguia à chegada de seu último inverno. Sonhava com uma pessoa que nunca conhecera: loira e sem aparente beleza. Fria e indiferente nas noites de verão, quando a luz do sol nunca descia completamente no horizonte. No inverno, seu calor era radiante e sua pele dispunha de uma fragrância que só o próprio Ivan Milanovítch conhecia.
Mila chegava das estepes alvas em seu cavalo branco. Iluminado pelo sol glacial de forma pálido como o entardecer em algum subúrbio parisiense. Porém, ao invés do cinza, mil tons de branco se descortinavam aos olhos bem treinados de Mila e sua mulher invisível. O nome dessa mulher de origem não conhecida, possivelmente uma foragida germânica ou de algum cantão da Ucrânia onde se aglomeravam as legiões de estrangeiros. Alguns haveriam sido levados para a Sibéria ou Kazaquistão onde un passant povoaram a cabeça de Mila de fantasias.
O temido vento de inverno se aproximava. “Vindo de tão longe”, assim pensava o ex-combatente, general Ivan Milanovítch, “veio roubar minhas memórias”, única coisa que o general imaginava ter, “agora talvez me vença”. E o vento de inverno soprava em velocidade e força estrondosas, durante quarenta dias e noites.
Em seu delírio, Mila respirava o ar que vasculhava o fundo de seu pulmão. Sentia as bolhas de ar suspensas no interior da cabana sem nunca tê-las visto. Todas as panelas, canecas e facas tinham de serem guardadas em lugar fechado à chave. Toda essa cena de confusão tampouco atordoava Mila, concentrado em manter em si seus pensamentos.
Agora haviam tomado forma de mulher. Mas não a germânica, outra. Talvez sua mãe viesse vê-lo em pensamento.

terça-feira, novembro 06, 2007

Panteon

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Manual do Usuário Casa Cor
User’s manual


Por
Gustavo Perez

Aconteceu em Belo Horizonte, na avenida raja Gabaglia, nº. 319, dos dias 24 de setembro ao dia 28 de outubro a CasaCor®, evento que ocorre anualmente, trazendo tendências da arquitetura contemporânea com referenciais do mundo inteiro.

No ano de 2007 os organizadores do evento, em conjunto com o grupo Coletivo Contorno, conceberam um novo espaço na mostra que ganhou nome de Salão de Festas. O Salão abrigou vários ambientes, desde a fachada, o jardim de entrada, a garagem e o loft, chill-in chill-out com bar, o lounge da bilheteria, a sala de jantar e a cozinha gourmet, o salão de festas e o banho do salão. O mais interessante: a entrada é FREE!

Destacam-se a sala de jantar em tons de negro. Bastante intimista e sofisticada, com isolamento acústico no teto e que pende verticalmente dando espaço ao nicho que abriga um ... do artista ... Um arranjo de copos-de-leite ameniza o ambiente, iluminado por persiana branca que deixa transpassar a luz do dia. O lustre marca uma presença gótica sobre a mesa, por sua imponência de cordões negros e o brilho dourado de seus detalhes.

Creio que mademoiselle Coco Chanel aprovaria essa sala, assim como aprovaria o salão de mademoseille Grabrielle Chanel, na Place Vendôme, 18, em Paris. Com mise-em-escéne assinada por Karl Lagerfeld, também conta com lustres de Ingo Maurer que dão brilho especial ao ambiente. Embora, penso que, ela trocaria os copos-de-leite por rosas colombianas.

A cozinha da mostra é ampla e funcional: praticidade na forma e modernidade no look. Racionalidade no uso é o tempero perfeito para moderna cozinha fusion de grandes e pequenos chefs. O ladrilho hidráulico (que sozinho ocupa uma parede inteira) remonta às cozinhas das antigas fazendas mineiras. Destaca-se o herbário, onde havia uma pia na saída da cozinha e uma cadeira de balanço do outro lado de um pequeno corredor. O herbário, que separa o ambiente da área externa, possibilita “colher com a mão a pimenta o sal” assim como cantava Elis, just in time com a refeição a ser preparada.
Baco Fest

Finalmente o Salão de Festas, que abrigou Exposição de Tapetes do Projeto Fred (tapeçaria manufaturada pelos detentos que cumprem pena na Penitenciaria >>>), dos dias 03 a 14 de outubro. Os coquetéis, alguns fechados outros abertos, promovidos pelos patrocinadores do evento aconteceram nesse ambiente, causando interatividade contínua com o público. Destacou-se o desfile de noivas do estilista Zuza Nacif, que, em seguida, proporcionou uma exposição de fotografias, nos dias 20 e 21 do mesmo mês.

“O telhado duas águas dá aparência de casinha ao espaço.” segundo nos conta a designer Marja Marques, membro do núcleo de criação do Coletivo Contorno. No salão tubos de metálicos brutos e a telha de fibra cimento contrastam com materiais sofisticados, bem no estilo Hi&lo, “... o que possibilita de um barmitzva a uma recepção de casamento a uma festa neogótica.” afirma.

A utilização do branco, pálido branco barbante, puro, glacial, off white, assim como os esquimós são capazes de enxergar e nomear mais de duzentos tons de branco, são esses tons que transmitem aos olhos de quem vê, a leveza e a suavidade do infinito.

Espelho de Afrodite

Em um dos fechamentos laterais do ambiente, um painel de espelho trazia sobre si, em uma longa faixa de plotter recortado, nus neoclássicos de William-Adolphe Bouguereau (1825-1905) que retratam, ou melhor, “recitam”, através dos desenhos, uma verdadeira Ode a liberdade. Poetizando uvas, ursos e folhas de parreira, ninfas e deuses Pan e também o próprio Baco, onde “bêbadas bacantes brancas o beijam”. Tudo se tateia, todos se tocam.

No outra lateral, os vidros também receberam interferências gráficas de grandes arabescos e imagens inspiradas em desenhos clássicos.
As persianas ficaram ainda mais criativas recebendo inéditas impressões digitais com desenhos de Bouguereau, que permitem a limpeza sem danificar.

O chão suspenso e iluminado por baixo “solta” a estrutura conferindo leveza ao espaço. O piso, em ladrilho hidráulico cinza metal e branco sujo paginado em xadrez, tem desenho clássico e elegante.

Destacou-se a luminária Blushing Zettel’s do mago da iluminação Ingo Mauer, que possibilita a multiplicidade de interação com quem utiliza a peça.
No dia 12 de outubro, os fios que pendem aleatoriamente da luminária tinham em suas presilhas, cada uma, uma folha de papel de cor diferente, em homenagem as crianças. A Zettel’s, de maneira quase lúdica, pode ser utilizada para desenhar, escrever, customizar, enfim, esse é o grande convite, que possibilita criar novos efeitos de luz.
(Ver mais em
www.ingo-maurer.com/splash.html,"Hanging Lamps "Blushing Zettel’s).

Culturale Mix
Und ein Groβ Stadt

De um Brasil tupiniquim com seus falares e dizeres próprios, folclóricos, fala peculiar em cada frase, a face mais e menos sofisticada da capital mineira, em bares e cantinas que, acolhedoras se espalham por toda parte.
Cantoria caipira em serenata, Ave Maria em orquestra de congado, as mais redundantes retóricas acústicas, um cavaquinho chorando na noite estrelada.
Oscar Niemeyer Soares Filho assevera que a construção da capital é apenas parte de seu trabalho, cujo projeto mais importante foi o Conjunto da Pampulha, em Belo Horizonte, feito por ele em 1943.
“Isso não quer dizer que Brasília não seja importante, mas, para mim, Pampulha é mais.”

O barroco que salta aos olhos, entretanto neobarroco, clássico e atualizado, urbano, prima por sua excelência na contemporaneidade.
O numero de artistas cresce em proporção cabalística 1<3<7<10<13...

Decoupáge dos valores dos materiais

[ IN BOX ]

Coletivo emotion__________ Emoçãocoletiva


jkilil...

domingo, outubro 14, 2007

Inspiração


___ Alguém tem uma idéia precisa, no final do século XIX, sobre o que os poetas de épocas fortes chamavam de inspiração? Se assim não for, eu a descreverei... Com os restos mais ínfimos de superstição dentro de si, de fato qualquer um teria dificuldades em refutar a noção de que é apenas encarnação, apenas porta-voz, apenas médium de forças super-poderosas. O conceito de revelação, no sentido de que, de repente, com uma seriedade e uma fineza indizíveis, algo se torna visível, audível, algo que é capaz de sacudir e modificar uma pessoa no mais profundo de seu ser, descreve de maneira simples a situação. A gente ouve a gente não procura; a gente toma, a gente não pergunta quem está dando; como se fosse um raio, um pensamento vem à luz, por necessidade , em uma forma sem hesitações – eu nunca tive escolha. Um encantamento, cuja tensão monstruosa se dissolve numa torrente de lágrimas, no qual o passo ora toma de assalto, ora se torna vagaroso, involuntariamente; um estar-fora-de-si completo, com a consciência mais distintiva de um sem número de tremores e transbordamentos finíssimos, que são sentidos até os dedos dos pés; uma profundidade venturosa, na qual o mais dolorido e o mais sombrio não têm efeito de antítese, mas sim de condição, de desafio, como se fosse uma cor necessária no interior de uma tal abundância de luz; um instinto de relações rítmicas, que cobre vastos espaços – a longitude, o desejo de um ritmo estendido ao longe é quase a medida da força da inspiração, uma espécie de equilíbrio contra sua pressão e sua tensão... Tudo acontece, no mais alto grau, de maneira involuntária, mas como se fosse em um temporal de sentimentos de liberdade... A involuntariedade da imagem, da comparação é o aspecto mais singular; não se tem mais idéia; o que é imagem, o que é comparação, tudo se oferece como se fosse a expressão mais próxima, a mais correta, a mais simples. Parece de fato, para recordar uma palavra de Zaratrusta, que as coisas se aproximam com vontade própria, se oferecendo a comparações (_ “ aqui todas as coisas vêm acariciantes em busca do teu discurso e te adulam: pois elas querem cavalgar sobre tuas costas. Sobre todas as comparações tu cavalgas em direção a todas as verdades; tudo o que é ser quer se tornar palavra, tudo o que é vir-a-ser quer aprender a falar contigo“). Esta é a minha experiência com a inspiração; eu não tenho dúvidas de que é necessário voltar milênios no tempo a fim de encontrar alguém que possa dizer comigo: “ essa também é a minha” ...

F. Nietzsche

Ecce Homo, pag. 116- L&PM Pocket

segunda-feira, outubro 01, 2007

Eu é o outro
Ser sem deixar de ser. Ser sem de estar só. A arte sorrir contente vive mais uma vez ao papel. A dor que sinto agora faz surgir algo um lamento, um respingo de tinta, uma lágrima. Tanto faz crer que vai mudar, pois o fantasma da lembrança nos persegue e é “inútil dormir que a dor não passa”. Um ser-estar ao lado de outro outro que se confundiu às vezes se confunde. É um frio de tristeza em um deserto de agonia. Morto, louco, solto, a falta que me faz arrancado um pedaço de mim. Sintomas patológicos de um luto. Respiro, falo, calo. Solto, surdo, mudo. Esse veneno vida que me asfixia. Esse poetizar sem causa, sem objeto. Sem afeto, sem si mesmo, sem sujeito. Um pathos que aos poucos permanece/ remanescente da dor própria que se anuncia. Onde as memórias reverberam o próprio eco. Renunciar a si para fazer nascer de si um novo eu. Difícil é encontrar esse lugar onde as lembranças não mais não mais. Recodifico as células do meu cérebro. Recodifico meu mapa antropogenético mudando a geografia do Infinito. Até agora, até amanhã, até a morte.

Weisse Katze

terça-feira, agosto 14, 2007

Rocócó


Vamos ver como eu me comporto hoje,
se vou continuar seguindo esse caminho:
a corda e o homem no
abismo


conversei comigo mesmo
"como pode ser? se a galinha é uma ave
de baixas altitudes."
Piu Piu

segunda-feira, agosto 13, 2007

Opine plz

O que que a gente pode falar sobre esse video abaixo? Somos hyppies, somos vintage, somos pós-modernos, qual deles ou a mistura deles todos? Você gostou da fotografia do video? da música? qual ou nenhum dos dois? Alguma coisa se salva nesse retrato que vemos de nós mesmos? porque isso >> somos NÓS, nossa geração > é uma turma de San Francisco avangard (nem se usa mais esse termo. Há décadas caiu em desuso, foi descartado pelos filósofos e pendadores) a vocal é a Lykke Li, a musica chama-se Dance. Vai lá nosso correio, nossa "urna", nossa caixanha de comentários (e sugestões etc.. ) e dê a sua opinião. Quem é esse "nós", afinal? defina com suas próprias palavras (isso tá igualzinho um cabeçalho de prova). Opine plz,

terça-feira, julho 10, 2007

Jardim dos Poetas

Jardim dos Poetas _Vincent Van Gogh

Perdi minha identidade. Já faz algum tempo. Não tenho tempo de procurar. Acho que foi em algum buraco, algum bueiro, ou talvez em alguma gaveta desarrumada do inconsciente. Preciso me ver. Olhar o céu, as estrelas. Dormir embaixo da pedra, ouvir os ventos de inverno. Passar o dia perambulando sozinho. Me desintoxicar dos ares da cidade, ver outros coloridos. Me desintoxicar desse bar, desse bairro, das novelas, de você, das conversas sem sentido, dos meios de comunicação, da sensação estúpida de me sentir um rosto branco de papel, uma máscara sem expressão. Como um rosto branco que se apaga no branco de um muro branco.

sexta-feira, julho 06, 2007

Noites Adentros





Para ouvir ao som de
Thelonious Monk & John Coltrane- Functional



Digamos que a Discórdia não foi convidada, mas dispôs a Mildred a sensualidade de uma Vênus de Milo, mesmo que por algumas horas. Me diga então quem eu sou. Mas diga da mais profunda escuridão de sua alma. Comece pelos elogios, deixe as críticas pro final. Deixa a chuva que acaricia nossos corações tão secos. mas parece que só a cerveja molha nossos lábios e só o cigarro sacia nossos pulmões e nossas cabeças.
Ein von die Viel

segunda-feira, julho 02, 2007

Abalada Idiossincrasia

No embalo desse eterno momento
o ciúmes, um afago, um apego,
um beijo
Há cumplicidade entre dois seres
nasce e morre e cresce
o homem
Se o meu corpo falasse
e minha alma fosse algo
além de mim mesmo
restaria apenas
o desejo

domingo, junho 24, 2007

A imagem moderma


Por trás do espetáculo: o poder das imagens
de Francis Wolf

A imagem torna presente o que não está presente. O homem tem a capacidade de anular a distância temporal. Para isso dispõe de imagens que fazem (imaginação) ou que ele mesmo produz (técnica). Uma lembrança é um indício de uma pessoa. Um retrato é a imagem de uma pessoa. Se pronuncio seu nome (linguagem) é um símbolo daquela pessoa. Os indícios são sinais que remetem naturalmente à coisa ausente porque são elementos isolados que pertencem à essa coisa. Enquanto imagens são representantes da coisa ausente e estão em relação de similitude e semelhança com ela.
O sistema sonoro facilita a troca de uns pelos outros (pensamentos). O sistema visual facilita a representação coletiva. Uma imagem é suficiente por si mesma. A palavra jamais o é. O que explica o poder de captação da imagem sobre o homem não são suas virtudes e sim, seus defeitos.
A imagem ignora o conceito. Ela é racional. No entanto o que ela mostra nada pode dizer. Ela conhece apenas uma maneira de faze-lo: a afirmação. A imagem ignora a negação. O defeito da imagem tem uma contrapartida positiva. Se ela não pode dizer nada, ela diz melhor o "é". Dizer "isto não é um cachimbo" (texto do pintor René Magritte) é dizer com o texto o que a imagem não pode dizer por si, pois a imagem não pode dizer a negação, como também não pode dizer dela mesma que é uma imagem e que não é portanto o que ela mostra.
A imagem conhece só um modo gramatical: o indicativo. Ela ignora a nuances do subjuntivo ou do condicional. "É", jamais "se ou "talvez", defeito do qual ela ainda tira forças. "É isso, é exatamente isso". As mais finas argumentações podem ser refutadas mas nada podem contra a prova da imagem.
A imagem está sempre no presente. Ela ignora passado e futuro. Platão diz que freqüentemente criticamos a ilusão (portanto, a imagem). O homem confunde a imagem com a realidade.
Durante a história antiga e medieval, as imagens sacras em transparentes porque eram potentes. Acreditava-se na personificação da imagem. Acreditava-se na representação do real com real. Houve um dia em que essas imagens começaram a ser visíveis, começaram a ficar um pouco opacas, começaram a se mostrar elas mesmas. É o nascimento da arte. O momento em que as imagens se tornam artísticas, a arte se apoderou das imagens.
No começo do século XX a arte abandonará as imagens, deixaram de ser inteiramente transparentes, mostraram-se elas mesmas. Tornaram-se mais opacas na forma de reconhecer um determinado autor, de como ela foi feita, etc. Uma imagem opaca ao mesmo tempo em que mostra alguma coisa, mostra-se a si mesma. Uma imagem é opaca se não apenas representa alguma coisa, mas se representa a si mesma como imagem, quer dizer, como representante; se enquanto ela mostra aquilo que representa, mostra que ela representa determinada coisa. "o próprio autor dessa presença está ele mesmo presente na imagem"
Imagem 1. Reprodução do teto da Capela Sistina
Para ilustrar a fase de transição da transparência total para o início da opacidade. A prática da perspectiva, perspectiva geométrica.
Imagem 2. Reportagem retirada de uma revista alemã.
Serve para ilustrar que a imagem sozinha é nula de conceito, ela é irracional. Ela somente afirma, porém nada pode dizer.

sábado, junho 23, 2007


Eu sou um poeta de médio quilate
eu sou um porre, uma ressaca, uma sina
eu sou uma métrica sem rima
um cão que morde mas não late

pseudoser

sexta-feira, junho 15, 2007

misspend



Escrevo aos pés de São Miguel Arcanjo, sobre os auspícios de ser também um anjo. De ser um anjo caído, distraído. De saber o que é o amor, sem dicas, nem regras, nem que direção tomar mas, se não é uma máscara impassível, uma barreira, se não está nos copos nem taças e não é filtrado e não significa nada, então isso é o que não é o amor. Próximo ao dia 8 de dezembro, dia da morte de John Lennon, as pessoas escrevem cartas à Yoko Ono. Em resposta ela, que alguns amam e outros odeiam, escreveu uma elegia ao perdão:
"O dia de 8 de dezembro está novamente se aproximando. Neste dia, todos os anos, sei que muitas pessoas em todo o mundo se lembram de meu marido John Lennon e de sua mensagem de paz", escreveu Ono em carta publicada pelo jornal New York Times.
A viúva de Lennon também mencionou o sofrimento de outros que perderam entes queridos em atos de violência, assim como dos que sofreram abusos e torturas.
"Digo às pessoas que perderam entes queridos sem motivo: perdoem-nos por não ter conseguido impedir a tragédia, e rezemos para que as feridas se fechem", diz o texto. "Aos soldados de todos os país em todos os séculos, que ficaram aleijados por toda a vida ou que perderam a vida, digo: perdoem-nos por nossos erros de julgamento e o que aconteceu por causa deles", prossegue. "Às pessoas que foram abusadas e torturadas: perdoem-nos por ter permitido que isso aconteça", acrescentou Yoko Ono. "Como viúva de alguém que foi assassinado em um ato de violência, não sei se estou pronta para perdoar o homem que apertou o gatilho. Estou certa de que todas as vítimas de crimes violentos sentem o mesmo do que eu. Mas sarar é do que o mundo mais precisa hoje. Saremos nossas feridas juntos", pediu Ono.
Weisse Katze

quarta-feira, junho 13, 2007

Campo de Flores

Deus me deu um amor no tempo de madureza,
quando os frutos ou não são colhidos ou sabem a verme.
Deus - ou foi talvez o Diabo - deu-me este amor maduro,
e a um e outro agradeço, pois que tenho um amor.

Pois que tenho um amor, volto aos mitos pretéritos
e outros acrescento aos que amor já criou.
Eis que eu mesmo me torno o mito mais radioso
e talhado em penumbra sou e não sou, mas sou.

Mas sou cada vez mais, eu que não me sabia
e cansado de mim julgava que era o mundo
um vácuo atormentado, um sistema de erros.
Amanhecem de novo as antigas manhãs
que não vivi jamais, pois jamais me sorriram.

Mas me sorriam sempre atrás de tua sombra
imensa e contraída como letra no muro
e só hoje presente.
Deus me deu um amor porque o mereci.
De tantos que já tive ou tiveram em mim,
o sumo se espremeu para fazer um vinho
ou foi sangue, talvez, que se armou em coágulo.

E o tempo que levou uma rosa indecisa
a tirar sua cor dessas chamas extintas
era o tempo rriais justo. Era tempo de terra.
Onde não há jardim, as flores nascem de um
secreto investimento em formas improváveis.

Hoje tenho um amor e me faço espaçoso
para arrecadar as alfaias de muitos
amantes desgovernados, no mundo, ou triunfantes
e ao vê-los amorosos e transidos em torno,
o sagrado terror converto em jubilação.

Seu grão de angústia amor já me oferece
na mão esquerda. Enquanto a outra acaricia
os cabelos e a voz e o passo e a arquitetura
e o mistério que além faz os seres preciosos
à visáo extasiada.

Mas, porque me tocou um amor crepuscular,
há que amar diferente. De uma grave paciência
ladrilhar minhas mãos. E talvez a ironia
tenha dilacerado a melhor doação.
Há que amar e calar.
Para fora do tempo arrasto meus despojos
e estou vivo na luz que baixa e me confunde

Carlos Drummond de Andrade

sábado, maio 19, 2007

desejos de ser

distinto
adj.
1. Que não se pode confundir com outro.
2. Que não faz parte de outro.
3. Que forma corpo à parte.
4. Claro, perceptível, inteligível.
5. Singular, notável, ilustre.
6. Gentil, elegante, primoroso.
7. Que revela fina educação.
8. Ficar distinto: receber distinção (em exames escolares).

Meu espírito de gato deseja ser todos esses adjetivos. O mesmo, através de tantos, através da caridade. Deseja ser gracioso, gentil, elegante, engraçado, pictórico, generoso, único, singular, original, nobre, elegante, aristocrático, unívoco, categórico, excepcional, incomum, extremo.

sexta-feira, maio 18, 2007

Essa calça velha de algodão, toda manchada de respingos de tinta branca, me lembra o aconchego do velho lar que hoje não tenho. E parece que cada vez

Essa calça velha de algodão, toda manchada de respingos de tinta branca, me lembra o aconchego do velho lar que hoje não tenho. E parece, que cada vez que uso algo que me dá aconchego, contamino as coisas que uso com as novas e terríveis sensações de não estar indo a nenhum lugar. Volto-me e revolto-me ao meu mundo espiritual e retorno à realidade, envolto em realidade, enquanto as formigas velam os perdidos no deserto e um passáro livre voa sobre eles.

sexta-feira, maio 04, 2007

Para Antonin Artaud

Tentando organizar minha casa mental. De repente tudo fica confuso, como o meio de jogo de uma partida de xadrez. Me referindo, ferindo e sendo ferido de morte todos quase todos os dias. Morrendo e acordando com medo ou pânico ou preguiça, covardia, ineficiência, turbilhão mental, falta de trabalho, falta de iniciativa, falta de criatividade para iniciar algo que vacila entre o sacrifício e a felicidade. Gerundiando... Dificuldade em ser feliz, dificuldade em fazer feliz.

Deus me ajude.

sexta-feira, março 09, 2007

Eu, poeta-de-café, tenho os olhos vermelhos de um chôro que nem sei explicar. Coisa do meu inconsciente. Saio da minha toca para dar uma volta, sem rumo nem motivo. O motive talvez seja esse cancioneiro francês que canta ao fundo seu lamento confuso e minguado. O problema é que em casa não consigo mais escrever: casulo, caverna. Então saio para a rua e ando pelo mercado, vejo as pessoas e caminho. Vejo as pessoas e quase todas me parecem ter um rumo certo e um destino incerto. Vou flanando, pairando pelo ar como se não tivesse pernas. Como se fosse só olhos. Como se meus olhos se pusessem a comer cada cor, cada movimento, cada imagem. Fico aqui na varanda. Ultimo refúgio tridimensional para mim. Palavras escorrem da pena deslizando espontaneamente. Eu me pergunto se deve haver um começo-meio-e fim, como numa partida de xadrez. Nas covas de Guandix, preciso andar impreciso. É dia. Logo logo começa o shabat. Apesar de não vermos, existe uma estrela que brilhará mais forte quando o sol se pôr. Devo esperar la posta del sol ? Minha caverna me chama e como Curupira não voltarei sem deixar rastros invertidos. Meus olhos queimam. Talvez seja a claridade. Estou proibido de sair à noite, pelas feras que rondam a cidade. E por isso não vou me prender ao contexto para remendar esse texto fragmentário. Heute ist Feitag. Berros, ruídos, sons enlouquecidos. Impossível traduzir as nota do piano em um pentagrama invisível. Chega daqui, vou nessa... dialogando com um pensamento débil, inábil, calo. Enquanto dentro de mim sentimentos eclodem organicamente como uma colônia de bactérias em uma colônia de férias. Acho que eu sou o próprio verme. Parasita. Parábola. Parágrafo. Preâmbulo.
Vozes.

sábado, março 03, 2007

Veja

Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos
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"E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho
que se voltou, mas não viu nada.

- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho.
Tu és bem bonita.
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo,
propôs o príncipe, estou tão triste...

- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa.

Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- O que quer dizer "cativar”?
- Tu não és daqui, disse a raposa.
Que procuras?


- Procuro amigos, disse.
Que quer dizer cativar?
- É uma coisa muito esquecida,
disse a raposa. Significa "criar laços"...
- Criar laços?


- Exatamente, disse a raposa.
Tu não és para mim senão um garoto
inteiramente igual a cem mil outros garotos.
E eu não tenho necessidade de ti.
E tu não tens necessidade de mim.
Mas, se tu me cativas,
nós teremos necessidade um do outro.
Serás pra mim o único no mundo.
E eu serei para ti a única no mundo...


Mas a raposa voltou a sua idéia:
-Minha vida é monótona.
E por isso eu me aborreço um pouco.
Mas se tu me cativas,
minha vida será como que cheia de sol.
Conhecerei o barulho de passos
que será diferente dos outros.
Os outros me fazem entrar debaixo da terra.
O teu me chamará para fora como música.
E depois, olha!

Vês, lá longe, o campo de trigo?
Eu não como pão. O trigo para mim é inútil.
Os campos de trigo não me lembram coisa alguma.
E isso é triste!

Mas tu tens cabelo cor de ouro.
E então serás maravilhoso
quando me tiverdes cativado.
O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti.
E eu amarei o barulho do vento do trigo...


A raposa então calou-se e
considerou muito tempo o príncipe:
- Por favor, cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o príncipe,
mas eu não tenho tempo.

Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.

- A gente só conhece bem
as coisas que cativou, disse a raposa.
Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma.
Compram tudo prontinho nas lojas.
Mas como não existem lojas de amigos,
os homens não têm mais amigos.
Se tu queres uma amiga, cativa-me!
- Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa.
Mas tu não a deves esquecer."

[Fragmento]

Antoine de Saint-Exupéry