quinta-feira, fevereiro 22, 2007

The trill is gone


No porta copos, uma foto da igreja cristo de los faroles, em Cordoba. Um dicionário que ganhei de presente e também um chaveiro que se desfez com o desenho de São Miguel arcanjo. O telefone, que há alguns dias sofreu avarias, provindas de uma discussão de casal com imponderado vigor. Fotos na parede; penduradas em quadros, recortes colados em ordenado senso de estética. Meu senso de estética visual. Sobre a mesa ainda vários livros. Entre eles, três contos de Gustave Flaubert, uma agenda de telefones que eu quase nuca uso, um guia de alemão para viagens, um dicionário de espanhol; pedras para peso de papel, cada uma de um lugar, um copo de lápis de cor e vários outras bugigangas que vão se acumulando. Uma garrafa de areia colorida, uma paisagem de mar, para acaso ela um dia se quebre, deixo aqui registrado. Não mais as notas tristonhas de Chet Baker.

Ísis


quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Pesseguinho,

O entardecer de um dia de verão, sonho de uma noite de verão, a noite que nunca chega. Grande merda quando tudo isso acontece. Hoje, lendo as suas palavras, me emocionei mais uma vez. Sempre tão lânguidas, tão acertivas, tão banais quanto quando você fala do passado. Tão loucas, tão sem sentido, tão sem direção, tão aleatoriamente lânguidas e verdadeiras. E é esse ultimo estado que as palavras tomam, o da verdade, que me tocam. Me faz sentir que sou uma máscara ambulante. Me faz me dar conta da minha pobreza. As nossas almas se nutriram de poesia,
alimentando-se ao fundo, de uma doce ilusão.
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