quarta-feira, dezembro 26, 2007

Ironia do Destino

O título desse conto, em q começo a descrever minha tragédia, tem timbre de novela mexicana.
Morava em um bairro com nome de santo. Os bairros nessa cidade costumam ter nome de santo. Nessa época eu morava com o Oscar, um amigo colombiano. A vida passava conforme o decorrer das horas, solta, ritmada, lenta e várias vezes fugaz. Eu já supria os meus momentos de angústia com amizade, conversas ao telefone, planos pro futuro, etc. Imaginando-me sozinho, pássaro livre, solto pelo mundo. Nada de pressa, só muita preguiça. Era assim q eu me sentia: livre outra vez. Quando um dia me apareceu essa pessoa. Então, como sempre sem saber, mergulhei na profundeza das retinas sem saber, sem saber se realmente e sempre q as mulheres escondem um enigma, um teorema indecifrável. Uma ponta de luz se fez. Dessa luz se fez um grande holofote. A pobre Mildred me desejou, no início, como eu não a desejava. Mas conseguiu e então não pude evitar. Imagem:
Couple von Toulouse Lautrec
>¨< katze

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Scheiße!

Ainda deglutindo um novo começo. Começo um novo dia disposto a quase nada, apesar de não estar ansioso. Acho q o remédio faz efeito prolongado. O rivotril me deixa um pouco pasmado, mesmo no dia seguinte. Tomo-o para dormir, mas fico acordado até tarde, no silêncio of a dawn. Depois q reinstalei na minha mãe quase não durmo direito. No início eu dormia no quartinho lá debaixo. Sentia-me um hóspede, apenas passando uns dias. Pensando em uma casa q não mais existia e nem mesmo na imaginação eu conseguia coloca-la, firmar um pensamento de habitar. Desaninhado, sentei bunda no quartim que me cabia de inspiração naquela hora. Tentar ficar o máximo mimetizado. Escondido como um ratinho confuso. Calado, quietinho. Com medo de mim, medo de incomodar, e estava.
Tentando ser contido eu comecei com lágrimas de nostalgia, de uma coisa q eu jamais seria, e terminei com ódio preso na garganta de cortar com a tesoura todas as suas roupas. Tentar te destruir pedaço a pedaço. Nunca havia sentido esse ódio antes. Como se cortasse cada veia e sua cara. Terminei com um par de algemas de um anjo rebelde, quem mais sofreu naquela hora. Mas tudo bem. La nave va. Ausente afligido compungido lacrimoso atormentado atribulado descontrolado entristecido desolado consternado puto.
Vente en ligne : Egon Schiele mis à nu - Octobre 2005

Twin Towers


Rumba


Desolado e cru

Essa calça velha de algodão, toda manchada de respingos de tinta branca, me lembra o aconchego do velho lar que hoje não tenho. E parece que cada vez que uso algo que me dá aconchego, contamino as coisas que uso com as novas e terríveis sensações de não estar indo a nenhum lugar. Volto-me e revolto-me ao meu mundo espiritual e retorno à realidade, envolto em realidade. Por favor, uma realidade menos morta. Enquanto anjos velam os perdidos do deserto, verbos enfretam o olhar alheio.

sexta-feira, dezembro 21, 2007


Noites Adentros

Ernest Hemingway e Fidel Castro
Havana, maio de 1960

AQUELA NOITE COM A BRET na cidade natal quando tudo aconteceu tão derepente. Dei a ela uma rosa da cor de seus cabelos. Então nós demos as mãos em um ato simbólico, representando a consciência de estar perdido. "The Sun Also Rises"- o sol também se levanta e acorda conflitos demasiado humanos. Causa fadiga existencial de um não saber de quês nem porques. Reafirmando um discurso de impotência, de coisa inválida, vida inválida. Preciso jogar um pouco de mágica, q não seja vulgar, na arte desse encontro. A poesia é insólita e somente é, não tem futuro. A cidade chuvosa abafa, descaracterizada pela memória, o medo da própria violência. Tudo oq faz uma pessoa não querer mais olhar pro abismo. Todos os giros e rodopios do dia seguinte em que não dormimos.
Sentei no seu colo, lambi seu umbigo e exaltei Dionísio. Ela observava tudo. Da sombra, o sol. De dentro de si, ela mesma. E eu, um dia que nunca esquecerei.
Katze

em homenagem

fragmentos de textos escritos pelo meu primo Thiago.

“ Ó divina luz, tua sombra me traz proteção."

"O quê me falta pra te conhecer?
se teu olho mostra a nudez?
(...)
verdura verde mole
maçã azul cortez
se eu amo minha amiga
onde vou me esconder?(...)

no mato não tem peixe, minha amiga
mas meus pés me fazem andar
sobre as águas eu vou descalço
e sem tua boca pra beijar
(toca do bandido) "

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Corre solTa

Uivando em Cochabamba
tudo se acaba preso
buscando as velhas coisas
em si mesmo um atalho
flores apunhaladas
que não devia crêr
q sou eu mesmo q flutua
sob o céu
.
A diferença
cinematográfica da crença
não percebe a semelhança
a voz flecha o pensamento em brasa
criança bêbada na rua
os carros passam
a vida passa

terça-feira, dezembro 18, 2007

Um Nada suBjetivo

de 1964 a 1984

Aqueles que cresceram à sombra de uma Ideologia com I maiúsculo. A nuvem que encobriu nossas cabeças durante 20 anos até a redemocracização (em 1982 eu tinha apenas 4 anos) fezexistir um abismo (usando um pouco do estilo literário Nietzschiano) que separa a minha e as gerações subseqüentes. E como diz o filósofo: as pessoas não querem encarar o abismo pois o abismo torna de volta o olhar. De fato, a massa oprimida não quer encarar nada pois já vive se equilibrando na corda bamba. "Os políticos são todos ladrões" ouvi isso de um motorista de coletivo. Não que isso necessariamente reflita o pensamento do povo mas é uma premissa enganosa. O homem necessita dos meios de produção para exercer sua força, física ou mental e estar inserido no mercado. Tomo a liberdade de usar a máxima de Rosseau: "foram obrigados a ser livres". E desde então, feito o meu recorte de tempo, junto com a tecnologia, cresceram indivíduos adestrados na corrente desse pensamento pequeno burguês. Em poucas palavras: o povo brasileiro, em geral, não tem consciência política. O povo brasileiro não tem consciência da própria "fala", ou mesmo regristro, da história. Me perdoe quem se sentir ofendido e/ou pela falta de qualidade desse ensaio litero-poético-político-devir-filosófico, ainda que por intuição. Anarquia, estado e utopia. Mas vale evocar Camus pois "Só um dia o ‘porquê’ se levanta e tudo recomeça nessa lassidão tingida de espanto (...) no extremo desse despertar vem, com o tempo, a consequência- o suicídio ou o restabelecimento (...) porque tudo começa pela consciência e nada vale a não ser por ela". Porém, apesar das tendências da filosofia contemporânea (Racionalismo e idealismo, Empirismo, Pragmatismo, Materialismo dialético, Existencialismo, Positivismo e neopositivismo, Estruturalismo e funcionalismo) a manifestação do universo como uma idéia complexa em si mesma, em oposição a estar no interior ou exterior do próprio e verdadeiro Ser, é inerentemente, um nada conceitual ou um Nada em relação a qualquer forma abstrata de existência, de existir ou ter existido perpetuamente, sem estar sujeito às leis de fisicalidade, de movimento ou de idéias relativas à antimatéria ou à falta de um Ser objetivo ou a um Nada subjetivo.
>¨<

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Ontem não me lembro

o que tanto me incomodava. O que fiz ou deixei de fazer. Quando, como e com quem? Ontem não conseguia pensar em nada. Talvez tenha dançado uma música que eu detesto. Algo do tipo bem ridículo. Nem sei por onde andei. Pelos caminhos da madrugada, noite adentro. E agora adianto o relógio em duas horas. Então sento e peço um café. Tomara q ninguém me reconheça...
´
´
´
[
=
Photo: Piere Paolo Passolini

Você Passa Eu Acho Graça

VOCE PASSA EU ACHO GRACA - UOL Busca
Composição: Carlos Imperial/Ataulfo Alves
.
Quis você pra meu amor
E você não entendeu
Quis fazer você a flor
De um jardim somente meu
Quis lhe dar toda ternura
Que havia dentro de mim
Você foi a criatura que me fez tão triste assim
.
Ah, e agora, você passa, eu acho graça
Nessa vida tudo passa
E você também passou
Entre as flores, você era a mais bela
Minha rosa amarela
Que desfolhou, perdeu a cor
.
Tanta volta o mundo dá
Nesse mundo eu já rodei
Voltei ao mesmo lugar
Onde um dia eu encontrei
Minha musa, minha lira, minha doce inspiração
Seu amor foi a mentira
Que quebrou meu violão
.
Ah, e agora, você passa, eu acho graça
Nessa vida tudo passa
E você também passou
Entre as flores, você era a mais bela
Minha rosa amarela
Que desfolhou, perdeu a cor
.
Seu jogo é carta marcada
Me enganei, nem sei porquê
Sem saber que eu era nada
Fiz meu tudo de você
Pra você fui aventura
Você foi minha ilusão
Nosso amor foi uma jura
Que morreu sem oração
...

Delaying the real world

zzihuuuummmmmmm.........................

Quê fazer?


Deixa Dindi...
que eu te adoro Dindi

domingo, dezembro 16, 2007

O que fazer em mais um dia de dezembro?
Vendo o sol se pondo sobre as formas retangulares dos prédios.
E o céu sempre azul impondo linhas de nuvens mortas, linhas mortas de nuvens q brilham flutuam zombam de mim, as únicas formas redondas arredondadas. Vagueiam no ar como um pensamento bêbado. Observo as nuvens como quem observa o movimento das marés. Interpreto seus pensamentos, suas angústias, seus pecados, seus lamentos, suas queixas, nheim nheim nheim, sua lírica, sua elegia, seu pranto, seu soluço, seu gemido, seu grito. E já se foram... à luz de um deserto caído e desconecto pensamento. O céu denota a hora e a palavra detona a montanha. Pleno, suspiro.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Copiar colar


Mais um dia sem você. Até que concordamos com a nossa separação Mildred, mas você não tem idéia de como têm sido duros os dias em tua ausência. Aquele ar de floresta encantada, fadas e gnomos, ninfas, deuses paN e elfos. Nada mais resta. Mais um dia pensando em você. Sinto um gosto azedo e odor de queijo que não vem dos meus pés nem do vizinho nem da memória. “O fantasma da ingratidão se retira com desfaçatez”. Assistente de um vazio ar reduzido a nada. Um nada vazio e meramente escatológico e escroto. Um pensamento vazio. Mais q puramente fluído. Um cacete! Não consigo simplesmente agir “da forma mais natural dois carinhos se encontram, meu corpo, nossos corpos formam um só diamante”. Mas Mildred, garanto que com você eu já estaria morto. Tentando alcançar sua alma e o seu amor.

Atriz de Bergman

Querida Liv Ullman, pensei um dia em procurar auxílio pedagógico na faculdade.
Entro (depois de contar todos os meus problemas) :
__ Como você me ajudaria? No caso, se você estivesse em meu lugar, o que você faria? Como você me orienta? Coloque-se, por favor, na minha situação, mesmo sabendo que você não sou eu, o que eu devo fazer? O que você me aconselha? Afinal, o que eu devo fazer? O que eu posso fazer de bom? O que quê eu quero?- breve silêncio – Obrigado, moça.
Saio fechando a porta que sempre fica aberta.
Ein von die Viele Personen

Um B ® I n D e !


Um B ® I n D e !

Uma e onze da madrugada. Uma dose na madrugada e tela em branco pede um pouco de palavra em processo progressivo e fugaz.
Minha cara e vida não são mais os mesmos, nesse lento progresso que me dá muita preguiça. Mesmo assim não consigo dormir. Viro madrugada, passo a noite acordado, tentando tentando pensar em nada. Mas de que jeito? Se ainda fosse possível meditar, mas, farto desses sinais incompletos e finais grotescos inacabados conseguiu ser rotulado e ainda assim, enfim não ser nenhum.
Eu que penso (e pensamos) as três ilusões de transcendência agora queria ser capaz de não pensar em nada. Cansei de mim mesmo.


Katze


terça-feira, dezembro 11, 2007

Vento Divino


A vida é uma volta
de desenhar palavras

água brava
que se revolta contra
aquele que se aventurava

e morre cada vez que engole
nas rimas de pontas quebradas
que choram rizomaticamente
o grão de mil caracteres

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Juventude, Ideologia e Política

National Kid

"Não se descobre o absurdo sem sentir-se tentado a escrever algum manual de felicidade" *

Sinto estar tentando (gerúndio justificável) escrever aqui o meu pequeno manual de felicidade, expurgando os males da alma, deixando o pensamento fluir. Primeiro, tentei traçar um panorama do mundo sob o atual sistema capitalista, onde o cartão de crédito, por exemplo, tornou-se um "bezerro de ouro", um ídolo moderno, uma maneira de manter vínculos de relacionamento (até crianças possuem). Criei inclusive um slogan: as vezes ele opera milagres, mas depois ninguém te ajuda a carregar a cruz. O mundo do rápido desenvolvimento tecnológico, o qual eu já disse anteriormente que não condeno. O mundo do dinheiro, o qual inevitavelmente eu não posso condenar porque nasci e fui criado nele, e a roupa (bens de consumo) que visto foi comprada por mim e não pelo estado. A maneira que esses bens de consumo são adquiridos é que pode ser criticada. A maneira que determinado governo opera uma democracia é que pode ser criticada, afim de apontar os erros e danos causados. E não é preciso ir longe no tempo. Após uma averiguação do caráter de cada nação e como ela, de um modo geral, se comporta e se relaciona com o mundo. Bastaria enxergar da década de 50 para os dias de hoje. Após Segunda Guerra Mundial, após guerra fria, após o atentado de 11 de setembro. Eu digo que a proposta comunista, nos seus primórdios, foi escrita para os países industrialmente desenvolvidos da época. Um pensamento veramente sutil para ser implantado e funcionar em uma Rússia que vivia um sistema feudal. Teve valia como dura crítica ao capitalismo porém não funcionou como proposta. Contudo, alguns ideais de igualdade apontados por Marx ainda fascinam. Viver a vida? Quando eu souber te mostro como. Até agora, nessa batalha titânica da modernidade só posso mostrar como ser um mau herói. Como não ser Super Homem que Nietzsche descreveu. Übermensche, que também poderia ser traduzido como além do homem, acima do homem (na escala evolutiva). Termo que foi apropriado indevidamente pelo nazismo. Não invejo o super homem. Ao contrário, admiro a minha desafortunada fragilidade, pois nela construí meus sentimentos.
Gustavo
* O Mito de Sísifo, pág 126. Camus, A.

Mensagem

Inspirado no debate com o colega blogeiro Guilherme Coelho, que iniciou uma discussão sobre a velha nova juventude, ou, a que eu chamo de juventude tardia por haver crescido à sombra de um ideal, venho agora publicar alguns textos do ensaio "Juventude, Ideologia e Política".
Nessa obra foi amplamente discutido (dentro do recorte possível ao meu alcançe, ou seja, analisando os jovens com quem eu tenho contato) a questão da violência, das revoluções, da fome e da apatia, dentre outras tantas.
Espero q gostem de ler esses q aproveito para revisar. Obrigado Guilherme, por suscitar coisas novas, sin-signos indiciais infinitos. Se nunca paramos para pensar, também nunca paramos de pensar.
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Ps.: Guilherme e demais companheiros, espero que comentem!

Juventude, Ideologia e Política

Não consigo abandonar a idéia, o desejo, a compulsão de escrever, escrever, escrever. Agora o espírito crítico para ver as coisas se instalou como um download. Agora é a hora de dizer coisas que me enojam, quando não se pode engolir pelos 7 buracos da cabeça, nem mesmo vomitar o que não se consegue digerir.

Não consigo, se consigo sigo e si consigo mesmo, eu com relação ao mundo, com relação a cidade, na verdade como me comporto? Quero abrir portas, portais. Cada dia à cada passo, tijolo por tijolo, aventura da modernidade.

Na última cena do Fausto de Goethe, uma visão de modernidade se dispõe e se instala diante dos olhos de Fausto como uma grande construção, um canteiro de obras. De Putchin, a Gogol, à Dostoiévsky, à Mandelstam. Como uma minoria de intelectuais conseguiu ascender ao poder através de ideais de justiça distributiva. Apesar do desejo de poder, Wille zu Macht, apesar da luta titânica do homem para atingir a vida que deu certo, Vohl geratenreit. E, "Onde a burguesia só pode existir com a condição de revolucionar incessantemente os instrumentos de produção, por conseguinte, as relações de produção e, com isso todas as relações sociais." as relações "...tornam-se antiquadas antes mesmo de ossificar-se. Tudo que é sólido desmancha no ar, tudo que era sagrado é profanado e os homens são obrigados finalmente a encarar com serenidade suas condições de existência e suas relações recíprocas."
K a R L M @ R X


C o n t i n u a [a]+

Perceptos e afectos deleuzianos
para ler ao som de Thelonious Sphere Monk
VEJAM QUE A NOVA velha tecnologia condiz com a moderna tradição, tradição da modernidade. Aí pode. Ipod . Destruir conceitualmente a conjuntura verbal. No silêncio sussurrante of a dawn (de uma madrugada)eu sou um necrófita, adorador da palavra morta, memorial de imagens soltas, sensório de filosofias, interpretante final vivendo indiferente assim. Absorto me encontro. Chutando a bola com os 2 pés. Absorto percebo. Estranho afeto pelo útero. Exílio, ostracismo, fuga, solidão, meu coração dispara. Escrever é a hierarquia de si mesmo. CAFé La CRIoLA.
Felizes eram os piratas, doces bárbaros, até descobrirem q o mundo é um quarto fechado. Em uma ilha escondida da cosmografia, ainda desconhecida, esconderam fundo seus tesouros. A primeira sociedade anárquica e, o que é pior, não "vigou".
As relações de amizade, inimizade e outras cocitas más(ganância e poder...) fizeram com que um acordo de paz fosse, literalmente, por água abaixo.
Uma chuva meteórica de idéias q agora me foge ao pensamento. Mais angustiante é não poder descrevê-las. De qualquer forma expressa-las, ou mesmo expressa-las mau, me desafoga. E penso que estou fazendo. Vivendo submerso em um mar de conceitos:
Vanguardas históricas, Dadá, Surrealismo e Modernismo; vanguardas tardias, Beat Generation, Poesia semiótica, Arte postal e pós-vanguardas, Poema Intersemiótico e Poesia Sonora.
Alguém entende ou acredita nesses rótulos?

domingo, dezembro 02, 2007

Resposta à pergunta de Guilherme Coelho

Desenho de Érico Ferrari

Caro Guilherme,

O sol se levanta todos os dias.
Talvez e, não só ao q se refere ao texto, mas, ao longo da minha vida tenho sido mal interpretado. Perdoe-me, de antemão, haver dito que a vida me parece um supermercado de grandes ilusões para aqueles de olhares mortos. Talvez você tenha se ofendido inconscientemente, pois o texto se chama: “A Tímida Maldade dos Coelhos Brancos”. Quero deixar claro q jamais foi minha intenção ofender nenhuma espécie de oryctolagus cuniculus, embora eles me pareçam inexpressivos e com certo ar de passividade (salvo aqueles que são observados em seu habitar natural). Devem ser mais ágeis e espertos... Eu, particularmente, prefiro as Lepus granatensis, também conhecidas como lebres. Por gato já comprei várias.
Já os coelhos, principalmente os brancos de olhos vermelhos, contêm uma maldade infantil terna, inocente, franca, sincera, crédula.
Lembro-me, claro, do coelho da história de Alice, de Lewis Carol. Sempre apressado, extinguindo o tempo. Esse mesmo tempo e espaço, tendo ao máximo sido reduzidos ao ponto em que (
Aventuras de Alice no País das Maravilhas) Alice já não precisa mais voltar.

Mas, retornando ao assunto. Caro Guilherme, você afirmou, mencionando palavras minhas, suas considerações sobre a juventude, que julga ser ultra miseravelmente cultural e escrava da mídia e, colocou de outro lado, aqueles que querem promover a revolta iconoclasta.
Se de todo não podemos quebrar conceitos universais, entendo como fraco seu conceito de generalismo. Ainda mais quando você gera dualidades me obrigando a posicionar-me frente apenas 2 lados de uma suposta realidade. Quando realidades são tantas.
Em meu entendimento vivemos cada instante, independentemente de sermos simultaneamente objeto signo interpretante, linguagem, falatório, palavreado, verborréia, vozearia, significado e significante, mil diferentes platôs. Neste próprio platô em que agora apoiamos nosso debate, se consolida somente meu devaneio.

Por fim, gostaria d confessar que por vezes me sinto off-line, desconectado do grande hipertexto Pais das Maravilhas. Mesmo quando ouço o canto dos pássaros, uma canção ao fundo no rádio, o som de máquina pesada longe e as luzes que se transformam durante o dia.
Caminho por esses platôs rápido, ligeiro, acelerado, galopante, veloz, desbocado, desenfreado, dinâmico, violento, trepidante, vivaz, surfista de ônibus.
Não temo o abismo. Somente atmosferas por onde voam energizadas, estranhas borboletas. No entanto titubeio ao cogitar se entendemos a lógica da contemporaneidade assim como ela se apresenta. O pensamento voa em velocidade incomensurável.
Um dia despontará no horizonte o Sol da Renovação que irá dizimar mentes ociosas e banhar de luz os anseios da nova geração de crianças índigo.
À todos aqueles que estão comigo em pensamento.


Gustavo


Ps.: Espero que você leia essa mensagem o quanto antes, pois verifiquei q não possuo o endereço do seu correio eletrônico.