terça-feira, janeiro 29, 2008

Alarme falso

Dia turvo e sombrio. Como se fosse o prenúncio de uma onda de frio. Não importa como eu passo os meus dias, mas sinto vontade de descrevê-los, sem parágrafos. Pela manhã tomo um café e fumo meu cigarro. Ligo o rádio e ouço bem baixinho e nenhum barulho a mais. Até que alguém desça para reparar a comida, o almoço. Então vou para o que chamam de meu quarto. Sinceramente ainda não me acostumei com isso. Guardam os enfeites de natal no armário do quarto, afinal, ainda sou um intruso. Ligo o computador. O ruído dele me hipnotiza. Durmo de tédio, de saudade, de falta. Acho “um saco” me sentar à mesa e muitas vezes não quero compartilhar a refeição com a família. Quando a noite cai, assisto ao Jornal Nacional, não tenho o menor interesse por novela, então ligo novamente o rádio, deito-me no sofá e fico pensando e pensando. Meus devaneios estão condensados pela brisa. A fina garoa cai como pensamento e doce e lento e erradio. Pus na minha cabeça (para justificar minha lentidão) que ninguém trabalha em janeiro. Tomo meu remédio e aguardo até que o sono venha falsear a realidade que nos faz parecer impotente. Ler, ou melhor, a verborragia descontrolada de qualquer autor que seja, me causa tédio ainda maior do que não fazer nada. Nesse momento quero pôr pra fora o vômito que já se foi, mas ainda causa náusea. E me fechar em mim mesmo, fugir do contato com as pessoas. Afinal, tenho dormido muito sem muita esperança. Ânsia de não querer nada, agora. Deito a cabeça no travesseiro e deixo meus olhos fechados, até dormir. Meus dias têm sido assim, cheios de uma história que não interessa a ninguém, senão a mim mesmo. A música se tornou inconsistente. Tentando ler um livro, supanha que o meu cérebro consegue minimamente absorver conteúdo, consequentemente este não diz nada. A TV entorpece, anestesia. Gostaria de fazer parte dessa teia de profusões transgressais, sem amortecedores. Haja eu para mim mesmo, o tanto que fui nessas noites adentro...
>¨<

4 comentários:

liberté disse...

dos textos desde blog, de todos q li. esse foi o q mais me tocou. o vazio do dia, o vazio da noite. a crua e molhada realidade. parece muito com meu dias também.

e para falar a verdade. Até me inspirou em escrever sobre o vazio e os acasos diarios.

obrigado

Papagaio Mudo disse...

Thaís,
Fico orgulhoso de te dar inspiração através das minhas palavras tão simples e despertenciosas.
Um beijo de "Body and Soul"
Com carinho,

Gustavo

Papagaio Mudo disse...

Thaís,
Você tá cada vez mais linda!

>¨<

Caiocito disse...

A thaís é uma gracinha. Ela me achou "Legal".

Tenho minhas implicâncias com o gusta. Mas não deixo de aplaudí-lo quando o assunto é esse vazio existencial. Hoje eu acordei tão alegrinho, igual um poodle, e fui ler o papagaio. Fiquei mudo e com certa culpa de me sentir feliz.