segunda-feira, janeiro 07, 2008

O fim dos enfins

Sinto ao lembrar aquele dia que saímos para comprar a cortina do chuveiro. E outros momentos de alegria q passamos juntos. Dar uma volta no parque com Iákov numa manhã de domingo. Quando saíamos de casa a clientela do bar em frente a nossa casa já estava toda a postos, percorrendo com o olhar nossa a disposição de ser saudável.
E eu pensando em como criar situações q me trouxessem esse conforto da abstinência. Pensando em como sair daquele lugar. Como escapar da armadilha q criei pra mim mesmo. o sentimento imbecil em q fui envolvido me deixa incapaz de prosseguir sem mágoas.
Sou só um mim sem eu mesmo. Está consigo, mas não é ele quem está ali. Tem a si mesmo, mas não se pertence e usa aquele eu. Esse sou eu que não é aquele. Esse é o outro, que tenta ser você. Que tenta ser eu. E você é uma mulher que eu nunca conheci. Perdida em tu niñez de cinco anos. Enfim me canso de decantar tanta merda. Agora q finalmente, apesar dos choros esparsos e diários, já me sinto mais leve, mais livre e só. Você me disse uma vez ”ninguém gosta de sofrer”. Uma gota de olhar e uma lembrança imprópria. Falava com ar de quem sabia das coisas.
Quando você me disse que há uma está usando aquela camisa que era minha porque tem o meu cheiro. Bem me lembro o apego q você tinha por aquele pequeno travesseiro que, para mim, representava simbolicamente a figura do seu pai como objeto inanimado e soft touch na lembrança. Distantemente rodeado de falésias em uma praia do sul ele pesca. Ele e o velho mar. Penso nele, apesar de nunca tê-lo conhecido. Pelo menos creio q já fomos índios em outra vida.
O que eu deveria pensar quanto à camisa?
Vou tentar mostrar assim, através de palavras, normalizadas e por mim transformadas em frases, código de recriação e registro permanente, o que estou sentindo. O que bastante difícil. Mas o meu sentimento significa e tem significado. Não só o de q estou sofrendo essa dor, mas é signo da água pura da palavra tentando retratar a imagem de um sentimento, ou seja, algo metafórico. Tenta significar. Quando a relação de vampirismo se instalou, eu, como boa vítima q sou, me senti atraído. Eu,como vítima, deixei a janela aberta. Como boa vítima, abracei, mas principalmente fui abraçado. Eu como bom civilizado tendo a ceder facilmente à chantagens.
>¨<

6 comentários:

caio disse...

that fear, Joe. Vida negra e sonhos claros. ??? que paradoxo - ou egoísmo?

Bardo disse...

Eu achei bem civilizado.
Aliás, nada q ataque diretamente.
Bardolini

Gisa disse...

Como assim? civilizado?
A impotência e covardia reinam nesse texto. Desculpa, gus.
Beijo,
Gisa.

papagaio mudo disse...

Impotência é foda.
Covardia é foda.
Sacanagem, talvez.

Gustavo

Edson Junior disse...

essa última frase me é mui familiar. Fernando Pessoa gostaria deste post.

liberté disse...

a projeção das coisas em outras perspectivas não as torna diferentes, talvez as torne civilizadas como outrora não o foram.
Mas no agora, o quê adianta?