quarta-feira, janeiro 09, 2008

Geraldo

Não sei q horas são e nem q dia é hoje. Tenho uma vaga noção das horas pelo brilho do sol. Obviamente não tenho relógio. Acordo com o sol e durmo com as estrelas. A lua minguante não apareceu, o que faz desse lugar um breu. Aqui venta bastante e é onde eu gostaria de estar, naturalmente. No meio da Natureza ou Deus. Venta em todas as direções, em todos os ângulos e é impossível manter uma vela acessa. Ontem estava bastante eufórico e ansioso. A toca onde durmo cabe apenas a mim. Ao lado há um monólito onde, em cima, as pedras se encaixam como um berço, ventre sem vento, leito. Gostaria de ter adormecido lá... Sei que as horas passam, pois as estrelas se movimentam. A terra gira conforme as estrelas vão pontilhando o contorno da montanha. Também me informam as horas.
Depois de quinze dias morando na montanha, os caras da mineradora vieram
me perguntar se eu estava morando aqui. Respondi que estava passando férias. Plantei ventos fortes, agora colho tempestade. Quero a brisa suave e o sol aquecendo levemente as minhas costas.
Essas palavras são para Mildred, Valentina, Pesseguinho e Pearl. O que em mim é plural constitui um Uno. Único breve e profundo contato com a alma. Tristeza vive na qualidade da minha escrita e não garante nada.
>¨<

2 comentários:

papagaio mudo disse...

Esse é o relato de uma viajem em que fiquei alguns dias na montana sozinho, tendo como companhia o livro Assim Falou Zaratustra, do meu querido Nietzsche.

Katze disse...

Gosto de me passar por outra pessoa. Alguém que seja além de mim mesmo.