segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Conversa com Bruna

Há quanto tempo não consigo dormir? Entro na noite como um vagabundo furtivo com bilhete de segunda classe numa carruagem de primeira, passageiro clandestino dos meus desânimos encolhido numa inércia que me aproxima dos defuntos e que a vodka anima de um frenesi postiço e caprichoso, e às três da manhã vêem-me chegar aos bares ainda abertos, navegando nas águas paradas de quem não espera nenhum milagre, a equilibrar com dificuldade na boca o peso fingido de um sorriso.
Há quanto tempo de fato não consigo dormir? Se fecho os olhos, uma rumorosa constelação de pombos levanta minhas pálpebras descidas, vermelhas d conjuntivite e cansaço, e a agitação das suas asas enrola-se na colcha numa umidade de febre, por dentro da cabeça uma chuva de Outubro tomba lentamente sobre os gerânios tristes do passado.
Uma tarde chuvosa de carnaval nessa cidade deserta, tomar um café. Depois nos render à insistente garôa de um Café ao outro. Caminhas como onça em passos largos para atravessar as poças da calçada e beber de suas palavras ou silêncio. Navegar onde refletem os seus sonhos, perdido no deserto das idéias. Em fim de um breve e silencioso adeus, um coração vazio, o coração palpita, um leve choque na ponta dos dedos que se encontram se despedindo, se despindo.
Em seguida os carros voltam a circular com desinteresse sonâmbulo na quarta-feira de cinzas...
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11 comentários:

Bruna Gil disse...

fantástico!

é isso. é só isso e é tudo isso.
e eu aceito o café se tiver pão de queijo e palavras quentinhas.

encantada por seus escritos. sempre.

beijos!

liberté disse...

imagético.

Karla Oliveira disse...

lindo

Karla Oliveira disse...

Gustavo,

Não ilustro profissionalmente, as vezes faço alguma coisa pro jornal da faculdade, ou pra um amigo. Esse é um grande desejo meu, mas por enquanto é algo que faço nas horas vagas, sem muito rigor ou técnica...
Me add no msn, conversamos melhor.
karlinha.oli@hotmail.com

grande abraço,
Karla.

caiocito disse...

Eu assino em baixo o q a mulherada disse aí.

Papagaio Mudo disse...

Caiocito, sempre original...

tatyweick disse...

o “esteta” é alguém com uma sensibilidade além do comum, uma percepção à flor da pele aliada a uma aptidão para fantasiar, perspicácia, memória, uma aptid poética, gosto fino e apurado oposto ao gosto vulgar, previsão e pressentimento do futuro, além de uma capacidade para expressar suas percepções, que ele deveria harmonizar com outras faculdades (o intelecto e a razão), como que para não se perder no desregramento próprio das faculdades sensíveis.

Katze disse...

Você me acha um "esteta", Thaís?
Meu mundo (dia-após-dia) anda tão cheio de palavras imundas, de rancores obcenos, de sofreguidão.
Um duro golpe.

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liberté disse...

Sim, em vários aspectos.
Além das palavras e como constroi seu texto, da maneira que escolhe suas fotografias ou organiza sua mesa de trabalho.
hoje, li em uma poesia que "o poeta finge tão completamente, que pode conduzir qualquer inocente A buscar a musa que deu inspiração".
"nao busque em meus poemas algo profano".

Tirando Deus e o diabo, sim é possível ver beleza.

Bruno Nunes disse...

Grande Gustavo!
Obrigado pelo comentário!
Belos textos tem por aqui!
Abraço!

Cassiane Schmidt disse...

Oi, belissímo Blog. Voltarei mais vezes... Abraço