segunda-feira, setembro 22, 2008

Sonora


Devo encontrar expressão para essa vida tão cheia de falsos ideais e acomodamentos. Encontrar um termo exato para poder relaxar e ser um termo exato, louco, sádico, cruel, amável, algo que me define como homem além de alma. Alma que se encaixa no corpo para viver plenamente. Hoje foi um dia gris. As gotinhas de chuva não param de cair. Talvez eu saiba como é tentar essa busca, ao menos. Talvez eu tente mais uma vez de forma diferente, mais calmo, mais ágil, porém com mais sagacidade. Hoje um corpo dolorido que atente aos desejos do café. Acordo com a delicia do sexo um pouco blasé com minha francesinha. O calor o nordeste a tornou especial e gosto quando consigo ver seus olhos. Significa que no deserto ainda há vida, que as pequenas gotículas que vem do oceano fazer verter a sede dos pássaros e brotarem flores dos cactos. E nesse deserto das idéias há uma raposa da qual guardo vagas e tristes lembranças. Dor que se aproxima quando tudo passa e já está passando como da água para o vinho. Sim Roserouge, devo mesmo parar de ouvir Eliot Smith e Chet Baker, mas na verdade, Chet me acalma e tudo flui naturalmente. Como um barquinho à deriva no mar levado pelo vento. Um mar desconhecido, de notas calmas e prolongado, de lirismo choroso, o lirismo pungente dos bêbados, o lirismo dos clowns de Shakespeare. Sinto um doce caminhar na melodia de seu sopro, de sua voz. Encanta-me o seu lamento de pequeno gato branco insosso, como era chamado pelos negros de NY, por despeito ou por inveja. Um barquinho levado pelo vento. Também me agrada o choro de Madeleine Peyroux e Billie Holiday, garotas sofisticadas. Encantam-me as simples melodia, boas e falsas como o amor.

2 comentários:

roserouge disse...

As tuas palavras comovem-me pela sua beleza e intensidade. Não deixes de escrever nunca.

Papagaio Mudo disse...

Roserouge,
Se eu deixar de escevrer, eu morro. Somente sobrevivo neste planeta porque existe papel e caneta. E na outra costa do atlântico, me honra saber que um leitor sente isso por meus escritos, por mim.
Sinceros abraços,

Gustavo