sábado, junho 28, 2008

fragmentos

Estou com saudade de nós dois. Estou com saudade de mim estou com saudade de nós dois juntos. Essa tristeza... a cada dia que passa, perco anos de vida. Não consegui superar você. Se tu queres que eu não chore mais / diga ao tempo que não passe mais. Perdi minha identidade quando me mudei de bairro. Agora, de volta à essa casa penso nos anos em que me perdi vivendo. Anos em que vivi perdido. Não que eu tenha me encontrado, mas tentarei fazer o que você me disse, encontrar o que restou de Bom em mim. Sinto saudades de fazer planos com você, planos de irmos pra Alemanha, de sermos muito felizes para sempre e sempre (nunca alcança) e que o destino um dia nos agraciasse com Maria Clara. Eu a vejo a minha frente sorrindo suave docemente. Nessas noites é melhor morrer pra esquecer. Em cada canto dessa casa há alguma coisa minha que não está em seu lugar, pois não há lugar, pois não há cômodo em que se acomodem. Em cada lugar da vasta solidão dessa casa existe um objeto que chora a minha volta. E em cada objeto há um sentimento e uma lembrança, como se fossem parte da minha história. Como se fossem partes de mim, espalhadas na vasta solidão dessa casa.
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sexta-feira, junho 27, 2008

pequena

Como será o dia? quem vai me representar amanhã? Antes que os eventos da madrugada morram ensimesmados no próprio segredo. Admirando o nosso jardim, o jardim que plantei dentro de minha casa mental. Não espere que ninguém lhe traga flores. Como bom civilizado, cedo facilmente às chantagens.

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quinta-feira, junho 26, 2008

bien revenir au Brésil

Petit Pesseguinho, coisas estranhamente mudas estão acontecendo. palavras sujas na calada se encontram. nada de mágico e nada de mágica. Die Farben, as cores se escondem, anoitecendo. A palavra procura a fina ação, enquanto tom se esvai(?). A alma, a palavra procura- enquantos tons se faz um boi. enquanto meu barco flutuuua na paisagem do poente, acima dosprédios propocitalmente, alto bem alto feito lá papagaio no céu. cheio de cacos agressivos, quando em todo lugar, até que, o-que-não-se-engasge-antes-do-afogamento-tãolibertamente-sem-fronteiras-delineado retorne.
Bises,

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meine süsse

Maria Clara te despreza...

quarta-feira, junho 25, 2008

Note for a day

Hinweis für einen Tag
Oh mein Gott, was habe ich tun? Was habe ich zu verdienen, diese Immobilien der Einsamkeit? Dieses Wasser Melone Stimmung, Diese verloren im Wald zwischen Himmel und Hölle?

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segunda-feira, junho 23, 2008

leben

Ich frage mich, wie mein tiefes Leid über Mildred ist. Ich habe keine Ahnung, wie tief ist es jetzt, in diesem Moment einer menschlichen Lebens. In diesem Fall meines Lebens. Ich schätze mal das ich nicht wirklich wissen, wie ich liebte sie so lange. Warum fühle ich mich so einsam, umgeben von so vielen Menschen. Ich bin allein, du bist allein, wir sind ganz allein zusammen. Fragen, wie viel ich früher glauben, dass ich euch geliebt. Ich weiß es nicht. Der Mond Burns in den Himmel. Es gibt keinen Stern Show heute Abend. Während die Vögel schlafen, Ich fliege über das Weiße leere meines Geistes. Gott helfe uns allen in unserer Einsamkeit der Toten, bevor ich sterbe.
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Studio

Vanguardas históricas
Dada Surrealismo e Modernismo

Vanguardas tardias
Beat generation Poesia semiótica e Arte postal

Pós-vanguardas
Poema inter-semiótico e Poesia sonora

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Esse inverno vai ser frio e seco
na escolha do nome
na indecisão de times
o fato de cantar jazz
necessidade d se comunicar
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breviário



domingo, junho 22, 2008

Kassátski

Eu sou feliz. Descobri a felicidade em mim. Seguro que peço todos os dias como o Padre Sérgio, Stiepán Kassatski, do Tolstói abri sem querer a Bíblia em Mateus “Eu creio. Auxilia-me Senhor em minha descrença”. Peço essa benção pra escrever minha própria Bible. Pesquisei nos livros e no conhecimento de vários séculos a introspecção de todos os valores. Introjetada a transvaloração de todos os valores Nietzschianos em sua crítica da moral. Elevo meu pensamento e leve, repouso. Meu olhar âmbar Branco como a morte no silêncio of a dawn. Por volta da meia noite os olhares se espantam de medo, de coragem, de vida, de introspecção, de um caminhar meio torto dando passos retos. Nesse caderno de pensamentos em que registro meus passos. Todas as gavetas do inconsciente, bem arrumadas, tranqüilizadas pelo auto afeto e o retro pensar. Protegidas e a salvo da solidão ou melancolia que por vezes nos abate. Dance-me até que você esteja a salvo e eu estarei salvo. O vagabundo louco beat angelical o Tempo, desconhecido mas mesmo assim deixando aqui o que houver para ser dito no tempo após a morte, Ginsberg.

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sexta-feira, junho 20, 2008

heute ist Freitag

Magritte
Ser gente grande e não ter um dinheirinho pra ir até ali, nos limites da metrópole. linha limítrofe entre ser gente grande em condições de criança desencaixada marginal outsider fora da ciranda social. páginas em branco feito ilhas, palavras esgotadas de cansaço náufrago. Romântico e cafona, alienado e brega. a putaqueopariu também é brega? Romantismo é a vontade de fazer e não poder. É um fazer quase blasé, feito de gozo reprimido. Transa sem gosto e sem orgasmo. Estava tão cegamente envolto em sua vontade de ter prazer, que seu pensamento estava em outro lugar. Daquela vez sua porra se perdeu e foi para o cérebro. Continuou perdido, falo ereto vagando sem pensar o que fazer, e sem fazer o que pensava, se é que pensava. A maçã da natureza morta. Goleiro gordo, debaixo das traves.

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quinta-feira, junho 19, 2008

Japanisch drama

Semana nipônica no Brasil. Cem anos da chegada do primeiro navio japonês na costa brasileira. Foram cinqüenta dias de viagem. O motivo de comemoração não foi propriamente a chegada, o choque cultural, o sonho a ilusão, que logo se transformou em realidade. Passara apenas vinte anos desde que a escravidão fora abolida e a intenção dos grandes coronéis era usar os recém chegados imigrantes para trabalhar na lavoura de café. Não conseguiram com os politizados italianos, mas o jeito submisso e confuso dos imigrantes japoneses, sem saberem falar o idioma local, transformou-se no sucesso que alcançaram e que se confirma nos dias de hoje. No colégio namorei uma japonesa, Cláudia...

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Amanda

como é estranho não ter palavras. é como o vazio. branco, ausente. como é estranho sentir saudades de alguém que eu nem conheço. como é estranho ser marcado por um sorriso tênue e uma beleza clássica. a sutileza das palavras vocalizadas como pétalas de rosa. e que rosa seria essa? uma rosa colombiana. Um bouquet... e como é estranho. ficar encantado por sua ausência. como se diria balzaquiana? um espírito tão evoluído. entro na primeira classe com bilhete da segunda. a crença ilumina minha senda e sobre o céu das margaridas ando. a mudez, faltam-me palavras assim como faltou-me a sua voz. desejo dessa amizade construir um grande relacionamento. para isso conte com o meu sorriso e tranquilidade. pode contar pra proteger da solidão. nenhuma conclusão, não sou concludente. em meus critérios, ameno pra você, mas só pra você, frêmito efêmero da natureza desconecida, total mistério. a ígnea flama flui em eflúvios.

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quarta-feira, junho 18, 2008

la pleine lune

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor,
Onde houver ofensa , que eu leve o perdão,
Onde houver discórdia, que eu leve a união,
Onde houver dúvida, que eu leve a fé,
Onde houver erro, que eu leve a verdade,
Onde houver desespero, que eu leve a esperança,
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria,
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, fazei que eu procure mais
consolar que ser consolado;
compreender que ser compreendido,
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe
é perdoando que se é perdoado
e é morrendo que se nasce para a vida eterna...
oração atribuída a São Francisco de Assis

terça-feira, junho 17, 2008

pensei em você

Betty Davis

Moon and Sand

Ginsberg

Photo Henri Cartier Bresson Paris 1969
Mensagem

Desde que mudamos
transamos conversamos trabalhamos
choramos & mijamos juntos
eu acordo pela manhã
com um sonho nos meus olhos
mas você partiu para NY
lembrando-se de mim Bom
eu te amo eu te amo
& teus irmãos são loucos
eu aceito seus casos de bebedeira

Há muito tempo tenho estado só
há muito tempo tenho estado na cama
sem ninguém para pegar no joelho, homem
ou mulher, pouco importa, eu
quero o amor nasci para isso quero você comigo agora

Transatlânticos fervem no oceano
Delicadas armações de arranha-céus não terminados
A cauda do dirigível roncando sobre Lakehurst
Seis mulheres nuas dançando juntas num palco vermelho
As folhas agora estão verdes e todas as árvores de Paris
Chegarei em casa daqui a dois meses e olharei nos teus olhos

Allen Ginsberg
Howl and other poems (1953-1960)

"bonitinhos que fazem rir"

O bicho do abismo minha contribuição à série dos "bonitinhos que fazem rir" de Caio Campos . . .
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segunda-feira, junho 16, 2008

homenagem à Sylvia Plath

Sylvia Plath nasceu em 27 de outubro de 1932 e matou-se em 11 de fevereiro de 1963, quanto tinha apenas 30 anos. Até então sua única obra poética era The Colossus, publicado em 1960. Mas são os poemas escritos após a publicação de seu primeiro livro que a transformaram em um mito da poesia contemporânea. Seus últimos dez meses de vida foram marcados por uma intensa atividade poética que gerou seus melhores poemas, uma obra que a alçou ao patamar dos grandes poetas do século.
Plath é costumeiramente classificada como poeta confessional. Neste sentido, sua vida é retratada fielmente em sua poesia, de alto grau emocional. Plath sempre foi marcada por uma forte instabilidade, fruto do trauma causado pela morte de seu pai quando ainda era uma criança de oito anos. A morte de seu pai foi a gênese da imagem do colosso masculino, do deus másculo e onipotente que ela ao mesmo tempo adorava e repudiava.
Sua vida foi marcada pela sombra de homens que considerava poderosos e opressores, figuras que ao mesmo tempo a inspiravam e a diminuíam. Ao lado de seu pai, Plath posicionou em seu pódio seu marido Ted Hughes, também poeta, homem que ela admirava profundamente. Plath divinizava estas duas figuras masculinas e as inseriu em sua poesia na forma do mito do deus ausente ou morto, cuja ausência ou morte ora é lamentada e ora é celebrada.
Seu casamento com Ted Hughes lhe proporcionou a parceria ideal e Hughes substituiu em certa medida a figura paterna que a assombrava. Ambos dividiam os mesmos interesses e as mesmas leituras. Hughes era para ela o grande mentor que a educava e contribuía para seu aprimoramento. Os dois chegaram a abandonar suas profissões para viver apenas a poesia, mudando-se dos Estados Unidos para Londres, Inglaterra, em 1959. Este período marcou o início de sua fase madura, demonstrando claramente como sua vida íntima se refletia em sua poesia.
No entanto, o ápice de sua produção poética só seria atingido após um período conturbado e traumático. O divórcio consuma-se em outubro deste mesmo ano, um momento de intensa criatividade. Deste período são os poemas mais fortes e mórbidos de Plath. A morte está mais presente do que nunca. Seu imaginário é preenchido por sangue, desmembramento, ossos e órgãos internos que criam imagens muito fortes em sua poesia.
Plath muda-se em dezembro com seus dois filhos para um apartamento em Londres durante um dos mais frios invernos do século. Em janeiro, cerca de um mês antes de seu suicídio, é publicado The Bell Jar, um romance autobiográfico que explora seu passado e seus traumas. No entanto, a classificacão de Plath na categoria de poetas confessionais representa também o perigo de subestimar outras facetas de sua poesia que são tão importantes quanto o caráter biográfico da mesma. Em um estudo brilhante datado de 1975, Judith Kroll faz uma excelente análise da face mítica da poesia de Plath. Segundo Kroll, o mito do grande deus morto lamentado pela deusa amante ou mãe é o ponto crucial na obra de Plath. Seu pai e seu marido representavam este deus poderoso. A admiração que Plath tinha por ambos se mesclava com um sentimento de ódio, pois apenas a destruição de ambos lhe daria a autonomia para crescer. Somente livre da sombra destes homens ela podia desenvolver seu potencial criativo.
De igual importância na poesia de Plath é o mito da lua, adorada como deusa em muitas culturas primitivas. A lua é o símbolo da inspiração poética, significando para Plath seu destino enquanto criadora, sua musa e sua guia. A lua está presente de forma explícita em muitos poemas e sua influência enquanto mito pode ser sentida mesmo nos poemas em que não é mencionada de forma explícita. Em "Edge", que é muito provavelmente o último poema escrito por Plath, a lua assiste a tudo impassível, como uma presença implacável.
O branco, cor mais significativa em sua poesia, é sempre o símbolo da morte, ou renovação iminente. Sentimos sua presença no "branco zinco", nas "nuvens", na palidez cadavérica, na "serpente branca", no "leite", no "açúcar", no "capuz ósseo" da própria lua.
A idéia da morte na poesia de Plath não representa apenas o fim, a eliminação definitiva e completa de sua identidade. A morte mítica muitas vezes marca o início de um novo ciclo. Em muitos mitos absorvidos pela poesia de Plath a morte do deus é seguida por seu renascimento. É este o sentido da morte em sua poesia. Seu desejo de morte é nada menos que o desejo de transcendência, de renovação. Para Plath a morte é o fim de um estágio e o início de um período superior de vivência. Este viés interpretativo dá uma nova dimensão à poesia de Sylvia Plath, uma obra magnífica que se sustenta entre as maiores do século, a despeito dos fatos trágicos que marcaram sua vida.

sábado, junho 14, 2008

morte íntima

Venci a mim mesmo. Finalmente retiro de mim qualquer vontade de amar ou desejos de vingança, raiva, mágoa, ódio, rancor. Fui direto ao ponto. Cortei de vez o vínculo, as linhas energéticas que nos uniam, com o tesoirão de cortar grama. Realmente (guardado o sentido relativo de realidade) coloquei uma enorme e irremovível pedra sobre esse relacionamento. Foi indescritivelmente difícil fazê-lo. Outras vidas nos ligavam, além desse passado recente. Acreditem ou não, pois isso pode parecer bastante ficcional. Sei bastante coisa. Sei dos enlaces do passado que vocês não sabem. Portanto digo, repetindo palavras, que talvez esse tenha sido o maior “abençoado sofrimento” pelo qual já passei. Acredito que essa dor me purificou. Ofereço meu perdão pelo mal que me causou. Confunde meus sentimentos, mas só posso dizer que esse foi um gesto definitivo e último. Seja feliz. Vá em paz...
Perdoa-me Senhor.
Perdoa a dívida que agora paguei com tantas lágrimas.
Faz com ela receba o meu perdão e o meu pedido de perdão, pois reconheço que também causei muitas dores e feridas q deixam cicatrizes na alma.
Faz com que eu perceba em mim a sua etérea divindade. Ajuda-me a perdoar e a perdoar a mim mesmo. Pois a exemplo de Francisco de Assis “é amando que se é amado, é perdoando que se é perdoado e é morrendo que se nasce para a vida eterna”.
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sexta-feira, junho 13, 2008

módulo um

Bem, heute ist Freitag! q vamos fazer? a Pesseguinho, que me fortalece o espírito nessas horas, convida-me para ir à ópera ao museu à bienal, está em Londres- que Deus a proteja. Mildred deu a mão a um apóstolo e foi-se embora, sei lá para onde. querida Amanda está em terras de índio, fazendo não sei bem o que. Eu, mais uma vez aguardo o sol que desce lentamente atrás da serra. estive em um deserto sem oásis, sem vida, somente eu e eu, eu e Deus. esse afecto de crença q chamo Deus, com letra maiúscula. Que segue indo e vindo como a pluma para baixo para cima, apesar de temporal e atemporal. segue um círculo de Kant a Feuberbach, de Platão a Nietzsche, de Spinoza a Schopenhauer até Deleuze, Piere Levy e Felix Guatari. esse pensamento voa filosófico e nada pior do que um pensamento, uma idéia que nós foge à memória. assim é o meu. essa dorzinha de estar vendo Mildy pelas costas, no passado, seguindo adiante uma trilha um caminho q ninguém sabe onde chegará, fico triste e apreensivo. Ich bin aleine, ich bin so traurige. Mas deixa estar o sol se põe e amanhã será outro dia. Amanda, você acredita na física quântica? você é como um teorema, a solução. o meu teorema é edipiano Piere Paolo Pazzolini, o problema não faz parte da equação. faz parte de nós desembrulhá-lo como um presente divino, como solucionar um cáculo. cirurgia moral.
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bienvenue

Dizem que o meu blogue essa página minha interface nada muito pesado “carregado”. Exu maré que espanta o mau olhado. Essas pessoas conhecem o peso do sentimento e por isso se atêm aos seus próprios. Como se estivessem diante de uma janela que lhes faz ver uma paisagem sombria, “carregada”. pobres tolos. estaba du bu di... não querem ver o próprio abismo. quando se encara demais o abismo, ele olha de volta- dizia Nietzsche. Elas no fundo sabem o que está expresso aqui. o que realmente se tem a noção de sensação de percepção de um ambiente fúnebre? que seja! é dando que se recebe é morrendo se nasce para a vida eterna. entrego-lhes as palavras da forma mais delicada q meu endurecido ser possa fazer, não é suficiente. os leitores percebem a ambientação disso aqui. a ambiance meia luz de estrela jazz leia meio frenético, repete e não completa compulsivo outra vez. e se quando dou um ponto final nesse assunto, chega! parece q não terminou. como os dias passam...
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quinta-feira, junho 12, 2008

terça-feira, junho 10, 2008

baby

Eu sento na janela do meu quarto no terceiro andar com as pernas pra fora pra ver o pôr do sol e converso com o papagaio que está na janela debaixo. Ele grita
__ôôô Gustaaavo! - e eu respondo
__Oi Loro, como foi seu dia?
__Gáááalooo! e assim conversamos meio sem nexo meio sem plexo.
__Canta aquela que eu gosto.
__FufifufufuFiu...
e eu vejo o ocaso do sol. vejo com os olhos de quem enxerga um novo horizonte além das montanhas, do alto do morro. estamos em dois picos distantes.
meu anjo, eu gostaria muito de me apaixonar por você, mas meus pensamentos agora estão intima distante e secretamente ligados à uma tedesca. Não conseguiria te fazer de cúmplice dessa dor que é só minha, você não merece, percebe? não preciso passar por isso também. hoje recebi um telefonema que gostaria d compartilhar com você, mas essa é uma conquista íntima. Como diz meu amigo Léo É por isso que valem os anos de estudo. deixa o tempo, que é e vai além da contagem dos dias e das horas, se encarregue de ser remédio para todos os sonhos rococó, um anjo barroco. Deixa quem sabe um dia eu desço desse topo do mundo, o meu Everest particular e vamos passear no vale. Alegria corre solta do vale da alegria. dia após dia, dia após dia. Sabe? sei bem quem eu sou. quero agora ser suficientemente amável afim de ser amado por virtudes adquiridas a médio prazo, percebe?, agora tudo é a consolidação da volta do espírito ao corpo promovendo a expansão da vida consciência. responsabilidades com o mundo real tangível e colorido.
Se eu faço algum esforço para não machucar alguém, devo agir agora e sempre assim da forma mais difícil. aceitar não é meu forte, mas hoje mas vai ser o que será.
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segunda-feira, junho 09, 2008

chá de coragem

Deixa a atadura do tempo esconder o passado. Acende mais um cigarro. Mesmo cálido e calado seu grito é válido. No desprazer que abisma, sua alma esvoaça, retarda o tempo, pára. Se faz ouvir um sussurro. Um frêmito efêmero frenético dispara. Água vazando em algum canto me diz que é hora de ir. Papai Noel sobrevoando Tirana, espiões da Rodésia, terroristas iranianos, parafernália incógnita e caótica. Grito obsceno do alto onde observo polcas e mazurcas cantadas. Vendo cego meu mundo barato, tal quais as obras inacabadas. Tal como os ventos que assoviam trêmulos um canto de arrepio da casa. Sombra de vela ventando mantém acesso o homem platônico da caverna. Assim um dia após a realidade é outro dia entre a noite e a madrugada, minhas amigas. Canto essas palavras, mas a abordagem do sono me enebria e entorpece. O compromisso com o amanhã, mais lindo e melhor no grau evolutivo, amém.
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Ícone

Lagoa
de um dia que pousa sobre outro dia.
a senhora gorda que encara o moço

com olhos de donzela
Criancinhas correm sem rumo
o destino

incerto
espera

tolos
vamos na barca da vida
ensimesmados em cada corpo
em cada aquário
de festa ou trabalho

lobo o

homem que copula com a membrana
indivisível do dinheiro
cheiro de gozo e desejo
conforme saliva no
beijo

daily news

NOTA
Hoje pela manhã conversei com Liberté, aquela que atende pelo vulgo de Thaís. Ela está (adivinhem onde) em Paris! é, a capital da França. Está de férias. Disse-me que comprou a passagem e os Euros com seu próprio dinheiro. Um amigo brasileiro a está hospedando em Paris. Disse-me também que vai a Londres por uma semana e depois retorna à Cidade Luz. Não tivemos muito tempo para conversar, aliás, Tempo é uma questão complicada por conta de fuso horário. Provavelmente estava em um cybercafe e foi a primeira vez que se conectou à Internet. Bem, ao fim da breve conversa (ainda um pouco surpreso) desejei-lhe boa sorte na Inglaterra na viajem em tudo! ela me contou que seus pensamentos e sua “cabeça” estão mudando radicalmente. Com certeza deve estar pondo em prática todas as aulas de francês que teve aqui no Brasil. Em retorno aos meus desejos de boa sorte ela mandou um abraço carinhoso e um beijo em especial a todos os amigos blogueiros! e demais internautas, comentaristas etc.
Paris é uma festa!
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J'espère que vous avez un bon voyage!

cool



dopo le ore

domingo, junho 08, 2008

ser ou estar?

Hoje é domingo. hoje é apenas um dia qualquer. acerte na escolha. foi aberta a contagem, porém, a contagem dos dias e das horas já me fustiga e eu não faço mais. Apenas viver da forma mais saudável possível e tentando evoluir também o mais rápido possível. E isso não está relacionado ao materialismo que rege o mundo do mesmo materialismo. falo de ser um homem completo. sabe? me sinto em tratamento. aqui nessa casa fluem boas energias, mas insisto em dizer que vislumbro sair daqui em breve. Conseguir a minha emancipação e viver a vida no meu cantinho. dessa vez com um pouco mais de dignidade. Acho eu esse tratamento terminará em breve, não falta muito. daí então estarei cumprindo a minha missão na terra, jovens terráqueos. quem sabe, ter um filho? cuidar e proteger. isso é um sonho idílico, mas não Platônico. é real. quando ela ver o homem que está deixando escapar pelas mãos talvez eu esteja longe. o sofrimento pelo qual estou passando existe um porque, mas não há bem que dure nem mal que nunca acabe. existe também a lei do retorno Para cada ação existe uma reação além-Newton, um inexplicável inflexível quanta que se repete no além-Tempo. Quando deixei pesseguinho ela chorou por mim (e eu por ela, enfim), mas já estava em outra. me sentindo em casa, parecia que tinha encontrado aquela mulher da minha vida. no início fiquei relutante em amar, varias horas eu titubeei mas enfim estava entregue. por várias fases passei até entender que havia algo marcado em dor e lágrimas e amor visceral. quero dizer que imaginei o dia em que estaria na situação da Pesseguinho, vendo-me apaixonado por outra e tal, e nunca pensei nesse dia. De qualquer forma eu estava amando plenamente. a tudo deve-se um contexto evolutivo, de empenho e compensação.
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Sedativo

sábado, junho 07, 2008

P A Z

Cada dia que passa sinto-me mais forte. Estranha essa coisa d fé de esperança de um futuro bom. Escrevo de forma a despejar cada palavra de forma a tornar sólido um pensamento e um sentimento que está mimetizado dentro. desse sentimento Escrevo de modo tonitruante desenfreado frenético ridiculamente ritmicamente impacientemente involuntariante incessantemente, daí me canso e me acalmo. Minha mão rola pelo papel possuído por um calor magnético desconhecido estranho. a cada dia sinto-me mais forte. tento elevar-me ao ponto mais alto Russian Lullaby meus amigos vão me dando a direção da prosa. puro impulso grita de alegria no olho do furacão. “deixe esse regaço/ brinque com meu fogo/ venha se queimar” não tenha medo não faça manha. quero te proteger da solidão. sabe? te proteger. de te tomar aos meus cuidados, meus carinhos mais do que hoje conscientemente eu possa tratar-te como uma pérola que não querei perder jamais. escreva um nosso beijo apaixonado no quadro das boas lembranças. Haja por seu por nos como se amanha não houvesse pois cumprimos os nossos deveres as duras provas os males as fases Revolta Apatia Entendimento agora só desejo coisas boas. E em primeiro lugar tenho feito-me coisas boas. “Faça como eu digo/ faça como eu faço” vivendo a ordem e a ordem é estar bem e seguro. Miro a mim. acerto-me o alvo.
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rebirth

Começou meu rebirth. na terça-feira passada peguei minha 4ª via da carteira de identidade. o início de um reinício.como é que eu fico horrível em foto 3x4 ...
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East of Eden

Do lado daqui espero um dia de harmonia melhor que ontem melhor que hoje. Uma vez ficamos sós em um lugar distante. Sinto-me um fora da lei Vogelfrei. Heute ist Freutag! correndo literalmente. atrás de metas diárias e imbecis que só me fazem bem. Metas cumpridas dever cumprido. falta algo? falta um curto espaço de tempo em que estarei bem. Protelei minha vida pela última causa onírica, a causa Woller terá de esperar. Eu não entendo como as coisas acontecem e ao mesmo tempo, movemos nossas bundas sem nenhum método de trabalho. Saio do quarto para tomar um chá. penso: como pode? faço a captação dos clientes, as relações públicas o atendimento, mas ainda assim alguma lacuna de tempo nos trava. Por isso sou profissional sem profissão, ainda que essa seja uma das minhas metas. Por isso começo no ramo das telecomunicações. Nada pode romper esse circulo que me protege. se você teme que algum dia eu te deixe sozinha no meio da rua. Você sabe, não foi essa a educação que recebi. Seria inevitável que eu passasse por isso, mas o contrário sempre acontece e assim sucessivamente. o ciclo da vida nunca pára. não quero voltar a fita. detesto filme de terror barato. Tenho um preconceito com o cinema por ser uma das artes mais industrializadas. Não se faz cinema com uma folha de papel e um lápis, mas convenhamos que daí nascem as idéias, e mais perto deles chega primordialmente a poesia. Ir ao cinema. fazer um programa simples e feliz. ao leste do Éden.
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sexta-feira, junho 06, 2008

but not like before

não caia nos meus encantos. não seja mais uma vez. eu simplesmente gosto tanto. chora o tempo o mesmo pranto meu- ele e eu- tanto. canto para que me lembres quando eu me for. a esperança vê o invisível, sente o intangível e consegue o impossível. a esperança me acompanha. a única virtude que não escapou da caixa de pandora. Como diria Camus Melhor seria ao homem que a tivessem deixado escapar, deixado ir. não viveríamos inúmeras angústias. é difícil explicar que estou passando por uma grande mudança. não quereriam saber, não iriam entender...

Lovers no more

Oi blog, diário de bordo. oi para quem está do outro lado da tela. Devo dizer que esses dias têm sido difíceis, porém produtivos. não me sinto bem aqui, entende? junto da family. depois de tantos anos fora é difícil reatar os laços, ou melhor, criar novos laços de ternura entre os mesmos, semelhante àqueles que vivi no passado. agora ajudo a cuidar, quando cheguei somente atrapalhava. ajudo a cuidar da saúde da minha mãezinha e vendo se anda tudo em ordem com minha irmã e meu sobrinho. Acho que ela vai ler isso, ela sempre lê. em troca recebi muito carinho e orientação, luzes cores harmonia. Bem no início sentia-me deslocado. queria ir para a “minha” casa, mas minha casa agora era aqui, é aqui. enfim, espero ansioso o dia em que eu possa voltar a ter o meu próprio cantinho. organizar tudo ao meu modo. sala cozinha banheiro. sentir meu próprio cheiro quando entrar em casa. sentir o Teu cheiro...
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just friends

Sobrevivi a Terra do Fogo sobreviverei também a essa prova de fogo. Não estou desistindo, mas como bom soldado saberei reconhecer quando a guerra estiver perdida. Sei quando bater em retirada e quando lutar. Como bom estrategista da própria vida. Emitindo meus últimos chamados para atrair a atenção da misteriosa fêmea. Acho que a corte está longe de terminar. Como um macho de gepardo africano. Hoje encontro-me em condições físicas ideais para a caçada. Übermensche em busca da felicidade verdadeira. não tenha medo de se decepcionar. não tenha medo das angústias, não tenha medo da solidão, não tenha medo. Você ainda não sabe, mas eu sei que estou muito bem equilibrado. Não posso correr o risco de sofrer ou causar danos a ninguém. quando os trinta anos chegaram (e já estão passando tão rápido) comecei a pôr em ordem minha casa mental. Como um delirante arquivista, tentei rememorar cada passo Onde errei? porque? como? estava tão desmotivado em viver a vida que se mostra tão bela. A vida que vejo e enxergo todas as cores, todos os sons, sinto a energia desse hipertexto Mundo eu me levanto, o sol também se levanta, passam os dias em busca d energia e força o mais forte. Sinto-me um lençol branco, lavado torcido e solitário a secar no sol, passado, dobrado e preparado para ser usado na cama de alguma Flor. Dividimos um olhar tenso, não acha? mas começo a patrulhar meu íntimo, fazer a ronda, a higienização diária. Vejo que me apaixonei, Gradiva, marcando em seu braço um coração. Não há nada que eu possa fazer. Como um velho alquimista começa a preparar a fórmula que me dê alívio, mas não me jogo da ponte ou me desespero. É como recomeçar com mais experiência. Eu fico do lado oposto dessa fronteira. Os rios que serpenteiam traçam a nossa história e as águas turbulentas agora se tornam calmas. O homem q se elevou sobre a multidão e pode ver mais alto. Zaratustra quando desceu a montanha de encontro aos povos da cidade. A serpente e a águia são minhas amigas.
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quinta-feira, junho 05, 2008

Tango Club

c a m i n i t o

Perfume


perseguirei os rastros desse afã

me atravessou teu suave vendaval

a senda do seu perfume

¿hasta cuando hasta cuando?


Bandoléon

Komme mit mir

Paz Interior




Dormiu bem?

Quanto tempo demora pra passar o efeito? fico observando meio assim meio assado, essa felicidade mística. vou colocar aqui todas as minhas impressíes diárias. sem medo de ser piegas, tipo: a fé a esperança Deus está me fortalecendo. eu estou me fortalecendo. é uma prova de fogo. porque exigir? porque pensar que a vida deve alguma coisa? Deve ser por isso que passo noites, às vezes, a fumar e tomar café levando as trê ou quatro xícaras lá pra baixo. Parece que isso deixa nervoso, mas ajuda a pôr as idéias em ordem. parafraseando Goethe:
ich bin volles
liebes
shönes
resolut zu leben > não sei traduzir
Sinto-me no auge. No olho do furacão. no rodopiar dos ventos que não podemos controlar, somente ajustar as velas. Torcer pra que tudo dê certo. Vohlgeratenheit avidaquedeucerto, mein süsse. "quem planta ventos colhe tempestade" na minha cidade, vou pra rua e bebo a tempestade... não é bem assim. não bebo mais. não semeio ventos. procuro meu porto seguro. encontro no dia-a-dia, na rotina de algumas alegrias e poucas infelicidades, apenas você sabe quais. É um lindo caminhar. vejo as estrelas, um planeta um sonho e uma realidade tangível Caíba. sem esse american dream...
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manifesto antropófago

Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.

Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz.

Tupi, or not tupi that is the question.

Contra todas as catequeses. E contra a mãe dos Gracos.

Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago.

Estamos fatigados de todos os maridos católicos suspeitosos postos em drama. Freud acabou com o enigma mulher e com outros sustos da psicologia impressa.

O que atropelava a verdade era a roupa, o impermeável entre o mundo interior e o mundo exterior. A reação contra o homem vestido. O cinema americano informará.

Filhos do sol, mãe dos viventes. Encontrados e amados ferozmente, com toda a hipocrisia da saudade, pelos imigrados, pelos traficados e pelos touristes. No país da cobra grande.

Foi porque nunca tivemos gramáticas, nem coleções de velhos vegetais. E nunca soubemos o que era urbano, suburbano, fronteiriço e continental. Preguiçosos no mapa-múndi do Brasil.

Uma consciência participante, uma rítmica religiosa.

Contra todos os importadores de consciência enlatada. A existência palpável da vida. E a mentalidade pré-lógica para o Sr. Lévy-Bruhl estudar.

Queremos a Revolução Caraiba. Maior que a Revolução Francesa. A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem. Sem n6s a Europa não teria sequer a sua pobre declaração dos direitos do homem.

A idade de ouro anunciada pela América. A idade de ouro. E todas as girls.

Filiação. O contato com o Brasil Caraíba. Ori Villegaignon print terre. Montaig-ne. O homem natural. Rousseau. Da Revolução Francesa ao Romantismo, à Revolução Bolchevista, à Revolução Surrealista e ao bárbaro tecnizado de Keyserling. Caminhamos..

Nunca fomos catequizados. Vivemos através de um direito sonâmbulo. Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará.

Mas nunca admitimos o nascimento da lógica entre nós.

Contra o Padre Vieira. Autor do nosso primeiro empréstimo, para ganhar comissão. O rei-analfabeto dissera-lhe : ponha isso no papel mas sem muita lábia. Fez-se o empréstimo. Gravou-se o açúcar brasileiro. Vieira deixou o dinheiro em Portugal e nos trouxe a lábia.

O espírito recusa-se a conceber o espírito sem o corpo. O antropomorfismo. Necessidade da vacina antropofágica. Para o equilíbrio contra as religiões de meridiano. E as inquisições exteriores.

Só podemos atender ao mundo orecular.

Tínhamos a justiça codificação da vingança. A ciência codificação da Magia. Antropofagia. A transformação permanente do Tabu em totem.

Contra o mundo reversível e as idéias objetivadas. Cadaverizadas. O stop do pensamento que é dinâmico. O indivíduo vitima do sistema. Fonte das injustiças clássicas. Das injustiças românticas. E o esquecimento das conquistas interiores.

Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros.

O instinto Caraíba.

Morte e vida das hipóteses. Da equação eu parte do Cosmos ao axioma Cosmos parte do eu. Subsistência. Conhecimento. Antropofagia.

Contra as elites vegetais. Em comunicação com o solo.

Nunca fomos catequizados. Fizemos foi Carnaval. O índio vestido de senador do Império. Fingindo de Pitt. Ou figurando nas óperas de Alencar cheio de bons sentimentos portugueses.

Já tínhamos o comunismo. Já tínhamos a língua surrealista. A idade de ouro.

Catiti Catiti

Imara Notiá

Notiá Imara

Ipeju*

A magia e a vida. Tínhamos a relação e a distribuição dos bens físicos, dos bens morais, dos bens dignários. E sabíamos transpor o mistério e a morte com o auxílio de algumas formas gramaticais.

Perguntei a um homem o que era o Direito. Ele me respondeu que era a garantia do exercício da possibilidade. Esse homem chamava-se Galli Mathias. Comia.

Só não há determinismo onde há mistério. Mas que temos nós com isso?

Contra as histórias do homem que começam no Cabo Finisterra. O mundo não datado. Não rubricado. Sem Napoleão. Sem César.

A fixação do progresso por meio de catálogos e aparelhos de televisão. Só a maquinaria. E os transfusores de sangue.

Contra as sublimações antagônicas. Trazidas nas caravelas.

Contra a verdade dos povos missionários, definida pela sagacidade de um antropófago, o Visconde de Cairu: – É mentira muitas vezes repetida.

Mas não foram cruzados que vieram. Foram fugitivos de uma civilização que estamos comendo, porque somos fortes e vingativos como o Jabuti.

Se Deus é a consciênda do Universo Incriado, Guaraci é a mãe dos viventes. Jaci é a mãe dos vegetais.

Não tivemos especulação. Mas tínhamos adivinhação. Tínhamos Política que é a ciência da distribuição. E um sistema social-planetário.

As migrações. A fuga dos estados tediosos. Contra as escleroses urbanas. Contra os Conservatórios e o tédio especulativo.

De William James e Voronoff. A transfiguração do Tabu em totem. Antropofagia.

O pater famílias e a criação da Moral da Cegonha: Ignorância real das coisas+ fala de imaginação + sentimento de autoridade ante a prole curiosa.

É preciso partir de um profundo ateísmo para se chegar à idéia de Deus. Mas a caraíba não precisava. Porque tinha Guaraci.

O objetivo criado reage com os Anjos da Queda. Depois Moisés divaga. Que temos nós com isso?

Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade.

Contra o índio de tocheiro. O índio filho de Maria, afilhado de Catarina de Médicis e genro de D. Antônio de Mariz.

A alegria é a prova dos nove.

No matriarcado de Pindorama.

Contra a Memória fonte do costume. A experiência pessoal renovada.

Somos concretistas. As idéias tomam conta, reagem, queimam gente nas praças públicas. Suprimarnos as idéias e as outras paralisias. Pelos roteiros. Acreditar nos sinais, acreditar nos instrumentos e nas estrelas.

Contra Goethe, a mãe dos Gracos, e a Corte de D. João VI.

A alegria é a prova dos nove.

A luta entre o que se chamaria Incriado e a Criatura – ilustrada pela contradição permanente do homem e o seu Tabu. O amor cotidiano e o modusvivendi capitalista. Antropofagia. Absorção do inimigo sacro. Para transformá-lo em totem. A humana aventura. A terrena finalidade. Porém, só as puras elites conseguiram realizar a antropofagia carnal, que traz em si o mais alto sentido da vida e evita todos os males identificados por Freud, males catequistas. O que se dá não é uma sublimação do instinto sexual. É a escala termométrica do instinto antropofágico. De carnal, ele se torna eletivo e cria a amizade. Afetivo, o amor. Especulativo, a ciência. Desvia-se e transfere-se. Chegamos ao aviltamento. A baixa antropofagia aglomerada nos pecados de catecismo – a inveja, a usura, a calúnia, o assassinato. Peste dos chamados povos cultos e cristianizados, é contra ela que estamos agindo. Antropófagos.

Contra Anchieta cantando as onze mil virgens do céu, na terra de Iracema, – o patriarca João Ramalho fundador de São Paulo.

A nossa independência ainda não foi proclamada. Frape típica de D. João VI: – Meu filho, põe essa coroa na tua cabeça, antes que algum aventureiro o faça! Expulsamos a dinastia. É preciso expulsar o espírito bragantino, as ordenações e o rapé de Maria da Fonte.

Contra a realidade social, vestida e opressora, cadastrada por Freud – a realidade sem complexos, sem loucura, sem prostituições e sem penitenciárias do matriarcado de Pindorama.
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OSWALD DE ANDRADE Em Piratininga Ano 374 da Deglutição do Bispo Sardinha." (Revista de Antropofagia, Ano 1, No. 1, maio de 1928.)
* "Lua Nova, ó Lua Nova, assopra em Fulano lembranças de mim", in O Selvagem, de Couto Magalhães
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Oswald de Andrade alude ironicamente a um episódio da história do Brasil: o naufrágio do navio em que viajava um bispo português, seguido da morte do mesmo bispo, devorado por índios antropófagos.
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terça-feira, junho 03, 2008

delírio

Desde então faço esses tsuru e desde então me sinto a voz deste papagaio mudo. Um pouco nu, o andar, de fato, mas já imaginou o espaço que sobra para o sonho? não um sonho de mobílias, doméstico, conjugal, quinânico, contando angustiadamente os tostões que faltam para uma escrivaninha ou uma cômoda, mas um sonho tout-court sem metas nítidas ou objetivos definidos, cuja forma varia e cuja tonalidade muda sem cessar. Um sonho de além mar. Desde então, às noites sinto frio. Ao amanhecer sinto a flacidez do travesseiro. O calor dos lençóis me tira da cama, ainda em sonâmbulo delírio. Esta casa, cara amiga, é o deserto de Gobi, quilômetros e quilômetros de areia sem nenhum oásis, e o silêncio, minha boca fechada sobre os dentes amarelos dos camelos.

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Ist da?

A Love Supreme