terça-feira, setembro 30, 2008

Tempo estrutural


Tempo de encontrar uma razão pra viver.
A propósito eu não gosto de usar essa palavra tempo para determinar hora, vez. Tampouco razão de viver sendo que sobrevivemos, em outras palavras, não temos escolha senão permanecermos, o que Descartes chamou de existência, até que nosso destino seja cumprido. Vejam que usamos esses eufemismos diários e a única certeza é nossos corpos são tangíveis e a única certeza é a impermanência. São únicas, no plural, e deve haver mais.
Tempo de formular uma estrutura e segui-la. Seguramente não encontrarei felicidade, senão um pouco de equilíbrio que pode trazer tranqüilidade que pode agir sobre meu cérebro ateu e inundar e preencher meus neurônios de prazer. Encontra-se equilíbrio. Procurar, buscar. Tudo metafísico.
Como um barquinho à deriva no mar...



>¨<


ps: não existe mais Tempo. Somente Espaço.

sábado, setembro 27, 2008

Para


Enquanto eu fico aqui cheirando calcinha dopo le ori depois das horas e pensando em você pensando em mil quimeras e o sol se Poe inesperadamente bonito. Expressivamente bonito refletindo no prédio que os morros das gerais traduzem, somente sendo vistos podem dizer. Acendo mais um cigarro como se isso fosse uma propaganda contrária. Mato aos poucos me mata e me mato. Mas que seja esplêndido o ressonar das notas e a vermelhidão q se vai com o sol. Som as horas e vejo
Vejo atenciosamente a tudo isso
Vejo como as nuvens são raras
Como como como quão cara e minha cara quão cara e minha Evinha ervinha
Moeda
Moeda de troca

terça-feira, setembro 23, 2008

Recife

Como esquecer uma paixão? Ó lindo luar do Recife. Como uma biblioteca de dores. Talvez por isso eu não me permita, como diria minha petit français. Mas aproveito um mais santo dia ao som do chorinho. O sol está se pondo e fico até repetitivo, como um mantra, uma mandinga de abrir caminhos. Sobe a linha do sol sobre o muro branco, no contagio das horas vejo a luz do dia pendular sobre os prédios. Bem mais além vem, bem mais além. Da lua triste no céu, meu bem, da lua triste no ar. Não existem mais opostos. Preciso organizar minha casa mental, me preparar para um novo começo, fútil e blasé que se despoja na frente dos meus olhos. A miséria humana, a dor existencial, aquilo que te move, te faz sentir, se te faz agir, sair do mesmo lugar. Se a esperança tivesse sido deixada ir embora da caixa de Pandora antes que a fechassem, talvez fôssemos mais razoáveis, embora não menos otimistas, eu creio, e se eu creio, logo não é preciso que eu duvide. O infinito permanece diante dos teus olhos. Infinitamente grande e infinitamente pequeno, sem diferença, pois as definições desapareceram e nenhum limite é visto. Meu coração ainda colado no asfalto. Está bem dito, respondeu Cândido, mas é preciso cultivar nosso jardim.
>¨<

segunda-feira, setembro 22, 2008

Banzo de arengueiro

Hoje estou bêbado como um ganso, como um marreco voador. Vejo tons de rosa em tudo que vejo. Ai meu coração porque você foi fraco assim? Sinto Ca vê mais os cheiros da polinésia Francesa e me aproximo desse mistério como se não fossem doces mistérios as frutas e frutos e cores, cor de terra nas peles das mulheres de Gauguin, e quanta luz, meu coração tão desalmado. Eu não peço perdão porque eu não me arrependo de nada. O arrependimento é um afecto humano demasiado humano. Nessa janela tão imensa e minimalista, sinto os tons de verão chegando. Nessa janela tão minimalista invadem as nuvens e o vazio da meditação, quem me dera. Acendo um cigarro. Vejo a linha do sol claramente se expor sobre o muro a minha frente. Árvores solitárias, cada uma de uma espécie, salvam a paisagem com sua vida de nostalgia outonal. Desabrocham cores e sua cabocla virá. Virá com sua pele vermelha como terra. Virá com sua alma caiba, virá ler para mim o manifesto antropofágico, vira com suas cores e alegorias de francesa detida na estação de trem, virá como carrasco e como refém. Te espero com a cabeça inchada com a lavra da terra de um cigano com o meu mal humor verborrágico que irás livrar desse engano, de simplesmente ser.
>¨<

Dance to the end of love

Sonora


Devo encontrar expressão para essa vida tão cheia de falsos ideais e acomodamentos. Encontrar um termo exato para poder relaxar e ser um termo exato, louco, sádico, cruel, amável, algo que me define como homem além de alma. Alma que se encaixa no corpo para viver plenamente. Hoje foi um dia gris. As gotinhas de chuva não param de cair. Talvez eu saiba como é tentar essa busca, ao menos. Talvez eu tente mais uma vez de forma diferente, mais calmo, mais ágil, porém com mais sagacidade. Hoje um corpo dolorido que atente aos desejos do café. Acordo com a delicia do sexo um pouco blasé com minha francesinha. O calor o nordeste a tornou especial e gosto quando consigo ver seus olhos. Significa que no deserto ainda há vida, que as pequenas gotículas que vem do oceano fazer verter a sede dos pássaros e brotarem flores dos cactos. E nesse deserto das idéias há uma raposa da qual guardo vagas e tristes lembranças. Dor que se aproxima quando tudo passa e já está passando como da água para o vinho. Sim Roserouge, devo mesmo parar de ouvir Eliot Smith e Chet Baker, mas na verdade, Chet me acalma e tudo flui naturalmente. Como um barquinho à deriva no mar levado pelo vento. Um mar desconhecido, de notas calmas e prolongado, de lirismo choroso, o lirismo pungente dos bêbados, o lirismo dos clowns de Shakespeare. Sinto um doce caminhar na melodia de seu sopro, de sua voz. Encanta-me o seu lamento de pequeno gato branco insosso, como era chamado pelos negros de NY, por despeito ou por inveja. Um barquinho levado pelo vento. Também me agrada o choro de Madeleine Peyroux e Billie Holiday, garotas sofisticadas. Encantam-me as simples melodia, boas e falsas como o amor.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Ladrão de entardeceres

A tarde branca se abaixa sobre o galo que rodopia no telhado. Frio de gelar o coração. Me afasto literalmente da paisagem enquanto a noite se aproxima. Minha senda se perde na alma do nevoeiro. Minha calma se torna silêncio que torna tudo pleno. Minha liberdade. Respiro as transbordações de um pensamento. Durante o dia, nenhum raio de luz. Pego o café, fumo lentamente o cigarro pensando além das idéias, além de números de telefone, nomes, emails, regras de métrica, rima ou estilo. Esteta da minha auto-estima, métodos, estruturas, sistemas, análises, decisões, vontades, querências, observações de comportamentos ritualizados, observação de cerimônias altamente ritualizadas que tentam ser casuais. Um desejo atávico de se unir, como grupo, como casal, como equipe. E eu me sinto navegador desse riacho pouco profundo, náufrago desse calmo oceano. Unir-se a algo a que se prenda ou que se liberte, a que se tenha a falsa sensação de segurança.
Macia como lua e areia.
>¨<

quarta-feira, setembro 17, 2008

por enquanto


Por enquanto o tempo passa como se o espaço se aproximasse de repente mais perto comprimindo uma jaula uma parede uma grade se fechando para a liberdade ou para o varal onde se pendura a roupa lavada, a roupa nova recém usada. Reflete um pouco e vê como a vida mudou. Eu e meu estilão auto confessional, Ed. Repara como não se nos amarramos mais senão as nossas próprias ditas ditadas vontades anestesiadas em desinteresse sonâmbulo ao aprofundar-se por aquilo que decerto usamos. Que se faça a Indústria a ferramenta de trabalho de quem nós dela precisamos. Inclusive para a pasta de dente que usamos. Mas, conta a lenta a histórias dos executivos de uma grande empresa de pasta de dente andavam pelo chão-de-fábrica, enlouquecidos, pensando como fazer para obter mais lucros. Foi quando um operário sugeriu que aumentassem a bitola da bisnaga, para que assim saísse mais pasta. Assim as pessoas consumiriam mais. Posteriormente, essa idéia brilhante foi normatizada e virou regra para o consumo, e lucro certo para a indústria.

>¨<

sábado, setembro 13, 2008

London Ho

Como é tudo complicado, coloco o meu Zaratustra embaixo do teclado para ir me acostumando. Preciso acostumar-me com o teclado novo. Costumes novos, novas customizações. Uma ação exige um verbo, uma ação exige um movimento, um gesto articulado. Às vezes, sempre às vezes, coisas de repente se repetem e mudam repentinamente como se fóssemos novos alguéns. Viciamos as coisas os gestos, costumes, pessoas, filhos, crianças, ações, se repetem. Preciso refletir sobre o every Day ensimesmando-me em mim mesmo como em um deserto. Meu coração observa você desaparecer. Preciso ver, preciso enxergar, enquanto cego me sigo, pras frentes. Um breve lembrete de que tudo pode acontecer em ocasiões especiais quando você menos espera. Preciso dormir profundamente. O tempo brota organicamente, independente das horas cresço. Rota sem destino e sem volta. Sem Maria, sem Michel, sem glória. Às vezes um olhar cansado pára dentro de si, e cá esse às vezes é agora.
>¨<

sexta-feira, setembro 12, 2008

Between the bars


drink up, baby, stay up all night
the things you could do, you won't but you might
the potential you'll be, that you'll never see
the promises you'll only make
drink up with me now and forget all about the pressure of days
do what I say and I'll make you okay and drive them away
the images stuck in your head
people you've been before that you don't want around anymore
that push and shove and won't bend to your will
I'll keep them still
drink up, baby, look at the stars
I'll kiss you again between the bars where
I'm seeing you there with your hands in the air, waiting to finally be caught
drink up one more time and I'll make you mine
keep you apart deep in my heart separate from the rest
where I like you the best and keep the things you forgot
the people you've been before that you don't want around anymore
that push and shove and won't bend to your will
I'll keep them still drink up, baby, stay up all night
the things you could do, you won't but you might
the potential you'll be, that you'll never see
the promises you'll only make
drink up with me now and forget all about the pressure of days
do what I say and I'll make you okay and drive them away
the images stuck in your head
people you've been before that you don't want around anymore
that push and shove and won't bend to your will
I'll keep them still
drink up, baby, look at the stars
I'll kiss you again between the bars where
I'm seeing you there with your hands in the air, waiting to finally be caught
drink up one more time and I'll make you mine
keep you apart deep in my heart separate from the rest
where I like you the best and keep the things you forgot
the people you've been before that you don't want around anymore
that push and shove and won't bend to your will
I'll keep them still

Eliot Smith



quinta-feira, setembro 04, 2008

dang yang Y


ando pelas ruas como se não fosse
se não pertencesse a esse lugar. quero me perder
na busca de querer me encontrar na busca de querer me curar
ando cansado e ainda respiramos o ar viciado da cidade
ando alheio ando tarde e com sede


>¨<