quarta-feira, novembro 19, 2008

Vandalismo

Versos íntimos


Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo amigo é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

sexta-feira, novembro 14, 2008

no comments



You don’t know me
Bet you’ll never get to know me
You don’t know me at all

Feel so lonely
The world is spinning round slowly
There’s nothing you can show me
From behind the wall
Show me from behind the wall
Eu você nos dois, já temos um passado meu amor....

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quinta-feira, novembro 13, 2008

MacDowell

Clockwork Orange

Sorria Malcom

Vai uma musiquinha?




Com o advento desses fatos ocorridos e comentários ao meu respeito, eu – iconoclasta por natureza e essência e sociopata disfarçado de escritor, lembrei-me de um primo distante, com sotaque cockney inglês que tomava pílulas com leite em uma casa de bonecas. Um Rasputin ultra violento, que o Anthony Birgs criou. Coloco aqui um pedaço da dúvida ética que sempre nos perturbará. Um experimento não autorizado e transgressor, assim como lei e ordem desaparecem numa noite sombria. Desaparece aqui o cenário de retidão ética. Os bons científicos analisam a cobaia humana, banalizada, pois a vida assim como não justificada na violência. Torturar com sadismo tecnocrata no andar de baixo enquanto ululava e se contorcia MacDowell no andar de cima. Optem, ou melhor, optemos por analisar o tema ao invés de minimizar-lo ao dualismo mocinho e bandido, o bom e o mau. Análise fleumática do sistema.

terça-feira, novembro 11, 2008

Eles não são bonzinhos

Hei cara, o que está acontecendo? Você parece que não me conhece, você não me conhece. Você acha que me conhece? Sei que nenhum sofrimento do passado justifica coisas que fazemos agora. O que você pensa que eu sou? Eu é o outro. Na sua idade já tinha passado. Existe uma lacuna entre o que existe e tudo que você gasta sem saber que o Espaço muda as pedras, as águas mudam imagem em movimento. Percebe? Há uma distancia entre você e a realidade. A realidade é retornável? A realidade e um conceito relativo. Em cada espaço que você não conhece há uma realidade. Se lá em Pato Branco existe um professor de esperanto. Quando nos perguntamos o que é normal. Isso é uma afirmativa? Existe uma prelação por isso ou aquilo, por aquela morena, alta, magra. Você tem um nome, você tem uma história que não me importa saber. Eu troquei de pele. Rasguei a máscara que trazes e que vês. E as pessoas me vêm. E como eu posso ser invisível pra você? É importante que tenha a resiliência do ferro, mas que seja de suave e leve como a pluma. Então vamos caminhar juntos pelas ruas cultivando as estrelas. Ein minute, ein Stern. Muda a perspectiva. Muda a estrutura. Há um ponto de fuga. Adentro a casa mental do estranho como numa pintura. Faz parecer flauvista ou surreal, mas mergulho em um campo de trigo impressionista. A arte é a vida. Estamos falando de arte, e eu digo que a arte a própria vida. Eles não são bonzinhos.
Enjoy Capitalism

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segunda-feira, novembro 10, 2008

retrato falhado

oi carta rasgada,

tudo que tenho é esse blog. devo ser tudo aquilo que você falou mesmo. as pessoas dizem que sou agessivo. não sei o que me falta. essa raiva que trago dentro de mim é como estar no caminho errado consciente disso. não sei qual meu caminho, não sei o que eu posso deixar de bom nesse mundo, não sei de que forma eu poderia contribuir... a indiferença me mata. e morto eu já nem sei se existo, porque existo, logo penso.vivo deprimido, não sei se essa palavra é muito forte. não é pra que sintam pena que digo isso. é porque não me encontro nessa busca eterna psicoanalizada. eu concordo totalmente com você, digo, não com essas classificações psiquiátricas, mas quando diz que eu sou agressivo. olho pra dentro de mim, olho no espelho bem dentro dos meus olhos, olho e me desespero, e páro sem reação. o que eu tenho? não é psicopatia. "A teatralidade e manipulação social dos sociopatas é tão convincente que poucas pessoas, após algum contato duradouro com os sociopatas, são capazes de imaginar o seu lado negro, mau e perverso."poxa não sou pervertido, apesar de ser perseguido por certos tipos de bichinha escrota. e que mal eu poderia fazer a sociedade? um crime bem bolado. O mal que faço é a mim mesmo. sou persona non grata. e no fim da noite despejo toda essa energia guardada entre braços e cadeiras voando, como você disse. é foda, é dificil pra mim ser assim. é uma coisa qualquer que eu não sei o que é: religiosidade, mais terapia, mais remédio, nascer de novo, sei la.portanto me afasto o contato com as pessoas, não consigo mais olhar na cara de minguém. Talvez porque não conheçam meu passado e aprendi a viver com a falta de educação deles (e mal humor). é mais uma tentativa de fuga, mas eu sei que é impossível fugir de si mesmo, mesmo em Düsseldorf. Bem carta, vou me deitar, a cama me chama. Não sei se estou mais aliviado em confessar, pois é uma confissão, mas é uma conversa com quem está do outro lado da tela. e de repente abro essa janelinha e tem uma resposta (ou não). daí fica valendo a conversa consigo mesmo.
Beijos
de quem não deseja mal a ninguém,

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sexta-feira, novembro 07, 2008

Albtraum


Há uma ainda sina e ela me persegue em pensamento. Quando consigo relaxar ao som do jazz, me vem a nostalgia nas notas prolongadas do trompete, na cadência e nas pausas do piano. Pega o lencinho aí pra mim. Como fiz isso? Como eu pude? Que saudade. Devo mesmo gostar de sofrer Roserouge, então dedico essas palavras a você. Permita-me dedicar também a mim mesmo, eu próprio ego. Foi ele quem escreveu essa comédia bufa e foi ele quem pintou essas paisagens. Adentro as nuvens entre as notas, nota que sou louco por você. Então, não podemos mais nos beijar, então as ondas invadem a areia do mar, a noite está sob o nosso comando. Quando os encontraremos de novo? Quando a noite nos enfeitiçou, nos deveríamos. Embora as ondas invadam a areia do mar, embora não possamos mais nos beijar. Existe a lua e a areia do mar. Segue e sua vida e quando menos se espera vai raiar um novo dia, não é? Pois a noite hoje chuvosa faz-me lembrar sonhos derramados. Tento controlar essa saudade, isso, saudade que sinto no peito. Sinto-me um mosaico inacabado. Sinto que faltam alguns pedaços, pedaço vazio vão vácuo ausência distância ó pedaço arrancado de mim. Sem você, como membro que se regenera, outro a ser o que era. Episodio na vida de um escritor, sinto-me o próprio Arturo Bandini, personagem de John Fant que protagoniza Espere a Primavera Bandini e Pergunte ao Pó (o pó das prateleiras, a poeira dos livros, o pó – matéria em decomposição – do passado). Busco me comunicar, procuro por um rosto conhecido que eu nunca tenha visto. Um escritor em busca de quê? Busco a mim mesmo em você. Eu sou você e o que eu vejo sou eu.
Katzen-traurig ohne ihre Fuchs
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quinta-feira, novembro 06, 2008

zenstehen

Tenho que seguir essa sina de cigano. Eu, nessa ternura afônica, não pude engolir nenhuma das duas. Durante muito tempo na história do mundo o alimento foi escasso e ninguém falava russo. Passamos chuvas do verão e frio de inverno. As folhas caíram. Sabe aquela dor? cacete, aquela dor que me trucida. Estou fisicamente fora, lembrando momentos memoráveis, ou só mais distantes. E deixem-me colocar as asas pra secar. Para eu poder voar como um pássaro livre, um fora da lei. Não tenho mais lugar. Vivo aqui mesmo, não é novidade. Pode-se esperar que eu seja humano. Pode-se até esperar que eu seja mais amargo e hostil com as palavras. Mas pode acreditar mesmo é que vou pedir seu currículo. Nessa disciplina que se revolta contra si mesma para formar novas estruturas. E essa não era a fórmula dos meus sonhos.

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Ziggy Stardust


Ziggy tocava guitarra, tocava bem com Weird e Gilly (?).
As aranhas de Marte, ele tocava com mão esquerda.
Mas foi longe demais
E se tornou o homem especial, e nós nos tornamos banda do Ziggy.

Ziggy cantava bem, apertava os olhos e bagunçava os cabelos.
Como um gato japonês, podia lamber com um sorriso.
Podia deixá-los pra serem enforcados
Eram homens muito carregados, bem enforcados e brancos como neve.

Onde estavam as aranhas?
quando as moscas tentaram acabar com a nossa coragem?
Só a luz de uma cerveja pra nos iluminar
Então xingamos seus fãns e deveríamos esmagar suas delicadas mãos?

Ziggy cantava pra o Tempo, cantava que éramos Vodu
As crianças eram estúpidas. Ele era o máximo
Com o cu abençoado por Deus
Ele foi longe demais, mas tocava bem guitarra

Fazendo amor com seu ego, Ziggy foi sugado pela sua mente.
Como algum messias leproso
Quando as crianças mataram o cara eu tive que acabar com a banda.

David Bowie

Livre tradução feita por mim
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terça-feira, novembro 04, 2008

Sonho

Claro. As coisas agora estão claras e começam a acontecer rapidamente. Fico feliz em saber que a Mildred está bem. Claro, sinto saudades, mas já conheço nossos limites. Foi um thriller mal contado, de uma noite sem fim em um lugar desconhecido. Lugar que ainda hoje eu tenho medo. Medo quando a feitiçaria da noite, medo quando andava sozinho pelas ruas, medo de chutar macumba na encruzilhada, medo de me aproximar novamente. Preciso apurar o olhar para distinguir o óbvio do efêmero. Preciso distinguir o áspero do suave em suas palavras. Aqui é melhor começar a se ajudar, cuidar de si. Essa vez faz conjunto com a flora agreste do seu peito. Dói? Saber que nada mais te encerra na minha evolução, pequena? E o escambau, eu digo, as coisas caminham, percebe?, não quero seguir seus vestígios de sangue e vinho vagabundo e esperar que me diga alguma coisa mal humorada. E a própria lógica do índice “onde há fumaça há fogo” é foda. Espero a sua doença passar. O céu alimenta as estrelas dando um véu acetinado à cena. Depois coloca seu rosto meio de lado, seu sorriso sonso meio devasso e de entusiasmo que eu me lembro tanto. Então vamos pra casa.

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Lady sings the blues

Billie Holiday and Band...