sexta-feira, janeiro 30, 2009

Noites Adentros, NY

P a r t e 6_____m e i o > > d e j o g o

Saímos da Grécia. Foi uma longa viajem até Basel na Suíça, fronteira com França e Alemanha. De Basel, fomos de trem até Frankfurt (o caminho mais próximo) parando em Stuttgart. Em Frankfurt conseguimos um vôo direto para Nova Yorque, sem escalas. Ao todo passamos um bom tempo viajando, algo em torno de um mês e meio. Nessa altura dos acontecimentos eu chegaria em NY somente pra assinar os contratos.
Foi em Basel que a Gi negociou os diamantes com uma contrabandista ucraniana, Svletlena Fiodorova. Um metro e oitenta e cinco de altura, chamava a atenção de todos por onde passava, mas carregava espontaneamente sempre um sorriso de turista. Vejam que conhecia o mundo, dos rincões agrestes da Europa - as tundras do Cazaquistão, às selvas Colombianas.
Ela então transitava com, digamos, ‘mercadorias ilegais’ pra cá e pra cá, sem ser incomodada pela Interpol, Scotland-Yard ou outro serviço qualquer de inteligência. As autoridades deviam estar muito pouco preocupadas com essa mulher, mas não pensem que sempre foi assim. A russa tinha se tornado uma verdadeira profissional. Pois é verdade que nem cheguei a ver a negociação, tamanha a descrição das duas. O fato é que essa história estava começando a parecer um conto mal contado de Sherlock Holmes.
Pousando em Flushing Bay víamos a silhueta da estátua da Liberdade ao longe sob o poente. Lembrei-me de Samba do Avião, mas dessa vez não era o Cristo que víamos e eu já não me lembrava do Brasil.
Naquele momento, todas as lembranças, toda dor, toda mágoa, tudo que sofremos que sonhamos que vivemos todas as mazelas do passado, deixamos para trás. Agora tínhamos a chave da America. Sem querer ou sem saber vivíamos o sonho americano. Estávamos em um jogo de xadrez, calculando cada movimento. Sós, eu, a Gi e o resto do mundo. Eu, a Gi e o resto do mundo estávamos um pelo outro. Mas nesse jogo ninguém perde nem ganha, e agora? qual seria o próximo lance? De repente íamos nos afastando enquanto o tempo nos afastava. Tínhamos interesses diferentes. Eu me embebedava no Bowery, bairro tradicional da antiga boêmia, Certa vez tomei cerveja com Neal Cassidy, herói e Adonis de Denver. Era hora de cruzar a América de automóvel verde. Contratos que firmei me renderiam um bom tempo sobrevivendo. Meu caderno de notas não tinha quase nada escrito. Alguns poemas, datas, horários, ab flug, jogadas de xadrez, o número da minha conta escrito em letras, um poema do Maiakovski que copiei. Estávamos em NY há quase seis meses.

>>¨<<

(s e g u e...)

11 comentários:

Liberté disse...

Acabei de concluir que o mundo se reuni em cidades e lembraças, um vai e vem entre a real e ficção mental.

jóia mesmo

estamos em varios lugares ao mesmo tempo.
:)
taty

Júlia de Miranda disse...

Adorei o blog, os textos, desenhos, referências, tudo, massa! volto sempre!
bjo

Júlia de Miranda disse...

Banksy de inicio! pulsante!

Papagaio Mudo disse...

Volte mesmo! Júlia,
será um prazer.
bjos,

Gustavo

Ca:mila disse...

teletransporte arterial?

Papagaio Mudo disse...

meu coração foi, e ficou.
e agora, o que quê eu faço?

Danitza disse...

Sugestão de um curta.
Cândido. De Zepe.
"A manipulação é o seu jogo preferido"
meio de jogo

Beijos para vc.

Vai como nome pq lá jaz um blog... Ainda uma comentarista.

Adriana disse...

Olá, li as outras partes de suas aventuras, e por fim essa. Embora a cabeça dê um nó, às vezes, o seu estilo empolga, a sua história é bastante interessante e quero ver até onde você vai ou até onde vamos com você. Parabéns.

roserouge disse...

Estou a amar esta história. Gosto da tua escrita, um estilo muito anglo-saxónico, mesmo como eu gosto. Tou amando, mérmão!

Dona Sra. Urtigão disse...

Estou gostando mesmo dessas historias e da forma como remetem a uma vida que passou a tempos. Saudades dos meus sonhos.

Papagaio Mudo disse...

Dona Sra.Urtigão,

Que bom que estás a gostar!
Fico feliz com críticas sinceras.
Abraço,

Gustavo