quinta-feira, janeiro 29, 2009

Noites Adentros, NY

P a r t e 3 ________ Á g u a_d e_b e b e r
__Hello, mister Josef – disse a Gi, depois de entrarmos na loja.
__Hello, Frau Hildgert – respondeu o velho, de olhos azul-sem-graça.
__Frauleine – Fez questão de corrigir – senhorita. – tinha pânico de ser chamada de senhora. Eu disse que esses judeus não estavam de brincadeira. Percebi porque o senhor foi muito simpático. Até me confundiu com um dos “da turma” – “Shalom! Shalom” – disse olhando pra mim. ‘Shalom, seu Josef’ – às vezes falava português ao deus-dará. Será que pareço judeu? ou foi apenas uma camaradagem fingir que me confundiu? tipo, você parece ser um dos nossos, rapaz, ou, poderia ser um dos nossos... Sou um tipo comum.
Era uma pequena loja na 51 Leste, perto da Park Avenue. Parecia uma loja de fachada, e era. Fomos conduzidos pelo senhor Josef para outro cômodo, iluminado apenas por alguns raios de sol que caíam verticalmente sobre a mesa, através de uma janela de vidro. O senhor Josef sentou-se de costas pra janela e ergueu a mão como dizendo ‘Venham! Venham’. Sentamos diante dele e acendeu-se um abajur. Plic! Pude ver todas as curvas de suas rugas. “Deixe-me vê-los, senhorita Hildgert” – ordenou o velho. Então a Gi abriu a bolsa, pegou um pequeno saco de veludo vermelho e despejou as pedras sobre a mesa, em um pequeno bojo de vidro.
A voz da Gi me pareceu um pouco dissimulada, mas pouco importava minha opinião. Eles queriam mesmo era saber do dinheiro. A palavra enxerga assim enfileirada, tal qual o vil metal da espada. E era por esse vil metal que estávamos ali. Trocando pedras preciosas por money. O velho Josef examinou as pedras uma por uma, cuidadosamente.
Eram 33 no total. “Número cabalístico” – disse Josef Schorsch. E o que isso queria dizer, afinal de contas? Acho que eu era mais desconfiado que eles que sempre respondem uma pergunta com outra pergunta. Fiz o teste.
__ “E “o que isso significa senhor Schorsch?” – And what das that means, mister Schorsch?
__ “E por que isso te interessa, filho?” – respondeu perguntando. Viu? Estava provada minha teoria. Passou um tempo examinando as pedras, uma por uma. Os raios de luz que vinham da janela, ele deixava trespassar pelas pedras, como um sábio ilusionista. Seus olhos me pareceram de uma obscuridade sinistra.
__ “Pois não senhor Schorsch” a Gi tomou a palavra depois alguns minutos de silêncio. “... assim que o dinheiro estiver na minha conta os diamantes serão seus.” – disse como se fosse mulher de gangster italiano sem Família, e mostrou o celular.
Okay, miss Hildgert. Vamos transferir o dinheiro” - então chamou por alguém, em hebraico. Logo apareceu uma mulher que parecia um feixe de ossos. Conversaram tão rápido que só podemos entender o ‘Yes... Yes’ e o ‘schnell’ rápido! Então começou a surgir um monte de gente. Primeiro um jovem sarnento, de cabelos loiros encaracolados, que parecia ter uns dezesseis anos no máximo. Conversou com o vovô e também saiu rapidinho. Depois veio um homem mais velho, de camisa branca e suspensório.

>>¨<<

(s e g u e...)

7 comentários:

Raquel Emanuelle disse...

"...tinha pânico de ser chamada de senhora. Eu disse que esses judeus não estavam de brincadeira".

Se não foi uma sacada sua, pelo menos pra mim esse trecho soou divertido...

Inté

Papagaio Mudo disse...

se não foi sacada minha, mesmo assim aceito o elogio.
bjs,

>¨<

ps: posso considerar um elogio?

Ca:mila disse...

sherlock holmes

Papagaio Mudo disse...

sherlock is home

Ca:mila disse...

sherlock is homem

Papagaio Mudo disse...

sherlock is comin'

Menina do mar disse...

Nunca vi olhos azuis sem graça... mas ok coninua a escrever que tou a adorar ler!
beijos da terra do mar