segunda-feira, janeiro 26, 2009

Noites Adentros, NY

P a r t e 9
Ponte sobre o rio Adda - Tirano
E lá estávamos em Tirano. Paolo se preparava para mais uma expedição. Dessa vez para os confins da Patagônia. Era domingo e a Gi apareceu logo cedo no chalé, me assustando um pouco com aquela atitude inesperada. Trazia um pão assado na hora.
__Gosta de pão quentinho? – ela disse como quem pede permissão para entrar. “Entra. Bon giorno.” disse, e fomos pra cozinha comer o pão quentinho com geléia e chá. Ela parecia ansiosa e angustiada. Senti frio, porém um frio interno, como sente quem espera uma notícia bombástica, algo que irá mudar sua vida. “Tudo passa” – ela disse “e eu não quero mais continuar aqui, onde nada acontece!”. Além do Giro d’Itália, uma prova de ciclismo que acontece uma vez por ano e que passava por ali, não havia muito movimento em Tirano. Daquele momento em diante ela se abriu completamente. Em seguida disse
__Esse puto do Paolo tá pensando que eu sou o quê? - o Paolo mal havia chegado e já ia passar novamente uma temporada fora. Fora de casa, longe da Gi. O destino daquela mulher parecia guiado pelos homens. O filho da puta mal se dava conta da insatisfação dela, e a deixava solta, quando não estava sozinha. Ouvia calado como quem ouve uma confissão. Então, ela deixou de lado toda polidez que havia aprendido, e gritou palavras que eu mesmo queria dizer
__Eu vou tocar fogo nesse passado! – e aquilo veio do sangue, dos ares ancestrais que enchiam seu pulmão. Eu, arrepiado, sentia a presença de alguma entidade dando-lhe forças para terminar aquele discurso. Foi quando ela chegou perto como um bicho e enlaçou seus braços sobre mim. Um beijo de chá, vindo de quem pede ajuda.
Bem, minha intenção era conhecer o norte da Índia, seguir até a China, beber sangue de cobra em Hong Kong e seguir até onde pudesse me encontrar. Apaixonar-me por aquela mulher, que, contudo já havia me seduzido, não estava nos meus planos.

Passaram-se dois dias e recebi um email. Dois dias em que estive compadecido com a dor da brasileira, e a solidão. Até então foi apenas aquele beijo e nada mais. O Paolo saíra voando como uma flecha, pois o estavam esperando sei-lá-onde. Agora, com esse email, quem estava agitado e ansioso era eu.

(c o n t i n u a...)

>>¨<<

Um comentário:

Papagaio Mudo disse...

Que coisa mais sem interação
Uma coisa sem graça
Escrevi e ninguém comentou

Partiu
A corrente
Será que alguém leu?
Algum demente?

┐que pasa?