terça-feira, fevereiro 10, 2009

Noites Adentros, NY

P a r t e 1 0
F i m d a S e g u n d a P a r t e

Paguei nosso aluguel durante esses quase dois anos eu no Brooklyn, mas agora estava sozinho, vivendo do fruto abençoado das minhas malditas palavras. Blue Train, Coltrane, okay okay (trilha minha sina)… no silêncio of a dawn nada mais me faz mal. Tornei-me imune à madrugada e fragilmente vulnerável à opressão autocrata do dia.
E nada mais me restava a não ser estar sozinho. Eu comigo mesmo e só nós dois. Eu, monossilábico eu, estranhamente eu. Um sonho acordado, quase transcendente, na difusa fronteira entre a matéria e o etéreo. Abstração de ser humano. Marco o livro que es
tou lendo, A Palavra Pintada, de Tom Wolf – sobre arte contemporânea nos Estados Unidos - e acendo mais um cigarro. Atrele sua carroça a uma estrela – disse Ralph Emerson.
Se tua cabeça cansada e muda encarar o escuro com visão linear, enlouquecida por algum feiticeiro com a sua maldição, sonhada em algum leito loquaz. E se a escura cabeça ensaiar o quinto ato da noite agonizante, ora, corta-a pedaço a pedaço, e joga fora o duro córtex. Ordem do dia, ou da madrugada.

>>¨<<

(c o n t i n u a...)

7 comentários:

Liberté disse...

Prefira o simples ao complicado
essa é a ordem sofisticação atual.

Linda comclusão do ultimo paragrafo
Um sintese "genia".

lili

Liberté disse...

errata: conclusão & "genial"

rs

expressodalinha disse...

Não tenho comentado muito, mas estou a gostar imenso.

Delírios das Borboletas disse...

gostaria de segui-lo.
obrigada!!!

jugioli disse...

O profundo de si mesmo, mudar o neurônios e esticá-los ao vento.

JU

Alice Salles disse...

estou gostando bastante, sr papagaio.

Anônimo disse...

O texto é reflexo absoluto de uma vida completamente rocambolesca.
Xará, todos estão confusos, pode ter certeza. But, fingir que entendeu é mais fácil do que questionar...