sábado, março 28, 2009

verbário

Confissões de um cunilíngue. Não consigo pensar nem escrever direito. Eu só estou com a vontade verdadeira ou semiológica de matar alguém. Deve ser a mim mesmo, foda-se Nietzsche. "Aquele que se rebaixa quer ser exaltado." Cala a sua boca um segundo, como o idiota associou suas palavras com a quinta sinfonia, não disse de quem, e com Dionísio na crista da onda. Conversa de surfista. Uma espécie de suicídio de momento. Matando o meu Eu antigo. Tentando lapidar uma aresta aqui outra ali, cada dia que passa. Meu novo Eu é invisível e indivisível. Está mas não está. Existe mas apenas coexiste. Coexiste com o mundo, mas é apenas uma relação, uma relação fria, distante, secreta, escondida, segura, anônima, anônima como você, anônimo. Então conseguir ficar e manter-se mimetizado. Meus porres são invejáveis, amigos singelos, sinceros na nossa alegre boemia. Andando pelas ruas da cidade, sem pressa, sem medo. Sentindo os ares da Praça da Liberdade, com suas árvores, com seus jardins, com suas fontes. Caminhando... Se me houvessem avisado, eu teria evitado. Ando a fugir de lugares onde eu possa te encontrar. Esqueço que agora sou apenas um que um dia fomos dois. A fugir de mim mesmo e seguir um caminho reto. Remando a favor da corrente. Pensava que saía para o mar aberto quando fui jogado de volta ao cais do porto. Lançado na lembrança e no esquecimento, pontes se romperam no caminho. Mas a distância afetiva é como ontem. Noites nos butecos de jazz madrugadas sem fim e o tempo pra mim parece que não passou. As horas do relógio são apenas um engolidor de minutos. Mudanças aconteceram, mas o tempo afetivo teima em continuar o mesmo. Memória, deixa-me viver, deixa-me esquecer, perdoa-me. Faz cortar os laços que me fazem criança nos seus braços. Faz acabar com a desilusão. A minha libido foi tomar um drink no inferno. Um tango rasgado. Meu pâncreas sentiu uma vontade enorme de matar ou de morrer. Vomitei meu passado em mim mesmo e vi ele fugindo de carro. Casa casa não tenho mais. Depois de dez anos fora, voltei a morar com os meus pais. Joguei e perdi o maior jogo da minha vida, e não era um jogo de xadrez. Tamanha minha insensatez. Fui fraco assim, assim tão desalmado. Como se esquece o passado? Vivo o presente, desejo um novo futuro. Até o momento em que eu deveria mesmo ser cego ou invisível. Um verbário. Calado, afônico ou monossilábico.

8 comentários:

Eduardo P.L disse...

O papagaio na sua melhor FORMA!

Forte abraço e bom fim de semana!

jugioli disse...

Amei!!!!

@dis-cursos

Menina do mar disse...

Lindo, Gus...
Adoro-te!

Silvares disse...

Quem nunca morreu de amor não sabe o prazer que é ressuscitar.
Sou Romântico do fundo do corpo.
:-}
Agora já não idealizo a mulher. Vivo junto com ela. O meu romantismo é literário e pictórico. O resto é vida. Só vida.
Fica bem.
Abraço.

BAR DO BARDO disse...

pulsões de eros e tanatos em kama sutra.
calma?
karma?

"eu quero um deus que saiba dançar"

Papagaio Mudo disse...

pois é Bardo,

é foda o fardo
calma, karma
pulsão de vida
- dividida
morta

disco music
desce um Campari

please >¨<

Papagaio Mudo disse...

Obrigado Silvares,
obrigado Ju,

menina do mar,

obrigado Eduardo.
Abraços,

Gustavo

ps: idealizar a mulher ideal enquanto idealiza a si mesmo. Veja que meus ideais são singelos, simples.

Gustavo Alvarez disse...

tantas foram as noites sem apenas ser ao lado de um joelho...