sexta-feira, abril 03, 2009

Texas chuvoso

Agora quero ser um pássaro livre, um fora da lei, um frei Vogel um Vogelfrei. Mas minhas asas ainda estão molhadas da madrugada chuvosa e só um dia o “porquê” se levanta. Tudo recomeça, nessa lassidão tingida de espanto, e a manifestação do universo como uma idéia complexa em si mesma, em oposição a estar no interior ou exterior do próprio e verdadeiro Ser, é inerente. Um nada conceitual ou um Nada em relação a qualquer forma abstrata de existência, de existir ou ter existido perpetuamente, sem estar sujeito às leis de fisicalidade, de movimento ou de idéias relativas à antimatéria ou à falta de um Ser objetivo ou a um Nada subjetivo. Há quanto tempo não consigo dormir? Entro na noite como um vagabundo furtivo, passageiro clandestino dos meus desânimos, encolhido numa inércia que me aproxima dos defuntos e que a vodka anima de um frenesi postiço e caprichoso, navegando nas águas paradas de quem não espera nenhum milagre, equilibrando com dificuldade na boca o peso fingido de um sorriso. Há quanto tempo de fato não consigo dormir? Por dentro da cabeça as chuvas tombam lentamente sobre os gerânios tristes do passado. Uma tarde chuvosa na cidade. Um café depois das cinco e um adeus sem dizer adeus, sem dizer coisas do cotidiano. Coisas que não vou esquecer. Depois nos render à insistente garoa, de um Café a outro. Caminhavas como onça, com passos de atravessar poças e bebia as palavras em silêncio. Navegava nas águas rasas onde refletem meus sonhos, perdidos na sequidão das idéias, do aliás, do inclusive, no entanto, do nada. Ao fim, pois, do nada, a noite despencou. Meu coração se perdeu na sua ingrata lembrança, voltando pra casa de madrugada.

5 comentários:

Menina do mar disse...

Papagaio és um fora da lei!
Bach...
(:

Alice Salles disse...

No Texas tudo se perde...

Papagaio Mudo disse...

Só o Wenders, e/ou-tros.

Será, Alice?
A luz talvez seja possível de se captar. Mas não no meu Texa chuvoso.
na ponta do queixo,
beijo,

Gus

BAR DO BARDO disse...

danado
nada dom(in)a
ao dom

Gisele Freire disse...

Oi Gus!
Ando te lendo, que bonito, tu é bastante poeta !
Abraço
Gi