segunda-feira, abril 13, 2009

Ruptura dispéptica

Diante de mim mesmo, observo, enxergo e sigo em frente. Hoje me importo com as minhas companhias. Portanto sigo só, muitas vezes quando ando. Quero desconhecer pessoas que eu conheço. Quero esquecer meus irmãos e dar a mão a outros novos irmãos. Quero tornar-me invisível e anônimo. Quero começar uma vez mais, equilibrar-me na linha do horizonte enxergando longe, no ritmo do choque retesado, um rock íntimo e ritmado, um chope gelado sem golarinho - sem rima nem passado, na esquina dos pecados. Atravessei a rua com meu passo bêbado, sentei na contramão atrapalhando o sábado, sentei pra descansar como se fosse um príncipe e flutuei no ar como se fosse um pássaro. Amei daquela vez como se fosse a última, paráfraseando uma canção. Chorei daquela vez como se fosse vítima, alvo de uma armadilha inescapável. Chorei sozinho naquela casa naquele quarto, mas sei também que as lágrimas masculinas pouco sensibilizam as mulheres. As pessoas que estiveram no entorno, feito moscas bicheiras de engordar, ratas preenchendo o ar estagnado, de mendigo a traficante a usuário, gente que eu nunca quis por perto. Perto de mim, nenhuma tribo de Índio ou de roqueiros grupistas. Nenhum Juvenil ou Juvenal embriagado de conversas tolas. Antes fossem apenas essas que, durante noites me atormentaram. Como permiti a mim mesmo as vezes em que você pagou de gatona? Distante agora toda essa merda. Sinto o comandado dissabor de quem foi seu fantoche, um dos próprios do seu Eu. Uma gota de lágrima roubada do oceano agora não vale nada. Agora, femme fatale, não mais vou copo no carro à distância e ver-me entregue a mim mesmo ao seu desdém. Passar distante da escória, deletar da memória. Mais cedo ou mais tarde, vou começando uma nova. Sem mentiras nem meias verdades. sem interesses que não interessam, não me interessam e não nos interessam. Sigo em frente. Quero esquecer falsos amigos, quero esquecer as pessoas que conheço. Quero um novo começo, um novo mundo. Eu mereço. E o presente a quem desejo merecerá uma Ode. Então ó velha amiga, apliquemos em nossas veias uma ruptura dispéptica, a salvar nossas vidas de uma enorme catástrofe. A última gota da taça de fel. E você, ó pequena, vamos aplicar em nossas vidas, pois nossas veias estão saturadas de velha tristeza, esse estado de alegria e graça. Fábula de um novo amor, silvestre e pagão, ao sabor mágico dos ventos da física quântica. Uma borboletinha, linda e caleidoscópica, pousou em minha janela à luz de um novo Tempo. Atraída pelo sal da minha existência. Ela rabisca cores que plainam sobre a brisa e flutuam. No fundO dos rabiscOs, além do papel, as nuvens e O céu, fogem desses ares viciadOs. Não interessa quem viveu ou quem morreu. Nada mais interessa.

PS: será uma menina que sonhou ser uma borboleta?

4 comentários:

Gisele disse...

"...e na bagunça do meu coração, meu sangue errou de veia e se perdeu..."

abraço :)
Gi

Karla disse...

Sim, as veias estão sauradas, mas o sangue ainda corre. Ainda há vida.

Nada mais interessa...

Papagaio Mudo disse...

Nada mais interessa.

>¨<

nina rizzi disse...

ei! eu sou uma borbo-letra :)