sexta-feira, junho 12, 2009

além do mundo, coelhinha

Fui um rebelde e ainda me resta um quê de rebeldia. Fui rebelde e hoje eu sei porquê me agarrei ao passado de outras vidas. Andarilho, colhendo raízes nas tundas da Sibéria. Povoando as montanhas da velha Europa. Não tenho medo, quero desejo. Já desejei solidão isolamento. Hoje só lamento não ter tido família. Seria também uma família de andarilhos? Nunca fui berbere nem nunca nasci no Saara, se alguns dias se passaram por lá, deixa eu dançar Odara. Falava cantonês, carregava frutas de pés descalços, sempre alegre, mas nunca feliz. Choramingava lágrimas de chinês, de solidão. Já fui monge, fui judeu, egípcio, fui ateu e já fui cristão. Fui e continuo sendo, pensando. Estou de pé e vejo. Carrego a luz do meu próprio ego, sem perceber meu umbigo os outros olham. Pra varrer o que há. O que quer (ou não) que seja que estiver contigo. Dor ou dengo, amor, amou. Amor e solidão umbilical, edipiana. Uns me chamam outros me amam. Sinto em dizer aos que me detestam que a revolta pro centro da sua testa, então não finja de besta. Cresça e desapareça. Escrevo de pé porque de pé é melhor, flui melhor, é mais selvagem, menos mundo novo. Oliver, gostaria de terminar meu pedido. Colocaram rosa e lilás na bunda das nuvens. Aliás, hoje elas estão lindas e o céu e o seu azul. Já não me deixa blue seu charme. Sei como arde, uma brisa de outono, um oximoro. Os ventos de Netuno e o aval de Venus... Passa vagarinho uma chuvosa nuvem lenta e derradeira. Deixa sopro suave sua energia. Perdi circunflexões, vírgulas & ésses, isso acontece. Não podia ficar tão tenso, não devia deixar de ser tão denso, mas devia ser duro. Ceder aos erros e aos erres. Porque fui assim, rebelde? Porque, ao meu jeito, tento me refazer de tantos porres? Invento uma vida nova. Aqui, de pé, cadenciando meu olhar alhures, longe de mulheres indefensáveis, esperando um anjo pousar na Terra. E esse anjo é meu, não se discute. Acabei com o ciclo de perdas, plantando agora um ciclo de ganhos do mais alto gabarito. Não sei se me entendem, essas jovens pentelhas, falo gírias que meus pais falam. Porque chamá-las assim? É o que são. O afã da juventude quem se defende como pode, quem mesmo assim se fode. Nunca comeu uma maçã e quer ensinar o saber da fruta. Mas com muita dor se der aprenderão o sabor da labuta, coisa escrota eu virei. Coisas escrotas vocês também, não sei pra que tanta revolta. Só sei que vê-las caladas é melhor do que dizendo suas hipérboles mal elaboradas, originais. Ao menos alguma beleza estética e em geral, nenhuma ética. Eu sou prosac, e daí. Tomou sua fluoxetina hoje, amor? Eu já – ela disse – e você?
__ Você é serotonina, meu bebê.
dolce bimbo

11 comentários:

Tempestade disse...

Saudades de você, Gus!
Estou na reta final do mestrado, assim que marcar a defesa eu te falo.

Preciso de serotonina!

Beijos Tempestuosos!

Gicelle Archanjo disse...

Lindo, lindo!

Papagaio Mudo disse...

Storm...

Papagaio Mudo disse...

Gicelle...

>¨<

Diego Yorkes disse...

grande

Karen Lommez disse...

Oi! Obrigada pelas visitas e comentários! Se interessou em comprar qual peça?? Onde vc mora? Quando envio pelo correio, o cliente paga a postagem, pois o valor das peças não é suficiente para que eu arque com a postagem. Faço uma pesquisa no site dos correios e passo o preço para o cliente, que deposita o total. Então envio os produtos e brindes também! bjk

BAR DO BARDO disse...

por que quando você está curtindo uma overdose de lucidez insistem que está maluco???

Danitza disse...

Incrivel-mente cruel!

Papagaio Mudo disse...

isso foi um elogio?

Danitza disse...

há dúvidas?

Danitza disse...

elegia