segunda-feira, julho 27, 2009

garotas más não choram

Torno a escrever como uma reza agnóstica. À essa hora, afoito pela necessidade de dormir e já é uma e trinta e oito. Torno a sentar-me diante do computador, onde meus dedos mais uma vez dançam à procura de um tema. Pianista de letras - toca quase sempre a mesma música. Não sei de onde tirar a fonte do meu sono. Do outro lado da casa, nasceu discretamente a lua com um largo sorriso fino e crescente, delineando mais um ciclo de sete dias. Os melhores dias da minha vida, nossas vidas, ainda estão por vir, mas já os vivemos e os viveremos ainda mais no devenir de cores dessa lúdica maquinaria de mágicas. Agora tudo está em paz... o ateísmo teórico conspira... os astros cospem monolitos enormes de plutónio e eu não vejo a hora em que devo abstrair de mim mesmo, colocar as estrelas pra funcionar nesse dínamo e acender a vídeo-fogueira ancestral. Consigo que me faça ver o que é não dormir esse literário lixo que escrevo. Vagar pelas notas bêbado, mas asas dos violinistas de Chagal, dínamo da noite estrelada. Como é puro, preto e opaco o brilho desses olhos. Bêbado de si mesmo. Linda nos tornamos amantes e nos tocamos como dois seres se experimentam. Como se a descoberta do corpo fosse uma ode às novas curas e as navalhadas de loucura que cortam sem verter sangue, gota sequer, numa rica rima fleumática.

10 comentários:

Papagaio Mudo disse...

>..<

Danitza disse...

o tempo anda curto para vir mais vezes... acabei de ler o que havia perdido e descobri do que me trouxe, manteve e sinto falta: Noites Adentros!

bjo

BAR DO BARDO disse...

Ateísmo só na teoria... Deísmo, também!

olharapus disse...

as garotas más choram à noite...
bj

Paulo Braccini disse...

'Torno a sentar-me diante do computador, onde meus dedos mais uma vez dançam à procura de um novo tema. Pianista de letras - toca quase sempre a mesa música. Não sei de onde tirar a fonte do meu sono." esta é a sina de todo mágico das palavras ... é compulsivo e nem o sono ousa intervir neste maravilhoso mundo de criação ... e a lua surge mesmo invisível, as estrelas se aninham no céu mesmo em noites de tempestade para que o parto dos sentimentos se opere ...

magnífico o que escreves querido amigo ...

leitor assíduo ... somente precisando registrar mais o que sinto por aqui ... é o tempo ...

bjo grande

;-)

Adriana Godoy disse...

Ei, Papgaio, gostei desse tom confessional e ao mesmo tempo poético. Vc sempre canta com as palvras. Beijo.

olivia disse...

Poético sim! As metáforas perfeitas.

Ana Beckenkamp disse...

Olá, gostei daqui também :) criativo!!

Beijo..

Gisele Freire disse...

Olá pianista de letras!
Belas as tuas composições!
Gi

sofia disse...

Belíssimo post, parabéns*
Beijinho grande