quinta-feira, agosto 27, 2009

Óssip


Óssip Mandelstam

Que raio de rua é esta?

É a rua Mandelstam.
Mas que diabo de nome,
por mais voltas que lhe dês,
soa torto, enviesado.

Ele era pouco lineare
de jeito nada brando.
É por isso que esta rua,
ou melhor, este buraco,
se conhece pelo nome
de um tal Mandelstam.

Abril de 1935.
(poesia auto-delirante)
In «Fogo Errante, Antologia poética», Tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra.

Óssip Mandelstam, poeta, nasceu em Varsóvia (há controvésias...) Polônia, em 1891, descendente de uma família judia. Cresceu na cidade imperial de San Petersburgo. Após muitos anos de exílio interno morreu em um campo de trânsito a caminho da prisão na Sibéria em 1937 (depois de ter escrito um poema insultantes sobre Stalin, que leu a um grupo de amigos e colegas). Ao lado de concidadãos poeta Acmeist Anna Akmatova, ele concebeu uma poesia que foi tanto uma música para o detalhe da vida cotidiana e um testemunho de condições sociais e políticas. O poema "Você e Eu..." ouvido em primeiro em fragmentos e, em seguida, tudo em Óssip é simultaneamente uma história da passagem para o exílio executadas em silêncio e uma metáfora para a morte - uma homenagem do conforto da companhia de outros e da inevitabilidade da partida. (Leia mais em Cronópios Portal de literatura e Arte)

Um poema de Ossip Mandelstam (1891- 1938)

Não, eu não sou de ninguém contemporâneo,
para uma honra tal não estou pronto.
É que nojo me provoca um tal homónimo,
dizer que não fui eu, foi o outro. Duas sonolentas maçãs o século-rei ostenta
e magnífica boca de barro,
mas, moribundo, à mão enlanguescente
do filho a envelhecer se agarra.
A compasso do século ergui também as pálpebras
doentias – duas maçãs grandes.
Contavam-me histórias de humanos pleitos inflamados
os rios largos e retumbantes.
Há cem anos branquejava com suas travesseiras
uma cama leve e desdobrável,
e estirou-se estranho o corpo de barro, a primeira
embriaguez do século findava.

Bem no meio da marcha tão rangente do mundo,
como é levíssima esta cama!
E pois não podemos forjar um outro do fumo,
com este século convivamos.
Num quarto quente, ou numa caverna, nas tendas
morre o século – e por último
sobre hóstia córnea duas maçãs sonolentas
resplandecem num fogo de pluma.

23 comentários:

Gisele Freire disse...

Oi Gus!
Gostei dos poemas!
bjs
Gi;)

Carla Martins disse...

Olá! Adorei os poemas! :)

Boa quinta!

Diana Maurício disse...

Olá... Fiquei muito feliz pela visita! Passando pra trocar elogios... Eu estou há tanto tempo sem escrever uma linha sequer que estou com medo até de deixar um comentário no meio de tanta coisa boa aqui no seu blog!

Quero voltar por aqui, agora estou com um pouco de pressa porque estou correndo atrás daquilo que me fez parar de escrever.

Mas eu volto... até.

Mateus Luciano disse...

bem suburbano ....

Mateus Luciano disse...

bem suburbano ....

Papagaio Mudo disse...

duplamente suburbano ....

Fernanda disse...

Olá Gustavo !
Adorei tudo aqui ! vou ficar ...
Obrigada pela visita !
Sucesso sempre !

Beijos

Menina descalça.

Papagaio Mudo disse...

Oi Fernanda -
menida descalça,

Fique à voltade! vou te linkar, ok? gostei do seu espaço.
Abraço grande,

Gustavo

Karla Oliveira disse...

Deleuze falou sobre ele... tinha
ficado curiosa e até anotei seu nome, então, eis que ele aparece aqui!

acho que nossos pensamentos estão coincidindo.


b

Karla Oliveira disse...

que foto é essa?

Blue disse...

Interessante teu blog. Layout em alemão!
Quanto as músicas, gosto sim, se bem que nem sempre lá aparecem meus gostos pessoais, mais é para "complementar" com as palavras. Acho que fica legal.
Abraços

Papagaio Mudo disse...

é o lendário James Dean! que resolvi encarnar. O rebelde sem causa, o galante desbravador de corações, o herói, o centro das atenções, aquele que morre primeiro nas tragédias gregas, o cafajeste inefável, inconfundível como Chet Baker, Arthur Rimbaud, Brad Pitt...

Papagaio Mudo disse...

oi Gi,

...nunca esqueço de você!
abraço,

Gus

Papagaio Mudo disse...

Encantador, delicioso, inebriante...



modesto

Repositório disse...

Olá! Volte sempre ali no meu cantinho... é bem diferente do seu.
Adoro poesia!
Um abraço

as viciadas disse...

apareça mais vezes.
ainda que não tenha tempo de comentar.

;D

beijos, L.

Rosie Dunne disse...

bem bonitos estes poemas

Angel disse...

Olá Gustavo
Eu sou brasileiro
porque achou que eu fosse argentino?
abraços

estela disse...

Gustava,
cê não vai de volta ler as respostas aos seus comentários? fiquei à tua espera ;)
bom, então a montanha sobe aqui: resposta à pergunta "de onde você é mesmo?" somos vizinhos eu acho.
áustria e alemanha! :)
portugal e brasil
:)

Gisele Freire disse...

...eu tb nunca esqueço de ti my friend!
Teu espaço é dos meus preferidos, minhas emoções aqui são diversas e meu coração bate de verdade. Vc é um grande escritor Gus, já disse que sou tua fã !
bjs
Gi;)

.::Li::. disse...

Não conhecia Ossip Mandelstam...fascinante!!!

Aliás, muito bom o seu blog...ganhou mais uma seguidora!

Bjs e bom finde!

*Devaneios do eu-lírico*

BAR DO BARDO disse...

boa dica!

Papagaio Mudo disse...

mais uma citação...