quarta-feira, outubro 07, 2009

Branca Luz do Dia

"Prudência é uma solteirona rica e feia cortejada pela Incapacidade"
Willam Blake - Provérbios do Inferno


Ou
A Batalha Continua nesse Quebra-Mar

São Petersburgo, 1903. Afundamos e agora sou mestre em escapismo. A coisa vai punk lá fora. Se você for capturado na rede da vida, na envolvente trama, cubra-se de lama. A noite é mais sombria um pouco antes do amanhecer. Hora propícia para fugir sem olhar pra trás. Mas as pessoas caminham para o trabalho. Quando de repente, acidentes... O lugar para onde todos os fugitivos vão, em busca de si mesmo, e ambos saem rolando como um pacote de plástico, U.S.A. Não adianta chorar o leite derramado. Testando os limites do meu crânio, passei pelo canal vaginal que liga ao Brooklin Park, enquanto um menino brinca sozinho. Ficávamos sozinhos juntos, em silêncio. Nas veias da ponte do pôr-do-sol recitamos junto o Poema em Re Bemol olhando as vias rápidas, tornou em cinzas algum lugar distante que Robert Moses removeu. Não há mais pessoas, não há mais calçada nem terreno baldio, parasitas assassinos, não há mais meninos andando, nem barracos-de-beira, o santo, o monstro, Aranzel e Ahriman removeram toda a poeira. Isso me lembra aquelas fotos explorando-a-miséria-alheia. Dimitri apaixonou-se por uma enfermeira alemã, recém chegada da Ucrânia à américa. Dimitri tinha sido meu tanto quanto fomos dela. A noite é um pouco mais sombria antes do amanhecer. Depois que se passa por ela é cada um por si, nos dedos negros de um Molok ardente entre óleo e chamas... São meus signos, sigo meus instintos. Na volta ao Brasil, Agripino disse-me como é impressionante ver como se expande e quase instantaneamente as palavras começam a transbordar, criam seu próprio mosaico numa tarde congelada entre nós as coisas vão muito sem rumo quando mergulha suas ideias. Não é quem eu sou por dentro que me define, mas por dentro não há nada, apenas um peso imenso e a alma - um conto de fadas. Então minha língua encosta nas delícias do seu corpo e deságua no mar sem verbo, sentindo o cheiro de vida, tentando de certo jeito antes da-tardinha. Die Wolgeratenheit, a vida que deu certo. Veja bem meu bem, no meu carnaval eu te lambo toda toda arrepiada você faz igual. A estrela da manhã não nasceu nesse dia, esse dia não nasceu nesse navio e quando a noite se pôs, havia um espaço vazio entre nós. Anseio de sintonia, luz branca do dia, juntos ficamos em silêncio. Silencioso, penso...
Boris

7 comentários:

BAR DO BARDO disse...

A luz grassa...

as viciadas disse...

A noite é mais sombria um pouco antes do amanhecer. Hora propícia para fugir sem olhar pra trás.

PERFEITO.

tudo que você escreve aqui é densamente perfeito.


beijones, L.

Luiza Gannibal disse...

Amei... "Peter, 1903". É bom saber que nesse marzão alguém supimpa às vezes pega a mensagem na garrafa, né? Eu não sou paulista, sou carioca, mas moro nesse inferno. Eu e Tolsta - imagine. E tb sou jornalista. Hahahahaha. Bjks... Vê se aparece. E add me no msn se tiver: luizablue@hotmail.com
Lu

Papagaio Mudo disse...

Viciada L,

adoro uma hipérbole!
mais que perfeito!
obrigado,

Gustavo

Papagaio Mudo disse...

Luíza Gannibal - Cannibal


supimpa...


fazia anos que não ouvia essa palavra

obrigado


Gus

Luiza Gannibal disse...

Hiperbólica total, já dizia o frade. Bjs!

Papagaio Mudo disse...

você elevou a palavra agora, Luíza.

viu? pessoal, eu sou


SUPIMPA
(s.m. muito bom, excelente)


ganhei meu dia hoje, aproveitando o lance de jargão...