quinta-feira, outubro 29, 2009

Dr. Fraseado


Agora sim, um nariz de pinguim. Já não andei léguas nem chupei línguas não lambi pregas nem vulvas não peguei as uvas, porque elas estavam verdes. Agora sim não tenho nada a temer, senão a morte. Mas enfim, o quê nos impulsiona a viver, senão a morte? Tópicos, psicotrópicos, adrenalina, barbitúricos, alcalóides, alucinógenos, paroxetina, fluoxetina, efedrina benzedrina, choques de insulina, paroxítonas?, vogais?, paradoxos? Nada faz sentido percebe?, nada significa sem você aí, do outro lado da linha. Faço-te sentir menos sozinha. Quando o encontro de palavras significaria menos do que as tônicas vocais de Artaud evocando um mantra shamanístico. Artaud, pelo que eu entendi, disse-me que Deus nos coloca dentro desse corpo em que fomos obrigados (ênfase nessa palavra) a dar cuidados físicos e mentais, a evoluir entorno da realidade que nos cerca. Mas qual entorno? qual realidade? Em volta de quê senão de mim mesmo? Amor? Não sei o que cada um, nem minha companheira, nem minha mãe, nem a possível pessoa mais ou menos próxima objetiva. A cada segundo, micro-milésimo de segundo, essa contagem inútil, a quântica Teoria do Caos diz que nós mesmos influímos sobre o passado e um dado futuro sobre o qual sou quanticamente incapaz de explicar, não sei, não sei o que é não, sei qual futuro é esse, pois é preciso conceber a matéria metafisicamente. Putz. Não deve ser tão difícil, pensando que os astrofísicos o fazem. Imaginar ser real coisas imagináveis. Inimaginável?, real?, ainda somos escravos da terceira dimensão. Já estamos mandando informações para a Bolas de Valores, através de mega computadores,em velocidade gigantesca. Eu pergunto, existe ainda tempo? Pode ser, mas essa, considero uma das provas irrefutáveis de que o Tempo pode ser programado para ser micronizado. O que a filósofa sul-africana, Ouka Lelee chamou de super-rapid-delay – que traduzido “ao pé da letra” seria super-rápido-atraso, mas perde o sentido do que pretende dizer. Pois é então. Fazer que o futuro chegue logo nem sempre é solução. Quando assim um novo cotidiano se descortina a sua frente, seja de crise ou seja de bonança, sua mente muda. Se você não se despe for dento diariamente, consegue conviver com o próximo. Verdades e realidades mudam. A linha tênue, frágil, quebradiça e retrátil de realidades muda a cada instante e repentinamente bum! Chegou o Tempo, foi-se a hora. Viveu até morrer. Como? Aí mora o julgo divino ao qual Artaud nos alertou. Imagino o mundo sem os mórmons mas não consigo imaginar um mundo sem os Momos e o idiota de aldeia... não seria mundo. Uma saraivada de palmas ao humor.

10 comentários:

Papagaio Mudo disse...

não vendemos fiado












































































favor não insistir

BAR DO BARDO disse...

VIVA A FOLIA MOMESCA!

Marcelo Novaes disse...

Crônica em prosa poética.





BOM!







Abraços,










Marcelo.

Papagaio Mudo disse...

oi Marcelo,



Obrigado pela visita e pelo elogio. Viva a cultura momesca...
Viva!



abraço






Gustavo

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Pintou um super-rápido-atraso, tudo que eu poderia dizer, sei lá, sou loira, de óculos escuros, e me enfiei a ler Erasmo depois de ontem, ver se entendo mais dessa humanidade, eu, tão venusiana, abdicar da grana e da fama, ah Erasmo me conta, pra quê mesmo? Existe então a tal consciênca, e nas noites que morremos um pouco mais, existe conforto na companhia da consciência? Sorry, o post é teu, não meu. Mas vc provoca, e muito. Suo lágrimas te lendo. E concordo entredentes.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

rsrsrs
posso pagar amanhã?

Papagaio Mudo disse...

Sua conta vai ficar cara,

mas suas plavras de venusiana já te dão um créditozinho na casa. Sabia que eu sou cavalo de madeira? sou de 78, praticamente um bêbe... os cavalos saem tropeçando pela vida afora, cortando mato, rompendo fronteiras e cercas-arame-farpado, de qualquer jeito chega-se lá. Não de um jeito qualquer.
Some não.

Gus

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Pois seu cavalo de madeira, eu sou de 54, cavalíssima de madeira, como uma porta mesmo.
Mas se vc quer fotos sem óculos, coisa que uso sempre, diga-se de passagem, veja lá:

http://walkyria-suleiman.blogspot.com/2009/06/espelho-fotografia-reflexo-e-ponto-cego.html

aliás foi no mesmo dia da foto do slide show
Sumo não.
Sumô!

Papagaio Mudo disse...

Walkyria,

belas fotos!
eu pegava...
beijos,


Gus

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Pegava né, mas vc é vegetariano filho!
Olha deixa te dizer que estes dias eu tenho cantado, na minha mente, essa música.... na voz da Maria Be(s)tânia...parece um pesadelo. Agora vejo escrita aqui. É forte, dilacera mesmo esses labirintos. Acabo o dia rodeada de insetos.

E tem aquela...quando vc passa 3, 4 dias desaparecida, subo desço, desço subo escadas....