quarta-feira, outubro 28, 2009

Elogio da Loucura

“O Brave New World,

That has such people in’t”

A Tempestade - Shakespeare

0000

A loucura é aquela que mais se aproxima da ignorância humana. Aquela mesma que nos leva a ter fé e acreditar em mitos como a bondade humana. Uma loucura que até chega a ser inofensiva, que torna a vida minimamente mais agradável e o mais condizente possível com nossas aspirações mais alegres que deixamos na infância. A loucura, indignada com a abstenção de elogios a seu respeito, resolve por fim, elogiar a si própria e mostrar o quão presente está na vida da sociedade. Versando sobre os mínimos detalhes das ações humanas, ela mostra que está mais presente do que se imagina e revela-se de tal forma necessária e sedutora que acaba por atrair até a mesmo a sua simpatia. A loucura diz habitar o casamento, os filosofia, a ciência, as artes, a religião. Em ousada atitude, diz-se, inclusive, regente dos governos, da formação das cidades, das relações humanas e do senso comum. Diz que boa parte da sociedade tal como ela existe em seu tempo devido a sua presença. Os juristas, ao criar centenas de leis sem se preocupar com a relação que existiria ou não entre elas, estão embebidos na loucura. O aspecto encantador das crianças, que retarda todos a sua volta. A busca do jovem pelos prazeres da vida, a busca incessante por verdades e o “complexo de sábio” dos filósofos, as tentativas ridículas das mulheres para atrair os homens, a ignorância, a esperança, enfim, tudo isso existe graças à nada modesta loucura.

G.

00000

(Escrito em 1509 por Erasmo de Rotterdam e publicado em 1511, O Elogio da Loucura é considerado um dos mais influentes livros da civilização ocidental e um dos catalisadores da Reforma Protestante.)

10 comentários:

Luísa disse...

De poetas e de loucos temos todos um pouco, diz a sabedoria popular.
A propósito do comentário deixado ontem no olhardeperto, há uma dúvida por esclarecer. Quer lá voltar para responder à pergunta lá deixada por uma amiga delicada e atenta?
Obrigada

Selena Sartorelo disse...

Olá,
A loucura ardila com tanta competência que ousa o inimaginável temor da crença e sua real existência.

Vim até aqui com o intuito de avisá-lo sobre a pergunta que fiz lá no blog umollhardeperto, pois acredito que o senhor não retornaria para respondê-lo e não queria ficar com a essa questão em aberto mas vejo que a Luísa já o fez. Obrigada Luísa pelo aviso dado.

Maira Ferreira disse...

Oi,
Demorei a responder, por que só agora vi seu comentário =/ Foi Mal...
Em primeiro lugar, obrigada pela visista. E sim, um origami atravessa o atlantico, se embalado corretamente.
Adorei seu blog.
Continue nos visitando ;-)

Clara disse...

Abster-se da realidade com a pretensão de um dia desconhecê-la me parece algo extremamente sensato para quem procura continuar habitando por muito tempo neste plano, "por que de outro jeito a vida não vale a pena".
A música: http://www.youtube.com/watch?v=HzZWrvWxBk4

Ps.: Pessoa de bem... quem, eu?

Adriana Karnal disse...

gosto muito do elogio a loucura...todos temos um pouco afinal...

Selena Sartorelo disse...

Olá Gustavo,

Quanto a sua esclarecedora e inteligente resposta escrita lá no possibilidades eu agradeço muito a sua atenção e sua real intenção.

No que refere as outras questões opto por respondê-las quando os posts abordarem esses temas...são questões vastas e cada aspecto merece uma cuidadosa atenção para serem respondidas, então nessas ocasiões estarei prontamente favorável em responder. Se não terei a sensação de estar-lhe concedendo uma entrevista sem embasamento nenhum, compreende? rsrs Creio que meus pensamentos não são interessantes a ponto de lhe despertar qualquer curiosidade.

abraços,
Selena

Andrea disse...

Todos somos um pouco loucos, ou seria muito?

Aqui me alimento de sabedoria...:)

Bjo Gustavo

Gisele Diniz disse...

Bom, adoro seu blog, e indiqei no meu twitter :D

Papagaio Mudo disse...

oi Gisele,

obrigado.
abraço grande,

Gustavo

Papagaio Mudo disse...

oi Andrea,

Louco? eu?

:)