sábado, outubro 24, 2009

viver a vida

Marc Chagal - geburtstag

Acordo para uma nova experiência. O dia. Dia após dia vivo as infinitudes da solidão. Sinto um vazio pela orfandade de meu pai. Sua joie é minha tristesse na região mais dolorida do coração. Mas conservo esse vazio para mim mesmo. E parece que finjo o tempo todo, disfarçamos. Há anos o problema persiste. A congruência de encontros parece já impossível. Então cresce desordenadamente. Faltam lágrimas já desidratadas. Por baixo de um manto de calmaria, carrego toda energia que me falta, feito uma bússola. Então almoço o mundo, engulo a cidade em pedaços, depois de dois ou três cafés pela manhã. A vida é um esporte movido a veneno. Converso com esse vazio que se expande. Mi dice che è triste che crece e non abbiamo fortuna, caduto dal cielo per la paura, pedaço de merda. Solidão a qual as mulheres estão acostumadas. Eu, termino aqui. Boa noite e bom domingo.

17 comentários:

Papagaio Mudo disse...

onde você está quando você está onde você?

Bia Lelles disse...

Talvez o Ferreira não saiba que as donas-de-casa um dia foram poetisas e, depois de muitas louças e roupas lavadas, almoços e jantares, fraldas e noites mal dormidas, deixaram de ser. Mas aquele doce veneno que instiga a imaginação nunca deixou de correr em suas veias... E, um dia, elas podem furar o dedo com uma agulha de costura e levá-lo à boca, sugando a gota de sangue envenenado. Pronto! Eis que surge novamente a poetisa em suas vidas.
Também não sei o que será filtrado, não sei se sobreviverei ao dilúvio. Mesmo assim continuarei me intoxicando mais e mais a cada dia, entre louças e fraldas e noites mal dormidas, com esse doce veneno que corre em minha veias.

Beijo!

Papagaio Mudo disse...

oi Bia,

o Ferreira Gullar é um maturbador do século passado. Estamos no 3º milêmio ele ainda não sabe. Ou teima em não querer acreditar. É normal esse sudosismo... Anormal é amplificar a voz da ignorância como ele faz.

Beijo!


Gus

Baltezan disse...

Retribuindo sua visita. =)

Muitas vezes solidão é remédio e não veneno.

Papagaio Mudo disse...

obrigado por retribuir, é um gesto nobre.

tens razão, mas assim como nos olhos dos outros é refresco.

abç

G.

Papagaio Mudo disse...

>ºº<,,,,,,<<<

cat-fish

Papagaio Mudo disse...

>ºyº<

Koala...

Papagaio Mudo disse...

>ºYº<

Koala papi

Papagaio Mudo disse...

>-y-<

mami Koala

Nydia Bonetti disse...

Sei tão bem destas infinitudes, Gustavo... Tua escrita me impressiona. Tem a marca dos grandes e raros. Achei este texto brilhante.

Bom final de domingo, que amanhã uma nova experiência - o dia - nos aguarda. Embora pareça sempre igual é sempre novo... Abraço.

Lena, disse...

vc é um escritor de frases, hem !

"A vida é um esporte movido a veneno."
esportes radicais são os meus preferidos. hahaha

bj!

Papagaio Mudo disse...

Nydia,

Agradeço pelo incentivo que você sempre me dá. Obrigado por dizer-me que crio "sensações" e assim consigo me comunicar. A escrita, como você pode ver com o comentário da Lena, é feita de um senso-comum. Ela interpreta como quer e não analisa. Muito melhor assim, pois já não sou dono das palavras quando elas veem parar aqui. Por isso peço, copie minhas palavras... publiquem! deem vida a elas..! eu não me importo. Elas são o néctar da minha alma e eu as conheço a essência, ao domínio do meu estilo, suave e amargo, bom e doce, mau, perverso, menino, ambíguo, paradoxal e contraditório. Tento ser ético no day-by-day sendo coerente aos "bons" (senso comum) princípios. Mas aqui, sou ético somente a mim mesmo e a quem supostamente leia estes cacos tão pedidos de texto.
Estou repensando o que dizem:
"porque você não junta e faz um livro?" - uma inversão de "papéis"... Pois acho que "isso" já "é" um livro, um livro multimidiático.
A Modernidade ainda enxerga embaçado.
baci mile Nydia,

seu fiel blogueiro,

Gustavo

Papagaio Mudo disse...

Lena,

adorei o elogio,
eu sou um escritor de frases!

... e fases, mas quem não somos?
Beijos,

Gustavo

Deise Anne disse...

eu já lutei com a solução e fiquei dormente... agora ela bate e não dói.
boa segunda!

Deise Anne disse...

solução talvez seja o que estamos procurando... essa me fugiu inconscientemente...
quis dizer solidão.

Adriana Godoy disse...

Como diz o Bardo, Mestre Gus, um texto de primeira grandeza...Duca, duca, duca!! beijo.

Karla Oliveira disse...

lindo,
sds