sábado, outubro 10, 2009

memória afetiva


meu caro Joaquim,
Hoje eu acordei sem o som dos pássaros que tanto me enchem o saco pela manhã. Que sonhava minha alma, vez passada. Ao sul de mim mesmo, fluxo migratório de toda merda. Pesseguinho uma vez me disse que eles acordam porque os filhotes acordam com fome. Então voam pra buscar algum petisco pros pequenos desorientados, que piam sem parar num frenesi manicomial. Depois que a mamãe ou o papai passarinho volta, eles (e eu) voltam a dormir. Sem intenções de despertar para a vida... Sem a emoção dos grandes vôos e pretensões escondidas na casaca, ou debaixo da asa. Luz desértica. Tento pintar uma cena da desolação com que escrevo.. No Egito antigo acreditavam ser o coração o órgão que “pensava” e não essa especiaria chamada cérebro. Doce zero. Eu precisava de uma flor de mandacaru, mas feel so lonely é tradição - não adianta sofrer por isso. A dura realidade. A vida acontece sem ensaio, sem estréia, sem coquetel de boas vindas sem bodas de neném nem santo roendo a madeira do altar. Os fatos foram me atropelando e deixaram as pernas mais dormentes mais adiante... meu destino espera, me aguarda, tenho fé. O dogma é superar o perigo constante de todas as coisas que eu não concordo. Cada um com a sua moral e falta-me algo imaterial. Anuir ao fato de que pertenço ao mundo é o maior dos dogmas. O que me cerca. Na ponta da sombra morra a luz da minha esperança. Gota de orvalho que caiu noite passada. Sopro da humidade dos mares sobre a euforbiácea. Adaptada às condições severas na origem, singularidades e flores maravilhosas. Eu precisava flor de maracatu. Parece tudo distante. Aos olhos, verso agudo, verso esdrúxulo, verso obtuso. Parece estar ali, lá longe. E essa longuidão não existe. Eu tenho as palavras afiadas num dia de domingo, a prece. Parece que as coisas são insólitas, você parece irascível pareço distante let’s good bye mas good bye eu já fico, constantemente. O limite da espera quando a noite vem, reclamando a presença daqueles que aqui gorjeiam e não gorjeiam como lá.
Meu coração é minha terra
onde voa passarada
minhas asas meus anjos

um vôo pífio...

4 comentários:

Henrique Pimenta disse...

A sua literatura, Santo Gus, foi feita para ser sentida...

Papagaio Mudo disse...

é como vandalismo
repreensível...
é como faca cega
serve pra nada...

Papagaio Mudo disse...

mas sabe Bardo,

com a faca cega
vou vandalizar...


psycho-Man


Evoé!

Papagaio Mudo disse...

4
fier
Fear
fiar