sábado, outubro 17, 2009

O Grande Prêmio


A casa cheirava de álcool, da sala até a cozinha. Havia apenas dois quartos. No primeiro, ao lado do banheiro dormiam os três meninos. Na sala, quase não havia nada além de uma TV (sempre ligada) uma cadeira ao lado de um monte de roupas, e um sofá. No outro quarto dormia o velho e Tereza, uma jovem de vinte quatro anos que não se sabe como fora morar lá. Parece que veio como uma sobrinha do interior, mas de sobrinha rapidamente s tornou amante. Começou quando seduziu seu primo mais novo, James. Quando James disse aos mais velhos, a libido se espalhou pela casa, e o cheiro de sexo passou a dividir lugar com o cheiro de álcool que pairava permanentemente. A moça sabia gostar do cão vira-lata que vivia com eles - Lilico. A libido, uma vez no corpo pueril, fazia os meninos sentirem algo sem saber o que, um odor, ver de viés uma bundinha, uma calcinha secando no banheiro fazia os hormônios eclodirem no corpo todo. O mais velho deles tinha dezesseis anos. O do meio, quatorze, e o mais novo, o pequeno Jim, tinha apenas onze quando Teresa apareceu do Nada com apenas uma muda de roupa avulsa, mais nada. Guido, "o velho", disse que uma tia distante mandara a menina de um lugar desconhecido, com nome difícil. Guaraci-ci... Guará-cipê-pá... Guaraci-pê... a curiosidade dos irmãos não era muita e ninguém se incomodou com a chegada da moça, mesmo sem saber de onde ela vinha, quem ela era. No segundo seguinte, já havia trepado com todos os irmãos. Cada um sabia seu momento, não brigavam. Desfrutavam da generosidade espontânea daquela mulher que não se parecia nada com eles. O velho sempre chegava bêbado da rua, trazia só amargura. Essa amargura fez os meninos se formarem, entretanto, nas pequenas artimanhas de uma quadrilha, um bando, um "bando de bairro". Depois que o mais velho, o “Estaca-Zero”, também conhecido só por “Estaca” (conseguiu esse apelido porque sempre dizia que ia recomeçar a vida da "estaca zero", mas o apelido pegou mesmo, quando matou um guarda com uma estaca afiada de fazer cerca. Fincou aquele padeço de pau no corpo do homem que estava derrubado no chão. A estaca perfurou sua barriga e ele teve uma morte violenta, ficou meia hora sangrando e balbuciando e praguejando, antes morrer com aquela coisa na barriga. Ficou ali até o dia seguinte, quando começou a feder.)...


Louco Abreu



......................,,,,,,,,,,,..................................(continua)

6 comentários:

Raquel disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Desi disse...

continue!

obs.:
"Fincou aquele padeço de pau no corpo do homem que estava derrubado no chão."

Papagaio Mudo disse...

oi Desi,

vou continuar! não tem desfecho, mas tem alguns fatos que eu queria descrever...
abraço,

Gus

Papagaio Mudo disse...

veja a foto de Guido e tilly willy

Menina Misteriosa disse...

Hum... gostei deste seu estilo de escrever. Diferente. Perverso na medida.
Parabéns!
Gosto de vir aqui!
Beijos

Papagaio Mudo disse...

quero ser perverso além da conta, descansar o rosto sobre a desmedida perversidade. Onde mora um gôzo de molhado de chuva.

Evoé!