terça-feira, março 31, 2009

noites adentros

Em Campinas fui em busca do amor pela primeira vez. No fim das contas descobri a liberdade. O poder sobre a própria vida e o medo da morte. Andarilho, forasteiro, outsider. Sempre fui poeta de cafés. No Bar Esperança, no centro cultural Vitória, andava pelas beiradas. Vimos o Brasil ser campeão mundial de futebol em 1994. Andamos pelas ruas, fomos ao Zoológico... Promessas que fizemos entre os bares. Ficou gravado na memória. Voltei até sair novamente de novo. Morei em uma vila em que dividia um banheiro (sem azulejos) com mais dezessete pessoas. Isso mesmo, 17. Eram quartos minúsculos onde eu cabia muito bem. Éramos uma pequena tribo – com rituais de confraternização, de espera, com atos de solicitude e somente assim podíamos conviver. Lembro da loira que namorava o playboy da moto envenenada. Lembro da bicha velha que tinha um gato chamado Tom. Lembro do gerente-de-restaurante que morava no quarto a esquerda do meu. Lembro das meninas lésbicas. Lembro do doente mental que tocava violão e me ensinou a tocar “... o verme passeia na lua cheia...” Flores Astrais, e me ensinou também a fritar ovo na frigideira esquentando com uma vela apenas. Lembro, enfim, do cacique que me mandou embora. Fui morar em um lugar literalmente underground. Se, de uma hora pra outra, os raios se sol matassem, lá eu sobreviveria. Passava pela lateral do prédio, descia dois lances de escada retos, saindo virava à esquerda depois à direita, abria um portão e então chegava. Na porta dos quartos (ah, que tinham banheiro. Um luxo) que deviam medir uns oito por quatro. Excelente. Cabia uma geladeira cheia de garrafas de água. No quarto ao lado, morava um travesti. Fernando. Não tinha nome artístico. Aparecia nas colunas sociais (e tudo mais, é...) com o nome verdadeiro. Quantas vezes eu, de madrugada já salvei de se perderem boais, salto alto, peruca. Vi, por curiosidade quase infantil, pela porta entreaberta, aquela criatura louca, deitada, jogado, surrada de pó, do vodca, da noitada, na cama feito um boneco. Sem movimento. Havia deixado apenas seu rastro de acessórios.


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domingo, março 29, 2009

große Scheiße


Domingo, dia de jogo na TV. A seleção brasileira não jogou bem. O Gato Malvado, O Medo e A-Ponta-Dos-Dedos estão novamente no meu quarto. O fundo musical é Between the Bars, com Elliott Smith.
A-Ponta-Dos-Dedos coloca a maloca na cloaca loca.
O Medo aperta o botão do Pause e muda a música – Easy To Be Hard. Enquanto isso,
O Gato Malvado acende mais um cigarro.
O locutor na TV começa “Distribuição Tri-Star International.”...

________ Diz O Medo balbuciando. Se debatendo em pensametos.

O Medo – "Os detalhes e as informações sobre as mulheres estão em algum lugar inacessível do eterno." Esse filme deve ser bom...
A-Ponta-Dos-Dedos – Meu bem, você está fumando? Eu devia te esfolar, com seu estilo de unha um tanto retrátil, mas você quem manda, gatinho.
O Gato Malvado – Então pára de coçar os Olhos e coloca alguma música do Playlist pra tocar. De preferência um jazzinho

_________ A-Ponta-Dos-Dedos coloca Dexter Gordon na cachola. Pela miléssima vez.

O Medo – Calma gente, calma. Como vai ser amanhã? Não é crível que a Natureza tenha recusado ao homem esse meio que ela deu aos animais, essa faculdade de se queixar, de se contentar, de pedir socorro entre si, de convidar ao amor.
O Gato Malvado – Os amigos dos gatos e meus amigos do mundo inteiro me dão gatos assim. Em todos os casos, se eu estou antes deles, o homem vem pois depois de mim, mais tarde do que eu. Früher é o temo que Kant dá ao animal. Kant é uma das nossas principais testemunhas. Se liga!
A-Ponta-Dos-Dedos – E quem vai me lamber?
O Gato Malvado – A Língua?
O Medo – Não é justo. A gente fica aqui com você, te ajuda, te acompanha e até te faz companhia, e você diz pra gente ter Paciência? Eu já tô ficando cansado, porra! Quero me perder por aí, acabar com essa coisa que me sufoca. Eu te ajudo muito, cara, você nem sabe, mas esse Cérebro ditador surrealista...
O Gato Malvado – O que você acha? A Pantera começa a nomear meu olhar. Seu olhar, dessa vez, Sein Blick... e conversa comigo.

Jogado pelas laterais

Escrevo para passar as palavras que vieram parar nos meus pés. Estou amuado, acuado, jogado pelas laterais. Amargurado em ter que manter esse silêncio cheio de palavras. Vocalizo-as pra dentro, engolindo vento, doendo meu peito. O gato de Rilke, Schwarze Katze. On donne sa langue au chat? Sigo mais um dia e mais um dia e mais um dia. O golpe da despedida. Único último pecado. Um beijo desajeitado com lágrimas nos olhos. Vi a solidão do meu lado, vi o presente grego do passado indo embora em um carro negro. Certeza que você já esqueceu com certeza que os sonhos não eram apenas meus... não fui capaz de amar novamente. Eu mergulhava nas ondas, do seu cabelo dourado, inebriado pelo perfume suave e doce e erradio, beijava seu pescoço com desvelo, quando minha cama era uma floresta, quando um pequeno espaço no mundo, também era você um pequeno espaço do mundo. Convulsionada e calma transbordava. Entretanto minha alma se desfez, como pegadas ao vento. Até que virei o pó da prateleira e hoje sou arquivo morto. Antes que eu me perca, tentando de longinquamente flertar comigo mesmo, saudade é não saber. Tornou-se um deserto pra mim, e não mais reconheço a geografia do seu corpo. Não mais reconheço a mim mesmo. Gostava mais de você do que de mim. Gostava mais que eu pudesse esquecer que um dia quis ser muito feliz. Confinado por fronteiras do passado, isolado pelo preconceito de ser doido. Encerrado em mim mesmo ensimesmado. Emparedado, detido, fechado, capturado pela pálida aparência de um novo sonho. Tudo isso é também para mim um pretérito imperfeito. Para você, sem hipérboles ou hipocrisia, parabéns pelo gol de bicicleta, parabéns por atingir suas metas, alla tedesca.

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sábado, março 28, 2009

verbário

Confissões de um cunilíngue. Não consigo pensar nem escrever direito. Eu só estou com a vontade verdadeira ou semiológica de matar alguém. Deve ser a mim mesmo, foda-se Nietzsche. "Aquele que se rebaixa quer ser exaltado." Cala a sua boca um segundo, como o idiota associou suas palavras com a quinta sinfonia, não disse de quem, e com Dionísio na crista da onda. Conversa de surfista. Uma espécie de suicídio de momento. Matando o meu Eu antigo. Tentando lapidar uma aresta aqui outra ali, cada dia que passa. Meu novo Eu é invisível e indivisível. Está mas não está. Existe mas apenas coexiste. Coexiste com o mundo, mas é apenas uma relação, uma relação fria, distante, secreta, escondida, segura, anônima, anônima como você, anônimo. Então conseguir ficar e manter-se mimetizado. Meus porres são invejáveis, amigos singelos, sinceros na nossa alegre boemia. Andando pelas ruas da cidade, sem pressa, sem medo. Sentindo os ares da Praça da Liberdade, com suas árvores, com seus jardins, com suas fontes. Caminhando... Se me houvessem avisado, eu teria evitado. Ando a fugir de lugares onde eu possa te encontrar. Esqueço que agora sou apenas um que um dia fomos dois. A fugir de mim mesmo e seguir um caminho reto. Remando a favor da corrente. Pensava que saía para o mar aberto quando fui jogado de volta ao cais do porto. Lançado na lembrança e no esquecimento, pontes se romperam no caminho. Mas a distância afetiva é como ontem. Noites nos butecos de jazz madrugadas sem fim e o tempo pra mim parece que não passou. As horas do relógio são apenas um engolidor de minutos. Mudanças aconteceram, mas o tempo afetivo teima em continuar o mesmo. Memória, deixa-me viver, deixa-me esquecer, perdoa-me. Faz cortar os laços que me fazem criança nos seus braços. Faz acabar com a desilusão. A minha libido foi tomar um drink no inferno. Um tango rasgado. Meu pâncreas sentiu uma vontade enorme de matar ou de morrer. Vomitei meu passado em mim mesmo e vi ele fugindo de carro. Casa casa não tenho mais. Depois de dez anos fora, voltei a morar com os meus pais. Joguei e perdi o maior jogo da minha vida, e não era um jogo de xadrez. Tamanha minha insensatez. Fui fraco assim, assim tão desalmado. Como se esquece o passado? Vivo o presente, desejo um novo futuro. Até o momento em que eu deveria mesmo ser cego ou invisível. Um verbário. Calado, afônico ou monossilábico.

need a friend

How can people be so heartless
How can people be so cruel
Easy to be hard
Easy to be cold
How can people have no feelings
How can they ignore their friends
Easy to be proud
Easy to say no
And especially people
Who care about strangers who care about evil
And social injustice
Do you only
Care about the bleeding crowd?
How about a needing friend
I need a friend
How can people be so heartless
You know I'm hung up on you
Easy to give in
Easy to help out
And especially people
Who care about strangers
Who say they care about social injustice
Do you only
Care about the bleeding crowd
How about a needing friend?
I need a friend
How can people have no feelings
How can they ignore their friends
Easy to be hard
Easy to be cold
Easy to be proud
Easy to say no

sexta-feira, março 27, 2009

Between the bars

Drink up baby, stay up all night
With the things you could do
You won't but you might
The potential you'll be that you'll never see
The promises you'll only make
Drink up with me now
And forget all about the pressure of days
Do what I say and I'll make you okay
And drive them away
The images stuck in your head
The people you've been before
That you don't want around anymore
That push and shove and won't bend to your will
I'll keep them still
Drink up baby, look at the stars
I'll kiss you again between the bars
Where I'm seeing you there with your hands in the air
Waiting to finally be caught
Drink up one more time and I'll make you mine
Keep you apart, deep in my heart
Separate from the rest, where I like you the best
And keep the things you forgot
The people you've been before
That you don't want around anymore
That push and shove and won't bend to your will
I'll keep them still
Elliott Smith

bed girls

Garotas más nunca choram. Surgindo do nada Off White, fundo branco, nuvens brancas, enxergo sim, além do branco. Os alemães não choram, só os latinos imbecis. Então branca bela bacante bêbada ela me beija. E eu, sofro como um menino, um menininho... porra! Não consigo ainda distinguir o Eu do Nós.

terça-feira, março 24, 2009

Que Grande Merda


1º e único Ato.
A tríade, ouvindo o Opus 9 No.2 de Chopin, (pra variar) Noturno, O Gato Malvado, O Medo e A-Ponta-Dos-Dedos. Estão os 3 no meu quarto.

_______ Gato Malvado começa conversa.

O Gato Malvado
- Se não estivéssemos sós, onde estaríamos? Será que encontro alguma companhia nA-Ponta-dos-Dedos? Ou será teclando nessa página em branco? Vocês, que aqui estamos, desencontrados no tempo, será que um dia nos veremos frente a frente? Converso contigo, com vocês, converso comigo. Serei meu melhor amigo.
A-Ponta-Dos-Dedos - Vocês acham, eu acho, que esses caras nos fazem companhia? Miles Davis, Chet Baker, Coltrane, Dexter Gordon, vários outros, qualquer um que seja bom de se fazer ouvir. Aqui tenho um pedaço de uma música que diz "eu vou... esquecer de tudo, as dores do mundo...” poxa, na voz do Hildon, claro, não a regravação. Arranjos, que são a melhor metáfora para paráfrase, também podem ser bons. Gosto do que faz bem aos meus ouvidos. Detesto (sei que detestar não é um sentimento Bom) música pernóstica. Sabiam que a música também pode ser prolixa “e” pernóstica? De Lou Reed à Mozart, nada de ruim me engana, percebe?, gosto de Velvet Underground, apenas algumas músicas. Foi difícil decorar essa fala.
O Medo - Penso que os científicos deviam pesquisar nossos cérebros pra saber porque aquilo nos agrada, de modo geral, os ouvidos. Vários ouvidos de várias pessoas. Não só eu, mas como outras pessoas que só dormiam ouvindo canções de ninar... criando eternamente signos infinitos.
A-Ponta-Dos-Dedos - A questão é: o objeto a quem quero me referir, conversar, trocar idéias, está distante agora, no tempo e no espaço, para interpretar (interpretante), daquilo que digo: estou só. A mensagem (esse texto, que é objeto) vai chegar a vocês com certo atraso (signo interpretante, ou só signo), mas quando estiverem lendo, aí sim, vocês terão um cúmplice, A Qualidade. E ainda vão gerar signos infinitos.
O Medo - Data Venia mas, Kant contraria os empiristas que dizem: só se pode saber através da experiência. Só tocando, tateando, pegando...
A-Ponta-Dos-Dedos - Espera aí, quando você entra aqui cheio de si, como quem entra em um quarto, imagina (hiper-real) o que vai encontrar, não é? Você sabe que um quarto é quadrado.

_______ então finalmente O Gato Malvado dá um grunido, entra na conversa e fala, enquanto gargalha, se dirigindo aO Medo.

Gato Malvado
- estamos os três na
primeira etapa, aquilo que ainda nos incomoda muito. Mas passada essa etapa e a segunda, poderemos avaliar e dar juízo. Juntos, Eu, você e A-Ponta-Dos-Dedos. Não sei ainda se estar só é bom ou ruim ou mau. Ich auch. Respondi pra mim mesmo. Vamos ver a lua nascer às 4:44 of a dawn. Imnhau, grrrrrr. Em relação de semelhança, me digam por favor, com que ela se parece?

domingo, março 22, 2009

outuno

Murmúrio do vento, ares de chuva. Queria um afetuoso abraço confuso agora. Calor, porém a chuva refresca um pouco. Mais do que todas as nuances do mundo, mais do que o mundo. Subtraídas todas as irrelevâncias, o que restaria? Essa talvez seja uma revelação da sociedade pós-industrial. A roda ainda maquina sua traquinagem medieval. Os homens robôs são acordados em horários, comem e horários, dormem em horários. O ser humano pós-moderno irá fazer, criar, fabricar, construir seu próprio horário de criação científica ou artística. Ou mesmo trabalhos ordinários, comuns já se consolidam através da rede. O Tempo, afetuoso ordinário tempo, retumba papappa nas chacoalhadas notas do piano. Onde se tem onde gastar o Tempo musical, conduzido (muito mais bonita palavra) pelo compasso, andamento ou ritmo musical. Espero a chuva, mas ela ainda não veio. Talvez os fenômenos naturais sejam os únicos (e até eles) que poderemos programar e antever. O caos como movimento, não pode fugir do controle dele mesmo, pois está inserido em si. É como se meu cérebro se voltasse contra mim e decidisse comandar meu corpo sem a minha vontade. Se o cachorro interpreta uma mensagem, compreendo um signo energético (calor, odor, ruídos) e esse fundamento gera um signo interpretante, embora não valha para a semiótica, o cachorro “pensa”, produz um signo que pode ser transmitido para outro cachorro através de sinais. Símbolos, fome, raiva, status, afeto, medo. O animal autobiográfico pós-moderno. Você pode ler esse texto sem pausas, ou ininterruptamente enquanto a chuva se arma, se prepara se aproxima. Maravilhoso vagabundo não propriamente – homem consciente das coisas necessárias do mundo. Entre elas o l’argent. Vivo para isso, mas não por isso. Poder existir. Uma lambida, um afago, uma afeto me deixariam grato l’animal que donc jê suis. Eu também me referia a isso, enquanto ela se aproxima eu só queria um abraço. Mas como un pero molhado, vou deixar que ela me lamba, deitado lá no telhado. Trovão – índice muito conhecido no senso comum. Existiremos através de máquinas se deixarmos de ser a interface. Serei seu amigo fiel. Venha, eu te acompanho, eu te protejo, do Tempo das horas e do medo.

sábado, março 21, 2009

enfim

Você me tem fácil demais
Mas não parece capaz
De cuidar do que possui
Você sorriu e me propôs
Que eu te deixasse em paz
Me disse vá e eu não fui

Herbert Vianna & Paula Toller

Beco da Saudade

Está sendo difícil esse reencontro. Está sendo difícil aceitar-me de volta. Hoje, como em um solo de sax tenor, foi preciso expirar no ar todas as lágrimas que sobravam, expremendo fortemente os olhos. Esses eram os dias, meus amigos, que eu pensava que nunca acabariam. A arte latu sensu de estar só. Noites passei sem você. Noites passei mergulhado em minha alma, tentando saber o porquê de sentir-me tão só, sozinho. Na madrugada a solidão incomoda mais. A solidão é só nossa. Os anjos estão a sua volta, mesmo assim a solidão incomoda. É difícil aceitar-se de volta. Encaixar a alma no próprio corpo. Começo sentindo cada ruído do hipertexto. Ouvindo o vento balançando as folhas das árvores roçando. A brisa toca suavemente meu rosto. Ontem a lua estava linda com seu sorriso amarelo. Aproximei-me de mim, mais uma vez. Aproximei-me mais de mim. Estávamos brigados. Noites que passei sozinho, sem você, sem mim mesmo. Noites que passei exigindo a sua presença, e odiando. Portanto esse eu se afastou. Foi para longe de mim o eu Bom. Atento a todos os movimentos possíveis de captar. Fiz inimizades nessa cidade. Quando não consegui dormir aprendi a escrever. Eu sou um cidadão do mundo. O Cigano esteve aqui em minha casa e eu lhe presenteei com um quadro uma revista e uma cueca. Ele disse que não me preocupasse com a feição das pessoas que passam sem rosto. O resto é vida.
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sexta-feira, março 20, 2009

Weary blues so lonely

Greg Gossel
Enxergo a minha frente um horizonte vazio. Não quero que sintam piedade por mim. Piedade não é um sentimento nobre porque é dada com ares e sentimentos de revolta a quem recebe. Está escrito no livro sagrado dos católicos, ou simplesmente deduzo que Jesus sentido piedade daqueles que o atacavam, quando se dispôs a subir cada passo do calvário. Eles não sabem o que fazem. Santa Maria, mãe de Deus, fazei-me digno dos ensinamentos do cristo. Então, o que seria dos poetas? O que seria do amor sem a dor? Será que Descartes estava certo é o mundo é realmente dual? Não, Chico não sofra por amor, pois depois tu escreves essas letras que comovem as pessoas, pobres mortais feitos de sentimentos, lugar comum, nos atinge o ponto frágil, porque é frágil. Fragilidade, não fraqueza. Dizes o que queríamos dizer, mas não sabemos. Nos deixa vulnerável ao tornar dizíveis os sentimentos. O solitário escreve sobre a solidão, o confuso escreve confusamente, o apaixonado escreve sobre o amor. A felicidade é tão simples que as pessoas teimam em não querer alcançá-la. Nós os homens nós tornamos o problema mais do que a solução. As mulheres da pós-modernidade estão em pé de igualdade, sim, descobriram que para alcançar um lugar ao sol, infelizmente precisam priorizar suas vidas profissionais e acadêmicas. Ainda sim, tive uma professora que se tornou mestre na Sorbonne, em Paris. Sinto que com sua pouca potencia vocal, sua classe e elegância não faziam dela uma pessoa feliz, ao entrar na sala de aula lecionar para nossas cabecinhas tão cruas, quando ainda mascávamos chicletes. Eu hoje percebo isso, o carinho e respeito que deveríamos ter-lhe dedicado. Sobre a felicidade, Carlos Drummond de Andrade escreveu
Sobre mesa simples objetos
O amor, os filhos, os netos

quarta-feira, março 18, 2009

Para entender as mulheres

É preciso entender de borboletas, é preciso entender sobre as fases da lua, é preciso entender de beija-flores, é preciso ter um olhar holístico sobre todas as coisas sem coisificar seres vivos e tampouco dar vida aos inanimados, mas saber que mesmo estáticos todos participam de um movimento. Não circular, mas altos e baixos na régua da história. Personagens vivificam cena do príncipe, e a princesa espera cheia de melindres. Para entender as mulheres é preciso informar-se das nuances, dos matizes de cores, da mudança de luz. Uma mulher elegante, madura, equilibrada pode conduzir um homem. Ou não? Ouço Dexter Gordon e ele me diz deixa pra lá. Como aquela menina da sala de jornalismo cultural que sempre dizia alguma coisa em inglês. I’m a fool to want you. Segue. A verdade para a realidade como para a lógica como para qualquer logaritmo ou teorema concebido para conceber. Elas procriam, os homens preparam-se para a fase da procriação; sendo essa fase em que começar a cuidar e respeitar mais a si mesmos, a dar por si, sozinho no sambando no escuro. Vejo o Everest nas nuvens. Como é alto! and I’m not high. (Maybe a little bite)! Entender as mulheres: manual de sobrevivência na sociedade pós-industrial. Viver a aquela que é nomeada de pós porque sabemos que passamos por algo, mas ainda não nomeamos o algo (pós) que estamos vivendo. Não acredito nessa tal pós-modernidade, apesar de, anestesiadamente, ser um ser humano pós-moderno. Preciso entender a resposta para a pergunta que é ainda mais icognicível. Colagem de pedaços isolados, que juntos estão em harmonia plena. Um olho daqui um nariz de lá, sempre a sorrir e a piscar ao mesmo tempo. Junta os retalhos e começa a costurar. Olha pra câmera da verdade e fala todas as suas mentiras para os nossos telespectadores. Metáfora ou possibilidade?

Canção

O peso do mundo
é o amor.
Sob o fardo da solidão
sob o fardo
da insatisfação

o peso
o peso que carregamos
é o amor.

Quem poderia nega-lo?
Em sonhos
nos toca
o corpo,
em pensamento
constrói
um milagre,
na imaginação
afligi-se
até tornar-se
humano -

sai para fora do coração
ardendo de pureza –
pois o fardo da vida
é o amor,

mas nós carregamos o peso
cansados
e assim temos que descansar
nos braços do amor
finalmente
temos que descansar nos braços
do amor.

Nenhum descanso
sem amor
nenhum sono
sem sonhos
de amor –

quer eu esteja louco ou frio,
obcecado por anjos
ou por máquinas
o último desejo
é o amor
- não pode ser amargo
não pode ser negado
não pode ser contido
quando negado:

o peso é demasiado
-deve dar-se
sem nada de volta
assim como o pensamento
é dado
na solidão
em toda a excelência
do seu excesso.

Os corpos quentes
brilham juntos
na escuridão,
a mão se move
para o centro
da carne,
a pele treme
na felicidade
e a alma sobe
feliz até o olho –

Allen Ginsberg
Uivo e outros poemas (1953-1960)
Howl and other poems

Cake

segunda-feira, março 16, 2009

Mensagem


Desde que mudamos
transamos conversamos trabalhamos
choramos & mijamos juntos
eu acordo pela manhã
com um sonho nos meus olhos
mas você partiu para NY
lembrando-se de mim Bom
eu te amo eu te amo
& teus irmãos são loucos
eu aceito seus casos de bebedeira

Há muito tempo tenho estado só
há muito tempo tenho estado na cama
sem ninguém pra pegar no joelho, homem
ou mulher, pouco importa, eu
quero o amor nasci para isso quero você comigo agora
Transatlânticos fervem no oceano
Delicadas armações de arranha-céus não terminados
A cauda do dirigível roncando sobre Lakehurst
Seis mulheres nuas dançando juntas num palco vermelho
As folhas agora estão verdes em todas as árvores de Paris
Chegarei em casa daqui a dois meses e olharei nos teus olhos

Allen Ginsberg

Uivo e outros poemas (1953-1960)

Howl and other poems

domingo, março 15, 2009

Pinhole Cafe

Acordo pela manhã com um sonho em meus olhos. Mas você não está presente. A imagem torna presente o que não está presente. "O homem tem a capacidade de anular a distância temporal. Para isso dispõe de imagens que fazem (imaginação) ou que ele mesmo produz (técnica). Uma lembrança é um indício de uma pessoa. Um retrato é a imagem de uma pessoa. Se pronuncio seu nome (linguagem) é um símbolo daquela pessoa. Os indícios são sinais que remetem naturalmente à coisa ausente porque são elementos isolados que pertencem à essa coisa. Enquanto imagens são representantes da coisa ausente e estão em relação de similitude e semelhança com ela. O sistema sonoro facilita a troca de uns pelos outros (pensamentos). O sistema visual facilita a representação coletiva. Uma imagem é suficiente por si mesma. A palavra jamais o é. O que explica o poder de captação da imagem sobre o homem não são suas virtudes e sim, seus defeitos. A imagem ignora o conceito. Ela é racional. No entanto o que ela mostra nada pode dizer. Ela conhece apenas uma maneira de faze-lo: a afirmação. A imagem ignora a negação. O defeito da imagem tem uma contrapartida positiva. Se ela não pode dizer nada, ela diz melhor o é. Dizer "isto não é um cachimbo" (texto do pintor René Magritte) é dizer com o texto o que a imagem não pode dizer por si, pois a imagem não pode dizer a negação, como também não pode dizer dela mesma que é uma imagem e que não é portanto o que ela mostra. A imagem conhece só um modo gramatical: o indicativo. Ela ignora as nuances do subjuntivo ou do condicional. É, jamais se ou talvez, defeito do qual ela ainda tira forças. "É isso, é exatamente isso". As mais finas argumentações podem ser refutadas mas nada podem contra a prova da imagem. A imagem está sempre no presente. Ela ignora passado e futuro. Platão diz que frequentemente criticamos a ilusão (portanto, a imagem). O homem confunde a imagem com a realidade. Durante a história antiga e medieval, as imagens sacras eram transparentes porque eram potentes. Acreditava-se na personificação da imagem. Acreditava-se na representação do real com real. Houve um dia em que essas imagens começaram a ser visíveis, começaram a ficar um pouco opacas, começaram a se mostrar elas mesmas. É o nascimento da arte. No momento em que as imagens se tornam artísticas, a arte se apoderou das imagens. No começo do século XX a arte abandonará as imagens, deixaram de ser inteiramente transparentes, mostraram-se elas mesmas. Tornaram-se mais opacas na forma de reconhecer um determinado autor, de como ela foi feita, etc. Uma imagem opaca ao mesmo tempo em que mostra alguma coisa, mostra-se a si mesma. Uma imagem é opaca se não apenas representa alguma coisa, mas se representa a si mesma como imagem, quer dizer, como representante; se enquanto ela mostra aquilo que representa, mostra que ela representa determinada coisa. "O próprio autor dessa presença está ele mesmo presente na imagem". A imagem sozinha é nula de conceito, é irracional. Somente afirma, porém nada pode dizer."

Francis Wolf

Então diante do espelho,

__ Bom dia, eu.

__ Bom dia.

__ Bom dia, inspiração - e ela responde

__ Bom dia, Gustavo.

Samba & Amor


Dezdesejos

Loose Walk
or Walk Loosely.
Caminhando perdidamente. Também sei que aqueles que me detestam vão se deliciar ao ler esse texto, algum prazer mórbido. Cada um, que anda mais perdido que eu, pensa encontrar em si a satisfação de viver. Estive perdido. Na sexta-feira, último dia útil da semana (como se os outros fossem inúteis), tomei um porre de poeta. Adiantou? Sim, acho que todo porre homérico é como o fim de uma grande epopéia. As time goes by. Enquanto o tempo passa, 1.queria passar por baixo dessa onda, atravessar a corrente e seguir à deriva pelo oceano. Sei que o Velho Mundo me aguarda e que lá eu chegarei um dia. Mas no momento meu desejo (porque tudo é sonho) 2.uma cabana em Cabo Verde. Lamento de um pescador, mas quem se lamenta mesmo é a ilusão do pescador. Ilusões são como coisas inatingíveis? Não sei viver de ilusões, por isso transformo as palavras em sonho. 3.Desejo uma vida simples, 4.um coração acalmado, 5.minha alma tranquila, 6.minha mente vazia. Sinto-me vazio. A semente vai apodrecer e morrer. Assisto a um filme idiota na TV. Dou risadas idiotas também, mas a vida continua a mesma. Porres homéricos são um recomeço. A chance que dei-me de aliviar toda angústia crescente. Dou-me de presente um lânguido adeus ao mundo, o que os franceses chamam de La belle mort numa esquina qualquer em qualquer calçada. Meu desejo? Talvez porque tertúlia, esse encontro de artistas, rima com penúria,
desejo defagulha, lamúria de um Tertuliano. Travel au le mond. 7.Desejo amor com rima pobre. 8.Desejo que minhas costas parem de doer, porque ainda sou muito jovem. 9.Desejo que a noite chegue logo, que esse calor imenso dê uma trégua, desejo que chova em um só desejo. De quem é a culpa do dia ou da chuva? 10.Desejo encontrar o que alguns já encontraram: paz interior, paz de consciência, paz de afetivagem. Construo um elefante com meus próprios recursos. Para todos aqueles que se sentem a pessoa mais só do mundo.
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quinta-feira, março 12, 2009

Chuck


F4b sem você

Minha cama está vazia. Deito na minha alma e você me ama. Deixo meu corpo voar em sua direção, embora não saiba o rumo ao certo. Conhecem tantos prédios tantas ruas tanto trânsito tanta fumaça tanto espanto e caos tanto pop um tanto vazia, pós-moderna factory nada de novo acontece. Quero um pouco do paraíso. Preciso navegar nos meus sonhos e encontrar algo de real. Arrancar as pequenas raízes que começam a brotar no solo sobre mim. Eu quero o mundo quero você quero a felicidade quero estar onde eu prometi estar quero ajudar a quem prometi ajudar, mas escolhi o caminho difícil. Meus planos são íngremes como subir uma montanha. Sinto-me cansado, pois acabei de cruzar uma montanha e atravessar o longo vale das minhas trevas. É como não ter nada sobre os pés, em um lugar onde não se desejava estar, que de súbito flutua sem se dar conta. Eu que aprenda a levantar. E agora tento, na linha entre choro e riso. Agora, menina vai delimitar bem riso & choro. Porque nada ficou pelo ar nada ficou por dizer nada sem tudo que há, se falamos ao nosso íntimo. Nada é tudo que tenho a dizer. Desejava um sorriso, sim se desejava. Mas nesses tempos, o máximo que consigo é sorrir de lado. Vou pra cama sozinho, ardendo de desejo. Desejava um beijo, um beijo real, desejava sua pele, desejava sua cama, sua serenidade, desejava. E juntas, nossas almas iluminadas cheias de sossego à luz do sol que descansa no mar. Sonho com essa brisa suave. Sonho com outros ares, pois esses estão a me sufocar. Então respiro fundo e peço a energia curadora das florestas amazônicas e uma luz verde inunda meu quarto de paz. Eu quero um pouco do paraíso, mas até o paraíso cansa. Imagino se dá pra pescar, pescar mais essa ilusão e por quanto tempo. Sou então um grão de areia que se apaixonou pela lua. Despida de luz se esconde no céu, se esconde de mim. Voa ó vento divino. Sabe como é, é como se meu avião pudesse cruzar o oceano, mas não há combustível. Então vou remando cada dia nessa terra árida. Embriagado pelo algo que todos sofremos, certa nostalgia. Minha cama está vazia e estará amanha e depois de amanha e depois. Zero hora um nada se enche de sopro no som do sax tenor. Vou pegar um café, fumo mais um cigarro e vejo a cama em que estarei de olhos fechados no escuro. A lua brilha lá fora. Procuro algo – profundo mergulho no inexorável festim do tempo. Parece que as horas não passam e já não tenho mais passado. Fui apagado da memória e também quero varrer da minha mente todo lixo que me incomoda nessas noites quentes. Desejava dizer objetivamente o que desejo e não ser tão prolixo, mas minha bússola está em parafuso, e cego sigo somente um mesmo rumo. Sem indagar, sem lugar na fila, sem pretensão sem disputa de rivais sem sobrepor nenhuma metafísica. Derivações do quinto sentido.
__ Faz-te a vida – ela diz.
__ Só um instante. Estou a ler as três Críticas de Kant.
Em breve eu termino. Dois anos, imagino. São duas bolhas que estouram no ar, mas até lá o ar não se dissipa. O vento não vem varrer meus miasmas e continuo a ler. A solidão que assustava tanto, vem me ver, mas já somos amigos. Menina, não venha me roubar a dor e as lágrimas. É único vulto do retrato de mim mesmo que ainda tenho. Sim, estou pronto, eu acho, para encher nossas taças vazias e brindar. Brindar apenas por mais um dia que nos aproxima ou nos afasta um do outro, para nos reencontrarmos numa esquina. Capaz de não me ver, mas eu estarei por todos os lados. Se não me reconhecer ou souber que não sou. Reencontramos um dia do passado. Penso com o coração. Porque eu sou tão dramático? responda você. Sou apenas a estrutura mental da minha imagem. Cada um dá um sentido à
própria vida. O meu é amplo e nenhum. Quero viver o presente intensamente, e não dessa forma monástica e ordeira. Mas só consigo pensar no futuro, brevissilencío. Uma longa tarde a olhar o céu e as nuvens. Sonho acordado enquanto leio. Quero fazer você me amar e te amar também docemente se nesse sonho eu me iludo e acredito. Meu mundo começou hoje. Tranquilo como no primeiro dia da criação, ou no último. Sem alucinações. Um dia vou de vez e talvez nunca mais volte para os meus que já não me pertencem. Pertencem a seus próprios mundos particulares e seus próprios futuros. Quero o amor, nasci para isso, quero você comigo agora. Quero arrancar as raízes desse tubérculo rizomático que teima em crescer. Dance me to the children who are asking to be born…

quarta-feira, março 11, 2009

A vingança

Quem criou o Dia Internacional da Mulher?

1) Foi o sindicato dos motéis?

2) Foram as joalherias?
3) Foram as floriculturas?
4) Foram as lojas (ou fábricas) de eletrodomésticos?
5) Foram os salões de beleza?

Neste dia do ano de 1857, as operárias de uma fábrica têxtil de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reinvidicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias que, nas suas 16 horas recebiam menos de 1/3 do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde então se deflagrou um incêndio e cerca de 130 mulheres morreram queimadas.
Em 1910, em uma conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido em homenagem àquelas mulheres, comemorar o dia 8 de março como Dia Internacional da Mulher. Um ano depois, em 1911, a UNESCO dispos em documentos a data a nível mundial.
roserouge Quem criou o dia internacional da mulher deve ter sido um cabrão dum filho da puta machista misógino asqueroso, que não tem qualquer respeito pelas mulheres e que não deve ter tido mãe a sério para lhe dar duas lambadas bem assentes nos cornos quando ele se lembrou de tal coisa.
...e o mistério continua.

domingo, março 08, 2009

Loveland


Prognóstico. Esse é o dia, meus amigos, eles acharam que nunca acabaria. Decidido a sair do monastério, o guru de pijamas veste a roupa. Andar pelas mesmas ruas respirando o que chamam de vida. Sonhando acordando, calculando cada passo antes de avançar demais em sua direção. Nós viemos aqui pra chorar ou pra viver?
É preciso passar o arado sobre a ossada dos mortos. Os pássaros cantam, mas as folhas das árvores não se movimentam. Pelas ruas... de volta à minha célula, meu DNA. Tenho vista para a montanha coberta pelos prédios. Talvez o início, o auspicioso início de uma grande ilusão. O fim de uma triste despedida. Enfrento o papel com riscos e rabiscos. A proximidade me distanciou das pessoas que mais gostava. A distância preserva a imagem do mito. Preencho minha ficha médica. Paciente, data do nascimento, horário. Embaixo está escrito – História Clínica. Não sei o que estou fazendo aqui nessa sala de espera. Sim, esperando. Podem me dar um incentivo? Um café. A menina me deu um cigarro superlongo ultrafino. Na pós-modernidade, tudo que é metafísico se solidifica. Tudo que é profano será consagrado. Existem várias verdades pra mesma mentira. Verdades e mentiras juntas no mesmo postulado. Boca nervosa, um soco na buceta. Primeiro beijo na boca, primeiro tapa testa, primeiro chute na bunda e a quinta mulher que não presta. Somos um grupo de individualistas. Domingo, dia internacional da mulher dia de sol de recomeço dia de vida dia morto. Sobrevivo das falas amorfas. No páreo pelo pódio que entorpece, meu falo foi sua desculpa feminista para o estresse. Vou-me embora para Loveland, país do futebol, tudo termina empatado onde ninguém marca gol.

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sábado, março 07, 2009

Kuss


Clichê, mas nada impede o amor. Nenhuma grade, nenhum caos. O beijo, no meio da cena de multidão de tumulto, representa isso. Imagens Vs. proposições. Nada pode impedir que a minha energia boa nesse dia, chegue até você. Não captamos o mundo exterior diretamente, mas construímos representações mentais. Você formou um modelo mental dessa imagem. A proposição verbal é necessária? não precisa responder, você já deve ter respondido a esse estímulo em mentalês.
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sexta-feira, março 06, 2009

o sol

garota, obrigado! você está fazendo meu coração sorrir. Ah, não vou parar de escrever. Essa sua foto é linda, como você.
"Venha quando quiser, ligue, chame, escreva - tem espaço na casa e no coração, só não se perca de mim."
Caio Fernado Abreu

quarta-feira, março 04, 2009

engolindo vírgulas

Para ler ao som de Dexter Gordon

Lindomar disse:
__ Bonita montanha.

Quando não pude mais dormir, aprendi a escrever. Já não consigo dizer palavra. Embora eu diga isso e esse muito seja tanto, no fim não há assunto, no fim é tudo sobre mim mesmo, no fim não disse nada. Não sei o que querer escrever. Sinto que minha cabeça ainda está cheia e meu coração vazio. E tenho medo que essa seja uma característica do comportamento pós-moderno. A quantas anda? Perdido no deserto das idéias. Meu cérebro encolheu duas vezes de tamanho. Die Zällen a contagem de neurônios foi feita na escala de Hoffman. A janela em busca de inspiração. De repente parece (eu sei, apenas parece) que tudo parou. As nuvens não se movimentam porque não há vento em minhas retinas. Venta o meu pensamento, venta o calor que faz aqui dentro. Vês? como não há nada a dizer? A gastrite e o sono mal dormido, ó anjo psico-analisado, me devolva tudo isso. Ninguém me liga ninguém me telefona, ninguém quer oi ou adeus. Parece que tudo parou, escrevo amargurado, sem o grande desejo da vitória, sem o grande medo da derrota. Quisera mesmo a Esperança ter deixado escapar da caixa de Pandora. Sem a ilusão dos sentidos, sem a realidade dos sentimentos. E ainda sim tomar um café gelado e escrever. Chegamos juntos à conclusão que o nosso fim (filme) já passou... seguir viajem.
__ Onde fica a próxima estação?
__ Por quê? quer descer? a próxima estação fica – e foi elevando a voz - onde o destino te guiar – concluiu o anjo.
__ porra! e o quê que eu faço até lá !?
__ Ah, meu amigo, aí você tá pedindo demais. Vai seguindo a sua vidinha aí, da forma simples como te ensinamos – e sumiu.
Filho da pura! penso que ele nunca existiu. Quando eu disser que tenho 31 três vezes já terei cinquenta.


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Dexter Gordon

segunda-feira, março 02, 2009

nook boy


da servidão humana
Houve um tempo em que preferi a dor ao amor. Os epicuristas, a síntese de Hegel, assim como a Ética de Spinoza (da servidão humana, Mildred) me ajudaram a superar tudo isso. A inexorável síntese, que um dia chega e tudo passa. A prudência é uma solteirona rica e feia cortejada pela Incapacidade. Difícil é o ciúmes, a saudade. Difícil é seguir sem ter o que seguir, sem saber o que seguir, sem imaginar ou sonhar, sem projetar o que te espera. Mesmo assim, vou para um novo mundo. Toco umas punhetas, escrevo, vejo esse mundo virtual, tomo banho, fumo, bebo café, mais um cigarro. Ontem fui ao cinema sozinho. Um caso curioso, as pessoas só gostam de mim porque eu pareço com o Brad Pitt. Até agora mostrei somente o meu desejo de ser, pois ainda vasculho onde eu buscava – no sexo, no amor, em alguém completando esse cenário, filhos... O cenário foi muito limitado. Não vi que, além do encontro entre duas pessoas, havia o mundo. Havia a biologia do amor e a tristeza da razão. Devo revelar que não gosto muito de gente. Como poeta, tenho interesse por pessoas, tenho interesse em saber suas histórias, seus enredos e como os contam. Há narrativas que inebriam, há outras que entediam. Ouço histórias em que tenho que garimpar palavras, apreender um dialeto para entender o que dizem, para construir uma imagem. Cada experiência é repleta de novas sensações. Uma vasta paisagem em cada pessoa. Deixei de fazer longas linhas de planos. Meus planos são íngremes. Morro de saudades. Não cultivei amizades. Há muito tempo não era feliz. Vôo no branco da sua consciência. Eu quero um remédio pra curar essa dor. Eu quero um 38 pra matar esse amor. Cantarolando um drama mexicano. Sim, é uma merda. São, somos, verdadeiros casos de obsessão um pelo outro e pelo outro. Juntando todas as peças, resta cada fragmento de mim, água de rio, mas a água do rio é suja. Amor bandido, mas o bandido, no caso, era eu. Bebendo água de chuva, bebendo água do rio. Elucubrando, enquanto as meninas escrevem suas historias. Uma de faroeste, outra do beijo na boca. Sonhos que preenchem os vazios. É ruim, mas é o jeito. Um carnaval de sentimentos desencontrados, mascarados e inúteis. Como chutar cachorro morto, exatamente isso. Estamos mortos, uns para o outro. Absorto, cada um engendra sua própria teia. Somos fantasmas. Múmias que não deviam sair do sarcófago. Assombrando-me em pensamento, vem puxar meu pé de madrugada, segurar no meu pênis.

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