domingo, maio 31, 2009

questa notte senza te


Eu me tranquei dentro de mim five years ago e não lembro como se volta. O dia está propício às lágrimas, embora eu já não goste de esperar. Eu me tranquei dentro de mim e “joguei a chave fora” e agora? como eu faço pra me redimir? Essas jovens almas infantes que quase me irritam, só não me irritam porque não vivo às voltas com elas. Uso gírias retrógadas, sou antiquado, moralista, não falso. Escondo-me entre suas pernas e você gosta e no fundo, sou maravilhoso vagabundo. Exigem que eu seja pós-moderno, mas desejam disfrutar da minha felicidade (quase) idílica e vestir minhas dores de escritor, sem doer. A pós-modernidade não combina com meu banzo. Um dia bucólico nasceu para as más recordações e para a frustração de ser poeta. "A raposa a culpa a armadilha, não a si mesma" Não culpo ninguém, nem a armadilha nem o mundo nem a raposa, culpo a mim mesmo. Minhas lágrimas tem o peso do peso das notas melódicas e densas do trompete chetbakeriano. Sabe Eu, a rapidez da pós-modernidade matou nosso lirismo de poeta ultra-romântico, matou meu romantismo. E o romantismo é só meu, porra. De quando em quando tenho que “ignorar sentença” que o corretor ortográfico me manda. Eu me tranquei dentro de mim e não sei como sai desse labirinto. Canta Chet, Il Mio Domani...

Veglierò,

questa notte solo per te,
dolce bimbo ti dirò che presto tornerò,
senza te,
sento gelo nel mio cuor,
cerco solo
l'illusione
di averti qui con me...

torneran per me le stelle,
nel mio celo senza più nubi...
sognidor,
scendon lievi verso te,
dormi caro che domani,
col sol ti bacerò...


(penso que essa música foi dedicada a seu filho, que morreu precocemente. Dolce bimbo... Chetty's Lullaby, de sua fase romântica na Itália.)

Florentine Pogen

Excelente qualidade de imagem para um filme gravado em 1974.

Frank Zappa

sexta-feira, maio 29, 2009

Guacamole Queen

Qualquer variação de forma [ou norma] na política, no futebol, na religião e na arte é um forte indicativo de muita má sorte. Reduzindo, qualquer variação de forma é má sorte. Um sintagma não é um enigma. A língua instrumental não se apreende com a flauta-piano. Mini-mundialmente falando, o passado só existe como signo. O passado é o functivo de uma observação deixada por Deus (ou a Natureza). Derivações do quinto enigma consegue acompanhar? O espaço só existe porque é fluido. por ser fluido deixa uma estampa que pode ser medida. Stampa noir semi-minimundana, um espirro, por exemplo, uma bomba atômica. Somente por possuir essa capacidade, essa qualidade de poder ser medida (índice) é que podemos afirmar a existência do Espaço. Stranho? Então leva minha energia em todas as partes do corpo que toquei. A vida foi boa o bastante para que não sentisse que me roubou nada, prosperidade e rudeza. Palavras escritas no escuro saem na ponta dos dedos, com passos de felino. Há muito, muito mudou, mudou muito. Na novela das oito não escrevem mais “a seguir, cenas do próximo capítulo” e sim, talvez por uma questão dos costumes da pós-modernidade. Resultado de uma análise sobre a expectativa do Sujeito quanto ao último bloco, ao fim, o medo do abismo que é preenchido por um instante que parece nunca terminar, portanto, se não acabou não é preciso esperar. Continua-se vivendo, e televendo. Para Sartori, o ato de telever transforma antropogeneticamente a natureza humana (Homo Videns: Televisione e Post-Pensiero, 1997). Fichas de telefone agora só servem pra jogar sinuca.

Qualquer carnaval ainda torna a queda inevitável.
Invado-me Eu. Invado os próprios de outro Eu.
Não Eu próprio, mas eu mesmo também. Invado vidas.
Invado minhas próprias vidas, sem duvidar da verossimilhança com minha alma.

Não entendo quem não entende
Amédée Achard.
Detestar é um perigo público à minha imaginação.
Sinto muito, mas não me importo.

domingo, maio 24, 2009

Acid Syd


Pow R. Toc H.

Foi no ano de 1969 que o Crazy Diamond não aguentou. Pirou de vez. Nos shows apresentava comportamento anormal. Enquanto o Mr. Mojo Risin’ – Jim Morrison videnciava no palco seus mentores, indios americanos “da pesada” manifestando seus poderes shamânicos de tal forma que The Lizard King, ou voltava da onda e ficava “de cara”. Como Barrett estava na Inglaterra, sob certa moral vitoriana remanescente, e não era nenhum sex simbol, não podia se dar a esses pitís orgásmaticos do vocalista Dos Portas. Também porque não via shamans. Estava conectado à oitava dimensão onde só se enxerga (sente-se na verdade – sinestesia) luzes e cores. E foi nesse sonho em tecnicolor que a mágica da indústria se fez. Nesse texto vamos desmascarar o Mágico de Oz. The Wizard of Oz – Wizard que quer dizer sábio, que não passa de um ludibriador como todo mágico ilusionista. Então foram necessários alguns ajustes para que essa mágica funcionasse precisamente. Em 1969 o Pink Floyd faria sua primeira turnê nos Estados Unidos. David Jon Gilmour, também naturalde Cambridge (foi agraciado com a Ordem do Império Britânico) já acompanhava a banda como uma espécie de playback do Syd Barrett. Gilmour sabia todas as músicas e cantava todas as letras. Por ironia do destino, foi ele quem ensinou Barrett a tocar guitarra. David Gilmour era certamente mais técnico e menos experimentalista que Syd. E foi isso que conduziu a banda – mais técnica explorando o experimentalismo psicodélico plantado por Syd Barrett. David absorveu devidamente altas doses de psicodelia para remedar e fazer os vocais de Barret, mas ainda falta-lhe descobrir os engmáicos segredos que Barrett nunca nos contou. Um pouco eles nos revela na plasticidade das primeiras músicas que criou com a banda. Brain Damage.

sábado, maio 23, 2009

o suspiro inicial onde nada aconteceu

Deixa-me falar da maneira que eu sei. Da forma com que expresso minha verdade mais verdadeira. Deixa-me desmascarar essa alegria velada, cortejada pela infelicidade. Esse sorriso que trago nos olhos. Deixa que eu fale com toda paixão que me cabe, incluindo toda dramaticidade. Não sei ser de outra forma. Minha vida é feita de sangue e de lágrimas. Aos quatorze agarrei-me forte a esse passado remoto, tão confuso, tão conturbado. Meu corpo ainda hoje permanece tingido de cicatrizes, mas minha alma não tem cicatrizes. Quis ser livre. Tentei ser livre como em outras épocas. Livre de tudo e de todos. Ainda hoje me agrada conviver somente com a Natureza, mas os bichos não falam, portanto não discutem e sendo assim, vive-se só. Já fiz meu próprio pão numa época em que eu mesmo plantava e cultivava o trigo. Moendo o trigo, fazia a farinha com que faria o pão. Já fiz minhas próprias refeições. Já fiz meu próprio vinho. Já me isolei por detestar o convívio com as pessoas. Já atravessei rios e vales, montanhas e cumes e mais montanhas. Quantas coisas tristes ainda hei de carregar desse passado enfermo? Quis ser livre, mas ainda era implume e minhas asas não tinham forças para voar. Por isso, acredito que essa seja a causa pala qual vim parar diretamente nesse quarto – que considero o útero materno, por analogia. Eu te entendo. Entendo seus sonhos e sua vontade obstinada de ser uma pessoa dotada de armas e poderes para vencer a sociedade, sem destruí-la. Spleen – banzo de poeta. Aquele que destrói a sociedade e destrói a si mesmo. É ridículo ver que me detonam para se igualarem a mim. É patético, mas eu não ligo. Na minha juventude não tive maturidade para me policiar e seguir um caminho menos pedregoso. Mas agora, passados todos esses anos, nem as roupas de monge cabem mais em mim. Voltarei a fazer pão. Estou no meio de fogo cruzado e fui pego pela brisa de aço. Sob o domínio dos astros peço que minhas mãos fluídas pelas energias cósmicas, a energia curadora das florestas amazônicas. Quem come desse pão rejuvenesce dez anos.

sexta-feira, maio 22, 2009

anestesia geral

Para Kant, autonomia é agir de tal maneira que se essa maneira se tornar universal, todo mundo sobreviverá, ou seja, é considerar a implicação que essa ação teria para a sociedade se fosse universalizada. Deriva do imperativo categórico: está presente tanto o interesse do individual quanto o da coletividade.

Algumas considerações sobre a Indústria Cultural

  • Classificação e padronização dos consumidores através das distinções – rótulos.
  • Extermina o que é particular e nega a particularização, seja a composição, a estética, a arquitetura.
  • Só admite a liberdade do sempre igual.
  • A previsibilidade da arte produzida denuncia uma completa ausência de fantasia, de imaginação, de atividade mental que são atrofiados, desvirtuados, paralisados.
  • Nega a essência, pois só há essência na diferença.

    Alguns links sobre o tema a Indústria Cultural & o senhor
    Theodor Ludwig Wiesengrund-Adorno ...
    ciência limpa [o nome do site é pretensioso, mas o artigo é bom]
    wiki.educaris

quarta-feira, maio 20, 2009

The Look of the Week

coloquei essa música pra você Karlinha, mon petit
spero que queira andar na minha Bike

Uma história de quem morreu para o mundo em 1970. Hoje, quase quarenta anos depois, como falar de uma pessoa iluminada? Hoje quando a lua se apesenta com um sorriso amarelo e triste, como falar sem parcialidade dessa pessoa iluminada (porque alguns tantos consideram uma pessoa iluminada) se você a admira. Admira porque a figura e o quê ela representa te agradam. Sobremaneira diante das críticas, dos rótulos e despojos, a maldade assoberbada, invejosa. Como você falaria de um poeta como Arthur Rimbaud? O Tempo ainda não nos deu a distância necessária para falarmos do Syd Barrett, o primeiro artista da pós-modernidade que, apesar da sua versatilidade – característica pós-moderna – destacou-se na música. Vendo de hoje, de longe, nem de longe ele me parece um hippie, apesar de ter vivido os finalmentes da contracultura e usado a moda, indumentária típica da época. Aproveito par dizer que ele não foi o fundador do psicodelismo, mas ajudou a cunhar esse nome e estilo musical no rock. Essa é uma tentativa de desmitificar a imagem de exotismo que se criou e as teorias analíticas sobre Barrett. Assistindo a sua filmografia, vejo que ele passava certa segurança de older brother, como mentor e mente criativa da banda, que protegia Waters, Wright, Mason, Bob Klose, e quem estivesse junto, e a ele mesmo, dos White lasers da inveja. Nesse video especificamente a "turma" brilhava. Divertiam-se filmando a si próprios... Vejo a felicidade dos rapazes naquela cena em que a garota dá de presente a sua calcinha ao Bob Klose. Em uniforme de colegial na Inglaterra, saia curta e meias longas, era fácil tirar a calcinha. Mas eram garotos e garotas faziam a mesma coisa ao longo do mundo. E eles, no backyard no quintal no jardim na fachada de um prédio numa rua erma, divertiam-se com si mesmos e, bem provavelmente a loucura. Nessa hora a câmera procura Syd, que está sentado na grama. Alguém lhe faz companhia, uma moça. Os cabelos de todos eles são grandes para os 60’s, mas ainda curto para os 70’s. Syd olha e sorri. A câmera procura Syd assim como as luzes do palco procuravam Rick Wakeman, do Yes. Esse vídeo, gravado em formato super-8 (8 mm tamanho da película), começa com o Bob na sacada do apê, sem camisa, se abraçando a si mesmo, tendo uma trip muito esquisita. Quando sobe no parapeito parece que ele vai se jogar. Sim, um gato manso (o animal please, não o adjetivo). Um gato japonês, um gato raro, daqueles que não se assustam com nada e têm a cara fechada, amarrada. O gato de Cambridge não tinha cara fechada nessa época. Um gato quando pisa no chão, ou seja, quando sai do lugar onde está, ou chega de algum lugar inusitado, nunca se sabe aonde ele vai. Faziam um barulhinho gostoso misturando os teclados com notas dissonantes em melodias psicodelicamente longas. No UFO Club Syd fazia as suas imprevisíveis improvisações, gritando, conversando com a guitarra, sintonizado com vibrações inter galácticas. Foi um período em que Barrett compôs o que seria a base de todo lirismo posterior aos primeiros acordes do Pink Floyd. Saucerful of Secrets, Astronomy Domine, Interstellar Overdrive, Brain Damage & Eclipse, Careful With That Axe Eugene são as que recordo-me de imediato, pois permanecem, com nova roupagem, claro, no repertório da banda. Por que ele hoje, depois de sua morte, representa do que nunca para a história da música pop?
Gostar desses caras torna-me também todos os adjetivos pejorativos, às vezes velados no elogio, mas por definição torna-me também real, embora infortunadamente seja paradigmático.

Alguns links interessantes
http://whiplash.net/materias/news_909/042871-pinkfloyd.html
I hope you like it!

terça-feira, maio 19, 2009

Capitu pós-moderna


Com quem não se calem os dias perdidos. Com quem não se calem os meus pecados. Com quem o céu esteja sempre ao seu lado. Com quem sempre o pouco que se deseja seja o muito que preenche e se percebe. Contanto que se tenha uma visão mais ampla. Com quem não te faça lembrar o passado. Com quem não te obrigue e não te julgue. Com quem sem saber, com quem não sabe sobre a pobreza esnobe dos recônditos 20 anos. Mendigos, putas, pinguços, noiados, garoto classe média usurpador, meninos, crianças, jovens droga_adictas, umas feias outras bonitas, ou velha e acabada, todas na pista da madrugada, peão de obra, alemão, tem de tudo, uma primeira visão do inferno. Quero dizer a essas menininhas que pensam conhecer um pouco da vida, com seus eginhos inflados, que andem a viver a vida antes de armazenar em suas bundas toda gordura que saiu da bunda e foi para o cérebro. Cresçam suas putinhas. Deixem de esconder ou ostentar entre as pernas as partes da qual se vangloriam. Se auto valorizam demais em virtude de sua juventude. Perdoem meninas (e demais eventuais leitores) se essa não é uma declaração de amor. Vejo nos gates of dawn, anjos perdidamente embriagados procurando ajuda em si mesmos, mas perdidos em si não vão encontrar... Perdidos no próprio ego com olhos de peixe morto fundo longe nu. São como máquinas de manipular, maquinas um jeito de me mandar embora. Delicia-se com o meu pecado, depois entristece. Maquinas o jeito mais rápido de me mandar embora. Embora ainda queira o amor que ninguém deu. Sou um homem comum, não vim aqui para falar das flores. Enquanto uns colhem as rosas, eu me espeto nos espinhos, extraindo água do asfalto e contemplando o quanto as jovens transitam como barata tonta em uma visão pintada, colorida e mascarada da metrópole. Dizem que curtem Bukowski, mas nunca comeram um ovo frito na vela, nunca participaram de um ritual de magia, nunca tomaram drogas alucinógenas dentro de uma caverna. Uma ou outra dose cavalar de álcool é tudo que conseguem fazer. De longe as faz lembrar uma intrépida personagem do Bukowski que não conhece os próprios limites. Não mais do que isso. Não conhecem a delicia do sexo porque estavam preocupadas demais. Não conhecem nada porque já conhecem tudo. O Mefisto me disse uma coisa está ocorrendo. Esse comportamento infantil não será mais tolerado, nem por mim, nem por ninguém, portanto, sejam as mulheres da pós-modernidade assim como estão agindo e se dando com a solidão. O meu, o seu, o nosso tradicionalismo era um ideal que se partiu em mil pedaços. Agora também não quero mais ter filho, vou querer um clone. Minha maior qualidade é a modéstia. O orgasmo é válido, mas vocês nos transformaram em uns putos, que quando estamos de pé valemos quase nada. O orgasmo é valido, mesmo de pé. Agora só confio em quem não confia mais em mim. (e na adianta fazer cara de chôro)

See Emily Play

para o expresso, que diz ter sido a primeira música do Pink Floyd que ele ouviu. Aqui está expresso, expresso. Sessão remember... Veja

Com Syd Barrett!!!

segunda-feira, maio 18, 2009

Syd olhos de gatΦ

No dia 6 de janeiro de 1946, sob o domínio dos astros, nasceu em Cambridge Inglaterra, um menino iluminado. A esse jovem deram o nome de Roger Keith Barrett, que mais tarde ficou conhecido como Syd – Syd Barrett. Interessa-nos saber, como esse menino cresceu e se tornou o elemento de inspiração para sua geração, e ele como exerceu profunda influência sobre a música das gerações seguintes. Não nos interessa desvendar, mas sim desmitificar essa loucura estigmatizada e depreciativa que recaiu sobre ele. Isso significa juntar, no tempo e no caos, os cacos que formam o mosaico da imagem de Syd. Ele não era apenas um músico. Pintava, desenhava e compunha, ou seja, seu lirismo era dotado de poesia – a expressão verbo e vocal da estrutura de um pensamento. Era também um artista performático.

[As apresentações da banda eram de enorme experimentalismo performático. O arquiteto Mike Leonard testava suas invenções, que utilizavam complexos maquinários construidos para criar projeções de luzes, formando ambientações para as apresentações da banda.]



Documentário Syd Barrett - Crazy Diamond


Na década de 1960, as drogas alucinógenas tornaram-se uma espécie de dogma, uma espécie de religião. Uma região muito delicada onde era perigoso discutir o maniqueísmo do Bem e do Mau, pois estavam adentrando um território sagrado. Uma land de novas experiências e descobertas, em uma England de séculos de lendas sobre os bosques e florestas, contos de fadas deuses e gnomos, fábulas... Repleta de cantigas de embalar crianças. Em 1966, aos 20 anos de idade, Syd teve sua primeira experiência com LSD- filmada (em super-8) por um colega de Cambridge. Nessa filmagem Syd divaga, vagueia, anda errantemente, caminha entre as pessoas, se isola numa conversa consigo mesmo. Testa as formas da argila da terra e tampa os olhos e a boca como se tentasse estar somente dentro de si mesmo, onde nada de si pudesse escapar.
O menino dos olhos de gato queria brincar na grama.

Gatos


Um gato procura sossego em algum canto da casa. O gato se estica afiando as unhas no sofá da sala. O gato brinca sozinho com que ele acha que é um rato ou uma barata. O gato aguça seu instinto de felino quando abana as orelhas, quando sente a brisa, quando espreita a presa quando localiza, quando estende a pata pula pega joga brinca, mas não mata. Parece se divertir com a agonia o ratinho que se volta de tonto a cada queda e na frente do gato finge de morto. Assisto a cena do vitrô do quarto que dá para o corredor externo. Na vila em que morei havia ventos e gatos que brincavam, havia gatos malvados. Um gato não sabe ser “bonzinho” por isso ele corre atrás do ratinho mesmo sem estar com fome. Ele se diverte fazendo isso, eu me divirto vendo e o camundongo sofre sem saber se vai sobreviver. O gato é malvado e sobe no telhado. Do meu quarto se escuta os gritinhos grunhidos de uma gatinha como um bebê que chora. O gato é livre, dentro da sua redondeza. O mundo é quadrado dentro do meu quarto. O mundo é vertical para o gato. Ele conhece os caminhos, mas mesmo assim improvisa. Ele economiza energia, ele faz a mesma coisa todo dia, mudando de rotina com o passar das horas...
>>¨
meu paladar

domingo, maio 17, 2009

Saucerful of Secrets

Pink Floyd "Song Days Festival 1969" Internationales Essener Pop & Blues Festival 1969 Grugahalle, Essen, Germany 11 October 1969.


I've got a bike...

Restam ruídos iletrados, e rítmicos.

Bike
É Gisele... parece que já sabiam que o moço era iluminado, quando um colega de Cambridge filmou sua primeira experiência com alucinógenos. Ninguém carrega uma estrela na testa, mas esse cara já nasceu predestinado a ser (ou vir a ser, tornar-se) um ícone da Loucura, da onda psicodélica que ele surfou tão bem em seus primórdios. A sensibilidade do Barrett me espanta, mas comumente generalizam, rotulam e são taxativos ao dizer que as drogas coduziram ou produziram ou potencializaram um estado (ou estágio) de esquizofrenia no moço. Um jovem londrino talentoso que se perdeu, digo, ficou à sombra ou a revelia da pouca memória de nós seres humanos, mídia, público, sujeito interpretante. Porém, ao lado de figuras como Jimmy Hendrix e tantos outros que se sacrificaram pelas drogas ou pela medíocridade = como os dois primeiros integrantes abandonaram a nave-mãe, a nave extraterrestre que Pink Floyd se tornava com o crescente movimento da contracultura. O próprio Bob Klose admite que sua saída foi de crucial importância para que a banda vivesse o seu "melhor momento", projetando-se para além das fronteiras britânicas. Acredito que o lendário Syd Barrett foi quem lançou a pedra fundamental sobre o grupo, com a qual, sem ela nem Pink nem Floyd jamais existiriam ou jamais seriam o mesmo, tão belo e tão genial.
Abraços documentais,

Gustavo

quinta-feira, maio 14, 2009

Drink Ma' Last Zumzum


Volto às redundantes e recônditas reticências... às dissonâncias ruídos fraquezas e delas nada quero. Renascendo no verso sem pedir licença, sem preferências, acredita. Confusa me ataca fico mudo fico puto fico mudo e no fim da festa os Josés vão embora. Eu detesto despedidas. Detesto funerais. eu Gosto da vida. Detesto e amo as caras que vi de espanto na noite noir, as caras de espanto. Haja caras, haja metáforas. Acostumei-me com caretas de tanto operar cirurgias morais nas noites de opulência, onde os fins ao amanhecer, esses fins eram meus. Fizeram dos frangalhos verdadeiros lampejos. Vagavam ao sabor das palavras que lambiam vulvas flamejantes. A ígnea flama flui em eflúvios, em vírgulas. Estou também confuso. Ich...


Fluem mais de fato que de acaso, mais de afeto que de abraço.
Morna é a fragrância da
Madrugada.

Fragmentos harpejados, naquele teclado de sopro que se toca como flauta, herméticos de Fátima e
agulhas náuticas
no mar de Malta,
maltês

Amalgamada
farfalha
n'alma
fleuma
flora.

murmurejando
ciciando
não
sei
se
ocorre
ou corre
eu canto

rumorejando
negro
pardo
e santo
meu lamento
meu salamaleque
meu breque

meu zumzum

sábado, maio 09, 2009

caminho

Está sendo esse reencontro. Está sendo aceitar-me de volta. Hoje, como em um solo de sax tenor, foi preciso expirrar no ar todas as lágrimas que sobravam. A arte latu sensu de estar só e as noites se passaram sem você - meu anjo. Madrugada e a solidão não mais incomodam. A solidão é só nossa e os anjos estão à sua volta. Aceitar-me de volta, encaixar minh’alma no corpo, coisa que fiz aquele dia, quando ela se desprendeu. Ouvindo o barulho do vento. Árvore roçando as folhas e o vento lambendo cada uma. Brisa que suave(-mente) lambe também meu rosto.
Hoje a Lua está linda e quase cheia. Reencontro-me comigo uma vez mais. Aproximo-me de mim. Estive fora, estávamos de mau. Eu de múltiplos Eu(s). As noites que passei sozinho, sem você, sem mim mesmo. Noites que passei exigindo a sua presença, e odiando. Portanto esse eu se afastou de mim. Foi para longe o eu Bom. Atento a todos os movimentos. Possíveis de captar, quando não pude dormir aprendi a escrever. Sou um cidadão do mundo e acho certas coisas absurdas, mito de Sisifu. No entanto, o Cigano esteve em minha casa. Eu lhe presenteei com uma foto uma revista e uma cueca. Ele disse que não me preocupasse com a feição das pessoas que passam sem rosto. O resto é vida.

Fuck All You Drunk People

ou As Novas Mentiras Contadas...

Sabe, às vezes fico triste. Fico triste com as injustiças que eu penso ter sofrido. Com o desgaste emocional pelo qual, às vezes passo e passei. Não é fácil desvincular o presente do passado, mas agora estou aprendendo a viver. Tentando passar imune. Vocês sabem como é se sacrificar por um ideal e não alcançar coisa alguma? ou sacrificar um ideal por coisa alguma? Estou cansado de saber que não sou o único ser humano no mundo que sofreu, mas quero escrever, quero expurgar, quero por pra fora e foda-se. Que cada um me conte a sua história pra eu poder chorar junto, senão, deixa-me contar a minha porque eu tô afim. Sacrifiquei tempo e saúde, sem saber que além da grana, eu também desperdicei conhecimento. Nada seria capaz de me encaixar em algum sistema. Mas você tentou, Mildy. Você bem que tentou usando todos seus artifícios de mulher, de criança desesperada por uma liberdade que se está dentro de si mesma, mas ainda não encontrou. Na minha vida aconteceu uma reviravolta. Eu permiti, não é? Foda-se o meu, é claro! Como assim não me avisaram? Não me avisaram que ia doer tanto. E hoje ainda sou tratado como lixo. Ah sim, você Mildy, se vendeu por uma falsa liberdade. Pensei que isso fosse uma coisa comum nas mulheres. Mas isso o quê? Essa lacuna, esse desespero infundado, essa incerteza íntima, e as certezas materiais que me incomodavam. Pensei que fosse uma coisa comum entre os casais, entre nós humanos, que nos unimos em afeto pra resgatar o passado. Tenho que exercitar minha paciência. Para meu pai todas minhas ex-mulheres são putas ou desreguladas = doidas. Apenas aquele bebezinho que eu desvirginei (putinha mor) tirando leite de vaca - vestidinho de chita e chinelo de dedo - e ele trouxe pra morar comigo, onde agora permaneço acastelado. Apenas essa garota, não menos escrota, que foi inclusive funcionária de sua empresa, que El papi considera “boa moça”, o resto não presta. Eu não presto, fica implícito nas entrelinhas. A moça com quem me relaciono agora tem recebido elogios (e possui singelesa, calma, vastidão, beleza humana, imaginação, sutil alegria, leveza, atributos enfim, que desejo compartilhar). E eu próprio já não creio mais em mim mesmo. O que eles dizem faz algum sentido, ou vou ser o imbecil da história mais uma vez? A empresa família faliu, estamos na merda e tento manter o astral. O método do século passado comigo não funcionou. Sabe qual é? Mensagens negativas. O desestímulo tentando ser usado como estímulo. Joga-se o individuo lá no buraco. Mexe-se com sua auto-estima pra ver se ele é digno de revidar e lutar contra o que dizem. Época em que a criança e os cachorros tinham o mesmo status familiar. Ou seja, alguns como eu, se revoltam e mandam isso tudo à merda. Ele consegue me colocar pra baixo, Jude. Deixa... Eu sou uma força poderosa da natureza, não tô aqui de bobeira, venho nascido do coração das trevas. Eu sou a luz. Pense positivo, garoto-enxaqueca. Ou seja, vocês não prestam. Me enterrem com meus livros.

quarta-feira, maio 06, 2009

Friends

para meus amigos Caiocito e Renné.
Oi, aperte o PLAY!

canta passarinho canta!

Palavras que não dizem nada

ou
Tudo é pra depois


Esse é um texto de baixo teor de gordura. São 3 e 23 da madrugada e eu não consigo dormir. Adoro a madrugada. Textos que não dizem. Nada fazem surgir trechos de um possível enredo para um conto, ou inspiração para um poema brega. Minhas coisas favoritas, meus prazeres possíveis e impossíveis e absolutos mesmo sabendo que nada (nem a morte) é absoluto. Um homem de óculos mira uma ninfeta. A cena se passa em um Café na Itália onde toca baixinho Chet Baker ao fundo (Miles Davis e/ou Coltrane assustariam as crianças). O homem mira de longe a ninfeta, que também está só. Busco mais um café. O silêncio paira sobre os morangos silvestres e um tipo Marcelo Mastroiani em todo o seu Splendor, porém de barba, barba meio curta e branca, feito de diretor-de-cinema-sedentário-e-tarado, Isak Borg melhorado, sem pedantismo. Ele olha a menina moça com sorriso no rosto. A actor acende um cigarro. acendo o meu. O que faz uma menina mulher numa praça? Certamente ela é esperta, certamente ela não espera a mãe, ela é liberta. Quem tem agora um sorriso no rosto? Vejo que não me inspira, no entanto lembro, mas não haverá nenhum teorema de Pasolini, nenhum Tadzio, nenhuma morte em Veneza, nenhum Thomas, man. Mesmo porque estamos na Itália. [a praça é bem iluminada. Close no rosto da atriz. Corta.] Cena dois, gravando. O silêncio. A mulher de branco, na contraluz da janela, deixa mostrar sua transparência enquanto me olha (a câmera) com seu feitiço de criança adulta, com sua maturidade precoce. Olha com sedução, sim, essa é a palavra. Sedução peculiar de cada um, com a língua entre os lábios, olhar de olhos que falam, olhos de dentro me olham convidam analisam desdenham compram faceiam passeiam sobre mim, zombam de mim. Supõe-se que eu também passeie meus olhos (a câmera). me aproximando ate deitar e ver, apenas. Não há final nem lógica, apenas sugestões.
Mais uma estrela no céu se perdeu no interlúdio entre Tempo e Espaço no momento em que a semiótica aplaudir a sua visão, seus olhos cognitivos, hipotálamo, lóbulo frontal. Até logo...
Beijokas


GAP

segunda-feira, maio 04, 2009

Le Petit Prince

clique na imagem para ver uma hiperligação Der kleine Prinz
Ninguém presta. Eu não presto, você não presta, minha mãe, meu pai, ninguém. Não dorme ninguém pela noite, ninguém, ninguém, não dorme ninguém pelo céu. Não é preciso ser Cazuza ou Nelson ou Jesus Cristo de tão perceptível pra saber. Me ajuda a sair desse mundo onírico. A romper com essa bolha no meu quarto, um tanto lúdico, infantil, infante, infausto, inapropriado. Pra um homem da minha idade eu devia star sei lá onde, porque todo homem tende a criar seu próprio manual de felicidade. Ora voglio fare un atto di amore di un atto di pazzia di un atto di indipendenza di un atto di stima di sé è un atto di sentirsi bene agire ciclico cosmico e quotidiano. Io faccio samba e amore fino al tardi. No silêncio da madrugada, a madrugada. Brigar com o próprio ego? não é não, é o reverso da medalha. Vejo que os incompetentes se sobressaem e os idiotas também. Os competentes brigam por um ideal singular único intransferível. Eu diria quais são os meus abertamente, mas tenho medo de alguém roubar minha ideia. Danada de ideia cujo corretor ortográfico ainda acentua. Alcatéia, platéia, colméia, Dulcinéia, gonorréia, diarréia... O facto é pessoal, para que todos me entendam. Alice precisa voltar do País das Maravilhas, Dorothy do mundo Mágico de Oz, o Pequeno Príncipe para o B52 cuidar da pequena flor. “O essencial é invisível aos olhos e só se pode ver com o coração.”. A flor é o coração, a flor é a essência que não se pode ver com os olhos. Mas “Foi o tempo que dedicastes à tua rosa que fez tua rosa tão importante”. Antoine de Saint-Exupéry, vocês sabem, escreveu Le Petit Prince como uma série de cartas destinadas a sua amada que não suportou a vida monótona e aristocrática na França e retornou à sua terra natal, a Argentina. O que se tornou um romance, foi primeiramente intitulado de O Amor do Pequeno Príncipe - Cartas a uma Desconhecida, e continha aquarelas pintadas pelo próprio Saint-Exupéry. Não sei dizer o que a Indústria Cultural fez realmente com o original desta obra, de alto teor filosófico, além de transformá-la em um mero conto infanto-juvenil. Sei lá... Só sei que é preciso paixão.

domingo, maio 03, 2009

mon petite fleur

Chet plays



Subtexto O mágicode Oz no embed multifocal of a dawn preciso comprar uma calça jeans. Preciso arrumar minhas gavetas meus textos, preciso rever os meus conceitos. Vestir a minha roupagem de pele nova de soldado que volta da guerra. Ser subjacente que se recupera de uma ferida no dorso. Torço, reforço, fodam-se as virgulas e morro de remorso, mas quem me dera pudera ser subseqüente Azambuja. Viver o meu mundo novo. Parece tudo estar tão certo e tenho medo de respirar-te no ar. Medo de não ter medo de cuidar há dez anos atrás caminhando no ar eu perdi o começo da história. Se as ‘coisas’ estão perto de um modo relativo então deixo no mar dos manuscritos acontecer o primeiro peixinho entre os rabiscOs à uma menina Hellman’s, uma verdadeira Lolita em meus sonhos, un petite fleur, minha dor – abismo duma submensagem do prazer. Mais nenhum lugar pra ir I drink my last zumzum. Devo apagar essas palavras? Foda-se por mim.