terça-feira, junho 23, 2009

Raízes...

Carmen Amaya - a maior lenda do flamenco,
está para a espanha assim como Carmen Miranda está para o Brasil




&





Antonio Gades y Cristina Hoyos
toque - Emilio de Diego
cante - El Lebrijano
“É preciso passar o arado sobre a ossada dos mortos”


Por onde passa meu desejo? A literatura é um assunto privado de ninguém. Um devir infantil, meramente pessoal, de nossos pequenos assuntos. Não passa de um arquivamento desprovido de subjetivismo. Ai... ai, minha dor, escrevemos. Todo escritor sabe disso. Madelstam, poeta russo, sabia ao se referir a Dostoievski. Nietzsche, mais do que todos, em seus últimos dias em Turin. Dias de furiosa criação, proferindo as palavras de seu Zaratustra. A literatura não passa de um arquivamento meramente pessoal ao tempo que transborda a multiplicidade das ilusões. Criando os afectos, sensações e sabores, tessituras pulsantes, tácteis, ilusão de paisagem. Reafirmo minha ressalva as questões morais, a uma paisagem que pode ser transmutada em cruel despejo de brilhantes construções para se execrar as insatisfações, por vezes novelísticas, dores em forma de soneto, ruminação de nadas empíricos (como esse). Jung diz a Freud que sonhou com uma ossada e Freud não compreende literalmente nada. “Se você sonhou com osso significa a morte de alguém” dizia repetidamente. Na realidade Jung queria dizer “Eu não sonhei com um osso, sonhei com uma ossada” e essa não se trata de uma questão semântica, estudo das mudanças da significação das palavras. A construção de um agenciamento sempre trata de um de um coletivo. É dizer que uma ossada sem cem ossos, mil ossos, dez mil ossos. Por onde passará meu desejo por esses mil crânios? Por onde passa o meu desejo na manada? Qual minha posição na manada? Sou exterior à manada, dentro ou ao centro? Sim, todos esses fenômenos do desejo, “são” o desejo.


O verme cortado perdoa o arado”
Provérbios do Inferno
W. Blake

segunda-feira, junho 22, 2009

moonhead

sonhei star na Lua

Desejar é construir um agenciamento. Não se pode falar abstratamente do desejo. Não desejo uma mulher. Desejo a paisagem que está envolta nessa mulher. Não a paisagem de sua mente e a geografia de seu corpo. Desejar é construir um conjunto, um agenciamento, uma região. Desejo em um conjunto. Desejar é o construtivismo e o desconstrutivismo, a territorialização e a desteritorialização. Os psicanalistas falam do desejo como sacerdotes e apenas eles. Os psicanalistas nunca entenderam o desejo. O deserto é um delírio geopolítico. Não há desejo sem contexto, não há desejo que não flua. Fluir é um agrupamento vivo e pulsante, um agenciamento. Mas a psicanálise fala do desejo como uma grande queixa por causa da castração. A castração é pior do que o pecado original. A castração é uma espécie de maldição sobre o desejo, verdadeiramente espantosa. A psicanálise atribui isso à determinações familiares. O inconsciente não é um teatro. O inconsciente produz. Não pára de produzir, e funciona, portanto como uma fábrica. Precisamente o contrário da visão psicanalítica como o teatro em que nele encenam Édipo ou Hamlet infinitamente. O delírio está muito ligado ao desejo. Como sobreviver ao deserto? Todos esses são fenômenos do desejo. Daí a dizer que tudo está mesclado. Eu não desejo uma mulher, uma paisagem que posso não conhecer e que sinto de tal sorte que se não se implanta a paisagem que ela envolve, não estarei contente. É dizer que meu desejo fracassou... meu desejo ficará insatisfeito. Mulher – paisagem. Reafirmo que não há desejo sem contexto. O desejo está em constante fruição. Desejar é de certo modo delirar. Desejamos abstratamente. Extraímos do objeto o que pensamos ser o objeto. Nunca desejamos alguém ou algo. Qual a natureza dos elementos para que haja desejo, para que sejam desejáveis? Nesse contexto existem três dimensões. O estado das coisas, a consciência como ilusão, como máquina, não como teatro, os enunciados – o delírio como delírio-mundo, delírio cósmico, raças tribos, não o delírio-família. O desejo sempre se instala e constrói agenciamentos e introduz sempre vários fatores, enquanto a psicanálise constrói um único fator, umas vezes o pai, outras vezes a mãe, o falo, etc.. Bah. Ignora os agenciamentos, as construções. “Sou um animal, um negro.” Rimbaud.

sábado, junho 20, 2009

antinomia
s. f.
Contradição entre leis (e, por extensão, entre pessoas ou coisas).

Dialética do Juízo do Gosto –
Antinomia do Gosto.
Crítica do Juízo ou Crítica da faculdade do Juízo.

A beleza é
Universal objetiva?
ou
Tem acento privada e subjetiva?

Resposta se encontra
no racionalismo estético dogmático?
ou
no empirismo estético irracionalista?

Enunciado estético cognitivo – Fundado em conceitos. Fundado em leis da razão e do entendimento de todo Sujeito em regras que supostamente não variam de homem para homem, de cultura para cultura, de época para época.
Enunciado estético subjetivo – Juízo de agradabilidade, juízo estético empírico, de valores meramente privados, subjetivos e pessoais. Juízo empírico estético irracionalista – Não reivindicam universalidade. Opinião subjetiva, de “gosto pessoal” instranferível.

As duas afirmações assumem forma de tese & antítese
Irracionalista ≠ conceitualista

TESE
(A Arte) Não se funda em conceitos, caso contrário, poderíamos disputar acerca da beleza. (Opinião subjetiva).
________

ANTÍTESE
Funda-se e conceitos, caso contrário, sequer poderíamos discutir a beleza. (Fundamentação judicativa).

Juízo estético cognitivo significa de conhecimento teórico ou prático.
Dá o direito de disputar acerca do Belo. Disputar significa decidir através de demonstração lógica, cálculos exatos.
Juízo cognitivo, portanto, universal – precisa estar conectado a conceitos universais.



Kant(igus)

sexta-feira, junho 19, 2009

Ginsberg por ele mesmo


..................... A M É R I C A......................


América eu lhe dei tudo e agora não sou nada.
América dois dólares e vinte e sete centavos 17 de janeiro de 1956.
América não posso suportar mais a minha própria mente.
América quando acabaremos a guerra humana?
Vai se foder com a sua bomba atômica
Não me sinto bem, não me encha o saco.
Não escreverei meu poema até que eu esteja em meu perfeito juízo.
América quando você será angelical?
Quando é que você vai tirar sua roupa?
Quando você vai olhar para si mesma através do túmulo?
Quando você vai ser digna de seu milhão Trotskistas?
América por que suas bibliotecas estão cheias de lágrimas?
América quando é que você vai mandar os ovos para a Índia?
Estou farto de suas exigências malucas.
Quando poderei ir ao supermercado e comprar o que eu preciso só com a minha boa aparência?
América afinal você e eu é que somos perfeitos não o próximo mundo.
Sua maquinaria é demais para mim.
Você me fez querer ser um santo.
Deve haver alguma outra forma de resolver isto.
Burroughs está em Tânger acho que ele não vai voltar é sinistro.
Você está sendo sinistra ou é algum tipo de brincadeira?
Estou tentando chegar ao assunto.
Recuso-me a desistir da minha obsessão.
América pára de fazer pressão eu sei o que estou fazendo.
América as pétalas das ameixeiras estão caindo.
Não leio os jornais faz meses, todos os dias alguém vai a julgamento por assassinato.
América sinto-me sentimental por causa dos Wobblies.
América eu era comunista quando criança e não me arrependo.
Eu fumo maconha toda vez que eu posso.
Fico em casa durante dias seguidos olhando as rosas no armário.
Quando eu vou pra Chinatown eu fico bêbado e nunca trepo com ninguém.
Eu resolvi vai haver confusão.
Você devia ter me visto lendo Marx.
Meu psicanalista acha que estou perfeitamente bem.
Não vou dizer a Oração do Senhor.
Eu tenho visões místicas e vibrações cósmicas.
América eu ainda não disse o que você fez com Tio Max depois que ele chegou da Rússia.
Estou abordando você.
Você vai deixar que a nossa vida emocional seja conduzida pela Time Magazine?
Eu sou obcecado pela Time Magazine.
Eu leio toda semana.
Sua capa me encara cada vez que eu passo furtivamente pela confeitaria da esquina.
Eu leio nos porões da Biblioteca Pública de Berkeley.
Está sempre a dizer-me sobre responsabilidades.
Empresários são sérios.
Os produtores de cinema são sérios. Todo mundo é sério menos eu.
Ocorre-me que eu sou a Americana.
Estou a falar sozinho de novo.
Não tenho nenhuma chance de chinês. A Ásia ergue-se contra mim.
É bom eu verificar meus recursos nacionais.
Devia considerar melhor meus recursos nacionais.
Meus recursos nacionais consistem em dois baseados
milhões de genitais uma literatura pessoal que vai impublicável 2000 quilômetros por hora e vinte e cinco mil hospícios.
Nem falo sobre as minhas prisões, nem dos milhões de desprivilegiados que vivem nos meus vasos de flor sob à luz de quinhentos sóis.
Eu aboli o puteiros da França, Tânger é o próximo lugar a ir.
Minha ambição é ser Presidente, apesar de ser Católico.
América como poderei escrever uma litania santa com seu estado de humor imbecil?
Continuarei como Henry Ford meus versos são tão individuais como seus automóveis mais ainda todos eles têm sexos diferentes.
América vou meus versos a 2.500 dólares cada, com 500 de abatimento pela sua estrofe usada. América liberte Tom Mooney
América salve os legalistas espanhóis.
América Sacco & Vanzetti não podem morrer
América eu sou os garotos de Scottsboro.
América quando eu tinha sete anos minha mãe me levou a uma reunião da célula do Partido Comunista eles nos vendiam amendoins um bocado por um bilhete um bilhete por um níquel e todos podiam falar todos eram angelicais e sentimentais para com os trabalhadores era tudo tão sincero você não imagina que coisa boa era o Partido em 1835 Scott Nearing era um velho formidável gente boa mesmo Mãe Bloor me fez chorar quando eu vi Israel Amster cara a cara. Todo mundo deve ser um espião.
América você realmente não quer ir à guerra.
América são eles os russos malvados.
Os Russos os Russos e esses Chineses. E os Russos.
A Rússia quer comer-nos vivos. O poder da Rússia é louco. Ela quer tomar nossos carros das nossas garagens.
Ela quer pegar Chicago. Ela necessita um Reader's Digest vermelho.
Ela quer plantar as nossas fábricas de automóveis na Sibéria. A grande burocracia mandando em nossos postos de gasolina.
Isso não bom. Ugh. Ele fazer índio aprender ler. Ele qué nego bem grande. Hah. Ela fazê nós tudo trabalhá dezesseis horas por dia. Socorro.
América isto é muito grave.
América essa é a impressão que eu fico ao ver televisão. América isso é correto?
Melhor eu ir direto pro trabalho.
É verdade eu não quero me alistar no Exército ou girar tornos em fábricas de precisão. De qualquer forma sou míope e psicopata.
América estou encostando meu delicado ombro na roda.

Allen Ginsberg

quinta-feira, junho 18, 2009

O Pensamento Complexo

Programa produzido pela TV 5 (França) em homenagem ao sociólogo e filósofo Edgar Morin. Neste breve documentário Morin fala sobre a Resistência Francesa, movimento que lutou contra a ocupação nazista durante a Segunda Guerra. A resistência veio de todas as camadas e grupos da sociedade francesa, a partir dos conservadores católicos romanos, incluindo os sacerdotes, os judeus, os liberais, anarquistas e comunistas, guiados pelo presidente François Mitterrand. Fala da convivência com outros intelectuais como Marguerite Duras, escritora e cineasta durante esse período. Uma diáspora com o partido comunista da União Soviética do grande e malvado estadista Stalin.
Selecionei um trecho em que Edgar nos conta de onde surgiu seu devir filosófico, justamente na infância.
Pai da teoria da complexidade, ele defende a interligação de todos os conhecimentos, combate o reducionismo e valoriza o complexo. Morin é um filosofo da Complexidade, escola filosófica que enxerga o mundo como um todo indissociável e propõe uma abordagem multidisciplinar para a construção do conhecimento. Edgar Morin é um crítico da perda da visão geral e eu, modestamente concordo com ele.
Assista ao documentário completo
aqui.
Bela oportunidade de conhecer a história desse senhor cativante.
Registro da forma singular de como se entrelaçam vida e obra.

terça-feira, junho 16, 2009

pas plus de douleur
minha criança
Mama is gonna touch you
Mama is gonna give you
carinho
Não há mais dor
meu niño

domingo, junho 14, 2009

vou lhe dar a decisão

Chicken boy

Feel like a chicken? Se sentindo feito uma galinha choca? Menino-Galinha, Chicken Boy!
Babo pietá, se eu fiz um anjo chorar, mas mais magoado fiquei. Sabe, tenho estado muito só e meu bebê acredita que essa! é a condição de todo ser humano, ou seja, foda-se a minha solidez, não há mais solicitude, cada um por si porque Deus, vosso pai, está em coma e somos bem vindos à selva, onde we have funny games. Por isso eu fujo e me escondo ou te bloqueio. Fujo pro meio do mato. Mato-me, sumindo do mundo onde seus olhos enxergam. Você deseja ardentemente querer não querer. Não querer desejar porque tens absoluta certeza que vou fazer-te sofrer e vai doer. Década de dez, ninguém deseja ninguém alm de si mesmo. Toma pra si a paz do lar, um banho, aconchego, lava suas roupas, mãezinha, family, faz seus trabalhos. Eu não confio mais em quem não confia em mim. Agora também entrei na linha (embora Oliver, ainda não tenha feito meu pedido) concluí que o mundo é regido pela incontestável lei do mais esperto. Achei que tudo seria mais fácil, pois não entendo que sou um grande chato e essa é a verdade. Há coisas que não combinam em mim. Coragem e poetagem se confrontam no final, com o embargo de todas as ações. E sou maravilhoso vagabundo, de nada maravilhoso sono. E me sinto sem mundo, sem dono de mim mesmo, um inútil. Sinto-me guerrilheiro de uma única causa vazia e cheia de sentimentos tácteis, metafísica, cicatriz risonha e corrosiva. E sou um estranho esquisito fora da lei, iconoclasta. Destruir a patética imagem de um “sonho de família” me bastava. O mais próximo que consigo chegar da racionalidade latina. Espero entre gargalhadas e o choro, como Gargantua no nascimento de Pantagruel. Somos bandidos, apátridas de estrada de terra. Essa merda de pensamento positivo, esse inferno de exercer o Bem comum. Não me obriguem a nada. Quero ser o eu-pirata, defecado nas latrinas da existência. Não sei mais como e nem para onde ir, posto que o mundo é redondo. Por conta dessas minhas devoções dedicadas, quero isolar-me novamente. Honrar a ética do banditismo redimido, afundar minha canoa no rio. Que não me serve nem levará a nada, novamente. Preparo-me para perder, pra desossar mais uma vida minha. Isolar-me onde só depende de mim meu pragmatismo. Onde não passo por melindres, senões ou porquês. Onde sumo e enterro-me em meu próprio túmulo, nas desesperanças. Sou filho de imigrante varrido de um mundo imundo rasgado em mil pedaços. Porque que eu sinto tanta raiva de mim mesmo? Porque que eu choro enquanto escrevo? Vai-te a merda! Vai mais uma vez! Porque que sinto tanta raiva de ser esse imbecil inocente que sabe tudo que se passa a sua frente e concorda porque é fraco, confesso. Já analisei as faculdades do amor pra aprender a lidar com simesmismo. Conformado ou conformismo? Preciso aprender a lidar com o mundo. Cheguei a conclusão que não vale pena mover uma palha. E a vontade insana de matar, na luta que tenho a travar comigo mesmo. Próximo às muralhas de Sevilha, com meu amigo Lillas Pastia, vamos dançar a seguidilha e beber manzanila. Meu amor é o diabo. Coloquei na porta ontem, esse pobre coração inconsolado. Tão livre quanto o ar e os verdadeiros prazeres são dois. Quem quiser me amar? Eu amo! Quem quer a minha alma? é tomada. Chega no momento certo, quase não tenho tempo pra esperar. Mata-me um pedaço a falta de sentido de suas frases evasivas. Deixa-me no ar sobre a corda bamba. Queria dizer coisas tolas. Vai-te à merda, vida minha, vai com ela. Um feto morto defecado no gelo pela vagina, nas planícies da Sibéria. Pois é o que eu já fui. Farei um buraco vazio desse moto perpétuo em que me caibo. Perpetuo teus olhares à cor do boto. Pega seu canivete enferrujado e extirpa esse mixoma Savage. Pra não sofrer mais do que sirvo pra sofrer, além. A terra suja dessa velha Europa. Madrinha de todas as atrocidades e outras que apadrinhou. Vou dar descarga nessa privada. Raiva é ser embromado feito um idiota. É o que sinto mesmo com todo eu te gosto, eu adoro-te. Não redime de nada, da mentira, da omissão.

Queimei com muita inabilidade as frases que iria te dizer. Perderam-se dentro de mim. Já sou eu mesmo, não sou mais você. Agora sou outro alguém. Aquelas minhas projeções vão por água abaixo, por um cano entalado, e os fragmentos jorram de volta em minha’cara. Já são três e quarenta e eu não sei quanto tempo vai durar essa raiva, que me deixa irascível e agredido, que faz-me sentir mal comigo mesmo. Ajuda-me Sidarta, a superar essa raiva. A curá-la com essas três mil seiscentas e dezenove palavras. Não vou mudar em nada. Intransigente intransitivo em meu objetivo. Seja você quem for, seja também fiel aos seus princípios. Sejamos a geração de multidões solitárias. E invencíveis. Estou espezinhado por motivo tão fútil, porque não é contigo o que estou sentindo. Estou me sentindo à deriva no que eu pensava ser um barco. Talvez sem motivo, mas também sem motivação. Ser enganado, melhor seria esganado. Vou gritando esaas palavras e a raiva vai saindo. Miles arranha seu flamenco. Você não me ouve. Então vou despejando o vômito em letrinhas. Preciso te matar agora, pois nunca mais passarei fome... se é que me entende. E não é de comer que ando falando, é de viver coisas intragáveis - como essa. O homem que te diverte cansou de ser palhaço. Parece castigo por ser (ou fingir de) otário. E aqui eu fico. Criança dorme cedo. Acendo mais um cigarro e vou me preparar pra dormir. Foda-se Eu, não é. Cada si em seu círculo. Sociedade alienista, talvez seja o controle de natalidade. Sinto-me um cocô de galinha. Subcultura de massa, sub-suinocultura.

sexta-feira, junho 12, 2009

além do mundo, coelhinha

Fui um rebelde e ainda me resta um quê de rebeldia. Fui rebelde e hoje eu sei porquê me agarrei ao passado de outras vidas. Andarilho, colhendo raízes nas tundas da Sibéria. Povoando as montanhas da velha Europa. Não tenho medo, quero desejo. Já desejei solidão isolamento. Hoje só lamento não ter tido família. Seria também uma família de andarilhos? Nunca fui berbere nem nunca nasci no Saara, se alguns dias se passaram por lá, deixa eu dançar Odara. Falava cantonês, carregava frutas de pés descalços, sempre alegre, mas nunca feliz. Choramingava lágrimas de chinês, de solidão. Já fui monge, fui judeu, egípcio, fui ateu e já fui cristão. Fui e continuo sendo, pensando. Estou de pé e vejo. Carrego a luz do meu próprio ego, sem perceber meu umbigo os outros olham. Pra varrer o que há. O que quer (ou não) que seja que estiver contigo. Dor ou dengo, amor, amou. Amor e solidão umbilical, edipiana. Uns me chamam outros me amam. Sinto em dizer aos que me detestam que a revolta pro centro da sua testa, então não finja de besta. Cresça e desapareça. Escrevo de pé porque de pé é melhor, flui melhor, é mais selvagem, menos mundo novo. Oliver, gostaria de terminar meu pedido. Colocaram rosa e lilás na bunda das nuvens. Aliás, hoje elas estão lindas e o céu e o seu azul. Já não me deixa blue seu charme. Sei como arde, uma brisa de outono, um oximoro. Os ventos de Netuno e o aval de Venus... Passa vagarinho uma chuvosa nuvem lenta e derradeira. Deixa sopro suave sua energia. Perdi circunflexões, vírgulas & ésses, isso acontece. Não podia ficar tão tenso, não devia deixar de ser tão denso, mas devia ser duro. Ceder aos erros e aos erres. Porque fui assim, rebelde? Porque, ao meu jeito, tento me refazer de tantos porres? Invento uma vida nova. Aqui, de pé, cadenciando meu olhar alhures, longe de mulheres indefensáveis, esperando um anjo pousar na Terra. E esse anjo é meu, não se discute. Acabei com o ciclo de perdas, plantando agora um ciclo de ganhos do mais alto gabarito. Não sei se me entendem, essas jovens pentelhas, falo gírias que meus pais falam. Porque chamá-las assim? É o que são. O afã da juventude quem se defende como pode, quem mesmo assim se fode. Nunca comeu uma maçã e quer ensinar o saber da fruta. Mas com muita dor se der aprenderão o sabor da labuta, coisa escrota eu virei. Coisas escrotas vocês também, não sei pra que tanta revolta. Só sei que vê-las caladas é melhor do que dizendo suas hipérboles mal elaboradas, originais. Ao menos alguma beleza estética e em geral, nenhuma ética. Eu sou prosac, e daí. Tomou sua fluoxetina hoje, amor? Eu já – ela disse – e você?
__ Você é serotonina, meu bebê.
dolce bimbo

quinta-feira, junho 11, 2009

Wir haben gute Flüssigkeit in uns

It's a long and wild road
It's a long long long way


Fiz pra você um anel de bons fluidos. Bons fluídos, aqueles que relaxam o corpo e a mente, a alma. Ao se deparar com uma cobra, saia do seu caminho (do caminho dela, o português dá margem à interpretações ambíguas) e siga seu camigo. Ao ver uma onça, corra e uma borboleta, onde você mora? Vem morar aqui dentro da oca. Tem lugar. Não se perca de mim, não fuja. Aventura de nobres ilusões. Meio rouco meio louco, sempre volta pra casa, onde houver casa, com a presa e a pressa de voltar à selva, antro das ferinhas. Imune, nenhum monstro da natureza humana na lua cheia (de iusões) me apavora. Nem sequer me afronta a ponta do nariz. Um bolero e tive meus os pés salvos por anjos no caminho. Óbvio é o passar dos anos, consorte de um destino que se desfaz. Derrama, despeja, deseja... que se caísse na cama toda massa energética ao som do jazz e fizesse como deve ser feito. Meu coração (acho que é o coração) mais um beat, coelhinha, pulsando feito criança. Fiz pra você um anel inquebrável... então vai, faz do seu jeito. Faz o que tem que ser feito, ao som do jazz. Irrompe no vazio do meu peito.
Com
amor.

Caçador da Alvorada metropolitana

terça-feira, junho 09, 2009

homo nouvelle

Breve reflexão sobre o excesso de acesso a informação na pós-modernidade. Relativo à disponibilização (significa gerar informação na atualidade, retransmitir através dos portais de vídeo disponíveis) de músicas gravadas há mais de trinta anos atrás. Parto da premissa de que é necessário a uma determinada cultura conhecer e valorizar sua arte, tradição e costumes, embora as tradições sejam quebradas a todo instante. A arte, em termos gerais, engloba todas as manifestações: pintura, escultura, música, dança, teatro, literatura e cinema. As quatro primeiras sendo de mais fácil entendimento ao Sujeito cognitivo universal. Sendo as três últimas (em sequencia quantitativa não qualitativa) necessárias de entendimento (cognição) lingüísticas e culturais ao mesmo Sujeito universal. Partindo do pressuposto de que não existe um conceito definido (e aceito) de Objeto, na pós-modernidade, esses arquivos fazem parte de um Tempo atemporal. Esse “todo” manifesta-se on-line, ou seja, em tempo real. Mas devo salvaguardar o sentido relativo de real, posto que o Tempo seja apenas uma contagem (um cálculo, estimativa, uma análise) criada pelo homem para diversos propósitos.

[A opressão gerada pela marcação das horas acontece nos primórdios da Revolução Industrial, na Inglaterra, com o advento do relógio. O relógio determinando o horário, a hora, que o trabalhador deve acordar trabalhar, almoçar... faltando pouco tempo para o etc. limita o tempo para reflexão sobre o que Deleuze classifica como as três idéias, ou ilusões de transcendência: Alma, Mundo e Deus.]

Com o advento dos vídeos, na década de 1960 (gravações com áudio), a filmografia disponível hoje, em 2009, gera (legi-) signos que serão ouvidos, vistos, lidos e interpretados pelo Sujeito infinitamente. Entendo o homem-novela como personagem das revoluções - Revolução Comunista, Revolução Russa, Revolução Francesa, revolução Art Noveau - tudo isso como sendo pura abstração, tudo isso é vida. A justiça não existe se o homem não existe, esse é um domínio da percepção. Adentrando o functivo da Arte, os perceptos da pós-modernidade só existem porque existe a possibilidade de interface. Mesmo sob o crescimento rizomático e caótico da sociedade pós-industrial.


Novos Baianos (bem novinhos mesmo...)
♪ ♫





Diz minha mãe que eu pareço com o filho do Moraes Moreira. Acho que sei quem é. Um moço que anda só de turbante, fazendo pose de candomblé-pós-moderno.

segunda-feira, junho 08, 2009

Portugal de navio

Estou sem dinheiro e sinto-me um estrangeiro em terra estrangeira. Cresci como moço azarado, subvertendo e pervertido. Necessidade de fluir além da geografia da cidade. Há dez anos me perdi. Saí pelos caminhos do mundo procurando um diamante. Não confundir diamante com dinamite, numa explosão de alegria sem fim. Fui à procura do que não perdi. Um garimpeiro de horrores e noites mortas. Não encontrei meu bebê, nem mesmo um blues choramingado pela rua, nem mesmo a mulher barbada, nenhum palhaço à paisana, nada. Circo de deliciosas estranhezas, emoções indizíveis, indivisíveis, invisíveis encontrei. Vislumbrava um bando e meio da metade de quase tudo. Acordei pensando nela. Vontade que tenho de fugir assim pela janela. Fique à vontade. Levando a mala cheia de ilusões. Quero levar-te no meu automóvel verde. Quero esquecer o passado a me espionar. Tirar essa roupa velha e o abismo que atravessa meu caminho eu atravesso com um pulinho, e nisso passaram-se dez anos. Naturlisch.

sexta-feira, junho 05, 2009

o Bruxo

Hermeto Pascoal 1978




Hermeto Pascoal & Grupo com Heraldo do Monte e Stan Getz 1978
1º Festival Jazz São Paulo
no palco Cacau, Nenê, Itiberê, Jovino e Pernambuco tocam Branca tema de Zequinha de Abreu
Seqüencia completa do Festival
aqui
note-se Chick Corea na platéia


Para meu amor



Round Midnight

The Crazy Albino
Wizard
.

quinta-feira, junho 04, 2009

A Grande Merda

3ºAto

O Medo, Eu e A Ponta dos Dedos estamos no quarto ouvindo Frank Zappa, a música é Dupree’s Paradise. O Jean-Luc Ponty tinha mais cabelo em 1973. Cinco anos depois eu nasceria. Mas não agora. Agora estão os três aqui, diante do computador, e se você fizer as contas, vai ver que eu tenho 31.

A Ponta-dos-Dedos – Que frio!
Gato Malvado – Que saudades!
O Medo – Que medo!

Então A Ponta-dos-Dedos rapidamente intervem.

A Ponta-dos-Dedos – Medo do quê, seu cagão?
O Medo – Não é da sua conta!
A Ponta-dos-Dedos – então porque você não geme?
O Medo – É o frio.
A Ponta-dos-Dedos – E o frio faz gemer? Gemer de frio. Se eu pudesse gemer, mas eu só consigo tremer. Eu é que tô com frio, você tá é com medo!
O Medo – Sabe, é que hoje de manhã eu sonhei que estava perto de uma enorme parede de pedra. Um Big-wall paredão de mármore de
1.000 metros, reto 90º a pino.
A Ponta-dos-Dedos - E você estava lá em cima?
O Medo – Não. Tava embaixo. Sabe, Ponta, eu não tenho medo de ficar lá no alto, não tenho medo de altura. Tenho medo de estar perto de estar perto de grandes estruturas.
A Ponta-dos-Dedos - Será que você já acudiu alguém que caiu de um precipício? Ou será que uma pedra caiu na sua cabeça? Caramba! Nunca vi isso.
O Medo – Ver como? se quem vê são os olhos.
A Ponta-dos-Dedos – É, mas eu às vezes registro o que eles vêem. Ei seu borra-botas, você também não se enxerga. A Memória guarda pra mim o que eu faço, falou.
O Medo – A Memória?
A Ponta-dos-Dedos – É... Ela tem sido bastante útil pra isso, mas quando ela toma muito café eu fico com frio.
O Medo – Ué! mas quem toma o café é a Boca...
A Ponta-dos-Dedos – Cara, nem sei mais. Sou forçada a ajudar, mas depois eu sinto os efeitos e fico tremendo.

__
WUUuuuaaaaAAAAWWwwwwwRRRR!WWWW!!!!!!
O Gato Malvado interrompe a conversa, como sempre.

O Medo – Que susto! Porra.
A Ponta-dos-Dedos – Caralho! O que você quer?
O Gato Malvado carinho...

caixa preta

Pego carona na pantera de Amóz Oz. Há coisas que ficaram na garganta, mesmo depois de tanta verborragia. Mas não adianta. Ninguém virá em nosso socorro nos ofertar um ticket pra viver. Não sei bem com quem estou falando. A quem eu quero me referir. Digam que é a mim mesmo. Mas veio a vida como enxurrada. Veio com vontade, mas não nos deteve. Estava tão alheio que seria capaz de matar. Estive fora, por muito tempo. Envelheci no Espaço entre as horas. Por muito pouco fora estive dentro e muitos ventres acolheram minha nostalgia. Indescritível, icognicivel lamenta. Meu ego, meu espírito meu umbigo e o teto do meu cérebro. Criou musgo, deu dengo, dengue. Não tenho a menor preocupação em classificar e ou qualificar. Estou à beira das coisas boas e à distancia do que detesto. Como quando chafurdávamos na lama e nem dormindo éramos felizes. Lembrança embalsamada de silêncio. Há feridas que não cicatrizam e vão levando cada pedacinho numa necrose múltipla. Você foi o bacilo da nossa lepra, nosso casamento entre o inferno e o purgatório. Eu estava no purgatório, claro, pois pagava meus pecados. Você, naturalmente, era o inferno. Sem muito esforço, fazia-me perder as desesperanças. Tive uma vida antes de você. E tantos vês que mesmo assim não me viu, ou não viu. Pulei um carnaval sem samba. Cirurgia moral. Ainda sou o mesmo dantes do desastre. Sensível e conturbado, conciso e confuso, confesso. Retórico e susceptível à servidão humana. Cedo demais frente às vontades. Sinto, mas é paradoxal. Amo, mas com preguiça enorme, odeio. O Jogo das Contas de Vidro do Hesse também não existe, mas tanto quanto na vida eu sou o palhaço. Agora todos dormem. A madrugada como um presente da humanidade. Que todos durmam. Quem atravessa os portões da madrugada arranca, destroça, aniquila, falha e se rejubila (dependendo de onde você estiver). Lembranças e defesas que atravancam o meu caminho. Esforço para me desapegar dessas más recordações. Obter pela força ou pela astúcia uma nova concepção de ser. Extirpar com a navalha da razão. A cada dia que passa se esvai na brisa. Faz parte da festa dizer que foi uma merda. Tento extrair, fazer sair tirar com força, puxar arrebatadamente, com ímpeto e subitamente. Não moveria uma palha para além da minha indiferença. Somos o nosso passado e não só uma parte. Somos por inteiro, desde a existência do homem. Ressuscito das cinzas com dois ésses, desse ou para esse tempo. Nesse ou naquele tempo ou ocasião em tal caso. Noites de falta de nexo, verso e prosa. Perdoar é esquecer, memória de merda. A poesia foi cagada e esporrada na rua, nos bares e botecos, nos becos da favela. Ecoavam a mudez e a mudez o verbo e o verbo não conseguia engolir minha frustração. Chega dessa mentira deslava de ser. Chega de prosa e foda-se a poesia que só é bem vinda quando vier, vê se não incomoda. Incorpora teus versos ao travesseiro e vai deitar na minha cama. Dorme espreitando minhas orelhas e ronca no meu ouvido. Geme baixinho nos lábios da minha namorada, que é única sutil e me ama.


quarta-feira, junho 03, 2009

Zappa

por favor me digam quem é o mais doido em termos de maluquice (voltarei a abordar esse tema) e leiam o texto abaixo. Aproveitem a música. No duelo Hermeto Pascoal e Hiromi Uehara, creio que o Hermeto ganhou pela diversidade. Agora gostaria que vocês, caros visitantes desse papagaio, observassem isso.





Francamente...

mio domani e le mama

Negligenciadas, crianças são levadas a se sentir invisíveis. Não é o tamanho que as faz se sentir inisíveis. Não é preciso ter nenhuma teoria sobre a natureza humana para ser contra o capitalismo. Se você não enxerga o que está nas ruas, ou melhor, “quem” está nas ruas, mora na rua, dorme na rua, e o quê isso representa, você está (assim como todos nós) anestesiadamente distante, paralelamente distante. Não sei onde isso pode acabar, mas a miséria é sua também, é nossa e é de todos. Tem pra todo mundo!
Fait Divers
Eu-poeta me perco nessa meta dimetil tritamina, princípio de uma droga que alucina, descoberta no início do século pelo exército alemão. Tomo um café à maneira que os franceses preparam. O expresso italiano é um dos poucos artigos fast da Itália. João Donato tocou com Chet Baker, l’angelo caduto, na Califórnia. O grande João Donato morou dez anos nos Estates, tá bem velhinho... O Chet se "tocou" pra Itália no fim da vida (fim? durante...) porque era persona non-grata no seu país. Eu conheço o filho do João Donato, o Donatinho. Ele tem uma banda eletrônica chamada Zambê que são umas figuras. Tomo um café que eu mesmo preparei. Fica pronto pra quem sai de manhã pra trabalhar. Dinheiro é poder. Vou fazer disso aqui chamado blog alguma coisa mais chic. Um daily journal uma página rolada um tablóide uma revista semanal, um diário. Aproveito os recursos que ele me(-nos) oferece. Frases soltas pela [by-] pós-modernidade. É necessário que se tenha uma boa conexão. Posso extrapolar (adoro essa palavra - extrapolar) o quanto for possível os recursos de audiovisual, as ferramentas tornam possível que eu me expresse através de imagens, sons e vídeos, todos eles juntos e a palavra, verbo-voco-visual. Faço aquilo que o básico me oferece, e que pode ser feito por qualquer ser humano de inteligência mediana. O comando control C control V, ou, copiar/ colar. Outrossim dispara em desespero, pleonásmica e retumbante redunda. Deixe-me ver sua bunda.
Ass.
o Bárbaro de Carapicuíba

segunda-feira, junho 01, 2009

azar & lógica...

“Pasé mi infancia en una bruma de duendes, de elfos, con un sentido del espacio y del tiempo diferente al de los demás”


Entrevista conedida por ocasião do lançamento de O Libro de Manuel em 1973.

Júlio Cortázar, escritor de Rayuela (Jogo de Amarelinha) considerado a obra máxima do autor latino americano, inspirou um grande número de cineastas, entre eles o italiano Michelangelo Antonioni, cujo longa-metragem Blow-up foi baseado no conto As Babas do Diabo do livro As Armas Secretas, contos escritos em 1959 e publicado no Brasil somente em 1994.