quarta-feira, março 31, 2010

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anjo da amargura


Fique bem consigo mesmo. Free as a bird. Deixa fluírem as águas do rio Vida. Deixa que se vá com ela. Admira de longe, assim como quem observa a Lua. É só um detalhe. Admira a impermanência de todas as coisas materiais. Somos eternos. Pequeno(s) nada(s).
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nada(s)


“A águia nunca perdeu tanto tempo, como quando se dispôs a aprender com a gralha” Blake, mas você me ensinou a superação, a humildade.
“Um pensamento preenche a imensidade”, pois embora não saibas
“Se os loucos não tivessem sido loucos. deveríamos sê-lo.”
“Criar uma pequena flor é um trabalho de séculos”
Ah... quisera eu estar enrolado em um belo par de pernas...
vou ver TV.

terça-feira, março 30, 2010

leite negro


Quanta coisa me desanima... O ritmo caiu. Agora devagar. Faço uso das minhas horas vagas. Durmo cedo e acordo cedo. O ritmo já foi mais lento e mais lírico. O dia pontuado por notas prolongadas. Várias horas de trabalho. Agora está com um aspecto de renascimento que jamais beberá seu leite negro. E jamais dormirá no meu leito, onde jaz um feiticeiro loquaz. Eloqüente, verboso, tagarela e redundante. Giro em torno do mesmo tema. Sento diante dessa tela para me ver livre de algumas palavras que não consigo “falar”, vocalizar as palavras em voz alta seria como falar sozinho. Seja talvez um tanto supérfluo, inútil e desnecessário. Seja eu essa pessoa. Andando de um platô a outro. Descendo, subindo... Moonlight sky tonight... Durante o dia, minha cabeça parece vazia. E realmente está realmente fica. Meu signo é ar, projeto meu presente no futuro. Faço, sou ansioso. Isso faz minha mente agir mecanicamente para executar uma tarefa, para dar um passo além do instante. Não consigo me concentrar nem pensar mais adiante. A dinamite, a pausa, o segundo da explosão. Depois de algumas horas, dias, meses, tudo se acalma. Ficam as marcas do desastre. Fica a cicatriz. Ficam falsas memórias, lembranças bobas, lembranças boas. Coisas sacanas, sexo, cama. Fica o gosto.



Shame... It’s a shame...


I think I've kind of lost myself again...

segunda-feira, março 29, 2010

barbarismos universais


Volto ao momento primeiro em que nos conhecemos. Volto. Volto e acaricio cada momento. Cada momento que não volta mais. Abro esse livro de memórias e volto a cada vão momento. Eu sou de carne e osso. A lua nasceu durante o fim do dia. Sua luz crispando o céu... Voltar lá naquele primeiro instante e observar. Disciplinar-me a somente observar, absorver, sorver-te, embora não sejas um grande vazio. Os minutos, eles que nos aguardem. Hora vindoura, seja bem-vinda. Distribua a mancheias a sua graça e a sua sentença. Obrigado, Miles. Obrigado, Chet, Love for Sale. Viro a última página desse livro. “Quem entende é obrigado a aceitar”. E pronto.

domingo, março 28, 2010

nomadismo


E desterritorialização. E de agora em diante, o quê você vai fazer da sua vida? Um super rapid delay, lembra? Daquela filósofa africana que eu disse uma vez... Um super rapid delay é como a junção de dois pontos da curva que se encontram. Uma interseção, um só ponto de encontro entre duas linhas - a crista da onda choca-se com a água. A redundância. Um silencioso e rápido atraso. Um mudo e vazio milésimo de segundo. Depois do futebol e assistindo Faustão, Blake se confunde com meus aforismos “quem nasceu pra goleiro, nunca vai ser atacante”. Nietzsche competindo com Jesus.

high seven

lua cheia
no céu
do sunset

high manga

erros no aravalo
nada em petit poranga

nada(s)


Aos trinta e dois anos, chego à idade do mais racional do que emocional. Bom pra mim... A idade da razão. Uma batalha comigo mesmo. Um conflito, com todos os meus vícios e uma tentativa de reformular. "Obrigado" a reformular. Obrigado por reformular a minha vida. A metafísica não vai te ajudar. A razão se espalha, mas o sentimento une. Por isso, me desligar de fatos emocionais e travar firmemente essa batalha. Deixo ir com as águas do rio todo tempo perdido. Tempo em que eu andei perdido. Ensandecido, revoltado, bêbado. Todas essas “fases” são fãs da embriaguez. A ninez ou infância. Coloca-nos outra vez na Zona de Conforto... Lá onde ele mora não precisa disso. Faz calor vinte e quatro horas por dia. Aqui estamos na região de conforto, mas desconfortáveis. Felizes em poder passar por essa provação (espero que passe). Coloco-te dentro de uma das minhas caixinhas. Como uma história que escrevemos juntos. Pulsão de morte, pulsão de vida se misturam, como enterrar um vivo. Há seis anos vivo somente com a figura do meu pai. Que fôssemos felizes todos juntos. Lembro agora de algum livro budista que dizia algo mais ou menos assim “não se deve fugir do ‘problema’ quando ele surge. Ele virá te procurar à noite e te incomodar. Conheça cada detalhe e alivia tua mente” não sei se é isso mesmo, mas é isso mesmo que eu faço para suavizar minha dor, minha dor metafísica. Pasto de ruínas te afiavas, para os breves sonhos indecisos. Pensamento de fronte, luz de ontem. Índices e sinais do acaso. O quê eu descobri sobre o silêncio? O hipertexto talvez. Ou talvez mais do que isso. Descobri existir, ser, ter que ser, e viver em uma ilha deserta, cercado de água, e o poder que a terra lhe atribui. Movimentos sísmicos. Encontros cósmicos. Decido sublimar um Nada existencial. Mais do que um Nada subjetivo. E lanço minha última flecha “é preciso naufragar nos próprios erros para conhecer o certo”. A arte cavalheiresca do arqueiro Zen. Estranha sensibilidade que anda e fala. Cala a passarada seus tristes queixumes... Ó cruel saudade que ri e que chora. Talvez seja apenas mais uma personagem "efêmera" da minha trama. A ilha mais deserta do mundo. Nunca será igual. Porque essa minha resistência ao passado? Mudanças espero, é ter esperanças... não percebeu que eu estava sofrendo, perdido. Salve o sagrado direito se retrair e não se expôr ao ridículo.

Imagens Blake

Eu, particularmente, embriago-me na minha mesmice. Eu quero "salvar as alteraçoes". Desci pra comprar cigarros. Aflição desse povo "what is going on?". A barra da calça dobrada, ainda meio bêbado de sono. Fiz café. Agora só eu bebo casa aqui em casa. Minha mãe não. Café e cigarros. Adoro lamber ferida, mas a vida incide de forma diferente quando passa. Quando a dor apazigua e já se pode andar e mexer, e correr. E atento aos perigos do caminho. Seja ele qual for seja um tigre bonzinho. A abelha diligente não tem tempo para mesmices. Blake. Os tigres da ira são mais sábios que os cavalos da instrução. E, em ordem aleatória A raposa culpa a si mesma, não a armadilha. Aquele que sofreu tuas imposições te conhece. Alegrias fertilizam, tristezas criam. O que agora está provado foi outrora, somente imaginado.. Porém, enxergo melhor e com mais dedicação, mais afeição, mais ternura, mais apego, o primeiro provérbio Na semeadura aprender, na colheita ensinar, no inverno desfrutar. Aquele que deseja mas não age, cultiva a peste. A ação mais sublime é colocar outra na sua frente. Espera veneno da água parada. A cisterna contém, a fonte transborda.. Não sei por que lanço mão, certas horas, dos Provérbios do Inferno, como se fossem divinos. Não sei se são divinos, mas certamente são providenciais e sublimes. Uma fera, em um lugar seguro, uma caverna, lambe a ferida até se curar. Nenhum pássaro voa mais alto com as próprias asas. Como escreveu Rimbaud, É preciso ser vidente. E Blake finaliza meu texto. Mergulhe no rio aquele que gosta da àgua.
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sábado, março 27, 2010

Leben ist Vielfalt

Eu havia esquecido. Tudo está flutuando. Boiando assim, como em uma correnteza. Cada com seu rio-vida, suas curvas. Na geografia do labirinto do ego. Viver é assim como todas as coisas, na(s) ondas, ondulações. O determinado momento acontece nas dobras, triangulações ou ramificações do Tempo-Espaço. O pensamento corre em velocidade imensurável, infinita. Como se eu estivesse esperando a chuva. O pensamento voa mais rápido q a velocidade da luz. A terra gira em torno da lua, ou a lua gira entorna terra? Faz lua cheia aqui enquanto é dia no Japão. Faz lua cheia no Japão. A pomba gira, putinha, voou voou. Não há amor melhor, não há perolas entre as conchas e sou, em consenso direto com o ato de ser, nômade. Todo somos, somos eternos. Estou mapeando a territorialização e desterritorialização dessa vida, como se fosse um mapa. Um mapa tridimensional, trifásico. Dínamo da noite estrelada, a catarse faz parte do estímulo. O dínamo gera energia mecânica através de uma força da natureza. A vida é um moinho, a vida é um dínamo. Pode incorrer certo ar de instabilidade no nomadismo. Na redundância vejo que gosto do gosto de lamber ferida. Deixa-me, mais uma vez, na zona de conforto. Nada mal afinal. Miles, a música enbriaga. Link it! no jardim, nada com nada. Se dissolveu. Um ponto negativo se esconde no lado contrário da sala do seu cérebro. Nada mais faz sentido. Nada mais tem. Nada mais é.

Massive Attack

cut-ups out glam Gogol


Na ida, na foda, na onda, na vinda, milonga, me liga. Um tango, um fado, valei-me! Como saber? Cheio de dúvidas, cheio de ferpas, cheio de falhas. Cheio de pulhas, cheio de furos, cheio de canalhas. Cheio de pontos, cheio de agulhas. Loba potiguara facial. E navalhas...

cut-ups

Garota dissolvida, já fomos anjos... e agora?
O tolo olha pro dedo, o sábio olha pra lua.

Fuck Lolita, linda na linha. Aquele telefone e a sua voz molhadinha. Aquele chega pra lá, o primeiro e menos sutil. O mais odioso talvez. Pensar que uma voz no telefone... Fuck Lolita, já não estou menos aqui quem falou. Fuck Lolita, eu vou fazer um out-dress espiritual. Luzes, cores, harmonia. Fuck, Lolita, é tão difícil de entender? Fuck Lolita é tão difícil crescer. Fuck Lolita é tão difícil Fuck Lolita, levar você ao orgasmo? Deixa eu lamber sua alma e fazer as coisas que eu fazia. Vai, no ritmo de jazz, derrama sua poesia em mim, em nós. Fuck Lolita, penso em você toda hora. Fuck, Lola, por que fomos embora um do outro? Retrocedi no tempo. Agora as folhas de outono... lembram que tens muito a viver jovencita. Fuck, Lola. Vai sofrer, vai chorar, mas isso acontece...

Merda.

fuck Lolita meu coração



O tempo passou depressa. Quão liso, quão áspero, quão doce, quão amargo. Qual o tamanho dessa enorme tubulação? Enorme só lhe confere uma “impressão” de tamanho, mas tamanho de quê, dO "quê"?... "quanto tempo se passou?" Em dias, horas ou minutos, o instante memorável que nossos corpos se tocaram, pele contra pele, e talvez, nossas almas vibraram em um pensamento vazio, um não-pensamento, um quase animal ou meditativo estado de ternura, imensidão e plenitude eu senti? Quanta dor-de-cotovelo nessa história. Quanta batalha inglória? O ponteiro que conta os segundos corre atrás do minuteiro. Atrás do minuteiro, o mundo inteiro e todo mundo. Hoje ela foi ao teatro, agora ninguém sabe onde está. Só ela. O que está mais distante está próximo, e o que esteve mais próximo está distante. Lembra-me o soneto da separação. A estrutura próximo-distante. É como: "não me incomode". Fez-se do amigo próximo, distante. Fez-se da vida uma aventura errante. De repente, não mais que de repente. V. de Moraes. Não só uma, mas várias.



sexta-feira, março 26, 2010

e alguns kilômetros


Vejo que estou a poucos metros e alguns Kilômetros de alcançar a cadência do tempo. Estou me observando a cada instante. Na prateleira onde coloquei as lembranças. Nas frases clichê da vida. Estou me vendo, me policiando. Mas não da palavra! A palavra fura e rasga. A palavra empunhada, apunhalada, punhaladas. Punheta! ato contínuo, o desfecho da festa... início de um novo ciclo - um Bom ciclo. Logo no início de um novo capítulo, morre um personagem. Mais uma personagem efêmera da minha trama. Nada permanece. Quando bela, quando triste. O sol logo amanhece. Só um dia o "porque" se levanta...

the pan piper



A ensolarada musicalidade de mais um dia. As tarefas a serem cumpridas. As metas e o objetivo – apenas um final, um posfácio. Agora estou afim de “crescer” e me livrar da nova velha roupagem. Livrar-me do antigo self and selfish. Causalidade de redundância deleuziana. Eu = Eu. O silêncio entre a ordem e a ação. A verbalização do vocábulo e a sonoridade do fonema. A superação de um emblema, a separação de um símbolo criando signos, milhões de novos signos. Surpreendendo? talvez... agora Eu sou dois Eus. Sem arestas.


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quinta-feira, março 25, 2010


Termino de digerir mais um dia, por volta da meia noite. Atravessou-me o tempo em que a cada dia as noites eram mais longas. Agora os dias é que são longos... Chegou ao ponto de ruptura. Nada a fazer adiante senão ceder. Ceder à ideia que tanto me incomoda. O trabalho... Ah, como conciliar tudo que quero viver e fazer? Não gosto de agendas, mas vou precisar de uma. E comprar um aparelho irritante, o celular. Não tenho celular há oito anos, quase dez. Acho que nunca tive ao certo. Comprei um para falar com uma namorada que nunca mais me ligou. Anoiteço mais um dia, tantos de espera que a mesmice se vá definitivamente. Estou preso a mim mesmo. Devo pensar menos senão vou adoecer. Devo falar pausadamente, sempre ter paciência, nunca perder o equilíbrio, azedume e descortesia, comentários infelizes, perguntas desnecessárias, respostas deprimentes. Vi chegar a hora da tomada de decisões. Não precisa me lembrar o quê fazer. Estou totalmente concentrado. Preciso re-organizar a bagunça. Informação e redundância de tantas idas e vindas. De tanta vida e tanto de-tudo-um-pouco de tamanha intensidade, sem você. Não posso negar meus sentimentos. Mas devo adestrar meu coração. Com uma canção de ninar, fecho os olhos da alma, cada vez que te “vejo”. Devo adestrar meu pensamento. Devo ser cruel, sem que percebam. Encerra essa dor tamanha, essa tamanha grandeza que dedico à dor. Devo gostar de sofrer... Sofrer coloca as pessoas na zona de conforto. Enfim, ninguém sofre porque quer. Cada um reage à dor de forma diferente. Os metafísicos não vão ajudar. A letra é o prelúdio do fonema. A forma da intenção se dissolve. Cala a noite, a madrugada sem sonhos.


daydreaming lágrima em prosa...
A segunda gaveta, ou, a gaveta do meio, foi ou será de pequenas coisas indistinguíveis, em termos de valor, de valoração, ainda que sentimental. Coisas de médio valor, como a impressão de um dia se passando. Coisas do estado presente, da sensação de percepção da passagem do sol, da transitoriedade, das sombras que sobem – a lua em pleno dia, à sombra dos prédios e a mesma paisagem da janela que víamos e onde eu próprio não sei quanto tempo isso vai durar. Mesmo assim arrumo gavetas. A segunda gaveta de sonolento passar do tempo, também contém um pequeno manuscrito. Desculpas se eu disse que não há sentimental, me enganei, vendo aqui agora. Há uma castanhola, recuerdos de España, que me fazem lembrar Carmencita. Sabia que no enredo da trama, já já morreria com uma passional punhalada. Algumas coisas mais, que ficarão como está, uma coleção de moedas, uma chave azul, uma pena, uma trena, uma lanterna pequena, papéis, três CDs velhos, um sabonete de motel, uma medalha de nono lugar e a chave da terceira gaveta. Transitório. Termino a tarde com Martha Argerich e Nelson Freire ao piano inundando o quarto. Os pássaros ainda não cantam como quando ao ocaso. Silencio ao entardecer. O quarto inundado de lembranças de passado, palco de um pequeno Ato Final. Cheio de porra, saliva e lágrima.

old school memory

look at these guys! Stylish modafuckers!
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Mexer nas gavetas do elementar, tumulto, confusão. Sete e quarenta eu acordo, tomo um café e volto a dormir. Levanto, visto uma calça jeans e vou dar um passeio matinal (espero que esses dias estejam acabando) até a Rua H, na subidinha do morro, e volto suado. A intenção não é me exercitar, como vejo as pessoas fazendo, quando passo na lagoa. A intenção é ficar doidão. O ritual. Chego em casa rápido. No caminho compro cigarro. Chego e tomo um banho gelado. Aperto um baseado e coloco o Quinteto do Miles pra tocar, nas caixinhas do computador. Eles nunca me decepcionam. Arrumando as gavetas do inconsciente. A primeira, onde eu coloco tudo: papéis com telefones e letras irreconhecíveis, cartões de visita, alguns cartões postais, manuscritos antigos, recordações, maços velhos de cigarro, um canivete, um mapa do Caraça, uma foto antiga, um retrato de mim feito pela Thaís (um portrait, como ela diz) em xilogravura. Acho que estou triste no retrato - ela me fez muito barbado e olhando pro infinito com olhos meio perdidos, meio vidrados, dinheiro numa caixa de Café Créme e as primeiras coisas que quero guardar quando vêem à mão quando sinto que devo guardá-las. A primeira gaveta é como meu consciente emocional. Onde jogo tudo. Todas as coisas que me “servem”. Já não me servem mais... Os retratinhos que você fez Petit são os que estão mais presentes e mais recentes e os quais guardo e ainda estou mais apegado. Tentando “trabalhar” o desapego. O gosto é achocolatado. Escuro e profundo como o mar da meia noite. Quente fragrância da madrugada. As ondas invadem a praia como você ora trespassa minha memória. Ninguém chora, não há tristeza. Alvorada quando o Grande Mágico tira seu coelho da cartola. Vê se não me enche. Processar essa dor. Me perdoa. O gôsto do desapego. Faz parte do processo de auto-conhecimento. Just want my hot pocket.

alpha delta zulu
please, atenda meu pedido
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Tenho que manter-me mentalmente “conectado”. Chova forte ou chova fraco. Ela sempre se vai. Depois da chuva, a calmaria, não fosse o silêncio... Cala complacente, compreende com suavidade, se esforça pra não chorar com a tempestade. Engana-se e acredita, age na crença mais do que se engana. Engana o coração com boa razão. Com esperança de que esteja “tudo certo” e bebo a paisagem.
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Ela virá... ela virá...

bravo papa tango

I want my hot pocket


I just want my hot pocket
love
calor
carinho

livre como um passarinho...

Ladies on Luluchaca


In el Country of Eldorado


Ula ula hana hana glu glu. Saudades àqueles que já sonham. Também àqueles que não sonham, pois a própria vida é um sonho, indiferentemente. Se pegar no ar algum pensamento ou vibração. Um devir de sonho, como uma onda sonora, que retransmite as notas suaves do Quinteto. O casamento de outras ramas rizomáticas que se perfilam e se cruzam. Alguma coisa que se renova – um novo bulbo. A ponta se ramifica em mil ramas. Mil Ladies glu glu. Alguém ama somebody loves o passado. Retira as farpas, recolhe os cacos. A mistura do calor e da alta umidade em Luluchaca fazia com que as pessoas, partidas ao meio pela linha do Equador, se vestissem menos. Por isso eram obrigados a se exporem mais, E se expunham juntos, à frente, ideias, pequenos ruídos e conflitos. Continha os números sorteados como em um sonho. Era a vida, o próprio esclarecimento. E também o seu próprio dicionário.

quarta-feira, março 24, 2010

Tahitian Women

...............................................................Gauguin
(...) ...volto a falar da pintura. Nas cartas de Van Gogh, encontram-se discussões sobre retrato ou paisagem. "Quero fazer retratos. Será preciso voltar ao retrato?" Eles davam muita importância em suas conversas e cartas. Retrato e paisagem não são a mesma coisa, não são o mesmo problema. Para mim, a história da Filosofia é, como na Pintura, uma espécie de arte do retrato. Faz-se o retrato de um filósofo. Mas é o retrato filosófico de um filósofo, uma espécie de retrato mediúnico, ou seja, um retrato mental, espiritual. É um retrato espiritual. Tanto que é uma atividade que faz totalmente parte da própria Filosofia, assim como o retrato faz parte da Pintura. O simples fato de eu invocar pintores que me levam a... Se eu ainda volto a pintores como Van Gogh ou Gauguin, é porque há uma coisa que me toca profundamente neles: é esta espécie de enorme respeito, de medo e pânico... Não só respeito, mas medo e pânico diante da cor, diante de ter de abordar a cor. É particularmente agradável que estes pintores que citei, para citar apenas estes, sejam dois dos maiores coloristas que já existiram. Ao revermos a história de suas obras, para eles, a abordagem da cor se fazia com tremores. Eles tinham medo! A cada começo de uma obra deles, usavam cores mortas. Cores... Sim, cores de terra, sem nenhum brilho. Por quê? Porque tinham o gosto e não ousavam abordar a cor. O que há de mais comovente do que isso? Na verdade, eles não se consideravam ainda dignos, não se consideravam capazes de abordar a cor, ou seja, de fazer pintura de fato. Foram necessários anos e anos para que eles ousassem abordar a cor.
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O Abecedário de Deleuze

O rizoma se opõe ao sistema arbóreo (que tem começo meio e fim e esta construído em cima de causalidades).

O rizoma é como uma nuvem, ou um mapa.

O rizoma é descentralizado.

O Rizoma é um conceito de INCLUSÃO.

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Um rizoma pode ser rompido, quebrado em um lugar qualquer e também retomado segundo uma ou outra de suas linhas e segundo outras linhas. [...] Um rizoma não pode ser justificado por nenhum modelo estrutural ou gerativo. Ele é estranho a qualquer idéia de eixo genético ou de estrutura profunda. [...] O rizoma [é] mapa, não decalque. [...] O mapa é aberto, é conectável em todas as suas dimensões, desmontável, reversível, suscetível de receber modificações constantemente. [... O rizoma] não é feito de unidades, mas de dimensões, ou antes, de direções movediças. Ele não tem começo nem fim, mas sempre um meio pelo qual ele cresce e transborda.

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O primeiro passo para compreender o funcionamento (ou agenciamento) dos sistemas hipermidiáticos e a própria linguagem hipertextual está no conceito de Rizoma, estabelecido pelos filósofos Gilles Deleuze e Félix Guattari.

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Um rizoma como haste subterrânea distingue-se absolutamente das raízes e radículas. Os bulbos, os tubérculos, são rizomas. (...) Até animais o são, sob sua forma matilha; ratos são rizomas. As tocas o são, com todas suas funções de habitat, de provisão, de deslocamento, de evasão e de ruptura.

Há rizoma quando os ratos deslizam uns sobre os outros.

Oposto ao grafismo, ao desenho ou à fotografia, oposto aos decalques, o rizoma se refere a um mapa que deve ser produzido, construído, sempre desmontável, conectável, reversível, modificável, com múltiplas entradas e saídas, com suas linhas de fuga.

Contra os sistemas centrados (e mesmo policentrados), de comunicação hierárquica e ligações preestabelecidas, o rizoma é um sistema a-centrado não hierárquico e não significante, sem General, sem memória organizadora ou autômato central, unicamente definido por uma circulação de estados. Não existem pontos ou posições num rizoma como se encontra numa estrutura, numa árvore, numa raiz. Existem somente linhas.

terça-feira, março 23, 2010

Chove chove contínuamente... Chove mais, chove fraco. Enfim derramamos nossos ventos, por aí. Café e cigarros... parece que todo ano é o mesmo ano da minha vida e sinto isso repetidas vezes. Chove entre os fracos e os delirantes, sonolentos e ateus. Aquele que pensa e não age, engendra a peste, diz um dos provérbios de Blake. Provérbios do inferno. Vou reconstituir meu estado mental. Vou refazer a minha casa mental. Organizar as gavetas do cérebro. Dedicando tempo a percepção dos próprios pensamentos. Observando meus pensamentos. Aceitando com humildade os florais de Bach, ouvindo Rachmaninov no piano, tocado por aqueles músicos que eu falei. O sol volta entre, seu brilho opaco enquanto ainda goteja. Chegou todo o material. Agora, tocar a vida para as frentes.
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Chove em Kiev
e ninguém se comove,
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quando chove

Causas e Razões das Ilhas Desertas


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Manuscrito dos anos 50
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Os geógrafos dizem que há dois tipos de ilhas. Eis uma informação preciosa para a imaginação, porque ela aí encontra uma confirmação daquilo que, por outro lado, já sabia. Não é o único caso em que a ciência torna a mitologia mais material e em que a mitologia torna a ciência mais animada. As ilhas continentais são ilhas acidentais, ilhas derivadas: estão separadas de um continente, nasceram de uma desarticulação, de uma erosão, de uma fratura, sobrevivem pela absorção daquilo que as retinha. As ilhas oceânicas são ilhas originárias, essenciais: ora são constituídas de corais, apresentando-nos um verdadeiro organismo, ora surgem de erupções submarinas, trazendo ao ar livre um movimento vindo de baixo; algumas emergem lentamente, outras também desaparecem e retornam sem que haja tempo para anexá-las. Esses dois tipos de ilhas, originárias ou continentais, dão testemunho de uma oposição profunda entre o oceano e a terra. Umas nos fazem lembrar que o mar está sobre a terra, aproveitando-se do menor decaimento das estruturas mais elevadas; as outras lembram-nos que a terra está ainda aí, sob o mar, e congrega suas forças para romper a superfície. Reconheçamos que os elementos, em geral, se detestam, que eles têm horror uns dos outros. Nada de tranqüilizador nisso tudo. Do mesmo modo, deve parecer-nos filosoficamente normal que uma ilha esteja deserta. O homem só pode viver bem, e em segurança, ao supor findo (pelo menos dominado) o combate vivo entre a terra e o mar. Ele quer chamar esses dois elementos de pai e mãe, distribuindo os sexos à medida do seu devaneio. Em parte, ele deve persuadir-se de que não existe combate desse gênero; em parte, deve fazer de conta que esse combate já não ocorre. De um modo ou de outro, a existência das ilhas é a negação de um tal ponto de vista, de um tal esforço e de uma tal convicção. Será sempre causa de espanto que a Inglaterra seja povoada, já que o homem só pode viver sobre uma ilha esquecendo o que ela representa. Ou as ilhas antecedem o homem ou o sucedem.
Gilles Deleuze

segunda-feira, março 22, 2010

Blow up

Deixou cair uma agulha e podia-se ouvir cada pequeno som das últimas fileiras do palco. E como num sonho, vejo minha silhueta do ângulo do balcão do teatro. Quando entrei, não sabia que já estava participando da peça, um play. Primeira visão, inversa à essa tomada. A média certa distância, vejo uma mulher de cabelos negros longos, lisos, presos. Ela usa uma saia jeans longa. Usa camisa azul clara, com as mangas dobradas. Ela pega alguma coisa no chão. Alguma coisa que caiu sem-querer. Não pude ver o que era. Havia algumas cadeiras no palco. Por isso não não vi o que era. La Carmen tiene um cutillo. Comunica-se comigo através daquele ruído seco na madeira. Seu corpo diz que me percebeu com desfaçatez. Durante o movimento de abaixar-se até o chão, não tirou os olhos do objeto desejado. É (ou foi) como abrir um livro e surpreender-se com fotos de cenas chocantes, cenas reais de guerra, corpos dilacerados. Você só percebe quando já viu. Flagra.

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Ela empunha o objeto com furor!

O Livro dos sonhos

...a essa altura adiantada da minha busca de repouso maior que o destino, e de morte maior que o céu.
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coleção L&PM pocket, 2002, pg. 175.
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Jack Kerouac em 1955, fotografado por Tom Palumbo.

domingo, março 21, 2010

divagações, digressões, meditação.

Um ser humano, conquistador de instrumentos intelectivos dentro da vasta gama de informações da rede. Veja bem, a rede é a teia da realidade quando ocorre um “furo” de reportagem. Análogo ao sistema de neurônios. Ou simplesmente o encanamento hidráulico de uma casa. O que corre na vida. O que vaga. Meramente e independente da nossa vontade. Há tempos não escrevo à mão. Mas, da mesma forma, no teclado, o ato de escrever é apenas uma digressão confusa de palavras. A angústia de não conhecer o nosce te ipsum “conhece-te a ti mesmo” socrático. A frase mais ditatorial que já ouvi. Determina que se estabeleça um juízo sobre si mesmo. Melhor seria “conhece os teus desejos” e depois vê como se chega até eles... No domingo vou tomar sol vai chover. Ouvindo Martha Argerich com orquestra. Nunca gostei de música clássica. O que me levou até ela foi a persona de cada músico. Martha é considerada uma bruxa virtuose enigmática. Nasceu na Argentina e estudou na Europa. França, Suíça sabe lá. Foi onde conheceu Nelson Freire, o “nosso” pianista virtuose. Ambos jovens estudantes freak criaram laços de amizade. Cafés e cigarros. Invejo-os por terem, verem (mesmo inconscientemente) com tanta clareza, o objetivo, o fim, o caminho que ainda traçam para alcançá-lo. Um músico desses não morre. Vira uma página da partitura.

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A chuvinha complementa a música e vice-versa.

Agora, sempre agora.

É preciso povoar o pensamento.


sábado, março 20, 2010

cut-ups

acima, capa do primeiro livro escrito pela dupla.

abaixo, introdução do livro Rizoma - obra final da parceiria Deleuze e Guattari:
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Um rizoma não começa nem conclui, ele se encontra no meio, entre as coisas, inter-ser, intermezzo. A árvore É filiação,mas o rizoma É aliança, unicamente aliança. A árvore impõe o verbo ser, mas o rizoma tem como tecido a conjunção “e... e... e...” Há nesta conjunção força suficiente para sacudir e desenraizar o verbo ser.

Entre as coisas não designa correlação localizável que vai de uma para outra e reciprocamente, mas uma direção perpendicular, um movimento transversal que as carrega uma e outra, Um riacho sem início nem fim, que rói suas margens e adquire velocidade no meio.

Gilles Deleuze e Felix Guattari

aparentemente houve alguma coisa aqui há alguns anos atrás

hasta que...

No sé.. Adiós Carmencita. Si lo era, y no sé qué decir.

Vuela! pájaro negro
.L
L i n k

heroína chic em Changai


Cut up. Cut troats. A gente passa a utilizar as pessoas e até gosta e foda-se o todo mudo. Atribuindo culpa à sociedade e dedicando dolo à espécie humana. Fazemos julgamentos a todo instante e o Juízo Final é instantâneo. O mais adequado, mais agradável, mais oportuno, mais cômodo e aprazível que se faça naquele momento. E desses fragmentos de instantes é quando é que somos feitos. Somos feitos dos instantes em que cada micro-decisão foi tomada. A partir dessas primeiras opções, decisões entre infinitas possibilidades que porventura geram ações, que por sua vez emitem incontáveis interpretações e signos. Confesso q nunca me senti parte de um grupo. Devo ter sido um ermitão em outras épocas em que não gostava, ou tive medo de gente. Gente faz sofrer. Ainda hoje não gosto de gente. Gosto sim, um certo tipo de gente, cuja afinidade espontânea é inexplicável. Provavelmente alguma coisa me beneficia. Nem é preciso ser racional. Alguns gostam de mim, outros inclusive me odeiam. Minha mãe, tenho certeza que me ama. Amor consangüíneo, amor familiar, doméstico. Estreitamente ligado à sensação de propriedade. Enfim, escrevo tudo isso por quê? Porque sinto-me realmente sozinho. Estou efetivamente sozinho. Estamos sozinhos... A solidão que dói se você não sabe quem você é, se não “convive” bem, ou muito bem ou muito muito bem consigo mesmo. Mas, voltando a pensar nessa minha não ligação com grupos, raciocínio sobre o lugar que nos colocamos, ou nos colocam, dentro de um círculo de pessoas (com quem convivemos, ou já convivemos.). Pois, as relações mudam, eu me transformo. Isolamento, isolar-se, é não ter ambição. Dói sofridamente, ao mesmo tempo em que te coloca em uma zona de conforto. Como o animal. Assim então, não cultivei grandes vínculos de amizade (pelo menos até hoje). O escritor se esconde atrás das palavras. Comunica-se consigo mesmo. Geralmente diz sempre a mesma coisa. Uma espécie de tautologia, mesmice, repetição. Por que comparar tudo à música? Porque, talvez, a música utiliza todos os verbos matemáticos, e as frases coloquiais por meio dos instrumentos. A nossa história de vida, concluo por mim mesmo, que deve ser dotada de ambições, vontades, vontade avassaladora, vontade de poder, Wille zu macht. Trata-se do "sonho", o desejo final. É ameaçador sonhar. Sempre é um sonho devorador que pode nos engolir. Ademais que os outros sonhem é muito perigoso. O sonho é uma terrível vontade de poder e todos somos mais ou menos vítimas do sonho de alguém. Deleuze. Basta dizer que quando alguém que dificulta o seu caminho, caminho reto, propósito, você rapidamente se desfaz dela. O ser humano descartável da pós-modernidade. Afasta-a do convívio, se possível. Viver, então, requer uma alta dose de tolerância. Eu diria até resistência, resistêcia física e emocional. Aí entra a história de cada indivíduo, e como ele reage à vida - no latu sentido da palavra. Veja a ética da servidão humana ou da força das paixões. Hoje, ouço e entendo meu pensamento – monitorado, consciente, "racional. Racionalize seus sentimentos. Por mal, deixo-me levar por esses diversos afetos e paixões da vida. Objetos e pessoas, objeto-pessoa. Sou paradoxal, sou pacional. Deixo-me fluir como um rio. Margeado pelas pedras, quedas, curvas e tropeços. Um dia chegarei a mar aberto.



cu de bêbado não tem dono

ainda é cedo amor

O Mundo É Um Moinho
Cazuza canta Cartola
..................
Ainda é cedo amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
...............
Preste atenção querida
Embora saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és
.........
Ouça-me bem amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões à pó.
........................
Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás a beira do abismo
Abismo que cavaste com teus pés

O Mito de Sísifo

Se Deus não existe, Kirílov é deus. Se Deus não existe, Kirílov deve se matar. Kirílov, portanto, deve se matar para ser deus. Essa lógica é absurda, mas é o que se precisa. Todavia, o interessante é dar um sentido a essa divindade reconduzida à terra. Isso volta a esclarecer a premissa: "Se Deus não existe, eu sou deus", que ainda fica bastante obscura. É importante observar, antes de tudo, que o homem que apregoa essa pretensão insensata é bem deste mundo. Faz ginásticas todas as manhãs para cuidar da saúde.(...)

Camus


sexta-feira, março 19, 2010

Rhythms

cubismo (?)
a arte geométrico-construtiva

Um pintor do qual gosto muito é Delaunay. O que Delaunay faz? Se eu tentar resumir em fórmulas, o que Delaunay faz? Ele percebe uma idéia prodigiosa. Isso nos faz voltar ao início: o que é ter uma idéia? Qual é a idéia de Delaunay? A sua idéia é que a luz sozinha forma figuras, há figuras de luz. É algo muito novo. Talvez, muito antes, tivessem já tido essa idéia. O que aparece com Delaunay é a criação de figuras formadas pela luz, figuras de luz. Ele pinta figuras de luz e não os aspectos assumidos pela luz ao encontrar um objeto, o que seria muito diferente. É assim que ele se afasta de todos os objetos. Sua pintura não tem mais objetos. Li coisas muito bonitas que ele disse. Ao julgar severamente o cubismo, ele disse: "Cézanne tinha conseguido quebrar o objeto, quebrar a compoteira, e os cubistas ficam tentando colá-la". Portanto, o importante é eliminar o objeto, substituir as figuras rígidas, geométricas, com figuras de luz pura. Essa é uma coisa: evento pictórico e evento Delaunay. Não sei as datas, mas isso não importa. Há uma maneira ou um aspecto da relatividade, da teoria da relatividade. Conheço só um pouco, não preciso muito disso. Não precisamos saber grande coisa. Ser autodidata é que é perigoso, mas não precisamos saber grande coisa. Sei apenas que um dos aspectos da relatividade é exatamente que, em vez de submeter as linhas geométricas... Não. Em vez de submeter as linhas de luz, as linhas seguidas pela luz, às linhas geométricas, a partir da experiência de Michaelson, acontece o inverso. São as linhas de luz que vão condicionar as linhas geométricas. Entendo que, cientificamente, é uma inversão considerável. Isso mudou tudo, pois a linha de luz não tem a constância da linha geométrica. Tudo mudou. Não digo que tenha sido tudo, que o aspecto da relatividade tenha sido o mais importante da experiência de Michaelson. Não vou dizer que Delaunay tenha aplicado a relatividade. Eu celebraria o encontro entre uma tentativa pictórica e uma tentativa científica, as quais devem ter alguma relação. Eu estava dizendo a mesma coisa.

O Abecedário de Deleuze

o clássico dos abstratos

Winter Landscape

Oil on cardboard

75,5х97,5 sm

St.Petersburg. The State Hermitage Museum.


Na década de 1910 Kandinsky desenvolve seus primeiros estudos não figurativos, fazendo com que seja considerado o primeiro pintor ocidental a produzir uma tela abstrata. Kandinsky, como o pintor Paul Klee, em cuja obra abstrata há elementos surrealistas, pertence plenamente à Bauhaus, uma importante escola arquitetônica, artística e industrial alemã. Pertence à fase posterior ao Neoplasticismo.

O termo Neoplasticismo refere-se ao movimento artístico de vanguarda capitaneado pela figura de Piet Mondrian, relacionado à arte abstrata. Mondrian pregou em sua obra "Le Néo-plasticisme: principe général de l’équivalence plastique” – princípio geral de equivalência plástica.


Kandinsky pertence ao período da Arte Moderna – fim do século dezenove até 1970. A fotografia “substituía” os retratos a óleo. Os artistas tiveram de reinventar a forma de olhar o mundo e assim nasceu a arte abstrata, uma vez que o concreto tornava-se obsoleto.

Piet Mondrian


Piet Mondrian. Self Portrait / Zelfportret. c.1900. Oil on canvas, mounted on stone.
50.4 x 39.7 cm.
The Phillips Collection, Washington, DC, USA.

Marlene Dietrich link

Cliacando no Título da postagem você vai ver uma versão gravada pela antologica Marlene.

Sonhei na noite passada, algo que sonhei notas de piano. Acho que sonhei que infinitudes eram tantas. Sonhei que eu andava na cova das rebaixas como presa. A melancolia gosta de mim, eu gosto dela - a sonoridade do desencanto. O lirismo infindável da ausência na infinitude nas notas dos braços arqueados. Furto-me dessa coisa desconexa que dizem. Gosto da sonoridade. O rizoma já não flui dos cactos. Caminho das pedras. Noite das flores perfumadas e os espinhos são menos dolorosos. Tenho que seguir. Concatenar meu dia. Afligir-me com coisas tolas. Ouvir buzinas no trânsito. Ver pessoas. Ouvir, ver, falar. Essa interação nenhum homem é uma ilha já dizia. Ai, utopia ultra romântica. Ai, zona de conforto. Ai de mim, dia nublado. Quando eu fall in love... Deixa eu “cuidar da vida”. Need to go, mas... quando eu me fartar de mim mesmo. Esse orgasmo que não se sente a pleno. Reclusão. Entrar numa boa vibração mental. O quê sonhei nem sei.

Ginger grows underground


Intensidades e potencialidades

......

Obnubilava. Andava apagado, meio morto meio farto. Ergo o nariz na linha do horizonte, mas também gosto de entrever o céu. Vislumbrar as nuvens como quem observa um movimento de marés – os ventos arredios no fim da tarde, manifestação do “fora”, o outside hipertextualizado. Difícil é não se achar fora de si, não se ver ou “dar-se conta” e saber-se da própria profundeza. Dá vontade pépé pópó – o vocábulo mais instantâneo do que o real. Convergências entre um tipo de caule rizomático. O gengibre cresce horizontalmente e subterrâneo. Já o caule da espada-de-são-jorge é totalmente subterrâneo. Esses filamentos ramificam-se ao ponto de transformarem-se num bulbo, um tubérculo. Conexão e disparidade não cessam de conectar cadeias semióticas. A multiplicidade, ela própria, é constituinte. Como “entender” as diferenças dessas perfilações existenciais? Referem-se à ruptura - o significante pode ser rompido em qualquer lugar e retoma como outras de suas linhas. Não pode ser explicado por nenhum modelo gerativo/estrutural. Encontra qualquer eixo genético análogo à sua origem. Gira em torno do eixo fixo onde desenvolve uma base. Nenhum ponto de origem ou de princípio primordial comandando todo pensamento. Nenhum avanço que não se faça através da bifurcação, do encontro imprevisível e a reavaliação a partir de um ângulo inédito. Não tenho saco para estudantes de filosofia. São chatos e arrogantes.

cut-ups


Às vezes, do nada, dá vontade de dizer:
__ mas que porra é essa de vida!!! (?)

quinta-feira, março 18, 2010

Convergências entre a palavra

L'écrivain est aux aguets, le philosophe est aux aguets. Évidemment, nous regardent. L'animal est ... Avis aux oreilles de l'animal, il ne fait rien sans être à l'affût, n'est jamais calme. Il mange, devrait surveiller s'il ya quelqu'un derrière elle, si quelque chose se passe derrière lui, à côté de lui. Il est terrible que se tapit là. Vous faites le lien entre l'écrivain et l'animal.
.......
Gilles Deleuze

Juntando os ca
................ .cos
poderoso artefato do que sobrou de mim

segunda-feira, março 15, 2010

Eu estou dentro de você


Não comente nada. Ninguém presta. Inclusive você. Nem pra tomar porrada. Essa menina que fica até altas horas da madrugada. Só pra me ver. Quando fecha a janela do esquecimento. Preso, protegido, engaiolado. Quando fecho os olhos. Haja um fim de compreensão nas minhas limitações, ao alcance da minha mão. De adequação dos fonemas ao real. E aquela menina que quase não falava, certo dia resolveu transpor a linha do telefone. Éramos pálidos seres humanos além de tudo, e no afã de minha loucura de poeta, calou-se com um beijo entre as pernas. Entretempos um bar e outro em seu caminho atravessou comigo um belo grito. Recuou. E também, sem recursos, não registrou porra nenhuma. A quem os verdadeiros Eu pertenço à realidade? A semântica da personalidade, a sintaxe do desprezo. Como agora me lembro, o amigo se afastou para morrer. Quando me perco em meus pensamentos, a sensação que tenho é de estar longe. Escreveu para seu fino amor, escreveu para dizer-te. Então não consigo nem comigo, comum na carne, crispada luz de uma vela, aprumar o leme e seguir. Sorri comigo seu último suspiro. Morre comigo, em meus braços. Dentros, mais de ventre que de abraço. Enquanto não recaio em merda nenhuma. Enquanto sento-me ao lado do Tempo, sento para escrever o Esquecimento. Vejo descansar seu lápis à brisa confusa. E a bruma descansar sua brancura nos pequenos detalhes. Nem alegre nem triste. Uma trova popular com cento e vimte mil palavras. Vejo-me curar do mal secularizado. Volteio agora as peladas letras. Ouço máquinas, apitos e sirenes. Ah, sim. Nesse ataque de selvageria adestrado, lamber-te os seios de pau duro, invadindo território alheio. Vejo que sim, vejo que não. Meio com medo, medo com meio. Prometendo partir em debandada, nesse horror que pasta em sua face, arrefece, meu coração descansa em paz.

domingo, março 14, 2010

Lua

Elle était hier aux Bouffons, elle ira ce soir à l'Opéra, elle est partout

.............

Ontem ela foi aos Bufões, hoje ela irá à Ópera, ela está em toda parte...

sábado, março 13, 2010

Melodia Sentimental

m
Acorda, vem ver a lua
Que dorme na noite escura
Que surge tão bela e branca
Derramando doçura
Clara chama silente
Ardendo meu sonhar
.
As asas da noite que surge
E corre no espaço profundo
Oh, doce amada, desperta
Vem dar teu calor ao luar
.
Quisera saber-te minha
Na hora serena e calma
A sombra confia ao vento
O limite da espera
Quando dentro da noite
Reclama o teu amor
.
Acorda, vem olhar a lua
Que dorme na no espaço profundo
Querida, és linda e meiga
Sentir teu calor e sonhar
.

sexta-feira, março 12, 2010

pulo de gato


... à sombra de si mesmo.
É chegada a hora de descobrimos quem é o outro. Eu sou o outro. Eu me reconheço no outro até me deparar com sua essência, seu ânima. A disparidade entre meu DNA, o seu e o de um chimpanzé, não é tão grande. Sim, somos animais culturais, porém, onde mora essa dessemelhança? O que nos faz tão diferentes, senão simplesmente a cultura? Onde eu nasci passa um rio. A sociolingüística, a neuro-lingüistica, semiótica da disputa e da heterogeneidade constroem o homem, enfim, não há diferença onde não há cultura. Esse é um percepto da razão. O que captamos do mundo gera essa distinção. A arte sem arte, “o outro” tal qual a si mesmo à sombra de si mesmo, a altercação, a contenda, a contestação, só conhece quem a desconhece. É inefável, indizível e inexprimível. Somos pós-modernos, somos descartáveis, impressão condicionada de sensação de existência. Eu não perdi o que nunca tive.

quinta-feira, março 11, 2010

Camus

"Só um dia o ‘porquê’ se levanta e tudo recomeça nessa lassidão tingida de espanto (...) no extremo desse despertar vem, com o tempo, a consequência- o suicídio ou o restabelecimento (...) porque tudo começa pela consciência e nada vale a não ser por ela."

segunda-feira, março 08, 2010


Ainda que eu pudesse te encontrar em sonho, ainda que falássemos a língua dos anjos, ainda que pudesse te tocar e vislumbrar sua tez, seus olhos serenos, acarinhar-te as faces, amar mais do que ser amado. Ainda que disséssemos nada e ainda assim pudesse enxergar sua alma, todas as mazelas que trago no peito não mencionaria palavra. Na realidade do sonho, das tristezas idas, das idas e vindas, da busca incessante de nos mesmos e o desejo de paz preenchendo cada pedaço do corpo, silenciando nosso pensamento a contento. Ainda que a iluminação desprovida de todo orgulho, toda vaidade. Ainda que eu a reconhecesse e você a mim, e ainda fôssemos enfim, cúmplices desse torturante silêncio. Ser e existir, jogando palavras ao vento, ou nos curvando às infindáveis incertezas do Tempo, eu pediria apenas,
.
Abraça-me

domingo, março 07, 2010


Porra, tem sido difícil me desligar energeticamente. Render-me gentilmente, abdicar, abandonar, renunciar. Resignação ao mesmo tempo em que andar pra frente criando um novo Eu. Tentar não olhar o passado, não virar uma estátua de sal. Pensava, penso, pensei que ficarmos juntos seria minha redenção. Talvez mais pra frente eu entenda o “por que” desse distanciamento, dessa ideia de que não vou te ver nunca mais. Entenda porque nossos caminhos se cruzaram, admirando de longe um quadro. Vendo, observando ao longe e mais profundamente sua nuance de cores e traços. Eu me apoiei na sua intimidade. Em quem é você no pedaço bonito de sua alma que se deixa mostrar. Esse platô efêmero, como você mesma disse. Eu ainda brilho no espelho daquele seu olhar. Ainda não descobri qual distância nos unia e qual espaço nos separava. Hoje ainda, não consigo ver, mas lamento. No matter how hard I try... É como tentar destruir a idéia de um sonho. Desconstruindo.

quarta-feira, março 03, 2010

Burroughs


Sabe William, coisas que eu gostaria:


(sem romã no envelopinho ou mandinga tipo fim de ano, romã é nome de frutinha, Polanski. Talvez, me ocorreu agora, apenas um pedido aos orixás.) Sou guerreiro-caçador e adoro criança. Sou Nanã e Oxossi. Mas deixa baixo. Isso não se revela. “Favor esquecer”. Se é que um dia procurariam as qualidades desses dois orixás...



  • Amar sem sentir dor.
  • Não ter mais vontade de beber (álcool)
  • Não chorar as perdas (redunda em amar sem sentir dor)
  • Abraçar & (atenção no &) ser abraçado = amar e ser amado.
  • Não ter de absorver tantas nuances do ser humano para ter uma relação íntima de afeto.
  • Queria que o cigarro não me matasse.
  • Queria entender meus pais, meio juvenil, e que eles... ah foda-se...
  • Noites bem dormidas.
  • Um monitor de LCD.
  • Carinho e aconchego.
  • CDs de Jazz...
  • Ser mais certinho, menos louco.
  • Entender mais de gastronomia, culinária, alquimia fazer comidinha gostosa todo dia no restaurante. (e agradar pessoas. Conseqüência) E sendo gentil.
  • Que o PT não fosse catolissísta ou ideológico.
  • Queria um diploma de mestrado, apesar de não ser fã de academicismos. (muito pelo contrário)
  • Que fôssemos naturais. “De fino trato”
  • Que não tivéssemos tantas ambições. Veio-me uma coisa meio Francisco de Assis.
  • Um mundo mais justo? Também. (Se alguém, Socraticamente pudesse definir Justiça.
  • Queria que Deleuze tivesse vivido mais. Focault Também. Em especial, que Deleuze não tivesse morrido. Nunca.
  • A pós-modernidade é passageira. Não sabemos o que é a pós-modernidade

  • não ter sido o filho mais novo.
  • Mudar a forma de compreensão, Latu Sensu.
  • Tudo Latu Sensu, em geral, afinal.
  • Não sentir saudades que doem. Nostalgia.
  • Conhecer algum dia o Lobo Antunes, aquele escritor português, e conversar com ele.
  • Ser humilde.

  • Menos dessemelhança e iniqüidade.

segunda-feira, março 01, 2010

Vem cá. Só pra constatar a poética do ser humano. Não é para culpar ou me sentir culpado e sentir autocomiseração de mim mesmo ou pelo prazer mórbido de sofrer tendo pena de mim mesmo, um lirismo romântico e ultrapassado, do século passado. Ou não, talvez por isso mesmo, como mesmo na dor há um pouco de prazer, mas responda-me: você realmente nunca sentiu afeto, amor, carinho, sei lá... por mim? Achei que só os homens sentiam, ou melhor, faziam isso... Minhas lágrimas agora são sinceras baby. Pois é, esse samba é pra você, meu amor. Difícil ouvir isso, sentir, constatar. Às vezes diz que tem sentimento, mas não sei não. O único prazer mórbido a que nos dedicamos é a pena de si mesmo, e no seu caso, da mãe. Siggy explica. Geralmente, apesar de não gostar do conceito de generalismo, as filhas adoram os pais e rivalizam com a mãe, em particular uma guerra de mulheres que acontecem em toda casa naturalmente... Mas você só pensa e salvar a si mesma e à sua santíssima mãe, pode crer. Perdoa a sinceridade, seja lá quem você for... O que fez no sagrado direito de se proteger, de se resguardar “meu Deus, eu não vou conseguir preencher esse homem, na minha grandeza, e cumprir duas missões ao mesmo tempo.” Fez bem. Eu pedi e implorei que cessasse esse sentimento ultra-romântico e clichê, mas esses dias nublados hão de curar. Eu não quis me intrometer na sua história particular, mas acabei fazendo. Um pouco de reflexão para o entendimento humano, como diria o poeta que “triste é viver na solidão e na dor cruel de uma paixão” Sabe, as tristezas elas causam dor, euforia, ansiedade e até escondem um fundo de prazer. Dói nas veias. Mas ante seu riso, quê dizer? Aos que veneram partilhar minha dor? Amem e sejam, seja lá o que for. Sabe de outra coisa? Foco. Eu que tanto falo da pós-modernidade, tropecei sobre isso, esses pequenos desastres da vida. Foco! naquilo que sustenta a sua existência. Sustentará... literalmente.



“Adeus amor, adeus

e vem”


Torquato Neto