segunda-feira, março 22, 2010

Blow up

Deixou cair uma agulha e podia-se ouvir cada pequeno som das últimas fileiras do palco. E como num sonho, vejo minha silhueta do ângulo do balcão do teatro. Quando entrei, não sabia que já estava participando da peça, um play. Primeira visão, inversa à essa tomada. A média certa distância, vejo uma mulher de cabelos negros longos, lisos, presos. Ela usa uma saia jeans longa. Usa camisa azul clara, com as mangas dobradas. Ela pega alguma coisa no chão. Alguma coisa que caiu sem-querer. Não pude ver o que era. Havia algumas cadeiras no palco. Por isso não não vi o que era. La Carmen tiene um cutillo. Comunica-se comigo através daquele ruído seco na madeira. Seu corpo diz que me percebeu com desfaçatez. Durante o movimento de abaixar-se até o chão, não tirou os olhos do objeto desejado. É (ou foi) como abrir um livro e surpreender-se com fotos de cenas chocantes, cenas reais de guerra, corpos dilacerados. Você só percebe quando já viu. Flagra.

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Ela empunha o objeto com furor!

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