sábado, abril 03, 2010

Ladies in Luluchaca


O dia amanheceu assim, cinza. São dez horas da manhã. Se o dia permanecer assim, cinza, continuaremos assim, cinza. Limpar as cinzas do céu é o que eu preciso. Preciso que bons ventos soprem essa neblina. Obnubilado preciso que bons ventos soprem a meu favor. Já não tenho tempo. É preciso que os ventos, as conjunturas climáticas, a pressão atmosférica, que se dá nas curvas geodésicas do globo, sejam favoráveis. Seja o palco de um dia ensolarado. Preciso de um novo dia, um novo globo, um novo corpo. O dia é sempre assim, descolorido, desbotado. Reclamo com Deus. Não obtenho resposta. Os cães ladram. Os pássaros cantam. As folhas tão levemente balançam. Preciso de um vendaval, um furacão, um sopro, uma lufada. Que me arremesse próximo das metas alcançadas. Falar em objetivo é desejar uma boa morte, passagem, desencarne. Escrevemos porque temos medo da morte. Porque eu não entendo a morte, porque não conheço a morte. Escrevo porque preciso de um dia novo. Desejo de um novo dia e uma nova chance.

Um comentário:

Wilson Torres Nanini disse...

Sim, sim! Às vezes o dia nasce um tanto devedor de si.

Abraços!