quarta-feira, maio 12, 2010

escrever é melhor do que não fazer nada



Agora sim, um café doce e forte, no princípio amargo, e um cigarro com bastante nicotina me forçam a escrever, mas inclusive disso eu sinto vergonha. A TV parou de funcionar. As luzes da noite são várias. A luz da vela acesa a brasa passageira do meu cigarro. Da janela, a luz de algumas janelas acesas nos apartamentos. A estrela vermelhinha sinalizadora do alto prédio. O reflexo da vela no meu quarto. Do computador, a tela. O reflexo azul da televisão. Bom que não ouço nada. Nada além dos meus dedos nessas teclas. Acabou o lirismo, falo comigo mesmo. Quem está acordado não quer “conversa”. E se eu contasse com esse “corretor ortográfico” pra corrigir os textos, tava fudido. Vejam que ainda sim eu erro muito. Constantemente. Erro repetidas vezes. Consta de alguma aventura sórdida que, de repente, eu surgi nesse mundo. E o pigarrear do vizinho. Ouço umas gotas sublimes que caem do céu. Respingos de chuva. Não preciso deixar meus registros, mas digo novamente que, se não acabou, pelo menos tento que acabe esse lirismo de merda que me assola, que nem tem adjetivo nas minhas palavras mais. Quero matar cada uma delas. Quero que a falsa metade. Um registro íntimo de aventuras passadas. Águas que já apodreceram. Ouço gemidos de sono. Cadavéricos, eu achei. Entupidos de nicotina e de cansaço, da mesma rotina estúpida. Do mesmo amanhecer e ver os dias passarem. Eu sou a água estagnada eu sou os eletro- domésticos que só serve para pendurar roupas, feito a TV. Eu como homo.videns. Diria tudo isso várias vezes repetidamente. Digo eu mesmo que essa porra de texto não passa de um mero e aflitivo desabafo com o Nada, Migo-mesmo e o Além. Não importa de se indo consegues ir até à perfidez. Falta de pudor é dizer que sinto que me enrolei por quase um ano. Não há nada que você já não conheça. Já tive amores, mas nunca tive amor. Mesmo que queiram dar outro nome a isso. É a falta que faz um ser humano que conheci a fundo. É a parte que vai embora. Mesmo que você tenha plena consciência de que isso seja melhor, além de inevitável. Eu fui um amor juvenil pra essa criança. Mas gosto dessas lágrimas apodrecidas. Eu sou Satã.


Da água estagnada espera veneno

Aquele cuja face não fulgura jamais será uma estrela.


Versos randômicos dos Provérbios do Inferno de William Blake.


non-sense adventure, homo.ludens.

7 comentários:

roskoff disse...

satã tem falta de komentarius nien?
Schutzmannschaft-Brigade

há um blog bielo Цитадель Существования cidadela existencial
é a tradução interessante num é satã nem outro pequeno deus mas...

Рэйхсфюрэра СС ад жніўня
e num só caos de paroles
адбылося расфармаванне беларускіх шума-батальёнаў, якое
babel de línguas
é escrever é milhor qui nada fazer, cê podia ler num?
satans
суправаджалася ўключэннем іх рэшткаў у склад шума-брыгады пад камандаваннем оберштурмбанфюрэра Ганса Зіглінга. Названая адзінка была сфармавана згодна з загадам

Danitza disse...

Dead Man, querido Bil Blake!

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

Non-sense, cun sensu... ;)

Belíssimo, pungente, com[doído] e doido a um só tempo... ;)

Anônimo disse...

search engine rank optimization seo ranking backlinks back link building

Anônimo disse...

www.papagaiomudo.blogspot.com the full details As empresas que estão mantendo a par de , não pode executar , de preferência ao mesmo tempo

Anônimo disse...

Hi there! I just want to give you a big thumbs up for your excellent info you have got right here on this post. I will be coming back to your web site for more soon.

[url=http://xrumergeek.com]xrumergeek[/url]

Anônimo disse...

You're so awesome! I do not suppose I've read anything like this before. So wonderful to discover someone with genuine thoughts on this issue. Seriously.. thanks for starting this up. This site is one thing that is needed on the internet, someone with some originality!

[url=http://truebluepokies4u.com]fantastic casino bonuses ready here[/url]