quinta-feira, maio 27, 2010

Living Theater


Aqui no castelo do flautista Pan, todos obedecemos. Ninguém é livre. O rei mandou que esperássemos e assim o fazemos. Cada à sua maneira de esquecer o desalento. Uns varrem as folhas da floresta. Eu uso drogas. Fumo cigarros e bebo cafés e barbitúricos, do alto de um cogumelo vermelho com bolinhas brancas. A face cálida dos domingos. Ventos que anunciam a madrugada de outono. Tentei até onde fui capaz de aguentar. Depois me escondi na toca do Leão, do Leão. Mexe com meu ego pensar que sou inaturável. Irresistível por falta de resistência. Sou um poeta e nada me ocorre senão escrever. Quero “a vida que deu certo”. Der Vohlgeratenheit. Ou talvez por dizer isso eu não queira nada. “Lembrar” ou “não lembrar” (a memória afetiva... memória em suma), é uma questão, que dirá um enigma, da semiótica neurológica. “Cultural”. Você criou a si mesma, dando conta da sua própria ética, criando sua própria moral secreta, íntima e duvidável. Já abandonei e já fui abandonado. Já magoei, já chorei, já fiz chorar, já “tudo” que uma vida de casal, de relação afetiva pode passar. Estamos suscetíveis a sermos entregues assim ao nosso próprio ego. Sem explicação.

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