terça-feira, maio 11, 2010

uma dose de perversidade


Nenhuma compreensão é demais. Aquele que entende é obrigado a aceitar.


[Ano de 380 d.c, século quatro depois de Cristo. Eu era um tosco, um guerreiro bárbaro, sem preceitos morais que adquiri ao longo dos séculos de reencarnações na Terra e aprendizado no mundo espiritual. A faculdade do equilíbrio, a faculdade do amor. Porém, nessa data eu matei, em uma invasão, um ataque bárbaro, uma cena qualquer de crueldade, essa criança de apenas oito anos de idade, a golpe de espada, essa pela qual mil seiscentos e trinta anos depois, me apaixonei e sofri amargamente por essa criança-moça. Um amor perene.]


Novamente tenho que reparar a mim mesmo no sentido ético e no sentido do karma. Essa encarnação atual tem sido cheia de provas de resistência e coragem e às vezes a sua estupidez, assim como a minha, nos cega de índices do acaso de pensamentos de ruínas. Apesar de cada um achar que não, que o seu próprio sofrimento é maior do que o do outro. Já vivemos tantas vidas, já fomos tantos ofícios, tantos tipos e moldamos tantas personalidades. A minha religião é não ter religião, o que, no caso, já é uma espécie de religião ou crença. Considero, claro, que a cada vez que passamos por esse planeta, nos é ofertada a chance de evoluir – ser melhor do que antes. Durante, depois e novamente. Poucos aproveitamos, no sentido de “fazer uso” de certa disciplina moral que queremos seja sempre absoluta e perfeita. A oportunidade de sermos simplesmente “melhores”, do que se sabe do Bem e do Mau, do que é Bom ou Ruim, no trato íntimo e social. Perversidade, traição. Nada que possamos julgar, mas aplaudimos intimamente (ainda que secretamente) aqueles morais, éticos, equilibrados, afetuosos, amáveis. Fugimos do perigo de sofrer más vidas com pessoas indesejáveis. Corremos para o nosso esconderijo. Nove entre dez pessoas são assim. Porém, qualquer discurso para refutar essas palavras é dignamente aceitável. É um direito “sagrado” de opinião, mas creio que um décimo das pessoas que disserem o oposto, estará mentido. Não vem ao caso dizer que "a vida é assim mesmo"... Uma chupada e até a obscenidade pode ser sã. E mesmo a quinta geração de puritanos não entenderá. Talvez nenhuma vaidade material, mas muita vaidade com o Espírito. Morrer é nascer de novo. É como dissolver-se interiormente. Pode ser uma das ideais de transcendência ou ilusões de Alma.
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3 comentários:

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

De comer na tig[ela]...

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

Ponderando agora quanto ao texto - uau! - você perscruta, imagina, intui, mas lembrar deve ser punk, saber o que se fez, porque se faz, e as razões do sofrer... dizem, auxilia a melhor lidar com a coisa toda [penso, cada um é que sabe].

Em comum?! Não ter religião é - também - minha opção, mas já 'escarafunchei' em muitas sendas... em tempo, exponho meu trajeto com mais calma... ;)

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

Retomando o tema... Acredita em Deus? Eu sei, quando se pergunta: acredita em Deus? - pergunta-se, na verdade: 'qual sua religião?' Ou melhor: 'você tem religião [formal]?!' Em parte é isso também o que se deseja saber quando se pergunta algo assim [a resposta porém está clara no texto - não, porém, quanto a Deus, ou a existência de uma Divindade]... lendo seus 'posts', notei alguma similitude de idéias e concepções - de modo que senti vontade de constatar... Antes que responda digo de já o que penso a respeito: não acredito muito em rótulos... já zanzei bastante pra descobrir que a verdadeira religião não tem nome, que há membros dela no seio das mais diversas denominações, que instituições são instrumentos de dominação e de escravidão, que Jesus apregoava ao ar livre, descalço e seguido pelos mais humildes e que os ditos 'religiosos' de hoje são sempre os mais ricos e se enriquecem à custa dos que mais necessitam, que cada um [mesmo no seio da mesma denominação] tem uma idéia diferente (e pessoal) de Deus [ainda que com lineamentos comuns], que a verdadeira religião é a do íntimo e do coração e não a da prática exterior [como diria Jesus, 'não sejais como os hipócritas que sentam à frente no templo e oram em voz alta e chamam a atenção pra si como virtuosos, quando no seio de seus lares (no oculto das paredes) são tiranos e maldosos - são como sepulcros caiados, belo por fora, mas com toda a sorte de putridão por dentro'); e, por fim, que a verdadeira religião é a do coração; que sou cheio de vícios e ainda tardo muito em seguir o chamado e o caminho, mas que faço o meu melhor e o meu possível no meu viver de agora; que no suceder das possibilidades que a Divindade nos faculta nas muitas moradas da Casa do Pai hei de galgar melhor pouso e lugar [infinidade afora] - como todos mais... bem, creio em Deus, sem dúvida, não o Deus das religiões por aí [que se apodera dos dízimos dos fiéis, que se apresenta tendo por intermediários homens mundanos sob capas de religiosos...] Deus está além de templos - seu templo é a natureza e a criação e o coração dos homens e é lá [nos corações] que precisa [e oxalá não tarde] renascer...