sábado, junho 19, 2010

a impermanência de todas coisas

De repente, de flash, um insight, “como num estalo”, descobri que amo minha família. Amo de maneira quase hiperbólica. Quando digo “família” meu pai, minha mãe e meus três irmãos. O mais velho, Afonso, atingiu a “vida que deu certo”, Vohlgeratenheit segundo Nietzsche, e agora ele está na Suíça. Ele tem dois filhos com a ex-esposa. Minha irmã trabalha com ele, braço direito. Ela é técnica em informática e mãe do Bruno, o sobrinho mais novo. O Adriano é o cara que mudou da água para o vinho. Em Juiz de Fora, onde moramos, ele adquiriu a fama de brigão, insano, drogadito, porra-loca. Mais tarde, na minha adolescência eu herdei essa fama... Eu sou o filho caçula que nasceu depois de oito anos de calmaria. Minha mãe é ótima. Esses dias, quando me encontrava triste, ela disse debochando, eu sei, que foi a gravidez em que ela mais sorriu, riu, gargalhou (isso ela sempre diz) e curtiu e andava com as amigas e assistiu Ivan Cury no Canecão, no Rio, "cidade maravilhosa". Que ela e meu pai tinham melhores condições financeiras e que ela me criou quase como um primogênito. Depois de quinze anos, quando teve o primeiro filho, uma criança era bem-vinda para remoçar uma mulher de trinta e seis anos. As coisas que hoje me fazem chorar, amanhã serão apenas lembranças, sendo que somos eternos.

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