sábado, junho 12, 2010

Shalassa


É um paradoxo. Na cidade sinto-me só. E não me sinto só quando estou sozinho na natureza agreste. Sou um montanhista homo.ludens das cavernas. Por exemplo, quando faço o antigo Caminho de Mariana que começo subindo a Serra do Batatal - uma vertente da Serra do Espinhaço - e vou até o Caraça pela crista das montanhas, atravessando campos de altitude e descendo pelos vales... Não me sinto só. Rainer Maria Rilke em suas Cartas a um Jovem Poeta aconselha ao jovem, que acometido também pela solidão, que fosse de encontro à natureza. Sentar-se embaixo de uma árvore, observar as águas do rio. Talvez seja um sábio conselho, porque nesses momentos nos sentimos frágeis e pequenos diante da imensidão. Obriga-me a conviver dinamicamente comigo mesmo. Não é solitária porque estou em pleno contato comigo mesmo. Em contato absoluto. Esse frio me faz lembrar outros outonos que passeei pela serra.

2 comentários:

André HP disse...

A vida é uma festa de um desconhecido, em que você passa ela inteira procurando um rosto-amigo. Mas não conhece ninguém. Então tenta conhecer o dono da festa, e acaba descobrindo que é você mesmo.

Nydia Bonetti disse...

sei tão bem deste paradoxo da solidão, gustavo. cheguei a pensar que fosse uma espécie de maldição ou de loucura, mas não é não. é coisa de alma... só no mato me sinto feliz, mas de repente, quero ver gente. corro pra cidade que me esmaga de solidão. então é assim -estrada estrada estrada. hoje vou fazer o caminho ouvindo cítara. :)bjo.