domingo, agosto 01, 2010

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Ah, Lua minguante, é difícil encarar, te encarar. Ah despojamento... uma barata passa em cima dos papéis e voa pela janela, maldita. Como descobrir a poesia na mulher que me fez desfazer amar? Como lidar com isso? Uma auto, auto, auto auto, auto... Esse é o lenço que eu mais tenho gosto. O que minha mãe escreveu as iniciais A.P. em tons de cinza xadrez claro me apega a esses pequeninos predicados. Talvez um coração dilacerante esse esquecimento sem fim, essa falta, esse vazio que se fez. Sigo. Sozinho, mudo, cheio de pequenos absurdos. Enganchado nesse poema, nessa prosa, mesmo que me doam as costas, os músculos, enquanto gotas salgadas infladas pela garganta querem saltar. O estômago vazio. Ouvindo ópera, sozinho, num sábado à noite. E ouvindo os clássicos. O piano. Franzino, zen, maluco, louro, insano. Homens muito valentes foram meus avôs diretos. Alguém me disse que eu era um ótimo ser humano. Minha mãe diz para honrar a estirpe, mas alguém diz que você não existe.

Um comentário:

Papagaio Mudo disse...

mas se eu já te perdi, como que eu vou me perder? mas eu já me perdi como que eu vou me perder?