quinta-feira, outubro 07, 2010

diáfano


No frio fio da navalha, onde o corte é sangrento e a dor incomoda. Isolado, em contato com os novos colegas. Com os novos loucos que ali estávamos reunidos no sufoco do claustro e numa disfarçada auto-aceitação. Contenção – verbo e substantivo – também fazia parte do negócio. Ó amada contenção! Mª da Conceição. Pelos pés, pelas mãos, pelo pescoço que fosse. Era como ver-se atado a um símbolo de condenação, de recalque de quem usa, de material acusação e material confissão de culpa. Era sangrento por dentro viver à base de tanto remédio. Barbitúricos que até hoje meu corpo tenta expulsar o resquício do fósforo que desce pelas pernas. É difícil voltar a ser, mas faço crioterapia na água. Um dia minha contenção, nas últimas por um desastre, virou uma tramela patética e solta para trás como um rabo. A acadêmica diz “estou com medo de pisar no seu rabo. Porque você não dá um nó?” eu disse “melhor viver assim solto. Dentro do possível” – diálogos impessoais. O castigo.

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