segunda-feira, novembro 29, 2010


Você vai esquecer aquelas lembranças ruins. Tudo está certo e vai ficar tudo bem. É preciso passar pelo cadinho da dor para se valorizar as pequenas coisas. As águas baixaram, a tormenta passou como suave vendaval. Morrer é nascer uma vez mais. Desvencilhar-se do orgulho “de não querer ser príncipe senão do seu reino”. Desconstruir conceitos. Desfazer-se do desejo pretensioso. Do pretenso desejo de ser sem medida. Eu, que sempre fui ovelha, talvez irremediavelmente desgarrada, falando aqui agora como pastor. Minhas palavras. O quê que eu posso arrebanhar com minhas palavras? Aceitar as perdas como inevitáveis. Compreender o inevitável princípio da impermanência. Mais do que aceitar e compreender, renascer dentro de si. É necessário quebrar nossas próprias tradições. Ouvir a própria voz que vós fala. Você vai esquecer. São apenas paisagens flutuantes.

2 comentários:

marinaCavalcante disse...

Lindíssimo.
Me identifiquei de maneira ímpar.

Pássaros cantam.



Um abraço.
Parabéns pelo texto!

Liberté disse...

A melhor água é aquela que possui maior condutividade elétrica e menor temperatura. È raro de encontrar. E quando se encontra, seria burrice parar de beber.
Aonde? Sigo essa trilha.

Parabéns Pastoreiro,
Méeé, Méeeé!

Inté