quarta-feira, abril 28, 2010

ma petit

Pássaro passarinho

Acho que ando retesado. Com câimbras cerebrais. Minha sobrancelha fica franzida, a minha testa enrugada e as minhas pálpebras teimam em querer cair enquanto uma lufada de vento não teima em soprar e as nuvens não se dissipam nem o sol não se ergue no céu. Sou eu que também se levanta. O brilho opaco da sublimidade. Sim, devo trabalhar. Devo cuidar de mim. Afinal, “o meu sustento não provêm disso”...

ತೆಳುಂಗು

Não sei, meu. Parece que a minha vida está dentro de uma novela. Meu dia de Spleen - tédio poético. Fato de lidar com algumas perdas e distâncias e ao mesmo tempo arrancar forças para viver, para passar o dia nessa solidão de enfermaria, onde os pássaros fazem ninho no interior do telhado das casas. Nenhum nível de sofisticação mais. A vontade de nada querer. Emendando o dia com a noite. Remendando poesia. Contando as estrelas mais reluzentes. Fazendo jus aos fatos. Não há nada a ser comentado. Sempre cheio de palavras, sempre cheio de panelas. Comer um prato cheio de vazio. Ai meu Deus! como engolir essas novelinhas da vida? why me. "A narureza não dá saltos"(?). E quanto à fisíca quântica?

ரமெஃஉஇந்


Cocteaufaune


Carlito jamming

Acredite se quiser...


Não esqueça de tomar seu remédio!

segunda-feira, abril 26, 2010



Ah, Ananoê... Teu feitio ficou pra mais tarde. Teu peitinho rosado e rijo rege alguma palavra de tesão misturado com espanto que eu ainda não entendo. Cala-te a boca! Dá-me vontade de mandar calarem-te a boca. Meu pau fica duro. Você me chupa como criança, e mete em mim como criança. Se roça, se toca, me encosta e quase goza, quase gosta de me fazer te ver ninfeta diante de mim. Algo de mais excitante nas minhas tardes de paradeza. Nada mais excitante, Pretinha. Seu peitinho duro de tesão por mim, por minhas palavras. Sacana, putinha. Mete o dedo entre as pernas e me deixa ver inteiramente sua delícia. Coloca sua mão por trás de si mesma, faz como você faz, e pensa que qualquer um te mete os dedos. Me promete que conta o segredinho dessa sua pequena putice. Me deixa ver esse gozo de criança. Ah, eu quero te lamber toda molhada. Quero te asfixiar porque você gosta de brincadeiras perigosas. Quero sorver cada gotinha do seu orgasmo. Encanta-me com seu olhar no ritmo da melodia. E eu vou até onde vou até onde desconheço a profundidade do começo e do fim do seu corpo. Acaricio seu peitinho duro enquanto te beijo a nuca e passo o dedo no seu clitóris molhado. Você se retesa e se segura em mim por toda a eternidade.



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Três xícaras se enfileiram e três garrafas d'água vazias. Minha pequena árvore, um pedaço de Júpiter dentro da própria natureza da cidade. Diante do muro, diante do céu, diante as nuvens. Ah, Ananoê... Vejo as árvores remanescentes dos fundos dos quintais das casas. Distantes e diferentes tons de verde. Tudo agora está levemente estático. Virão os pássaros ricocheteando a memória, infinitizando.

Tom e Elis gravando em Los Angeles. Elis interpreta Àguas de Março sempre com seu jeito de cantar sorrindo. Reparem que ela está fumando um cigarro dentro do estúdio. Jazzando e rindo no improviso. E o Tom com seu estilo maravilhoso.

கன்வெர்ச çõஎஸ்

__ Oi Eçaiara. Sou eu, Boris.
... como tudo estava escrito nas entrelinhas. E eu não quis ver você(?). Estava parada na porta com os seios duros, bonita e com frio. Tinha aquele olhar sonso de morte nos olhos. Eu sonhava como um Homo-Ludens contumaz, renitente, obstinado. Que vício cego é esse que pesa sobre mim? Mandar chamar Ossoxi e o Cabloco Sete Flechas. Evoco minha indigenice e todos meus ancetrais anjos que moram no céu. A falange das florestas amazônicas. A energia curadora das florestas amazônicas. E todos os tiranos os tiranos se prostraram diante da mãezinha preta. Raios iluminam o céu de Iansã.

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Moramos eu, minha mãe e meu tio em um castelo medieval. Eu, o príncipe, Cinderelo ensimesmado. Meu tio, um lorde inglês, não pode ser acordado antes das três. minha mãe todo-poder-do-mundo depositado, entornado, abduzido, como um querubim de ternura. Uma rainha destronada. As coisas vão bem. Hoje será melhor o que ontem, amanhã. Hoje surjo do nada e nada acontece. Nada me acomete vice-versa viver, morrer. Como a experimentação oleosa e cristalina de uma caçada silenciosa. Hoje não vejo as luzes dos prédios como antes deformados e traduzidos e transformados visualmente em emoção. Despedida, cotidiano, horizontalidade, si mesmo, recuerdos. A janela – uma sensação de noção de perceber o mundo. As três ilusões de transcendência. Voltando ao adeus, não somos não nada pra gente conhecer. Nenhuma “promessa de futuro”. O que é passado passou realmente? De que forma agir quanto a isso? Quanto ao futuro? Que fazer com o choro adulto? Essa curva maldita que a história faz no tempo. Tempo de cada um não paga dívida. Quando escrevo de forma clara, querendo te ver. Sem saber notícias, sem falar palavra sem saber o que é certo, sem saber do fim de mais um dia com os olhos cansados. Voltando outra vez eu não tenho pressa. Revolta destituída de sossego e palavra. Cuia cheia de nadas protegendo meu cérebro. Qualquer uma ideia de liberdade ou libertária que não agrada e que não convence de ninguém. A risaiada enche a sala de ecos. O sono não cura feridas. E frases de impacto não fazem a vida, andando sozinho, na maior e máxima depuração de ser. Não há nada o que falar se mesmo assim acredito que deslizam os olhos pelo que digo. A vida é assim. Às vezes só enxergo cores. Às vezes só encontro palavras dissolvidas, olvidadas, destituídas, des-escritas na folha da garganta sem fala, sem som de orixá só nem irmão nem irmã nem si mesmo. Uma televisão pela interferência de um olhar de soslaio. Um sussurro infalível, telever. Meu desengano foi demais, mas eu não quero machucar a meninha.

domingo, abril 25, 2010

Poema em linha reta


Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.


E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.


Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,


Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?


Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?


Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

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Álvaro de Campos

sábado, abril 24, 2010

João Carlos Martins, o pianista cuja vida é uma saga. Um grande nome da música clássica mundial, no entanto, um virtuose pouco conhecido do povão brasileiro. Isso não justifica nem tem a ver com uma busca sublime sobre a beleza. Repare na bela performance do maestro Diogo Pacheco. Reparem na velocidade arrebatada com que se movem os dedos de Juanito. E vejam também a “edição” do programa da TV Cultura – o corte mais moderno dos anos setenta.

resquício(s) de pequeno(s) nada(s)


Ouço tiros antes da alvorada. O quarto está claro e eu estou suando. Minha cabeça está prestes a explodir. Mais tiros... Dez minutos depois ouço um helicóptero. Um pedacinho da vida bandida no meio de um bairro burguês. Ao contrário do Rio de Janeiro, onde a situação é inversamente contrária. Mas isso não vem ao caso. Sábado abandonado, durmo o dia inteiro. Minha vida anda pela metade. Tempo de homens partidos. O tempo é de cada umbigo. Os lírios não nascem da Lei. A lei da servidão se faz na ética de cada dia. O bandido acaba de sair da cadeia. Não tenho nada a ver com vida alheia, mas é foto-antropológico registrar aquele sorriso. A novela das sete mata de aculturamento, uma caricatura. Jornal descara cartas da Política, do Mundo e do Tempo. Trinta e seis em Cuiabá. Nos “States”, o cão herói Rudy salva família das chamas. Era um pastor alemão. Os telescópios americanos ainda nos surpreendem. Os terremotos da China parecem estar a milhões de anos-luz. Já não sinto culpa. Não choro mais. Não sei como modificar um estigma. Já é noite, enviesada. Hoje pretendo não varar de novo a madrugada. Isso me coloca ainda mais longe da ocasião. Pareço um morto-vivo. Minha TV só fala baixinho, conduzindo ao sono. Parece que ouvi de longe, um relinche de cavalo. Estrelas vermelhas no céu no alto dos motéis e dos prédios. De vez em vez passa um avião. Meu cérebro está pastando, pastoso.

sexta-feira, abril 23, 2010

palavras ao léu


Conheci uma pequena adorável e super simpática. De olhos azuis e coração de cristal. Escreve com espirituosamente e suas palavras deslizam sobre o verso. Sabe contristar. Sobressaltada no deserto das ideias. Possui história de glórias e incertezas, um sorriso singular moldado pela natureza. Ninguém devia magoar tal coração. Devíamos acariciar almas tão sofridas, diante de um mundo tão acerbo. Engolir a azáfama. Tornar sua vida mais afetuosa, como um devaneio primaveril. Afagar seus pensamentos e trazê-los a luz de um novo Tempo. Os bons fluídos que lanço, o vento leva. Eu levo a vida. Leve, que nada. Na madrugada assombrosa, as estrelas brilham mais. A lua dormiu mais cedo sorrindo, e eu menino enalteço as palavras. Que seus olhos não chorem mais. Não sei se um dia nos falaremos novamente, mas desde já eu lhe transmito meu abraço carinhoso. Não tenha medo de recebê-lo. Não tenha medo de nada. Somos apenas homens e mulheres perdidos, nessa humanidade diversa e vária. Não tenha pressa, digo também a mim mesmo, durma com os anjos. Renque de luzes no proscénio. Glorificar o último ano da primeira década do terceiro milênio. Sorte, amiga, sorte. Levante a saia para atravessar o rio de lama. Não se magoe o coração de quem ama tão tenramente. E que assim seja feita nossa vontade. Somos eternos por toda eternidade.

domingo, abril 18, 2010


Acordo cedo, com o sol trespassando a fresta em minha janela. Mais precisamente às sete e trinta da manhã. Levanto-me e vou, silenciosamente, fazer café. Dormi satisfatoriamente. Não sinto cansaço. Tomo meu remédio e fumo meu primeiro cigarro. Todos dormem. O sono dos justos não me acomete há tempos. Porém, dormi durante toda a noite. Sem intervalos, sem sonhos. Sem despertar abrupto rasgando a madrugada. O silêncio interior que nada tem a proferir. Acomete-me a falta de fala em estado meditativo. O que não posso dizer, cala. Jamais estive tão sozinho. Solidão a qual mulheres e gatos estão mais acostumados. Leio mais um trecho de “Os Mujiques”, um conto de Tchekhov. No fundo de minha alma sinto o frio que açoita as personagens. E a pobreza. Não me compadeço. As palavras fazem-me lembrar o assovio dos ventos e a sensação de abandono. Fecho os olhos e vejo-me colhendo gramíneas nas estepes siberianas. Memória atroz, talvez. Incutido nessas lembranças, o vento é ensurdecedor enquanto me abrigo em uma cova de gelo. Somente em mim e dentro de mim, essas memórias fazem sentido. Perco-me na imensidão branca, vendo vidas passadas. O sol brilha acedendo o espírito a essa-vida-de-agora. Os pássaros cantam. Levanto-me para mais um café. E cigarros...

O Eremita

sábado, abril 17, 2010


Anoitece. As noites são curtas, os dias intermináveis. Devo espargir, pedaço a pedaço, memórias do passado. Devo colocar um cadinho de mim, feito merda no vaso, e “dar descarga”. Vai-se embora um período de alegrias e tristezas, encontros e desencontros, saudades e devaneios, beijo na boca e lindas trepadas. Vai-se com a água. Sabe-se lá, por debaixo dos pés do asfalto, essa atribulação de esgoto. Espero...

domingo, abril 11, 2010

Espargir
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no patíbulo assombroso
do meu sonho

Espargir

v. tr. e pron.

1. Derramar (vertendo), espalhar.

2. Desfolhar.

3. Difundir.

4. Aspergir; esparzir.

assim


Acordo pela manhã com um sonho nos meus olhos. Domingo novamente. Desperto às seis horas para com a luminosidade ver que o dia está nascendo. Logo em seguida volto a dormir. Depois acordo, entre um sonho e outro, seguindo a intensidade do sol. Às nove horas de alguma memória longínqua, me expulsa da cama. Não há nada na minha TV pequena que só funciona na “Globo”. Não nada mais dentro de mim. Esvaziei os últimos seis anos que vivi. Sou uma-linha-zero. Um ponto de partida. Domingo. O jogo fica complicado pra mim... Começo a negociar com o tempo. Contemplo, rememoro. Desgraçada memória. Triste deletério, Sad Walk, triste caminhada. Sigo com meu triste orgulho espanhol, quixotesco, beira a imbecilidade. Cumprir uma profecia midiática, e do Karma, e espiritual. Somente para conhecer mais uma vez a cábula, o desamor, as paixões, a distância, as horas, a imobilidade de expressão. Por isso escrevo. Mesmo que você não veja, ou veja da maneira que você quiser. Mas estou aqui, tanto a dizer, nada a declarar. Constato que estamos sós, nesse dia de sol-entre-nuvens. Esperança de que a Terra se mova mais rapidamente. Esperança de espetáculo no futebol. Limpo as lágrimas. Conto escrito à eira, à beira de alguma angústia que eu possa pegar com a mão. Encaro como um desafio. Um pouco de café e cigarros. Volto às palavras. Tentando encontrar onde eu me caibo. Tentando acertar algum tipo de lance.



11h09min

sábado, abril 10, 2010

resquício(s) de grande(s) pequeno(s) nada(s)

Aos poucos se apanha um pouco a memória a que me apego e a noite termina por aqui. Tudo que faço gira como blue rondo a la turkey. Naufraga. Paralisa. Coagula. Um deletério extravagante de pretéritos. Inocente, você se mostra. Mata minha fome. Você me puxa. Encosto o meu corpo no seu, enquanto goza. Esporro em suas pernas, suas coxas. Com toda a da minha glosa: calada, quente, obscena. Santo leite, doce e erradio. Poderosamente me observa com cara de mulher, com olhos embriagados. Tudo está mudo. Não há trilha. Não há sonoridade, ruído, barulho, vento roçando nas folhas, som de cachorro latindo, nada. Um parque silencioso da memória. Fecho os olhos e não há nada na TV. Volto do sonho. Não há nada lá fora. Solto sua mão, salto sobre o sonho e volto. Tudo continua calado, mudo: presente, passado e futuro. Putaneando.

e os dias se foram


Conto os dias a espera de outros, melhores. As dores, das Dores, Iracema, Filomena, Clementina. Imitam a vida - a grande arte. Ser ou não ser? Eis a questão. Se você é um Nada subjetivo em oposição a um Tudo objetivo, eis a tríade fenomênica, Filomena, eis a questão. Sábado, todas as moças se tocam da maneira como canta o bem-te-vi. Um pouco lá e aqui, e continuo pensando. Pare de pensar! Resguarda a minha consciência sempre limpa de culpas. Tudo a dizer, nada a acrescentar. Ergo o nariz no rumo do horizonte. Levanto a cabeça, e sigo.

Fuck off...

quinta-feira, abril 08, 2010


I wait for you
faceless girl
Eis que de novo a ti devo Eu
Eis me aqui a ti de novos Eus
Eis Birigui, capital latino americana do cinema
Eis Copacabana eis Ipanema
Eis Ipiúca poróró dendê
Eis piaçaba ganzá maculelê
Eis aqui você que sentada ao pé da santa
Eis a falar de novo sem querer
Minha prosa
meu Você perdido em ti...

la movida madrileña


Essa música me marcou. Asfixia sexual. Você, nós dois, você sobre mim, você em mim eu em você, nós, Eu, Nós, um só diamante no escuro a te buscar. Saio da cena. Deixo vago o meu passado. Restam lembranças, que choram. Soçobrar em pedaços. Sou um mosaico. Pedaço por pedaço. Tudo chega ao fim. Nem sempre um fim desejado. Nem sempre um "fim" como propósito. Outras coisas mais sórdidas no caminho. Outras tarefas mais importantes nesse Wille zu macht. Desejo, vontade de "poder". Potenza. Perdeu-se em mais uma fiesta de la movida. No movivento da onda, no embalo da vida. Uma conchinha na praia deixada pelo mar... Chuáaaaaa... chuáaaaaaaa...


Eis me aqui denovo. Diante de mim, diante de ti. Juntos, geramos mais de onze mil e quinhentas impressões. Vinte mil e cinquenta signos, pixels e fishes, em média. Eu e Eus, eis que aqui estamos, diante de ti, de A a Z. Astuto, barbado, cansado, estranho, fugidio, gluglu, hurricane, iletrado, jogado, lesado, marcado, naked, obnubilado, puto “qualquer”, rasgado, safado, turvo, último, vazio, xistoso, zangado. Nada pior do que essa postagem. Somos todos nós.


Menino Vadio

domingo, abril 04, 2010

Fugitivo do Tempo

Sigo a empreitada nessa triste caminhada, nesse domingo de páscoa. As águas de março encerram o verão. O outono vem surgindo. Cálido, pacífico. Caíram todas as máscaras, todas as folhas. O que virá depois dessa chuva passageira? Virá o sol, acanhadamente? Virá mais uma noite? Com certeza virá novamente. Sigo sem fantasia. Evito olhar pra trás. Ter-me perdido em tanto pranto “pelo amor de Deus”. Custou tanto penar... as chuvas que apanhei, as marcas que ganhei, nas lutas contra o rei, nas discussões com Deus... tanta espera, tanta espera, mas jamais perder a dignidade. Braços vazios. Meus braços vazios balançam no caminho adiante. E mesmo que minhas mãos estejam ocupadas em escrever ou esganar, os pássaros voltam a cantar. A culpa será sempre dos mortos. Tempo fugidio.>>>>>>

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Menino Vadio

sábado, abril 03, 2010

Björk


Uma cem variações de tons de branco-cinza. O dia tentou clarear, mas não aconteceu. A lentidão do mar de nuvens que agora passa em frente a minha janela, leva-me com ela. Lava-me as lembranças da manhã. Agora parece que já são dois sábados. Um antes e o outro depois da sesta. Meus olhos se perdem nessa cortina de nuvens. Porque esperamos resposta? Por que nos questionamos? Essa é a parte chata do processo da não aceitação. A fragilidade com que expomos quem somos. A destreza necessária para não dilacerar a si mesmo. Viva e deixe viver. Um quê de auto-redenção nisso tudo.

Ladies in Luluchaca


O dia amanheceu assim, cinza. São dez horas da manhã. Se o dia permanecer assim, cinza, continuaremos assim, cinza. Limpar as cinzas do céu é o que eu preciso. Preciso que bons ventos soprem essa neblina. Obnubilado preciso que bons ventos soprem a meu favor. Já não tenho tempo. É preciso que os ventos, as conjunturas climáticas, a pressão atmosférica, que se dá nas curvas geodésicas do globo, sejam favoráveis. Seja o palco de um dia ensolarado. Preciso de um novo dia, um novo globo, um novo corpo. O dia é sempre assim, descolorido, desbotado. Reclamo com Deus. Não obtenho resposta. Os cães ladram. Os pássaros cantam. As folhas tão levemente balançam. Preciso de um vendaval, um furacão, um sopro, uma lufada. Que me arremesse próximo das metas alcançadas. Falar em objetivo é desejar uma boa morte, passagem, desencarne. Escrevemos porque temos medo da morte. Porque eu não entendo a morte, porque não conheço a morte. Escrevo porque preciso de um dia novo. Desejo de um novo dia e uma nova chance.

sexta-feira, abril 02, 2010

existir...


"O suicídio é uma desforra, e este é o seu lado fascinante. Mas o suicídio contém a morte, e este é o seu defeito irreparável. Nunca morrer hoje, quando se pode morrer amanhã... ou daqui a cem anos. Há muito o que ver e sentir, há muito o que amar! Em mim e em meus semelhantes mais intranqüilos haverá, um dia, aquela manhã clara e azul, e, com os olhos da alma sossegada, veremos toda a beleza da rosa, toda a luz do lago duro e prisioneiro, o sopro da manhã cheia de pássaros, o convite do amor no ser que passa. (...) Viva, sem a nervosia de procurar-se a si mesma, porque cada um de nós é um perdido, um ilustre perdido na humanidade vária e numerosa."
Antônio Maria

Sexta-feira, santa


Senhor,

Dá-me forças para seguir-te a senda
Ajuda-me a tomar as cruzes que mereço
A cruz do amor que ama sem aguardar amor
O lenho dos defeitos que ainda me deformam
O peso do insucesso e do orgulho abatido
Mas guarda-me a esperança

Facilita a minha vida, por favor
Assim seja...

sexta-feira da "paixão" ah...

Clique na imagem
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Irina Gorban

mmmmmmm.....

Pequenos nadas. Não, não isso não pode continuar... Você deve se desapegar. Não existe mais nenhum elo. Coloque-a no livro das lembranças. Você precisa viver. Boa aventurança te espera logo adiante. O tempo te espera mais adiante. Não se desespere, espere. A sua obra prima, o trabalho. Eu queria uma moça assim, sensível. Sensível a mim, aos meus sentimentos e a si mesma. Sensível apenas ao ponto de me reconhecer. Sigo, e se um dia hei de conseguir? Não sei. Mas estou no mundo e vou fazer o melhor possível.

G.

quinta-feira, abril 01, 2010

Prokofiev

A cadência das imagens, o movimento de câmera, a composição plástica, a polaridade tonal, as notas do piano, a profusão non-sense de signos, as sequências, os closes... Sinto-me assim.
FINE

Último dia da reforma

Primeiro de abril. Eu não sei o que me aguarda. Mas todo homem tende a criar seu próprio manual de felicidade. Nessas noites de outono. O frio me traz boas lembranças. O recolhimento, a paz, o aconchego. Todas as folhas velhas da minha pequena árvore caíram. Novas folhas verdinhas verdinhas, novos brotos e novas ramificações estão surgindo. Boa terra eu coloquei. “Adubada”. Fertilizam novas ramas mostrando que a árvore ainda vive. É um fícus. Os dias são arrastados pela lentidão do sol e isso me agrada. Ela geralmente acorda com o sol (assim como eu) e recebe o calor da manhã na janela. Ela mora na janela, junto com as estrelas. Você era como a lua que vinha sem que se soubesse. Agora é como se não houvesse mais lua. Como se a lua não mais viesse. Mas o sol sempre nascerá. O sol acorda-me tocando meus pés, quando se apruma com o horizonte. Na cidade não vejo, nas noites em que passei acordado, de onde ele vem. De onde ele brota no oceano de prédios que nos cerca? Fé em Deus que eu vou conseguir.


impávida prosa

aguerrida

audaciosa