segunda-feira, maio 31, 2010


Lembra-me mais tarde que as horas passaram e eu não estava aqui. Diz que eu fui à cidade comprar um bilhete e diz que eu era imponderável. Depois saiu da cidade e a cidade não acabou. Continuou pensando sobre os pacotes de comida para viver. Queria avaliar como estaria enganando a fome com um plano falho. Torpe o bastante, queria lidar com aquela fonte. Em parte estava querendo ficar, mas a solidão chegou como uma mensagem. Então me lembra, quando acabar a novela.

Amarelinha no morro



Sim, que é tempo de um tango rasgado, mas aos poucos a vida vai, retoma suas cores. Aprendi a distinguir entre mais de mil tons de cinza. Agora começo a ver, como no fim de uma subida, o horizonte despontando do outro lado do vale. Aos poucos vamos descer e conhecer as águas do campo. Vamos até lá para matar nossa sede. À noite, bem instalados ao redor de uma fogueira, tomaremos vinho. Brindaremos e contaremos histórias incríveis de outras épocas e outras culturas. Descansaremos o corpo. A alma estará plena de boas sensações, e vazia, “lavada” como as águas das nascentes. Então a vida não será mais como jogar “amarelinha” no morro.

Dalva

um tango de Francisco Lomuto

Gotan Project

La Diosa

sábado, maio 29, 2010

blog removed



Obrigado pela oportunidade de rever, recapitular, reavaliar meus conceitos. Se nada levei dessa relação, onde supostamente eu te "perdi", ao pior tornei-me mais humilde. Começa uma nova novela. Ontem, você foi apenas um lindo sonho. Os pesadelos foram só momentos ruins que não existem mais.



Em janeiro comecei o primeiro “dia útil” do ano dormindo feliz num quartinho abafado colado na rodoviária. Tinha um ventilador ligado no máximo e uma cama. O calor úmido no janeiro chuvoso. Um desatino total e uma dor pra calar. Esses foram os meses que se passaram até aqui. Que eu nunca mais vi. Que nos separam no Tempo & Espaço. Que rasguei meu próprio retrato. Momento em que aceito fazer outra fotografia das ilusões da Terra. Foram meses de angústia, de sofrimento velado, de uma lucidez desejada e sentimentos contraditórios. Sentimentos que não dizem nada. Minha barba cresceu. Não sou mais o mesmo. Não sei o que fazer. Ich kann es nicht. Gott helfe mir. Águas passadas...



Fui parar na Praça Sete, no “centrão”. Normandy (a Normandia me persegue), um hotel que procurei na lista telefônica. Foi um dos hotéis mais sofisticados da cidade, na década de 1960. Da janela do quarto via-se o prédio em frente uma imensidão de cinzas. Estava sendo um dia terrível para mim. Mesmo me dando o luxo de ouvir o chorinho na praça sentado com vários copos de chope. Um entardecer incrível, embora triste vice-versa. A minha intuição dizia que ela estava decidida. No dia seguinte, saio do hotel, check-out! Começo a procurar algum lugar mais barato ainda. Já é segunda-feira antes do Ano-Novo. Encontro um na Avenida Paraná. Ah Avenida Paraná, foste o palco das malditas últimas findas ilusões. Ilhado na própria cidade onde eu moro. Forasteiro. Homeless. Tendo que comer de manhã de tarde de noite como todo mundo. Fiz do Ano Novo um carnaval de Arlequim. Foi traumático pra mim, pra todo mundo. Rejeitado pela restrição de família fui (convencido no telefone público pela ex-cunhada) pra casa da sogra que ergueu a espada de São Jorge guerreiro e fincou a lança no dragão, expurgando aquele “mau” que estava me matando. E foi esse o Ano Novo que rasgamos sozinhos e junto.

tudo começou na hora de acabar

Boas festas!






Passei o natal na casa da Petit me sentindo desconfortável, não por eles, mas por mim. Por estar passando aquela bad vibration de quem observa, na “tábua dos tubarões”, a confraternização da família de quem você deseja do corpo a alma, o umbigo. Sendo jogado ao mar, voltei pra casa do meu pai e ele já estava dormindo. O papai Noel, aquele velho farsante, não apareceu. Sabia que àquela altura ir até lá seria como “martirize a você mesmo”. Devia ter ficado em casa, mas o clima em casa não estava bom. Queria “ver” a pessoa, mas “ver” seria um martírio, hoje eu sei. Saio da casa dos pais, somente meu pai no portão. Saio e sigo meu rumo com o mochilão nas costas.

sexta-feira, maio 28, 2010

Minha barba cresceu

estou diante do universo

careta e covarde


Esse texto é um pouco longo pra a vida tão curta. O budista deve analisar a fundo o problema. De outra forma o problema te pega a noite, no travesseiro. Chego à reta final da aceitação, da síntese que soluciona, do fim de um “luto”. Vida de relações afetivas... Parece uma paródia humana. Disse, mais uma vez, que gosto de sofrer. Disse que sinto algum prazer mórbido em sofrer. Retruquei dizendo que cada “luto” tem seu tempo. Eu depositei minha vida sem pensar e fui direto ao chão. A pequena começava a gostar de mim. Cometi alguns deslizes, quanto ao meu comportamento, eu admito. Talvez, impondo a minha vontade por “querer demais”. Minha relação com o álcool, acentuada nessa fase. A repulsa pelo álcool, minha relação com o mundo era uma vez fascinante, na outra desprezível. Aprendi a ser humilde. Meu posicionamento é simples diante das coisas simples, mas era uma situação de completo desequilíbrio. Isso mostrava intimamente quem eu era aos olhos dela. Tentei de várias formas, mas consegui provar que não era um bêbado contumaz, uma pessoa má, um ser alienado. Não me ligo às convenções e não tenho preconceitos (mesmo com os Best-Sellers). O âmago da minha dor foi às vésperas do natal e ano-novo. Dormindo em um quartinho abafado, sem forças, o coração partido. Meus pais resolveram me deixar por “conta própria” e viver. No centro da cidade, perto da rodoviária. Apresentei a ela o Aquarius Bar Restaurante Lanchonete, dois enormes balcões. Aconchego de quem sai do trabalho e de passagem come um prato feito. Impossível retratar cada olhar, cada frame de Roland Barthes, Madeleine Peyroux Sem fantasia, dizia ela, mas fiz eu várias. Consciente e cegamente. O paradoxo é um atributo da natureza humana. Tive que enfrentar a gang da Savassi. A rua e os quarteirões do meu então recente comércio, um restaurante vegetariano. BH são várias pequenas cidades, bairrista e provinciana. As pessoas se conhecem “de rosto” ou te conhecem “de longe” ou te conhecem “ao vivo”. Formulam e se apegam conceitos. Estava decidido a esquecer as emulações, mas fazem isso por não saber que há todo tipo de “louco” nesse mundo. Eu não estava sendo um Bom louco naquela altura do campeonato. Confuso, bêbado, deprimido e sem lar. Levando-me pra lá e pra cá antes de chegar o natal. Sendo rejeitado. Escreveu Cartola, Acontece.

quinta-feira, maio 27, 2010

Living Theater


Aqui no castelo do flautista Pan, todos obedecemos. Ninguém é livre. O rei mandou que esperássemos e assim o fazemos. Cada à sua maneira de esquecer o desalento. Uns varrem as folhas da floresta. Eu uso drogas. Fumo cigarros e bebo cafés e barbitúricos, do alto de um cogumelo vermelho com bolinhas brancas. A face cálida dos domingos. Ventos que anunciam a madrugada de outono. Tentei até onde fui capaz de aguentar. Depois me escondi na toca do Leão, do Leão. Mexe com meu ego pensar que sou inaturável. Irresistível por falta de resistência. Sou um poeta e nada me ocorre senão escrever. Quero “a vida que deu certo”. Der Vohlgeratenheit. Ou talvez por dizer isso eu não queira nada. “Lembrar” ou “não lembrar” (a memória afetiva... memória em suma), é uma questão, que dirá um enigma, da semiótica neurológica. “Cultural”. Você criou a si mesma, dando conta da sua própria ética, criando sua própria moral secreta, íntima e duvidável. Já abandonei e já fui abandonado. Já magoei, já chorei, já fiz chorar, já “tudo” que uma vida de casal, de relação afetiva pode passar. Estamos suscetíveis a sermos entregues assim ao nosso próprio ego. Sem explicação.

terça-feira, maio 25, 2010

momentos roubados

best of cool

paisagens flutuantes







Hoje não houve entardecer. A noite caiu simplesmente, mas a lua ainda brilha no céu. Foram longos os entardeceres que passei diante dessa janela pensando em você. Preciso pedir perdão e não aguardo resposta. Pedir perdão e perdoar a mim mesmo, por coisas que fiz ou disse, consciente ou inconscientemente. Enxugar as últimas lágrimas. O fim do fim. Revolta, entendimento, aceitação. Levou tempo, mas creio que já “aceito”. As palavras têm um significado tão restrito. Passei por uma reforma íntima tentando entender. O pior erro é tentar entender. Cada ser humano é um mistério. Contudo insisto nessa mania de ir fundo na questão humanística. O “nosso” tempo é de seres humanos descartáveis em um cenário obscuro. Sempre foi assim. Ela tinha só uma libidinho por mim. Recomeçar. Peço-lhe que me perdoe e fique contente.

Hoje deixa a página em branco. Deixa ocultas as palavras que não faz mais sentido repetir. Deixa apenas a doce melodia dessa triste caminhada. Deixa apenas a lembrança das coisas boas que fazem os casais. As coisas mais brandas e mais sutis e mais banais. A estrela que nos vigia. O nome dos filhos. Afetividade. Deixa-me respirar mais fundo pra tentar responder todas as perguntas prementes. Deixa afastar os “problemas” que só existem tão fugazes. Somos eternos? Essa vida nos derruba, mas Chet Baker e um baseado nos acalma. Dormir também faz bem, embora não resolva o problema. Deixa essa noite seguir e dá o conforto que necessitamos. Sem conhecer os segredos, mas acreditando nos mistérios. Deixa cair sobre essa segunda-feira formas gloriosas de rememorar. Derrama a esperança em nossa busca interior e pessoal. Deixa os problemas de lado. Deixa a fluoxetina tomar conta da humanidade. Nenhuma dor de cabeça mais. Apenas o sono dos anjos. Nenhuma ansiedade mais se aproxima. Os ventos estão calmos. Passou a interna tempestade e agora reina a calmaria. Sentir prazer nas coisas pequenas, na espera delas. Ser humilde. Deixa que apenas essas palavras invadam nossa alma, nosso coração, nossos sentimentos. Estamos mais fortes. Deixemos o peso, vivamos a leveza. O silêncio cai sobre nós graças ao amanhã.

domingo, maio 23, 2010

Simplicidade


Reverso inevitável. Tentarei levar a vida como um monge tibetano, apesar da vida monástica, há a questão da nobre convivência com as pessoas. Eu e minha mãe vivemos em um monastério. Há um pequeno lago azul. Orquídeas lindas quando florescem. Há o “pai Joaquim". Há mulheres-lolitas-peixe de olhos verdes e lábios rosados, na parede mofada da aresta de um quarto. Há índios e guerreiros da floresta. Há gnomos em nosso jardim. Inclusive três babosas grandes em baixo do bico-de-papagaio. Há uma plantinha rasteira cobre a terra Há um “rastro” de hortelã que some e reaparece, morre e ressurge assim como nós mesmos. Nesse pequeno canteiro houve já também o rastro de tomadinho italiano, que sobreviveu alguns meses, como um rizoma, que comemos. Os beija-flores de todas as cores ainda flanam na fauna do micro ecossistema. Trepadeiras que sobem sobre olhos, que tornam-se dois quando se vê à distância. Mas nada mais funciona tão perfeitamente como antigamente. Não há seres humanos mais, essa está prestes a ruir. No portão do lado de fora da garagem vê-se um adesivo colado, VENDE-SE. Um monge deve pensar sobre cada uma de suas ações. E como um índigo hiperativo, tento. Hoje joguei Packman, ícone da minha geração, no Google, por quase três horas. Sou dois anos mais velho que esse jogo. O tempo “passou”. Afago minha barba velha. A sensação egoísta de que tudo está vazio. Transpor um rol de conflitos. Lutar contra ansiedade e aceitar as perdas como inevitáveis. Tudo é tão transitório que merece o meu registro mais banal. Como madre Tereza de Calcutá e Jean Genet, tentarei expurgar todo mal. Dominar meus próprios demônios e então o passado não mais viverá em mim.

O Santo Ofício - nome atribuído à uma das inquisições mais terríveis e tenebrosa, durante um período da Idade Média. Aqui em BH há uma loja de roupas com esse nome. É um nome bonito. Transmite “credibilidade”. À primeira leitura eu imagino um senhor bem venho trabalhando, nos fundos de um “barraco” medieval, cunhando algum tipo de artefato utilitário essencial, uma taça, uma espada, sabe lá. Santo ofício – diz o homem ao amigo – sem ele não seríamos “nada”. É verdade! - diz o outro e brindam com uma golfada de vinho.

sábado, maio 22, 2010

Gisele, ma belle


Oi Gi,

"Presta" ou não presta é uma discussão que prefiro evitar. A prórpria palavra "presta" está relacionada com servilidade (no caso da clarice Linspector ela coloca em índice qualitativo). Postei porque chei a foto bonita. É uma foto "posada". A mulher tem olhos azuis e penetrantes, meio pratedaos. Contrastam com o estilo da iluminação mais branca, do rosto da mulher, a mão e a perna do cara. Os tons de púrpura compõem a cena, o baton e a pele do pênis. O cacete enorme do sujeito (e falo de um falo "símbolo" de falo) impera na grandeza da cena. Elocubrações sobre o erotismo. Na minha análise semiótica da fotografia (uma das qualidades do signo, na arte - o erótico). Na Crítica do Julgamento, Kant dá 26 qualidades ao signo. Entre elas o bizarro. David Linch é cinema, é arte, é bizarro. Sabia que causaria algumas "reações". Re-ação. Seja lá a forma reacionária. Pudor, tesão, moralismo, pouco importa...Se me pedirem que tirem, pedirei que se retirem. Nesse recinto Eeeu faço o que quizer. Inclusive uma orgia visual. Esse comentário é para os demais, Gisele.
Um beijo,

Gustavo

sexta-feira, maio 21, 2010


A madrugada é toda minha. Tomarei um banho na “hora morta”. Quem estará comigo? Me sinto uma bosta. Eu serei uma boa companhia para mim mesmo. Eu achava que era, mas se devastado por dentro é capaz de me achar qualquer coisa. Foda-se. Estou aprendendo a me perdoar assim como as fadas. Amanhã eu serei um homem “melhor”. Sinto no frio também remorso. Quem terá me abandonado, deixado de me “seguir”. Eu? Parte-me ao meio e me ergo. Sentimental e sentimentalista até doerem as hemorróidas. Ultra-romântico fora de moda. Que será de mi? Eu tenho lágrimas doces para você? Sinto vontade de ir embora. Sinto vontade de ir embora, mas tento me comportar como um monge budista. Mas o que está em voga, afinal? Qual é o padrão? Onde está a ilusão? Morreu atropelada feito um cachorro. Eu não sou ninguém mais. Artista é aquele moço que faz arte com lixo e faz sucesso em NY. Eu a madrugada e mais nada. Eu tenho a mim. Mesmo gauche e sobrecarregado das suas dores. No momento, me sinto um distúrbio ambulante. Dificuldade de pensar, de agir. Eita merda! Assim que anda minha auto-estima. Pero hay que tener fuerza! ¿Si?¿ No, Marina? Sintam então e fodam-se com o que eu sinto. Fui chamado de frustrado, Excêntrico, de outra vez. Todos os adjetivos que fazem jus a minha vileza. Existe vida ainda após esse desfalecimento macabro? Afirmo e pergunto. Minhas palavras não “servem” a mais ninguém, não servem pra nada. Mergulhei fundo na quinta dimensão da sua realidade, então fica difícil “voltar”. Difícil dormir, difícil até de fumar um cigarro. Mas fuerza! No meio de um bando de pessoas ninguém quer ser toureiro, torero. Nadie quiere ser la víctima. A história de vida desastrosa de alguns artistas. Todos aplaudem, mas alguém tem que morrer. Deve morrer. Petit. Meu anjo perverso.

quinta-feira, maio 20, 2010

ao som de Miles Davis



KKKKKKKKKKK

Hoje meus pecados são apenas os meus pecados. Hoje eu sou dono dos meus pecados. Desilusões. São dores e desilusões. Agora eu também sou um “pecador” e também sou vil em toda minha vileza. Se não te prendi, não te amarrei como querias, é uma pena... Suavemente sua a sua pele. No espectro da carne não há carne. As sombras apagaram seu passado, seu passado impregnado em mim. Moro na madrugada. Habito um pedaço de sonho. Sou consciente dos meus atos. Compreendo que nasci em um ambiente fértil para a violência. Mas poder falar e poder escutar. Condenação social. Faz tempo que meu país é uma ilha distante do seu. Se não há opção. Mesmo atravessado o sinistro da vida, gostaria de retratar em meus símbolos plásticos, desaparecer. Mesmo assim e acerta disso, é que capto. Peço que algum rastro desse 4:44 chegue até você. Me deixo te perder, tem hora. É o ninho espinhento da memória, onde lá eu te coloco em pensamento.



homo.ludens.



Caio Fernando Abreu - Ovelhas Negras

quase uma maldição


Aquele momento em que você se sente só com letra maiúscula. Agora eu tento me ver através do olhar de si, Petit. Vejo quem fui. Quem talvez ainda seja. Quem eu sou hoje. Como se visse “o outro” me olhando através dos olhos desse outro. “Eu é o outro” disse Rimbaud. Observando-me com conclusões de milésimos de segundos, instantâneos e a longo prazo. Digo conclusões triviais. Meu comportamento nunca foi “exemplar”, mas acho que a vida ao meu lado era boa. Esse olhar pra mim mesmo através do outro me assusta. Fui mau, carrasco. Nunca mais quero magoar ninguém. Sofro porque penso que se houvesse sido “melhor”, em qualquer sentido, talvez eu fosse “aceito” e tudo “desse certo”. Vohlgeratenheit – a vida que deu certo. Terno que Nietzsche criou. Mas agora a chuva passou. E fujo intuitivamente como um pássaro livre, sem “lei”. Fujo pela noite, pela madrugada, pelas noites sem sonhos, sem um pedaço. Notas de piano me seguem o canto de um instrumento de sopro... Essas melodias chorosas do frio que faz o jazz. Prometo nunca mais magoar ninguém, nem a mim mesmo. Essas pequenas coisas ou grandes desatinos que nos faz apreender a vida, o ser humano, as relações. Se eu me dispo de forma e vejo a mim mesmo só através dos meus olhos e talvez, até sem saber, eu não te veja e me vejo em você... Esse deve ser o mais egoísta dos amores. Mas nunca é “bem assim”. A sintonia entre as nossas vontades, energias e o caralho-a-quatro já não “batiam”. Não se completavam mais nessa grande ilusão de tempo. Aceitar as perdas como inevitáveis. Saber (uma força enorme nessa atitude) que as todas-as-coisas-do-mundo coisas são impermanentes. Quando estamos juntos estamos plenos. Não essa não é a verdade. É preciso mais para estar inteiro e ninguém vive só, Petit. Embora alguns creiam que isso seja possível. Estar inteiro é estar vivo. Seguindo as “lei de Deus” ou aquelas que a sua moral obedece. Sofri, sim, feito merda. Arrastando correntes, lambendo carniça, roendo osso, chutando cachorro morto.

quarta-feira, maio 19, 2010

asfixia sexual



Um corpo nu em minha cama. Apenas um corpo nu em minha cama. Imagino que não estou sozinho. Agora toco a pele sedosa desse corpo nu em minha cama. Coloco uma porção de caridade quase cristã em minha mão e na ponta dos dedos. Não sei se estivemos em sintonia. Penso coisas. Quantas vezes estivemos “entregues”? Encosto a mão no seu pescoço. Você se vira e se esquiva. Acordo-te com a curiosidade das palavras. Você, aos poucos, desperta. Eu te impressiono com a minha impaciência, gerada pelo “fogo do amor”, uma desgraça, um tesão. Não há nuance romântica em nossa sacanagem. Quero-te em mim. Pego e você se deixa. Eu te impressiono contra mim, pego e pressiono seu pescoço e aperto o tanto que gostas, o tanto que me pedes com um sorriso safado. Espera que eu te pegue, mas eu prendo meu corpo a você de forma a não esquecer esses ossos, esse gosto, essa pele. Envolve-me em seus cabelos, seu cheiro. A “lenda do odor” que você não acredita, mas sentiu o cheiro da minha barba e ligou. Era paixão. Acorda desse sonho e me pinta com as cores mais feias. Acho que mostrei um leão para quem tem medo de gato. Escondeu-se e quem não te fez enfrentar. Menininha, você é minha. Como quis um dia, como também imaginou com “cara de besta”. O seu útero de infértil de criança. Sua cabeça. Suas irmãs se deixaram crescer fisicamente. Muito além de uma pequena Lola. Entre crianças e adultos. Um texto que eu não freqüento tanto. E esssa foi a últim vez que trepamos, porque nunca fizemos "amor".

terça-feira, maio 18, 2010

Minha predileção por Chet Baker

la vita è per tutti
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No começo, os negros americanos prendiam horizontalmente um fio de arame na parede e tocam para acompanhar o vocal, a música, a ladainha geralmente monotemática. Robert Johnson, com seu violão com cordas de aço e mãos de lavrador, colocou a dor nas notas com rimas de abandono, de tristeza, miséria, desilusão. O que aconteceu com o blues depois foi reverberar as raízes da música norte-americana. Dos blues que o Elvis gravou à Janis Joplin todos lançaram mão desse lamento chamado blues. Na década de 1930 e 1940, Luis Armstrong tornou o jazz popular entre a classe branca dominante. Dando um salto na história, me perdoem o prelúdio, chego ao Cool Jazz. Mais precisamente década de 1950. (Reparem que a distância de tempo com o Blues não é tão grande.) Despontam na cena dos clubes de jazz os mais talentosos músicos negros americanos. Lembro de Bilie Holliday, inauguradora de um estilo de voz que também ainda perdura décadas “utilização”. A questão é que em meados de 1950 surge um sujeito chamado Chet Baker. Justo no auge da “pancadaria” musical, distante já das grandes bandas, formada por quartetos, trios, e o que fosse possível caber num canto improvisado de palco dos “inferninhos”. A “turma da pesada”. Mingus, Monk, Miles, Charles Parker. Palidamente figuravam alguns brancos como o arranjador Gil Evans, Gerry Mulligan no sax, Dave Brubeck, Herbie Hancock etc. Chet Baker, que aprendeu a tocar trompete na marinha, do outro lado de NY onde tal “cena” acontecia, costa oeste, Califórnia, extremo oposto. Faltava-lhe um dente na boca, mas era carismático. (Certa vez, comprei uma biografia escrita por um jornalista que comparava repetitivamente depoimentos de pessoas que foram ligadas ao Baker, com o nobre intuito da objetividade, ou seja, desmentir as lendas entorno do Chet. Não consegui ler dois capítulos. Foi como destruir meu ídolo. Digam-me se o livro não tinha apelo sobre a desgraça do músico?) Um dia o incomparável Charles “bird” Parker, chegando a São Francisco, procura um trompetista para completar sua banda. Chet tocou com ele durante uma temporada. Quando Bird voltou à Nova Yorque, disse ao queridinho da moçada, o grande Miles Davis, que havia um “pequeno gato branco que ia comê-lo vivo”- There is little white cat that’s gonna eat you on. Miles tocou com Charlie Parker. Miles era filho de um dentista graduado em Harvard e bem de vida. Sua mãe era uma negra vislumbrante, diz a biografia do próprio Miles, escrita por ele mesmo. Miles é uma “galinha choca” e Chet é o canto da cotovia. Um preconceito às avessas. Chet era chamado pelos negros de NY de “boneca branca insossa” e a “classe branca” depositava no Chet o futuro do “jazz branco”. Believe it or not. Chet cantava os Standards americanos e Miles os tocava com estranha destreza. Eu admiro imensamente o Miles Davis. Uma técnica impecável. Certa vez perguntou para um músico se ele esteve “bem”. Claro que a resposta foi sim, mas ele esperava ouvir se esteve “bem” no palco, estilizo, a styllisch modafoker. E ele era estilizo. Mas faltava-lhe um pouco de confiança em sua postura, em seu “taco”. Falo como um idiota qualquer. O fato é que uma vez perguntei ao dono de uma livraria qual dos dois ele preferia. A resposta foi “ah, eu admiro o lirismo do Chet Baker”. Ou seja, não respondeu a pergunta. As pessoas tendem a se preservarem. Já fui vítima colocar várias vezes esse cara, o Chet, no blog, e fui motivo de comparação escrota. Tipo, “você também é”. Ah, o Chet era adorado, quando jovem, pelos gays americanos alla Jean Genet, Querelle. Mais tarde foi acolhido na Itália, onde gravou quando era jovem, e era chamado de “o anjo caído”. O artista “profano” é mal visto e bem quisto secreta e abertamente. Um rapaz que se destruiu com a heroína em vinte e poucos anos de uso... Um barquinho deslizando em mar aberto. Gravou centenas de discos ditos “raros” por qualquer dinheiro, em qualquer lugar. O cara era um verdadeiro junk “da pesada”. Usava o cachê em heroína. Mas pra que dizer o que todo mundo sabe? Quem é capaz de deixar tal impressão com My Funny Valentine? Quem mais fazia das notas prolongadas uma ode aos anjos? Aí mora, não a antinomia do gosto, mas o paradoxo do gosto. Mas eu não ligo. Muitos têm o despautério de dizerem que não são artistas, mesmo sendo. Qual abordagem seria menos injusta, ou justa? Várias coisas formulam um “gosto” e denunciam a personalidade das pessoas. Aprecio um disco do Miles que se chama High Lights From The Plugged Nickel. O Chet disse que toda a sua vida ouviu The Birth of Cool, do Miles. O Miles é “bom” até um certo ano, 1970... Não sei. Participou do festival Hippie na Ilha de Whit com Chick Corea e é uma das coisas mais horrendas que eu já vi. Miles era um band-leader, um cara que estava sempre em evidência. Depois dos anos de 1960 não precisava mostrar mais nada. Porém, o preconceito ainda mora na Arte.

badzimmer


Eu queria entrar aqui numa discussão que remete à antinomia do gosto. Antinomia é um problema que expõe duas verdades aparentemente contraditórias. Por exemplo, a arte é universal e conceitual, ou pessoal e subjetiva? Mas não é esse o mérito do assunto. A conclusão kantiana sobre essa questão coloca em dúvida o tribunal da Razão criado por ele mesmo. Ele encontrou um veredicto chamado “meio termo” para solucionar esses paradoxos da vida sem saber que é impossível alcançar a Razão absoluta. Não gosto de Emmanuel Kant pela prepotência de querer ser o pai da Razão Total. Considero de um nível intolerável de prepotência toda sua obra. Embora sua obra seja relevante que na história do pensamento.

segunda-feira, maio 17, 2010

ignomínia dos anjos

Volto às palavras. Esteve fora dentro de mim. Incapaz até de dialogar com essa página e depositá-la na rede. Ensimesmado, sim, mas alienado não. Conheço o mundo-cão, conheço a miséria alheia. O Oriente Médio tenta o Tratado de Teerã e estamos próximos de um impasse internacional. Uma guerra nuclear, talvez, enquanto fazemos uma “tempestade em copo d’água”, agarrados a nossos problemas. E problema não tem aspas, tem nome. Meus amigos são todos felizes. Superam qualquer dor extrema com uma rapidez enorme e nunca regurgitam ladaínhas verborrágicas de velha lavadeira. São todos obstinados e tem vida social plena, (e se divertem muito). Auto-estima, nem se fala... São não apenas leitores, mas intelectuais de “responsa”. Quase nunca choram. Só quando um filho nasce ou no final de um filme de romance. Aliás, já ia me esquecendo, são todos atletas. Não necessariamente todos campeões como os amigos do Pessoa.

quarta-feira, maio 12, 2010

Acho que um chocolate não conquista ninguém não.


Meu Deus do Céu! As semanas são pura rotina. Talvez porque eu não consiga “ver” sei lá o que ou quem. E na vida sempre vai começar um “segundo tempo”. Quarta-feira, dia de futebol. Já escovei os dentes pra dormir. Meu pensamento anda tão dinâmico quanto anda disperso. Vivo o mundo lá fora, mas pareço um estrangeiro. Não sou daqui... não sou de lugar nenhum... A jogada é sempre linear, quase nunca vertical. Se querem me colocar no bolo dos hipócritas se fuderá... Eu sou assim e quem quiser gostar de mim, eu sou assim. Meu mundo é hoje vivo sem hipocrisia Eu sou assim... Não há pra onde fugir.



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obrigado aos Titãs



obrigado Paulinho da viola.

escrever é melhor do que não fazer nada



Agora sim, um café doce e forte, no princípio amargo, e um cigarro com bastante nicotina me forçam a escrever, mas inclusive disso eu sinto vergonha. A TV parou de funcionar. As luzes da noite são várias. A luz da vela acesa a brasa passageira do meu cigarro. Da janela, a luz de algumas janelas acesas nos apartamentos. A estrela vermelhinha sinalizadora do alto prédio. O reflexo da vela no meu quarto. Do computador, a tela. O reflexo azul da televisão. Bom que não ouço nada. Nada além dos meus dedos nessas teclas. Acabou o lirismo, falo comigo mesmo. Quem está acordado não quer “conversa”. E se eu contasse com esse “corretor ortográfico” pra corrigir os textos, tava fudido. Vejam que ainda sim eu erro muito. Constantemente. Erro repetidas vezes. Consta de alguma aventura sórdida que, de repente, eu surgi nesse mundo. E o pigarrear do vizinho. Ouço umas gotas sublimes que caem do céu. Respingos de chuva. Não preciso deixar meus registros, mas digo novamente que, se não acabou, pelo menos tento que acabe esse lirismo de merda que me assola, que nem tem adjetivo nas minhas palavras mais. Quero matar cada uma delas. Quero que a falsa metade. Um registro íntimo de aventuras passadas. Águas que já apodreceram. Ouço gemidos de sono. Cadavéricos, eu achei. Entupidos de nicotina e de cansaço, da mesma rotina estúpida. Do mesmo amanhecer e ver os dias passarem. Eu sou a água estagnada eu sou os eletro- domésticos que só serve para pendurar roupas, feito a TV. Eu como homo.videns. Diria tudo isso várias vezes repetidamente. Digo eu mesmo que essa porra de texto não passa de um mero e aflitivo desabafo com o Nada, Migo-mesmo e o Além. Não importa de se indo consegues ir até à perfidez. Falta de pudor é dizer que sinto que me enrolei por quase um ano. Não há nada que você já não conheça. Já tive amores, mas nunca tive amor. Mesmo que queiram dar outro nome a isso. É a falta que faz um ser humano que conheci a fundo. É a parte que vai embora. Mesmo que você tenha plena consciência de que isso seja melhor, além de inevitável. Eu fui um amor juvenil pra essa criança. Mas gosto dessas lágrimas apodrecidas. Eu sou Satã.


Da água estagnada espera veneno

Aquele cuja face não fulgura jamais será uma estrela.


Versos randômicos dos Provérbios do Inferno de William Blake.


non-sense adventure, homo.ludens.

aceita um cigarro?







samba!

in einem fremden Land
Die Mittel aus dem Fenster
Worte haben und sonst nichts
anderen Epochen

Gosto de escrever na hora morta. Tem gente que gosta de jogar merda no ventilador. Quando todos dormem e a vibração de pensamentos é infinitamente menor. Mas dada a necessidade de escrever eu escrevo. As teclas dançam influindo palavras. Incomoda-me ouvir o sussurro de pessoas, ruídos ao longe, fobia. De toda forma escrevo pela miséria de colocar-se pra fora. De jogar fora esse falso, de ser esse falso Eu. Um momento se cala. Ainda ouço um barulho de TV. As pessoas se aconchegam em seus lugares. Um processo quase de abelhas. Colméia. Cada um agasalha-se ao que pode. Pimenta, por onde anda aquela menina que escrevia coisas macambrosas tudo tipo de uma pegada só assim muito mórbido. A semiótica diz que quando dizemos apenas, queremos efetivamente “matar”. Ah a minha minha mente me decepciona. Adeus. Aprisiona fumaça. Tudo no lugar certo? desejo que desça uma entidade. Giselle, olha a foto fashion.

terça-feira, maio 11, 2010

sua puta...

uma dose de perversidade


Nenhuma compreensão é demais. Aquele que entende é obrigado a aceitar.


[Ano de 380 d.c, século quatro depois de Cristo. Eu era um tosco, um guerreiro bárbaro, sem preceitos morais que adquiri ao longo dos séculos de reencarnações na Terra e aprendizado no mundo espiritual. A faculdade do equilíbrio, a faculdade do amor. Porém, nessa data eu matei, em uma invasão, um ataque bárbaro, uma cena qualquer de crueldade, essa criança de apenas oito anos de idade, a golpe de espada, essa pela qual mil seiscentos e trinta anos depois, me apaixonei e sofri amargamente por essa criança-moça. Um amor perene.]


Novamente tenho que reparar a mim mesmo no sentido ético e no sentido do karma. Essa encarnação atual tem sido cheia de provas de resistência e coragem e às vezes a sua estupidez, assim como a minha, nos cega de índices do acaso de pensamentos de ruínas. Apesar de cada um achar que não, que o seu próprio sofrimento é maior do que o do outro. Já vivemos tantas vidas, já fomos tantos ofícios, tantos tipos e moldamos tantas personalidades. A minha religião é não ter religião, o que, no caso, já é uma espécie de religião ou crença. Considero, claro, que a cada vez que passamos por esse planeta, nos é ofertada a chance de evoluir – ser melhor do que antes. Durante, depois e novamente. Poucos aproveitamos, no sentido de “fazer uso” de certa disciplina moral que queremos seja sempre absoluta e perfeita. A oportunidade de sermos simplesmente “melhores”, do que se sabe do Bem e do Mau, do que é Bom ou Ruim, no trato íntimo e social. Perversidade, traição. Nada que possamos julgar, mas aplaudimos intimamente (ainda que secretamente) aqueles morais, éticos, equilibrados, afetuosos, amáveis. Fugimos do perigo de sofrer más vidas com pessoas indesejáveis. Corremos para o nosso esconderijo. Nove entre dez pessoas são assim. Porém, qualquer discurso para refutar essas palavras é dignamente aceitável. É um direito “sagrado” de opinião, mas creio que um décimo das pessoas que disserem o oposto, estará mentido. Não vem ao caso dizer que "a vida é assim mesmo"... Uma chupada e até a obscenidade pode ser sã. E mesmo a quinta geração de puritanos não entenderá. Talvez nenhuma vaidade material, mas muita vaidade com o Espírito. Morrer é nascer de novo. É como dissolver-se interiormente. Pode ser uma das ideais de transcendência ou ilusões de Alma.
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sábado, maio 08, 2010

come alone



O que aconteceu? The dream is over o sonho acabou.


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Acho que é isso. Porque os pássaros ainda cantam e as folhas continuam a resvalar no vento, levemente. A luz insossa do sol incide sem nenhuma nuvem. Sobre a paradesa, sobre o veneno. Eu sou uma máscara. Apenas faço colagens de textos unidos à frases de efeito, e os coloco com fotos “fashion” na página. Essa é uma boa definição. Eu não tenho o menor comprometimento com os direitos autorais. Podem roubar o meu texto, mas não mexam nos meus testículos. Oi, Silêncio. Oi, Venâncio. Oi, Florêncio. Sejam o mais “fashion” dos “fashions” com seus conhecidos e conceitos baixos de bairrismo. O falso preconceito de quem nunca tomou cachaça, nunca comeu lingüiça, cerveja e um cigarro picado. A copa da minha pequena árvore volta a florescer. Volta a ser outro novo pequeno novo-dia. Nem sei mesmo se escrevi essas palavras...

Shirley MacLaine




A cadência das imagens, o movimento de câmera, a composição plástica, a polaridade tonal, as notas do piano, a profusão non-sense de signos, as sequências, os closes... Sinto-me assim...
FINE

I want my hot pocket



Direito autoral sobre minha alma. Direito de cópia sobre minha alma. Mais um café? Sim, por favor. A lua está bonita hoje. Quando a lua sorri assim no horizonte, eu tenho sorte. Vão te coibir por trabalho infantil. Mas eu não faço questão. Aceita um cigarro? Ele em posta a voz para parecer inteligente. Sim, obrigado. Fogo. Pausa dramática. Eu tomo café frio. Você tem algum direito de cópia? Como assim? Eu sou imparcial. Como? Transformando o carisma de Nick Flag.

sexta-feira, maio 07, 2010







Just post it

tranquilo, na paz...
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21 e 21

O dia-das-mães é nesse domingo agora. Obriga os anjos e querubins a ter coração forte e cantarem em Vesperata, Moonlight Sonata. O que dizer? Pretendo fazer mais Ibope do que o final da novela-das-oito. O que dizer se toda mudez traz sangue e calafrios. Viver a Vida, fazer o que? Tudo começa pra um dia se acabar. Inclusive a novela. Filosofia de pára-choque de caminhão. Detesto fim de novela em que todos se casam. Todos os pares “ideais” se formam. Eu já estava aguardando. Felicidades, ainda que clandestinas, virão. O hoje me apraz cada vez mais, mas não quero começar de forma frenética. Minhas expectativas são poucas. Fazer um cardápio fantástico, conseguir executar e atender. Divulgar? Belo Horizonte é a cidade mais bairrista que eu conheço. O que não está em voga é o que vende, é o que está na Moda. “Lançar moda” em BH é fogo! Considerada uma cidade-piloto para teste de produtos. Não conheço povo mais desconfiado e generalizo. Eita ser humano. Perdoem-me os mineiros, aos quais admito e tenho orgulho de ser. Tenho orgulho de escrever silenciosamente essas minhas crônicas verborrágicas e paradoxais (sendo que a dita “culpa”, a dita cuja, é o demérito do ser humano. O ser humano é paradoxal. E eu me incluo nessa categoria e duvido que eu esteja errado. Certo ou errado, o paradoxo é contundente, é foda! Querer e não querer? Ser ou não ser? diria Will, mas é impreciso ser, viver, navegar. Navegar não é preciso porque, de fato, não se sabe o caminho pela frente, apesar de ser preciso ser vidente, e quando se navega pode-se enfim naufragar. Navega-se.) só satisfazem a mim. Ou não.
Banzai!

quinta-feira, maio 06, 2010

Anti Poetic View


Ressurge sobre as minhas retinas sob forma de sonho diurno e angustioso devaneio. Tinhoso. Anti poético. Volto a escrever as desavenças e as tortuosas lembranças que têm sido tema recorrente da minha “quase” obsessiva obstinação. Como chutar cachorro morto. Quem entende é obrigado a aceitar. Até que eu me arrume. Até que eu aprume, essas roupas amarrotadas. Até que um dia a esperança se refaça, nada traz comoção. A obstinação do trabalho, administrando frutas e cuidando de folhas e legumes. Cuidando do meu ambiente e do meio-ambiente. Tentando ser aquilo que proverá meu sustento. O corte umbilical que ainda me resta, mesmo tendo passados dez anos fora, vagando, fora do útero materno. O mundo é um grande útero tri-vitelino. E o personagem mais aflito sou eu. Que conta os minutos, que contabiliza as horas, que já não sabe quando, mas espera.

quarta-feira, maio 05, 2010

vesúvio jazz cafe


A vendedora de rosas avança contando as estrelas. A lua cala diante de si, procurando por algum fato. Não sabe precisar se, todo dia, pensa com a razão. Pára em frente um mundo-sem-mim. No nascedouro dos fins. Querem-te calado. Não pode falar, menino. Alguém ouvindo me quer calado. Se as vizinhas falam elas estão ouvindo gonorréia. Falam de algum tipo de DST, não sei quê... O telhado de vidro sufoca as vozes. O apartamento em frente canta como um papagaio. Venha. Não se vá. Quero-te por completo, meu pé de laranja-lima. Mônica, dada essa gonorréia sonora, decifra textos e papéis de substituição. Não se meta com essa gonorréia, dados os fins e códigos embriagados, internamente ligados, embevecidos nas águas da lei. O pastorear das ovelhas sobre o critério de regras, métodos, arte. As coisas insanas me marcam como simples e quase banais. Não vejo mais, não leio mais, não quero ser influenciados por jornais. Disseram que uma nuvem cinza e densa soprava sobre o céu do norte do hemisfério norte. Esses tremores, prenúncios de fim de mundo, a minha alienação, a sua alienação, a minha ignorância, o seu desconhecimento, as disparidades, entretanto, entre tantos muitos eu me recoloco nessa cena para me reencontrar no momento em que algo dizer mudo, calado tenso e sem dizer, ficou por dizer. Ficamos entre, frente a frente, ou fiquei eu apenas, entre o que não consigo. E a vendedora de rosas não fala mais comigo. As flores encenam, acenam. Exalam perfume falso das pétalas lavadas. Não me atormenta mais aquela rosa amarela que desfolhou e perdeu a cor. Aquela tedesca morreu no Tempo. O que me tortura é a mudez. Essa mudez que falo, mas não consigo dizer. Minha voz não reconhece minhas palavras. Há tanto silêncio dentro de mim que lamento.

MMMMMMMMMMMMMMMM

nada(s) do nomadismo



Um Nada nº 1. Toma, pode levar o resto de mim. Pode ser mais uma personagem “efêmera” da minha trama. Pode pegar as lembranças. Pode levar sonhos adiante, sempre reservados nos desertos do passado. Assim passamos pela vida. As palavras foram únicas, sim. Esse “estar certo de si” assim, contente a contento. Viver mais. Chamar de “único” o fio efêmero não de qualquer um. Um beijo não resolve vida sentimental e tanta loucura, tanto contra-senso. Mas esse fio nunca foi efêmero e por isso, nunca explicou a curvatura certa do contra-senso. Você e sonhos atrozes de deserto no futuro como assim passaram na vida de alguém. Um futuro deserto. Não, depois dos tempos sinto que hoje fui um nada feliz, uma visita que se deseja que vá embora logo, um apego mal quisto, mal ido mal vindo e na prática eu me senti um lixo e eu estou cansado para dizer sofri qualquer das coisas que não vou esquecer mais. Arquive os momentos de ódio, raiva e “desculpa” - por essa palavra que eu nunca quis dizer.


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L’ÎLE DÉSERTE

ET AUTRES TEXTES

(...) Com Darwin, o problema da diferença e o da vida foram identificados nessa idéia de evolução, ainda que Darwin, ele próprio, tenha chegado a uma falsa concepção da diferença vital. Contra um certo mecanicismo, Bergson mostra que a diferença vital é uma diferença interna. Mas ele também mostra que a diferença interna não pode ser concebida como uma simples determinação: uma determinação pode ser acidental, ao menos ela só pode dever o seu ser a uma causa, a um fim ou a um acaso, implicando, portanto, uma exterioridade subsistente; além do mais, a relação de várias determinações é tão-somente de associação ou de adição. A diferença vital não só deixa de ser uma determinação, como é ela o contrário disso; é, se se quiser, a própria indeterminação. Bergson insiste sempre no caráter imprevisível das formas vivas: “indeterminadas, quero dizer, imprevisíveis”; e, para ele, o imprevisível, o indeterminado não é o acidental, mas, ao contrário, o essencial, a negação do acidente.(...)

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Gilles Deleuze, L’Île déserte e autres textes (1953-1974, ed. preparada por David Lapoujade, Paris, Minuit, 2002.

nas retinas


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Nada nas retinas. Verbe-voco-tesctículosidade nos entretempos. Foto-áudio-feniculoso. Retina, caso do acaso. Tato, sentido básico. Palavra-signo “que delícia”. Cada carícia inven­tada. Ouvidos pra te ouvir melhor. Minha mão no seu peitinho duro e a sua pele... Jazz, mas se ainda eu não lembrasse mais. Não sendo sentimentalista ou reticente. Débil, na minha vontade de (te) fazer amor. Mas na verdade as tardes foram belas, as noites foram ótimas, mas o amanhecer disperso, como sempre, e dinâmico pra você. Não sei em que aura de frescor e delícia eu fui me apaixonar. Ah, que saudade a vida me ensinou.


dormi na serra e sonhei


... que você saiu da toca de pijama. Não havia paisagem. Apenas a terra, e o mato seco do inverno. Ao lado do lago de àgua parada onde durante o dia tomávamos banho, e a noite os sapos coachavam. Milhões de estrelas no céu, centenas de bichinhos estranhos da madrugada e uma dezena de vezes que caminhamos por essa estrada. Que das montanhas, a que mais gosto é a minha casa e o que fazemos dela.





terça-feira, maio 04, 2010

Jean Cocteau fotografado por Man Ray em 1922

A natureza vil. A fauna Cocteau. Movimento da ação total. As pessoas nos matos, nas trilhas das procissões, as cruzes enfeitadas, a fé nos cantos e nas orações à luz de velas. Velhos e pouco velhos e nem tão velhos assim caminham, juntos como gnomos entre o bosque. A voz aguda das mulheres ecoa feito um mantra na repetição. Reflete reflete reflete e caminha próximo à morte, inutilmente. Até que a luz das velas espere em frente cada casa a cantilena findar. E assim sejam. As estrelas, as ilhas desertas, as montanhas... Parecia que andavam e rezavam e cantavam pela própria miséria. Nada mais, mas enfim pelo pleno conhecimento da própria miséria. Moravam todos na beira do rio, na beira do boqueirão, cada um em sua humilde casinha. Tocos de madeira serviam como banco, café dulcíssimo e o fogão a lenha. Através da luz da vista transversal, de porta em porta da casa, impedia que se visse os quartos de dormir. Você está aqui, sozinho. Aqui você não tem ninguém.

triste vie

Time for a cigar?

A solidão me mantém mais desperto, mais altivo, mais pensativo, mais confuso. Mas também adormece, também dança um choro-valsa e uma valsinha adormece. Dança. Encaixa suas notas, contratempos e compassos. Adeja, esvoaça. Vai longe e voa... mas sempre volta a própria percepção. Há como perceber o mundo fora de si mesmo. Há como não tomar atitudes desesperadas. Há como Ser ou forte e firme ou fraco. Sem morte sem norte sem leme quem te ame e sem tabaco. Sem café? Já li muito. Meus ouvidos agora querem aprender a ouvir mais do que ler. Tenho lido pouco ou quase-nada. Ler é deixar alguém falar no seu ouvido. Nada de realismo fantástico, nada dos contistas russos. Sinto-me um intruso na obra desses mestres, confusos, russos, obtusos. Minha garganta seca. Minha ausência de diálogo e minha fala ficam obstinadas, corrosivas. Ultrapasso a hermenêutica do apuro, pichado nos muros da memória. O que passou, passou... Flutue no céu, ou siga-me.

mkjkmmkmk><><><<<><>

roupas limpas

kk
kkk

Estás tranquilo?
Acalma o corpo.
Silencia a mente.
mmmmk
kkkkk

Brassaï

Belle de nuit

Ansel Adams




ah, sim...


Beleza? Aquela noite em tempos de se gostar, as nuvens se contrapunham ao entardecer, ofuscando o sol. Tristes e sonolentas despedidas aos domingos de tarde. Agora eu me calo sem fazer alarde. Escreveu-se essa história com meus próprios atos. Caminhei sem lado a lado. Sozinho, liberto. Libertino?, não, libertário. Um pássaro fora da Lei. Livre e certo de si. E o resto... um vôo enigmático pela alma. Certo despudor de ser e existir. Encontrar uma verdade melhor do que essa. Pegar um apoio na asa dos anjos. Um rabo de saia. Um trago. Não... Falar sozinho é melhor do que isso. Melhor do que nada. Terá sido apenas um engano?


segunda-feira, maio 03, 2010

se vou se fico


Mais uma vez sento-me na frente da tela em branco, sem medo de desafiar o tempo. As horas rodavam por volta da meia noite. Hoje, no trabalho, são por volta de meio dia e quero trabalhar até meia noite. Já sei quem eu sou. Refiz meus documentos. Tratei de mim como um pequeno. Fiz e adquiri nova identidade. Assumi responsabilidades. Infringi novas leis. Ultrapassei outras regras para chegar até aqui. Ah, pois quem sabe não fala. Minha voz às vezes não entende o que digo. Ressonância apenas. As horas que o tempo não te vê. Assim mesmo, os ventos carregam a onda do meu pensamento, elementos que tem vínculo. Ainda não consegui cortar de vez os liames nos quais fiquei agarrado e cego. Eu não nego que negligenciei, não vi, fui cego. Vamos lá eu-mesmo. Eufemismo. Um forno redondo como útero - o calor. O fogo, o calor. Em seu pedaço suave, macio.

Freud


Zig, vê se entende. Nada a ver com papai-mamãe-e-a-Lei-e-blá blá blá. Trata-se apenas do lírico, romântico, inclusive brega, "retrato de um Tango" de pouco a pouco, fora toda a eternidade. Apenas de um peitinho sexy. O ranger dos dentes sem tabaco, ranger de saudade, de falta de amor, solidão, de dor física, as dores na alma eu garanto que pagaram alguns pecados pagos. Sim, tenho descoberto mil e duzentas coisas-da-vida num ranger de dentes, mastigando um cigarro. Às vezes sem café, às vezes sem remédio, às vezes sem esperança, sem um trago. Um corpo. Sempre manter a altivez. Ilusões fantasiosas de um amor ludibriado, infausto. Lubrificado apenas pela falsa fluidez do tempo. Enfim lambendo a ferida já cicatrizada que lembrança a dor causou. Tenho sido ácido com as pessoas. Austero e carrasco. Vil, sim, em toda minha singeleza vil. Leve, que nada. “Resistir” é a palavra. Umbigo também é palavra. Até onde sei, é através do umbigo que surgem todas as energias que chegam a ser seres humanos. Dada a substância que a mulher trás consigo, como um dínamo da noite estrelada. Você estava certo em muitas coisas, mas não viu o surgimento da física quântica, da energia intra-atômica liberta sob a luz dos quânticos. Ou da Teoria do Caos. No seu "tempo" as mulheres eram vacas parideiras. Abraçosincero do além-mundo,


Eu, Gustavo.

Proust e os signos


[O segundo círculo é o do amor. O encontro Charlus-Jupien leva o leitor a assistir à mais prodigiosa troca de signos. Apaixo­nar-se é individualizar alguém pelos signos que traz consigo ou emite. É torna-se sensível a esses signos, aprendê-los (como a lenta individualização de Albertina no grupo das jovens). É possível que a amizade se nutra de observação e de conversa, mas o amor nasce e se alimenta de interpretação silenciosa. O ser amado aparece como um signo, uma "alma": exprime um mundo possível, desconhecido de nós. O amado implica, envol­ve, aprisiona um mundo, que é preciso decifrar, isto é, in­terpretar. Trata-se mesmo de uma pluralidade de mundos; o pluralismo do amor não diz respeito apenas à multiplicidade dos seres amados, mas também à multiplicidade das almas ou dos mundos contidos em cada um deles. Amar é procurar explicar, desenvolver esses mundos desconhecidos que permanecem en­volvidos no amado. É por essa razão que é tão comum nos apaixonarmos por mulheres que não são do nosso "mundo", nem mesmo do nosso tipo. Por isso, também as mulheres amadas es­tão muitas vezes ligadas a paisagens que conhecemos tanto a ponto de desejarmos vê-las refletidas nos olhos de uma mulher, mas que se refletem, então, de um ponto de vista tão misterioso que constituem para nós como que países inacessíveis, desco­nhecidos: Albertina envolve, incorpora, amalgama "a praia e a impetuosidade das ondas". Como poderíamos ter acesso a uma paisagem que não é mais aquela que vemos, mas, ao contrário, aquela em que somos vistos? "Se me vira, que lhe poderia eu sig­nificar? Do seio de que universo me distinguia ela?"

Há, portanto, uma contradição no amor. Não podemos in­terpretar os signos de um ser amado sem desembocar em mun­dos que se formaram sem nós, que se formaram com outras pessoas, onde não somos de início, senão um objeto como os outros. O amante deseja que o amado lhe dedique todas as suas preferências, seus gestos e suas carícias. Mas os gestos do ama­do, no mesmo instante em que se dirigem a nós e nos são dedi­cados, exprimem ainda o mundo desconhecido que nos exclui. O amado nos emite signos de preferência; mas, como esses sig­nos são os mesmos que aqueles que exprimem mundos de que não fazemos parte, cada preferência que nós usufruímos deli­neia a imagem do mundo possível onde outros seriam ou são pre­feridos. "Mas logo o ciúme, como se fosse a sombra de seu amor, se completava com o double desse novo sorriso que ela lhe diri­gira naquela mesma noite – e que, inverso agora, enchia-se de amor por outro... De sorte que ele chegou a lamentar cada prazer que gozava com ela, cada carícia inven­tada e cuja doçura tivera a imprudência de lhe assinalar, cada graça que nela descobria, porque sabia que dali a instantes iriam enriquecer de novos instrumentos o seu suplício." A contradi­ção do amor consiste nisto: os meios de que dispomos para preservar-nos do ciúme são os mesmos que desenvolvem esse ciúme, dando-lhe uma espécie de autonomia, de independên­cia, com relação ao nosso amor.

A primeira lei do amor é subjetiva: subjetivamente o ciúme é mais profundo do que o amor; ele contém a verdade do amor. O ciúme vai mais longe na apreensão e na interpretação dos signos. Ele é a destinação do amor, sua finalidade. De fato, é inevitável que os signos de um ser amado, desde que os "expli­quemos", revelem-se mentirosos: dirigidos a nós, aplicados a nós, eles exprimem, entretanto, mundos que nos excluem e que o amado não quer, não pode nos revelar. Não em virtude de má vontade particular do amado, mas em razão de uma contradi­ção mais profunda, que provém da natureza do amor e da situação geral do ser amado. Os signos amorosos não são como os signos mundanos: não são signos vazios, que substituem o pensamento e a ação; são signos mentirosos que não podem dirigir-se a nós senão escondendo o que exprimem, isto é, a ori­gem dos mundos desconhecidos, das ações e dos pensamentos desconhecidos que lhes dão sentido. Eles não suscitam uma exaltação nervosa superficial, mas o sofrimento de um aprofun­damento. As mentiras do amado são os hieróglifos do amor. O intérprete dos signos amorosos é necessariamente um intérpre­te de mentiras. O seu destino está contido no lema "Amar sem ser amado".

Que esconde a mentira dos signos amorosos? Todos os sig­nos mentirosos emitidos por uma mulher amada convergem para um mesmo mundo secreto: o mundo que também não depende desta ou daquela mulher (embora deter­minada mulher possa encarná-lo melhor do que outra), mas é a possibilidade feminina por excelência, como um a priori que o ciúme descobre. O mundo expresso pela mulher amada é sem­pre um mundo que nos exclui, mesmo quando ela nos dá mos­tras de preferência. Mas, de todos os mundos, qual o mais exclusivo? "Era uma terra incógnita terrível a que eu acabava de aterrar, uma fase nova de sofrimentos insuspeitados que se abria. E, no entanto, esse dilúvio da realidade que nos submer­ge, se é enorme a par de nossas tímidas e ínfimas suposições, era por elas pressentido (...) o rival não era semelhante a mim, suas armas eram diferentes, eu não podia lutar no mesmo terreno, proporcionar a Albertina os mesmos prazeres, nem mesmo con­cebê-los de modo exato." Nós interpretamos todos os signos da mulher amada, mas no final dessa dolorosa decifração nos de­paramos com o signo como a expressão mais pro­funda de uma realidade feminina original.]



Gilles Deleuze