segunda-feira, junho 28, 2010


Dá-me um segundo. Diga-me, quando chegará o momento oportuno? Aquele momento exato, em que nos meus olhos vão redescobrir o mundo e talvez mude minha apatia diante de tudo. O campeonato em África, meus dedos, minha barba, meus pensamentos. Quando me olho no espelho, não sou mais o mesmo. O mesmo homem diante da vida, o mesmo menino nos seus braços. E não mais me reconheço no espelho. E recomeço através desse outro “eu” que não viu nascer. Apenas surgiu “do nada”, como o passar do tempo, assim como se esquece uma pessoa e repentinamente, não existe mais nada. E realmente não me vejo. E atravesso o espelho.

sábado, junho 26, 2010

começos


Em busca da pimenta ideal. A pequena verdade biológica dentro de grandes circuitos de verdade. “Não cessa a sacanagem nesse mundo” isso eu descobri no Google, fonte desconhecida. O objeto energético se esvai, “dribla” a si mesmo e vai correndo. Um grito, alarme, foguetes. Sem selo sem tiro sem apelo. A lira dos meus sonhos.

Lorca

rabiscos...

não enche o sa...

terça-feira, junho 22, 2010


O apreço não tem preço

Moon and Sand


Deep is the midnight sea
Warm is the fragrant night
Sweet are your lips to me
Soft as the moon and sand

Oh, when shall we meet again?
When the night has left us with a spell
We may
Though waves invade the shore
Though we may kiss no more
Night is at our command
Moon and sand
[horn solo]
[piano solo]]

Though waves invade the shore
Though we may kiss no more
Night is at our command
Moon and Sand

domingo, junho 20, 2010


Por que não um café? Procurando nas cinzas o que já se foi, já se deflagrou. Com olhar fixo nas nuances. Cada pêlo encravado. Estou mais magro, não, estou mais fraco. Ou mais forte. Procurando coisas minúsculas diante da vida de possibilidades, muitas ou parcas. Essa escassez não de não se sabe quê, ri de si mesmo. Esse adormecer febril, sozinho e tíbio, na palidez do amanhecer demorado. Sem saber que coisa quer, ou que coisas querer. Obstinado a burlar a si mesmo por tentar justificar a existência por uma só palavra, por qualquer palavra. Já se foi, fugiu em debandada. Existiu e, simultaneamente, ainda existe. Essa hipofagia na cama e no estômago, e na cabeça. O olhar de pupilas dilata e sem horizonte. Querer saciar essa existência que não cala. Quero engolir-me.

sábado, junho 19, 2010

savoir affair

a impermanência de todas coisas

De repente, de flash, um insight, “como num estalo”, descobri que amo minha família. Amo de maneira quase hiperbólica. Quando digo “família” meu pai, minha mãe e meus três irmãos. O mais velho, Afonso, atingiu a “vida que deu certo”, Vohlgeratenheit segundo Nietzsche, e agora ele está na Suíça. Ele tem dois filhos com a ex-esposa. Minha irmã trabalha com ele, braço direito. Ela é técnica em informática e mãe do Bruno, o sobrinho mais novo. O Adriano é o cara que mudou da água para o vinho. Em Juiz de Fora, onde moramos, ele adquiriu a fama de brigão, insano, drogadito, porra-loca. Mais tarde, na minha adolescência eu herdei essa fama... Eu sou o filho caçula que nasceu depois de oito anos de calmaria. Minha mãe é ótima. Esses dias, quando me encontrava triste, ela disse debochando, eu sei, que foi a gravidez em que ela mais sorriu, riu, gargalhou (isso ela sempre diz) e curtiu e andava com as amigas e assistiu Ivan Cury no Canecão, no Rio, "cidade maravilhosa". Que ela e meu pai tinham melhores condições financeiras e que ela me criou quase como um primogênito. Depois de quinze anos, quando teve o primeiro filho, uma criança era bem-vinda para remoçar uma mulher de trinta e seis anos. As coisas que hoje me fazem chorar, amanhã serão apenas lembranças, sendo que somos eternos.

sexta-feira, junho 18, 2010

(O Haver)

Versão que Vinícius recitou numa versão feita para o disco Antologia Poética. Acompanhamento de Edu Lobo


Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
essa intimidade perfeita com o silêncio.
...
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo.
Perdoai: eles não têm culpa de ter nascido.
....
Resta esse antigo respeito pela noite
esse falar baixo
essa mão que tateia antes de ter
esse medo de ferir tocando
essa forte mão de homem
cheia de mansidão para com tudo que existe.
...
Resta essa imobilidade
essa economia de gestos
essa inércia cada vez maior diante do infinito
essa gagueira infantil de quem quer balbuciar o inexprimível
essa irredutível recusa à poesia não vivida.
...
Resta essa comunhão com os sons
esse sentimento da matéria em repouso
essa angústia da simultaneidade do tempo
essa lenta decomposição poética
em busca de uma só vida
de uma só morte
um só Vinícius.
...
Resta esse coração queimando
como um círio numa catedral em ruínas
essa tristeza diante do cotidiano
ou essa súbita alegria ao ouvir na madrugada
passos que se perdem sem memória.
...
Resta essa vontade de chorar diante da beleza
essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido
essa imensa piedade de si mesmo
essa imensa piedade de sua inútil poesia
de sua força inútil.
...
Resta esse sentimento da infância subitamente desentranhado
de pequenos absurdos
essa tola capacidade de rir à toa
esse ridículo desejo de ser útil
e essa coragem de comprometer-se sem necessidade.
...
Resta essa distração, essa disponibilidade,
essa vagueza de quem sabe que tudo já foi,
como será e virá a ser.
E ao mesmo tempo esse desejo de servir
essa contemporaneidade com o amanhã
dos que não tem ontem nem hoje.
...
Resta essa faculdade incoercível de sonhar,
de transfigurar a realidade
dentro dessa incapacidade de aceitá-la tal como é
e essa visão ampla dos acontecimentos
e essa impressionante e desnecessária presciência
e essa memória anterior de mundos inexistentes
e esse heroísmo estático
e essa pequenina luz indecifrável
a que às vezes os poetas tomam por esperança.
....
Resta essa obstinação em não fugir do labirinto
na busca desesperada de alguma porta
quem sabe inexistente
e essa coragem indizível diante do grande medo
e ao mesmo tempo esse terrível medo de renascer
dentro da treva.
.....
Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
de refletir-se em olhares sem curiosidade, sem história.
..
Resta essa pobreza intrínseca, esse orgulho,
essa vaidade de não querer ser príncipe senão do seu reino.
..
Resta essa fidelidade à mulher e ao seu tormento
esse abandono sem remissão à sua voragem insaciável.
....
Resta esse eterno morrer na cruz de seus braços
e esse eterno ressuscitar para ser recrucificado.
....
Resta esse diálogo cotidiano com a morte
esse fascínio pelo momento a vir, quando, emocionada,
ela virá me abrir a porta como uma velha amante
sem saber que é a minha mais nova namorada.


terça-feira, junho 15, 2010

ordem e progresso


A idéia fundamental da estática é a ordem, da dinâmica, o progresso. Para Auguste Comte, a dinâmica social subordina-se à estática, pois o progresso provém da ordem.

segunda-feira, junho 14, 2010

dedicado aos negócios

___ was wills du?


Hoje, hey Jude, nuca compreendi as suas “leis”. Mas foda-se também. Agora, o que não volta mais. Passou. Sua putinha! eu te adoro. Ao passo que ainda caminho. Com toda a minha beleza, inteligência, compulscividade. Moro na filosofia pra ninguém zombar de mim. Fingir que está tudo bem. Eu sou um farsante. Um beat angelical do Tempo. Se você estivesse aqui, mas até que eu esteja certa de que você não “não está nem aí” nunca dormirei em paz. Chet Baker e seu trio tocam as notas do jazz. Ele canta, desafina, alucina, “viaja” no som do piano e do contrabaixo. Rush na funiculina, um fugitivo do Tempo e a pantera cor-de-rosa. Um gozador. Das notas mais bonitas, mais líricas, mais enfáticas. Cada frase musical dói ah, mas como dói... E também zomba da própria dor numa espécie de ladainha jazzística. “mas hein, não tô nem aí com você”. E quando canta ele expressa esse desprezo. Desprezo pela vida, pela verdade, por você. Moto contínuo, a ladainha não pára. E é por isso que gosto dele. Ele não esgoela as notas com pavor intimidador, mas prolonga o sopro do lirismo e da angústia. Boceja nota à frente, acima e nota abaixo. Canta, vocaliza, nos agudos e nos graves. Algo de que me angustio por não saber se também desprezo a humanidade. Não que eu seja falso. Sou sincero até a morte e não penso mal de ninguém. Não projeto o mau, não “desejo” o mau. Normal que eu me sinta meio magoado por tanta coisa que desanima... Mas “acontece”. “A vida é assim mesmo...” Coitado do filho-de-uma-puta que fala isso. A vida não é assim, não engane você mesmo. As coisas acontecem da maneira que a gente não planeja, mas somos as vítimas e os algozes desse paradoxo chamado por “amor”. Chamo de “vida de relações”. Essas foram para mim um verdadeiro lixo. Eu também sou um lixo e o malfadado acontecimento diário chamado Vida, no momento me dá uma preguiça danada. Não sinto mais prazer.


domingo, junho 13, 2010

guardanapo de buteco


Se alguém te destrói, se reconstrua. Mesmo que sem ânimo, mesmo que juntando os próprios casos, mesmo que ajoelhado, mesmo sem ter fé, mesmo que seja na toca do texugo. Mente quem disser que não permite que ninguém o destrua. A gente mesmo se destrói. Se alguém te rejeita, escarra nessa boca que te beija. Se tudo terminou quando você começava, deixa pra lá. E esse “deixa pra lá” é difícil. Ter a ver com apego. Inclusive de tornar o outro uma “religião”. Tenho uma amiga que foi casada com um baixista que descobriu que foi casada com uma religião, um “mundo”, um universo, uma ambientação, uma ambiance, um metiê um aplob fake e poser, como dizem os fanceses. Eu fui enamorado de uma ilusão. Em Minas nascem cem artistas e morrem cento e um. Aqui todo mundo é artista. Projetei vínculos e “deu errado”. Ainda vou cair várias vezes, disse o meu pai, sempre animador. Parece até que nunca vivi o lado ruim da vida. Que nunca sofri de alguma forma. De onde eu tiro essas palavras. O ser humano sofre, eu sei. Minha dor é infinitamente pequena.

sábado, junho 12, 2010

Valantine's day


Dia dos namorados... Quê dizer? Já tive muitos amores mas nunca tive “amor”. Espero encontrar em seus olhos esses suaves olhares. A embriaguez do contato, o aroma, o cheiro de flores, cheiro de madeira seca. Arrepiam a ponta dos seus peitos e você gosta mais da maneira que olho enquanto olho e passo a língua na sua pele e beijo. Onde estiveste? Estou a sonhar acordado? Fala de coisas do Infinito. Cala minha boca com os lábios e domina meus escritos, meus segredos, meus sentidos, cega de prazer. Não demonstro meu apego, subtrai meu ego. Faz-me lembrar somente as desventuras. Mas a vida é mesmo, como diria o poeta, “é uma aventura errante”. Desfaz-se a distância no Espaço agora. Todos são forçados a catequizar seus demônios, domar as feras, viver e deixar viver. Hoje, desejo ao amor que seja pleno. Nulo de desgaste. Vazio de interesses escusos e completo de paz. As mágoas... guardo em um livro lacrado. Trazem boas lembranças que culminaram no desfecho. E se não tivesse o sofrer? Essa noite desejo aos amantes que se amem “bem” que se cuidem que se guardem.

Billie

she's gone

Shalassa


É um paradoxo. Na cidade sinto-me só. E não me sinto só quando estou sozinho na natureza agreste. Sou um montanhista homo.ludens das cavernas. Por exemplo, quando faço o antigo Caminho de Mariana que começo subindo a Serra do Batatal - uma vertente da Serra do Espinhaço - e vou até o Caraça pela crista das montanhas, atravessando campos de altitude e descendo pelos vales... Não me sinto só. Rainer Maria Rilke em suas Cartas a um Jovem Poeta aconselha ao jovem, que acometido também pela solidão, que fosse de encontro à natureza. Sentar-se embaixo de uma árvore, observar as águas do rio. Talvez seja um sábio conselho, porque nesses momentos nos sentimos frágeis e pequenos diante da imensidão. Obriga-me a conviver dinamicamente comigo mesmo. Não é solitária porque estou em pleno contato comigo mesmo. Em contato absoluto. Esse frio me faz lembrar outros outonos que passeei pela serra.

quinta-feira, junho 10, 2010

começos "come alone"

Difícil descrever. Como eu disse “tudo começou na hora de acabar”. Agora retomo a esse “tudo”. Aos poucos retorno a vida cotidiana. Apesar de gostar de escrever depois que atravesso os portões da madrugada, tenho sido impelido a escrever na hora em que ainda há gente acordada. Quando toco o teclado suavemente pra não fazer barulho, sinto-me um transgressor das minhas próprias leis. Queria agora alguém pra dar um telefonema e dizer que a vida vai continuar. Que dormisse comigo ouvindo jazz. Alguém pra mostrar umas fotos, compartilhar a vida. Isso virou “correio elegante”. Sei que “compartilhar a vida” é foda. Mas, o que buscamos, afinal? Eu encontro a mim mesmo, aprendo e sigo. Sigo tardio. Há alturas em que o silêncio é de chumbo e deixa o coração pesado. Coração humano de um lado da balança, e do outro a pena de Horus pra saber se o morto deve ir para o paraíso.

quarta-feira, junho 09, 2010

começos

Teatro da vida. Chegamos ao ponto de ruptura. Cruzam-se as linhas de nosso pequeno mundo familiar e partimos do princípio de um recomeço. Meu pai, cuja foto em beca, eu tinha como a de um morto, retornou ao lar. O guerreiro chega como Ulisses, cansado da batalha, cansado de guerra. Pra mim que aguardei um mês, é hora de exuzá e colocar os bandido e as bandida, os maldito tudo pá fora. O danado do Tião Bolinha, o Pai Tainha e por aí vai. Essa casa está amaldiçoada e abençoada. O polaridade é múltipla de zero. Nascer é um acontecimento doloroso. Renascer é um ato de fé. A casa está à venda e ontem vieram os caras da imobiliária, uma coisa meio Matrix, com um senhor mostrando tudo, o quarto do meu pai, o banheiro, o meu quarto enfumaçado, fez mostrar a janela, a claridade, a vista, e o “senhor” nem olhou na minha cara, ainda bem. Um café na mão e um cigarro, de ceroulas. Eu e meu pai. Não sei quem é mais junk. É... neguinho, é cabuloso.

the Pan Piper


terça-feira, junho 08, 2010



Hoje é apenas mais um dia de nossas vidas. Um dia neutro, para mim. Minha barba continua crescendo. A fase é de mudanças e, aos poucos se vai tomando os primeiros passos. Porque existem pessoas nesse mundo? Eu viveria bem sem todas elas. Como no planeta dos macacos. Enchi o saco! Eu não tô legal. América, você me fudeu. Quero ser um ermitão andino. Viver em uma toca, no alto de uma montanha gelada. Eu e os pumas, as lhamas, os guanacos. O condor, ave símbolo do dessa pontinha do mundo, seria como para mim como a águia de Zaratustra. E eu não diria nada, com ninguém. Sairia correndo no mato gritando o nome do santo. Hoje é apenas mais um dia devagar e sem ação. Dedicado ao pensamento, e ao ócio. O relógio das sombras como uma régua. A fogueia das vaidades sussurrando nos meus ouvidos. Acidentalmente. As mudanças, a imprevisibilidade, a insegurança. O café gelado. As sombras já subiram enquanto o sol desce estamos também em declínio. O fim de uma família. Sinto-me um gangster sem família, um peso, um estorvo, um piano de calda.

segunda-feira, junho 07, 2010





Hora de buscar, mais uma vez, o próprio, o místico e inexorável indissolúvel “destino”. Ele vem desgastado, mas parece que você nasceu assim, com esse viés. Buscando nas cinzas algo que você não perdeu.

Podem me chamar e me pedir e me rogar

E podem mesmo falar mal

Ficar de mal que não faz mal

Podem preparar milhões de festas ao luar

Que eu não vou ir, melhor nem pedir

Eu não vou ir, não quero ir

E também podem me obrigar

Até sorrir, até chorar

E podem mesmo imaginar o que melhor lhes parecer

Podem espalhar que eu estou cansado de viver

E que é uma pena para quem me conheceu

Eu sou mais você e eu

Carlos Lyra

domingo, junho 06, 2010

vagabunda com arroz e ovo

lady Gaga

Quando sento diante desse computador sinto-me velho. Sinto ter por volta de nove mil e quatrocentos anos. Não tenho medo do frio, mas tenho tido medo do frio interior que algumas vezes me acomete. Não há nada que aqueça esse frio. Sinto-me um covarde. Tenho inúmeros defeitos e diversas qualidades. Estou na rede, mas estou alheio à rede. Fora da roda de ciranda. Quero “trabalhar” esses defeitos que me incomodam, incomodam a todos. Dizendo assim pareço ser a pessoa mais perversa do mundo, mais má, mais inválida, incompetente. Não suportar seus próprios defeitos, esse é uma incoerência da humanidade. Suportar as próprias mazelas é ainda pior. Como “por as barbas de molho” e deixar que coisa e tudo mais aconteça qualquer coisa. Não sou um homem retilíneo em seus pensamentos e atitudes. Enquanto provêm de uma massa cinzenta, devoro meus próprios nervos e tudo acontece. E joga fora o duro córtex. Se algo te incomoda, em um leito distante, sonhando com algum feiticeiro loquaz. O entardecer das horas já se foi. Agora é engolir a si mesmo. Hora de encarar a verdade (um consenso eleito por determinados grupos de seres humanos) e decidir o que não é impossível decidir. O eleito, um jovem, um bom-camarada, um fora-da-lei. Minha autoconfiança não está abalada. Já transpus vales e montanhas. Que já passei por problemas piores em cenários mais agrestes. Eu, que já me matei e sobrevivi aos fatos. Eu, que já andei por paisagens mais belas do que essa e por caminhos mais agradáveis. Nessas mil duzentas e trinta e quatro palavras, para nada.


“Quis amar mas tive medo. O medo pode matar o seu coração.” Então será como uma planta que cresce, e morre seca. O que fiz foi como mostrar um leão pra quem tem medo de gato. “O amor é uma tristeza que só me deu desilusão”. Foda-se, se isso já virou jargão. Clichê demais pro seu gosto. Muito “fora de moda”. Não sei mais o que está em voga, a moral ou amoral. Meu filho vai se chamar Vinícius.




Qual foi a insensatez que cometi? Como eu vim parar aqui? Onde foi que erramos? EU errei? Perturba a minha night and go. Acho que devíamos orquestrar a problemática pra não ser obrigado a usar palavras. Frases coletivas (Jung talvez concordasse comigo) deviam soar como movimento coletivo. Como a aleluia de Hendel. Um coro gospel.

terça-feira, junho 01, 2010

Ando vivendo intoxicado de mim mesmo. Quando um encadeamento pára!, é difícil nessas noites de frio, mas tudo recomeça.

a good punk



Seis anos sem meu pai, fora visitas freqüentes, mas pouco contato. Ele agora está chegando definitivamente. Eu e minha mãe esperamos ansiosamente. Essa casa está à venda e esse talvez seja um dos últimos entardeceres que vejo por essa janela. Eu traço tempo vendo a linha do sol refletida no muro da frente, e sei as horas. Vejo as horas pelo céu, pelas sombras. Também sou observador de nuvens. Espero há duas ou três semanas, mas espero por uma definição de vida. Eu, por trás dessas palavras, tenho uma vida. Hoje minha mãe não se sente muito bem. “A paciência é a virtude das virtudes” escreveu Naduan Nassar em Lavoura Arcaica, na voz da triste senhora. Estou treinando a minha. O sol desce e as sombras sobem como uma régua, como um registro do tempo. E lá se vão as horas. "Só um dia o ‘porquê’ se levanta e tudo recomeça nessa lassidão tingida de espanto (...) no extremo desse despertar vem, com o tempo, a consequência- o suicídio ou o restabelecimento (...) porque tudo começa pela consciência e nada vale a não ser por ela." A.C. E Freud diria "papai-mamãe-a lei..." Blargh foda-se.

Ladrão de Entardeceres