quinta-feira, agosto 26, 2010


Por que essa iniquidade? por que essa distância? esse sentir-se perto, se longe? e esse longe se perto. Se de dentro de mim ainda simboliza a linha de passagem da crueldade, do despojo, do desdém e da derrota saboreada pelo papel que o seu você, esse seu útero infantil e seu leite negro protagonizaram tão bem.


Lindo!
E eu me sinto enfeitiçada
Correndo perigo
Seu olhar
É simplesmente
Lindo!...

Mas também não diz mais nada
Menino bonito
E então quero olhar você
Depois ir embora
Ah! Ah!
Sem dizer o porquê
Eu sou cigana
Ah! Ah!
Basta olhar prá você...


E eu me sinto enfeitiçada
Correndo perigo
Seu olhar
É simplesmente
Lindo!...


Mas também não diz mais nada
Menino bonito
E então quero olhar você
Depois ir embora
Ah! Ah!
Sem dizer o porquê
Eu sou cigana
Ah! Ah!
Basta olhar prá você...


Depois ir embora
Ah! Ah!
Sem dizer o porquê
Eu sou cigana
Ah! Ah!
Basta olhar prá você...



terça-feira, agosto 24, 2010

ei, onde você vai?



Essa trama novelesca que me dá fome e tédio. Essa trama novelesca que se desvela entre cigarros de menta e soluços. Peito engasgado, mudo. Silencioso por dentro, cappicci? Essa interface High Low, Low profile, escuso, esse monitor velho perdido no tempo da fogueira, essa chave do conhecimento, dez anos sem celular, essa é a minha preocupação, essa ladainha, esse lamento, essa dor sem fim, esse gesto. Esse contradicto ao inverso dentro de mim, essa rara capacidade de não dizer nada, de voltar ao mesmo ponto, de não ser catedrático, blasfêmico. Na academia não há como fugir das hienas, não há como sair da caverna. A cena novelesca mais uma vez. Reluto em ser contaminado pela política. Cada um, eu sei, em seu canto, cada vez mais dentro, minha fogueira, cada vez menos o mesmo eu, caído em contradição reverbero oco vazio do eco. Alheio ao hipertexto, ausente, sem asas, sem redbull. Uma cena sem tema, sem gritos e sem áudio, diante da velharia, diante da minha própria descontaminação, diante de um trabalho feito só.

vesúvio jazz cafe

Vou voluntariamente,vôo. (com acento)

domingo, agosto 22, 2010

re-completando

Não se sabe qual dor a garganta abafa, comprime o diafragma. O quê fazer com o choro adulto?

sorriso e lágrimas


Linda ragazza,




Sou um homem do mato, mas eu estou "por dentro", da minha forma. As cavernas. Sou o homem de hoje sou o homem de ontem. A roupa de ontem, esse jeito de não ter medo de andar, confiante em si só. Esse depojo de estrangeiro alheio, vilipendioso. Apenas um estar entre a gente não sou popriamente. Em busca da realidade. Não tenho mais problemas com a tarde, a madrugada, o espelho e sigo escrevendo meu próprio manual de felicidade. Conceitos freudianos me lembram você, Petit. À merda com todos esses conceitos. Mamãe, papai, a lei – transgressão. Esse tolo sentimento de culpa que te devora, essa culpa social, antropológica, urbana. O meu maior medo é de cair em esquecimento, obliterado pelos olhos alheios, sem reminiscência, sem memória. A Natureza (ou Deus) me consola. Sozinho. Do riso a gargalhada, do choro ao pranto. Coragem. Lavando a alma, acima da terra, a água que brota. Isso que me assola esse desconforto, esse medo que me faz recuar. A natureza é um enorme útero. Auf wiedersehen. Adeus...









Qual seu medo mais pavoroso?

quinta-feira, agosto 19, 2010

completato, chiuso



No início da primavera as pequeninas orquídeas do serrado florescem em suas "batatas" nas pedras, longe do alcance do fogo. Parece ser atávico eu querer me refugiar no alto das montanhas seguindo uma trilha em s ao contrário. A toca onde cabe exatamente uma pessoa. Parece um grande pequeno útero. Algumas aranhas, embaixo de uma pedra. O buraco se estende pra dentro onde eu coloco algumas velas e as coisas pequenas. O calor faz jus ao eufemismo. Pela entrada, olho as estrelas na amplidão. Observo todo o trajeto da lua. A noite é única, especial. Todos estão a salvo, aquecidos como pinto e galinha. Cavalinho de madeira corre com a boca seca e morro acima e se esfola e relincha e segue. Aliás, sabe seguir adiante, livre e galopante, cavalo sou. Galopa bicho doido, se apruma. Conserva o eixo nas curvas, segue seu instinto. Sua própria imagem. Deve ser isso. Associado à força bruta, é um bicho meio “burro”. Pasta, dorme, corre sem solto, sabe onde vai beber água do riacho, aquecer o pasto, ocupar espaço. Volto a fruir a Natureza lugar vazio de seres humanos. Do cume observo a Serra do Espinhaço, sigo em s ao contrário. Uma hora dessas, quebro meu jejum e tenho que descer ao mosteiro. Pólvora e tabaco.


Ele te ama

7:27 O rei pranteará, e o príncipe se vestirá de desolação, e as mãos do povo da terra tremerão de medo. Conforme o seu caminho lhes farei, e conforme os seus merecimentos os julgarei; e saberão que eu sou o Senhor.

quarta-feira, agosto 18, 2010

O restaurador de quadros. Um códice sagrado, profano, esquecido, mas de quê vale a História? Queimemos os museus! – diz o Nada. São Jorge olha pra espada. Aí foi que eu sambei, cumadre. Doce bárbaro bem-comportado. Um gentil, um homem das montanhas. De dia eu ando nas trilhas, a noite eu durmo nas tocas. Um lugar meu lugar é sumir no mundo (? mim-mesmo? la fêtte, la merde?). Sempre rasteja em meu coração. Difícil entrar em harmonia comigo. Enlouquecido-zen por algum feitiço lançado "de flash" por um chapeleiro. O veneno, o remédio, a linha reta e a mad hatter. Antes de colocar sua maquiagem, diz alguma coisa boa pra mim. Livre, voa pássaro livre. Livre como passarinho. Olha que lindo. Mais que isso, só um samba de roda...

mmmmmmmmmmmmm

Before I put up my make-up...

sábado, agosto 14, 2010

Criança esperança





Qual será a parte do meu DNA que revirou alianças do passado, que trouxe comigo essa busca louca desenfreada? Então é assim, um homem na horizontalidade, na amplidão, na verticalidade. Então é assim, um mundo novo pra mim. Todo feito de plástico. Todo feito e de pessoas novinhas “em folha”, distantes, intubadas. No caminho torpe dessas adentanhadas, acumpinzadas, cuspidouras e mal traçadas linhas.

domingo, agosto 08, 2010

Estética


Eu não posso postar coisas que me despertam. Eu posto coisas que me dão esperança. Espero que o pêndulo esteja balançando longe do terrível. Eu cobiço a beleza idiossincrática, a criatividade, a inventividade. Estou cansado de pessoas compiladas em retratos que a beleza do macaco como o monstro de Frankenstein é vida. A beleza é um maníaco na corrida armamentista. Apenas me dê uma pessoa bem fotografada. No clichê, pois é um talentoso fotógrafo é aquele que pode fazer qualquer assunto cativante. Ninguém é tão bom no Photoshop quanto eles pensam que são. Eu acho que não estou sozinho em meus pensamentos também. Polaróides são quadril. Polaróides estão perdoadas em suas manchas e cores suaves. Polaróides não podem ser pós-processadas. O mesmo vale para os mais velhos 35 milímetros “ponto-e-disparar”. As câmeras atualmente estão desfrutando de um ressurgimento graças a fotógrafos como Terry Richardson. Esses são todos os atalhos de autenticidade, porque nos fazem lembrar o quando éramos mais jovens e menos cansados. Eles enfatizam o momento capturado, falhas e tudo. Falhas em especial, talvez. A nudez em si me dá esperança. Não é pornô nudez, não a nudez da linha de montagem. A nudez do lúdico, ou pelo menos a nudez honesta. Eu busco a nudez que me faz pensar que poderíamos eventualmente derrubar o último dos puritanos (culpa e vergonha) que ferem a nossa cultura.

sábado, agosto 07, 2010

Solidão é uma coisa intrínseca


Deixa que meus olhos descansem após viverem tão gentilmente o dia. Deixa que eu corra sobre o meu eixo. Catequiza meus exús. Ajuda a dizer a eles que eu quero caminhar no caminho do bem. Ajuda a prosseguir viagem nessa jornada tão curta, por mais que a espera seja longa. Às vezes lembro-me de você e até choro. Dá-te forças ó Gustavo, ou pede uma ajudinha na subida - uma mão amiga. Estou cansado desse Sun set, meus olhos estão aguados como quem pula da sombra pra luz feito um gato, bichano sagaz, espreguiçoso. Sou como eu sou, sou o que fui o que eu era. Sou você sou eu, é. Amanhã serei meu pai, minha mãe e meus irmãos.


..........

quinta-feira, agosto 05, 2010

fogo in chico


ou fucking shit

Então é assim um mundo desconhecido pra mim. Então é assim matando o tédio um saro no play, arranhões na cobertura Flamengo Sketches. A vista da amplidão, da verticalidade, simplicidade. Miles Davis diz que não e toca sua corneta feito uma galinha choca. Chet Baker, dopado de heroína, (e quantas foram nossas indestrutíveis heroínas?) dopado de algum sonho qualquer de viciado. Pungente. Mas deixa o Chet fora disso. O que vale é um sonho feliz, cheio de realizações, cheio de alegria. E se eu disser que a felicidade está dentro de nós mesmos? E já que estamos presos a nós mesmos. O budista encontra estado pleno de consciência então choca. Seu pau está duro. A minha mente (nossas) disvirtuada, disvituosa, disvurgulosa, hipofágica. Sua mãe não devia deixar você falar assim tanta bobagem quanto às mulheres, menino. Obrigado Francisco, luz evangelizadora no caminho torpe dessas, adentanhadas, destracejadas, acumpinzadas, cuspidouras e mal traçadas linhas. Life on pianinho. Leva no pianinho... Na flauta-piano. Hermeteia. Pascaleja.

((nada(s))

quarta-feira, agosto 04, 2010

qué que eu sei?




Constato, aos trinta e dois anos, que “momentos” desenham linhas de ruptura em nossa vida. Aos trinta e três anos Jesus saiu para pregar. Pelo deserto passou sua prova mais íntima. Morreu na cruz. Oito vezes morri na cruz dos braços de uma mulher que muito amei. Essa é a ruptura. Posso traçar uma linha sísmica, além do tempo, além do outro. Através da minha experiência. Hoje é como se eu não devesse nada ao mundo feminino, portanto, quase nada ao mundo. A não ser, os filhos. Uma extensão genética provinda de apenas dois pares de cromossomos. Uma meia-cópia de mim, adulterada pela indústria cultural. Um minuteiro que gira sem o ponteiro das horas. Gira porque é inexorável por aproximadamente cem anos. Daqui a duzentos anos nenhum de nós estará aqui no planeta, vivo pra poder dizer.

terça-feira, agosto 03, 2010

Imagem para Caio Campos

Stanislaw Wyspanski,
vulgo, Caio Campos.





Vivícius


Forma de expressar uma dor inexprimível. A infantilidade leva a isso. O infante ou infantil não tem voz. A criança, de acordo com uma reação atávica do pensamento, não é ouvida. A voz de um esquizofrênico também, mas a vocalização infantil simplesmente não ouvida. Não é válida. É absurda e puramente contraditória como a de um louco.

domingo, agosto 01, 2010

La Carmen tiene un cutillo.





Sim, suicidado pela sociedade. Interno, Artaud, pequeno. Carmen, suave vendaval, como uma bulerías. Sacou seu punhal e não se viu. Uma tedesca, uma grega, uma persa. Quê esforço faço ao traçar tais linhas, se todas essas moças foram minhas? Foram “minhas”, tantas moças belas, agora que sou essa besta-fera. Uma coisa é certa, todas elas tinham um cutillo.

p.2


Ah, Lua minguante, é difícil encarar, te encarar. Ah despojamento... uma barata passa em cima dos papéis e voa pela janela, maldita. Como descobrir a poesia na mulher que me fez desfazer amar? Como lidar com isso? Uma auto, auto, auto auto, auto... Esse é o lenço que eu mais tenho gosto. O que minha mãe escreveu as iniciais A.P. em tons de cinza xadrez claro me apega a esses pequeninos predicados. Talvez um coração dilacerante esse esquecimento sem fim, essa falta, esse vazio que se fez. Sigo. Sozinho, mudo, cheio de pequenos absurdos. Enganchado nesse poema, nessa prosa, mesmo que me doam as costas, os músculos, enquanto gotas salgadas infladas pela garganta querem saltar. O estômago vazio. Ouvindo ópera, sozinho, num sábado à noite. E ouvindo os clássicos. O piano. Franzino, zen, maluco, louro, insano. Homens muito valentes foram meus avôs diretos. Alguém me disse que eu era um ótimo ser humano. Minha mãe diz para honrar a estirpe, mas alguém diz que você não existe.