segunda-feira, fevereiro 14, 2011

__Como foi a sua caminhada? – perguntou.

__ Foi longa e cansativa.

__ Mas você foi sozinho?

__ Fui... – dali em diante seguiu-se um silêncio de que ambos foram cúmplices. Durante duas longas horas, subindo e descendo e fazendo curvas numa estrada de terra. A paisagem em volta era de floresta. Passaram por um pequeno povoado, as casas com as luzes acessas. Duas meninas na janela fitavam os passantes. Não passava quase ninguém, mas mesmo a cinquenta por hora, elas nos olharam dentro dos olhos.

__ Chegamos. – disse o chefe. Essa aqui é a pensão do Abílio – e rufou – Laerte! Apareceu um homem que lhe figurava uma criatura primitiva e atarracada.

Lembrou-se da vez que foi a um casamento com Mildred. A cachacinha de côco no tonel, a primeira vez que comeu umbigo de banana, a lua cheia no quintal, sentados na escuridão num banco de madeira. O pensamento voa longe, fértil, resguardado, anônimo e único. Cada flash remexia seus neurônios e testículos, mas a terra, a ferrugem da estrada e o cansaço repovoavam sua mente.

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