sexta-feira, março 11, 2011

gone tatto

Ricardo Cavolo

Sufocado, perdido, suspenso em lugar estranho. Agora nada ganho com a solidão adjacente. Nada se revela em palavras. Nada vejo por trás da tela. Balela dizer quem me conhece. Eu não conheço nada. Sou o homem detrás da porta. Devo ser terrível, ninguém me suporta. Ninguém resiste por falta de resistência. Sou “pesado” alguém me disse. Galhardia e devoção estão fora de moda. O sábio disse ao “pesado” - drogar-se é uma forma de sacrifício. Um devir humano tornou o pesado mais leve. A doc. disse que eu tenho um quê de psicose. Não sou psicótico nem aqui nem na China, sou o homem de barba. Primeira característica – negar. A francesa disse que minha barba tem cheiro de serragem, madeira seca. Carmencita confirmou e depois me apunhalou pelas costas, alla Bergman, fria e calculadamente. Sozinho diante do nada. Superei obstáculos físicos e mentais nessa última caminhada. “Morreu como herói. Venceu a si mesmo” e a bundinha de nada, o pedacinho de carne sussurra nos meus ouvidos: “idiota, frustrado”. Faz parte da proliferação das massas na indústria da cultura, do cinema e da literatura. Quando a enferma ignorância permanece na linha de montagem. Eu amo demais, mas quem amar? A putandice cruélica levou-me ao celibato. Leve, agora, busco a senda do sagrado. Sabe, sei que viver é amar, perdoar e esquecer. Em comunhão com o hipertexto, a sociedade, as pessoas e a natureza, que apesar dos tigres da ira serem mais sábios do que os cavalos da instrução, sinceramente gostaria de mandar-te um grande foda-se! minha indisciplina cristã, ma mistake de monge. Minha Via Vida pantagruélica pelas frentes, sem fantasia. Vivendo a concreta realidade. Sonhos? sonhos que se manipula com a mão. O poeta passa a ser apenas uma excrescência ornamental dispensável e “pensar” tornou-se um artifício desnecessário. Sou poeta, interesso-me por pessoas. Mortifico-me em saber que você pensa que não existe “amor” – repleto de sin-signos infinitos, infinitamente interpretáveis. O amor existe, mas a juventude ainda não sabe. O sonho está morto até que eu me case e tenha três filhos. Desposar alguém que mereça a mesma atmosfera íntima com que conquistei minha leveza. Ser idiota e/ou ser pragmático? O paradoxo toma de assalto quando menos se espera.


2 comentários:

Sofia A. disse...

Que texto incrível.
E é isso, o peso, a loucura de quem ama demais.
Já desejei muito a leveza, mas desisti.
Um beijo!

Clara disse...

Talvez carrego desse mesmo peso impregnado na carne.
Tão cheia de amores, amores destinados a ninguém...
gostei daqui, volto