terça-feira, outubro 11, 2011

Praça de convergências

Ando de um lado pro outro, em busca de felicidade. O dinheiro é escasso, a luta é diária, cotidiana, Kantiana. A batalha um clichê. Não tenho mais “conexão”. Tampouco a TV me açoita com suas imagens e texto-legenda. Ando pelas ruas da cidade, feito um rato branco de laboratório. Caminho por um labirinto, numa espécie de pesquisa. Os caminhos do excesso conduzem ao ponto de saturação, e apenas. Procuro por felicidade. “Oi, alguém tem felicidade aí? Me vende um pouco?”. Uma questão sutil que envolve conceitos abstratos. Mas como descrever a linguagem dos sentimentos? A linguagem da poesia, do arrepio e do suspiro? Por aquele lado dá choque, por aquele outro dá pânico. Por esse já não há encanto e esse outro sufoca. Um caminho ensimesmado e grudado laconicamente, Lacanicamente, simbolicamente. Conheço pessoas que conseguem segui-lo sem burlar sua própria ética. Onde não há discernimento, já se está além do bem e do mal. Essa busca do “self” coloca as pessoas em risco eminente. Colocamos nossas vidas em risco em nome desse código de conduta. Então reclamo com essa excrescência social chamada Deus. Quando escrevo transformo as formas que não posso compor. Há um conflito entre instrumentação semiótica e baixa tecnologia. O ato de telever não importa. Os livros ainda não me impedem de lê-los. A voz da motivação parece sempre igual. Não há defesa. A idéia é um conceito necessário da razão ao qual não pode haver nos sentidos nenhum objeto correspondente (congruirender Gegenstand). Portanto, o que vemos e percebemos concretamente não produz ideias, ou conceitos, que o classificam e significam. A “psicologia da forma” (Gestalt) de onde aprendemos – de modo experimental – que nossas percepções nunca são representações ou decalques imediatos daquilo que vemos, mas reconstruções “emolduradas” do que é observado.

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